E se fosse verdade?
9 Quando estou com você.
Notas iniciais
– Tá falando com alguém? – Perguntou Thalita saindo do quarto enrolada em uma toalha.
– Olha pra cima Daniel! – Julie o repreendeu gesticulando.
– Nada. Não é nada. – Daniel respondeu.
– Olha, me desculpa se eu to pegando pesado ta, mas é o meu estilo. – disse Thalita.
Julie ainda observava a cena, de braços cruzados, olhava Thalita com desdém.
– Daniel, manda ver, vá em frente, fica com ela, é o que vocês dois querem. – Julie dizia em um fio de voz. – Vai, ela é linda e ta ai, bem na sua frente, e eu atrapalhando. – finalizou saindo de la.
– Não! Juliana, Juliana! – Daniel a chamava.
– É Thalita. – Thalita disse deixando a toalha cair.
[..]
Julie agora estava no terraço, admirava a vista pensativa.
– Foi rápido. – Julie disse ao reparar Daniel se aproximando dela.
– Que isso. Não aconteceu nada. – Daniel justificou
– Disse o que a ela? – Julie quis saber.
– Ah, que eu via uma pessoa. – Julie riu. – Jura?
– Eu so não disse que sou a única pessoa que consegue. – Daniel completou sorrindo torto, Julie também sorriu levemente.
– Sabe, eu não estive com mais ninguém depois, depois da Laura. – admitiu. – Ela estava chingando um sapato, o salto tinha quebrado, ela sentou e colocou a mão na cabeça. – Daniel explicava.
– Hemorragia cerebral? – deduziu Julie, o loiro assentiu.
– E, ah. – suspirou tristemente. – eu não pude fazer nada pra ajudar, ela já tinha ido, eu não pude nem me despedir, ela se foi. – contava, se lembrando com lagrimas nos olhos.
– Como ela era? – Julie perguntou.
– Sabe, ela era muito chata, não, sério, ela deixava sutiãs nas maçanetas, deixava o carro com a gasolina abaixo da reserva, ela não conseguia abastecer o carro, era impossível pra ela. – Daniel contava, agora sorrindo.
– Sinto muito Daniel. – Julie disse o olhando ternamente.
– Sua irmã não assinaria aqueles papeis, assinaria? – o loiro perguntou mudando de assunto.
– Eu não sei, espero que não. – Julie respondeu abaixando a cabeça.- mas nem importa, se eu não acordar logo, minha atividade cerebral diminui a cada dia. – se lamentava.
– Talvez nem seja tão ruim assim, você é muito sabichona. – Daniel tentava a consolar, os dois riram. – Vai trazer você pro meu nível. – finalizou, Julie sorriu.
– Você não é burro Daniel, so um pouco lento. Bonito, mas lento. – Julie disse ainda sorrindo.
– Obrigado. – sorriu agradecendo. – eu nem sempre fui assim sabe.
– E como você era? – Julie perguntou.
– Vem ca, eu quero te mostrar um coisa. – se desescorou da mureta a chamando.
Julie o seguiu, e foram de carro, a o local.
– Ande vamos? – Julie perguntou curiosa.
– É uma casa, o dono fica no Rio essa época do ano. – Daniel explicou.
– Estamos invadindo? – Julie estranhou.
– Relaxa, não vamos entrar. – Daniel disse abrindo o grande portão a frente deles, que dava para um enorme jardim. – É aqui. Você disse que ama jardins. – os dois entraram. O lugar era lindo, com diversos tipos de rosas.
– Que lugar é esse? – Julie perguntou encantada. Agora eles andavam pelo caminho de flores.
– Eu fiz esse lugar. – Daniel admitiu. – É o meu trabalho, eu era paisagista. Tive a minha própria empresa – Daniel sorriu, Julie se virou, e então o dois se encararam, se perderam por alguns instantes nos olhos um do outro. Julie abaixou a cabeça um pouco envergonhada. O local era realmente lindo, e para Julie, saber que Daniel tinha o feito, so o tornava mais especial.
– Daniel, eu já estive aqui. – Julie então se lembrou, de umas das vezes q sonho com esse local, um dia antes do seu acidente.
– Como assim? – Daniel estranhou.
– Eu sei que vai parecer estranho, mas eu sonhei com esse lugar. – Julie explicou, Daniel se aproximou novamente. – Essas flores, tudo. É lindo! – as cenas do sonho passavam como flashes na mente da morena, sorriu para Daniel, que a observava. – Que alegria deve ser criar um lugar como esse!. – disse olhando em volta, sentia o aroma das flores.
– Era sim. – Daniel admitiu suspirando levemente.
– E vai ser de novo? – Julie sorriu abobada.
– Claro. – respondeu.
– Promete? – Julie lhe estendeu a mão, Daniel sorriu torto, a olhou de relance, Julie se derreteu por seus negros olhos, estendeu a mão também, mas não conseguiam se tocar, porém, Julie sentia um arrepio, como um choque, e uma eletricidade estranhamente boa, invadia seu corpo. Seus olhos se cruzaram mais uma vez, sorriram, dessa vez, ambos sorriram abertamente, um sorriso largo e encantador, sim, encantador. Tentavam em suas mente entender o que se passava, mesmo não podendo se tocar, sentiam que haviam uma ligação maior entre eles, apenas ainda não sabiam, o que, e nem porque, mas era uma ligação forte e real, algo que os levou a esse momento único e especial.
– Você nem pode me tocar – pausou envergonhada. – mas ainda sim, me sinto nervosa ao seu lado. – a morena admitiu abaixando a cabeça.
– Talvez seja exatamente por isso. – Daniel a olhou profundamente, seu coração batia enlouquecidamente, mesmo não havendo contato físico, não podiam negar, que o que os ligava era além daquilo, e isso era assustadoramente maravilhoso, porque ambos jamais se imaginariam nessa situação, porem, se tivessem a oportunidade de a viverem novamente, não mudariam um so instante daquilo. Era magico.
Foram interrompidos pelo toque do celular de Daniel. Era Cris a corretora.
– Alô? – o loiro atendeu.
– Daniel, é Cris. – a corretora disse assim que Daniel atendeu. – Olha, você é o homem mais sortudo em São Paulo – disse animada.
– Obrigado, porque diz isso? – estranhou um pouco.
– Boa noticia, o apartamento é seu!. – contou. – E querem fazer um contrato longo. – finalizou. Daniel não gostou daquelas palavras. Olhou preocupado para a morena.
– Longo como? – perguntou aflito.
– Muito longo. E eu mando para você, até amanhã.
– Perai. Porque estão me dando um contrato longo? – precisava saber. Agora Julie começava a entender a conversa e estava preocupada também.
– Ah, é um caso terrível, a inquilina está em coma, e não tem jeito, e parece que vão desligar os aparelhos. Mas olha, eles vão deixar o sofá que você deixou. – Daniel desligou, estava aflito e bastante preocupado.
– O que foi? – Julie reparou no jeito dele.
– Temos que falar com a sua irmã. – avisou.
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