Notas iniciais
Primeiramente, eu não pretendia fazer um capitulo narrado pelo Percy, mas eu li um comentário e eu fiquei pensando em fazer. Não é algo tão relevante na historia, mas achei legal vocês saberem especificamente dessa parte na vida de Percy. No futuro vocês saberão porque. ***************ATENÇÃO*************** Apenas para situar vocês no espaço tempo. Isso se passa antes das férias de verão, antes da Annabeth vira uma caçadora.

Sabe o que é tédio? Não, você não sabe. Eu não tinha absolutamente nada para fazer. É nessa horas que eu sinto falta da escola... Esqueça o que eu disse, não preciso dela, até porque, eu já terminei e não quero passar por todos os meus problemas escolares de novo. Era um inferno para ser sincero. E olha que eu já fui para o submundo e acho ele bem mais agradável que certos colégios que frequentei.

Estar deitado no jardim do Olimpo era legal, a grama brincava na minha pele, o cheiro de algumas flores me fazia suspirar e o clima era agradável. O Olímpio estava tranquilo, o que era estranho.

Geralmente deuses brigavam entre si, ou reclamavam sobre algo, ou até mesmo conversavam animados. Mas hoje, nem as brincadeiras das ninfas eu escutava.

Me levantei e decidi olhar por aí.

O jardim contornava todo Olimpo com uma trilha de pedra. Faz apenas alguns meses que vim para cá.

Onde meu pai estava eu também estava (quando eu não estava no Acampamento ou viajando pelo mundo, o que era meio raro, mas se tornou um dos meus passatempos. Já foram para o Japão? Bem legal lá). Ele disse que não gostava muito de ficar no meio da reforma, então ficamos no seu palácio até o Olímpio estar pronto.

Ele ficou maravilhoso! O jardim, antes se limitava apenas ao caminho do elevador até o salão, havia estátuas brancas espalhadas por ele, e tinha também uma biblioteca, mas eu não tive curiosidade para entrar e acho que eu também não poderia, já que ela pertencia a Atena.

Eu passava pelo caminho de pedras lisas e em tons de cinza olhando em volta.

Vi ninfas agrupadas num lugar afastado na grama do jardim, elas cochichavam e pareciam ansiosas. Elas gesticulavam e faziam caretas. Uma delas me viu passando e chamou a atenção das outras apontando para mim.

Me senti de novo no colegial, quando eu passava pelo corredor e apontavam para mim falando que fui eu que destruí algo ou que vou ser expulso em breve.

Elas assentiam umas para as outras e apenas dei de ombros.

Não me interessava muito o que falavam ou o que pensavam, mas achava um pouco estranho.

Passo por elas e continuo olhando o jardim. Depois de um tempo, avisto outro grupinho de ninfas, essas estavam um pouco mais próximas que as outras.

Elas tiveram uma reação diferente quando me viram. Algumas apenas cochicharam falando algo e outras me olhavam curiosas.

Eu já tinha visto essas ninfas antes, e elas nem me deram bola quando me viam. Por que estão agindo assim agora?

Minha curiosidade me domina e vou até elas. Duas se afastam quando chego perto e as outras apenas me olham surpresas.

— Posso saber porque vocês estão falando de mim? — eu não ligava para o que elas falavam, apenas queria saber o porquê desse interesse repentino.

Elas ficam caladas na esperança de eu ir embora. Podia ver medo nos olhos de algumas, o que me entristece um pouco.

— Preciso repetir a pergunta? — olho meio exigente para elas.

— Estão falando de você... — uma solta.

— No salão... — uma das que tinha se afastado completa.

Volto para o meu caminho sem falar nada. Elas voltam a cochichar pelas minhas costas, o que me faz revirar os olhos.

Deixo a caminhada pelo jardim para depois e vou para o salão dos tronos.

Não vejo nenhum deus no caminho, talvez estivesse no mundo mortal infernizando... quer dizer, ajudando seus filhos.

A porta estava entre aberta, provavelmente por causa das ninfas tentando ver e escutar.

Olho pela brecha e não vejo ninguém. Abro a porta e só vejo os tronos vazios. Todos os doze e o trono negro de Hades, meio isolado. Observo o lugar por um tempo e depois de dirijo para a porta, mas eu escuto uma voz feminina gritando algo lá de dentro.

Fecho a porta do salão e vou até o corredor no fundo do salão.

Passo pelas porta do corredor sem saber o que tinha atrás delas, eu apenas seguia a voz nervosa da mulher.

Ela me levou até a última porta do corredor, eu sabia o que tinha atrás dela.

A sala de Zeus.

Sim, ele tem uma sala. Ele diz que é porque, como ele é o rei do Olímpio, ele tem que ter uma sala só para ele, para tratar de assuntos particulares.

Eu achava que ele não tinha esse tipo de assunto, até eu escutar a voz dessa mulher.

Me abaixo perto da porta e presto mais atenção na conversa.

— Já se passou um ano, eu não vou mais aturar isso! — a voz da mulher era carregada de raiva.

— Eu não posso fazer tudo que você quer, na hora que você quer! — escuto a mão de Zeus bater na mesa.

Olho pelo buraco da fechadura e consigo ver apenas metade de Zeus sentado numa cadeira de couro de frente para uma mesa. Para quê esse cara tinha um escritório? Para organizar a papelada de contas do Olímpio?

— Olha aqui Zeus — um vestido rosa brilhante para na frente de Zeus, impedindo minha visão do deus — Todos podem pensar que sou uma deusa inofensiva e gentil, mas você sabe que não é bem assim. Ou devo lhe lembrar dos seus casos com mortais...?

Conseguia ver os cabelos loiros num penteado meio preso.

Afrodite.

Ela estava inclinada sobre a mesa, conseguia imaginar a sua cara ameaçadora. Não vou negar, eu tinha um pouco de medo de Afrodite, ela me assustava mais que Ares. Se bem que ele não me assusta, mas tudo bem.

— Afrodite...

— Você já atrapalhou meus casais antes, e por mais que eu te castigue, fazendo você se apaixonar por mortais e enfrentar a fúria de Hera, parece que você não aprende! — ela bate a mão na mesa e sai do meu campo de visão.

— Não é culpa minha ele ter aceitado! Você que deveria ter feito ele amar mais ela.

Um silêncio pesa na sala e me faz ficar tenso. E vi algo no rosto de Zeus que nunca tinha visto. Medo. Podia ver o arrependimento em seus olhos quando pronunciou essas palavras.

— Você é tolo Zeus... — Afrodite sussurra e quase não escuto — Apesar de ser a deusa do amor, ele é muito forte para ser controlado — a medida que falava seu tom aumentava — Não posso simplesmente fazer uma pessoa amar a outra, posso controlar seu desejo, sua paixão, mas depende da pessoa se render ao amor ou não. E ele a ama! — ela tinha voltado a gritar — Mas você estragou tudo!

— Não é culpa minha ele escolher a vida eterna! Eu o dei a opção, e ele se decidiu! — o deus bate as mãos na mesa e levanta num pulo.

Porque algo na minha mente dizia que estavam falando de mim? Eles não estavam, estavam?

A cena no salão dos tronos, no dia que derrotados Cronos, volta a minha cabeça. Quando eu disse que aceitava, quando senti a aura divina me envolver, quando vi ela desviar o olhar...

Uma lágrima silenciosa rola do meu olho, minha visão começa a embaçar. Sinto como se algo estivesse espremendo meu coração com força.

Sim, eles estavam falando de mim.

Achei que essa escolha ajudaria a vida dos semideuses, e ajudou. Consegui que todos, até os deuses menores, reconhecessem seus filhos e construí chalés para eles. Mas eu acabei estragando minha vida.

Sento no chão na frente da porta e continuo a escutar os gritos de Afrodite, mas agora eu já não prestava atenção.

Eu não gostava quando me chamavam de lerdo, porque eu não sou lerdo. Agora eu percebo isso. Eu sou muito mais que lerdo! Eu sou um babaca idiota que não pensa e não mede seus atos!

Sinto meu rosto molhando pelas lágrimas, me encosto na parede e não ligo se os dois deuses bravos irão escutar meus soluços. Cada soluço era como se uma estaca acertasse meu coração. Abraço meus joelhos tentando protege-lo em vão.

Annabeth...

Pensar em seu nome fazia meu coração se contorcer, pensar em seus olhos fazia mais lágrimas saírem dos meus e pensar no seu sorriso, que eu nunca mais tinha visto desde o dia que foi nomeada arquiteta oficial do Olímpio, me fazia soluçar cada vez mais alto.

Percebo que os gritos cessaram. Num piscar de olhos, eu tinha me levado para o meu quarto.

Eu queria minha sabidinha de volta. Eu não queria ser mais a droga de um deus! Bato na parede tentando canalizar minha raiva.

Não tinha raiva de Zeus, não tinha raiva de Afrodite e muito menos de Annabeth. Eu tinha raiva de mim! Porque eu tinha que ser tão babaca?

Esmurro a parece até minha mão ficar machada de dourado. Gritava a cada murro. Queria ver minha mão sangrar, me penalizar. Mas o icor que saia no lugar do vermelho era apenas um lembrete da minha estúpida escolha.

Enxugo minhas lágrimas e limpo o icor da mão. Saio do meu quarto.

Talvez desse para perceber que eu estava chorando, mas eu não me importava.

Ando pelo corredor de portas coloridas, cada porta um quarto. A porta amarela, no começo do corredor, se abre.

Acelero o passo tentando passar por ela sem ser visto, mas sou impedido por quem acabou de sair do quarto claro como o sol.

— E aí Perseu? Como... — Apolo diz fechando a porta, mas para quando olha pra mim — O que aconteceu?

Abaixo o olhar e passo por ele.

— Cara, volta aqui! — ele anda do meu lado — O que houve com você?

Por incrível que pareça, Apolo era o mais próximo de um amigo que eu tinha por aqui. Apesar do seu egocentrismo e a sua mania de se jogar em cima de garotas, ele era o mais próximo de um adolescente normal por aqui.

— Eu só queria minha vida de volta... — minha voz sai fraca, mas não gaguejo. Porque isso era a coisa que eu mais queria no momento.

Andamos em silêncio por alguns minutos.

— Talvez eu consiga te animar um pouco — ele sorri, o que faria qualquer mortal tapar os olhos.

Eu ainda sentia meu coração apertado e eu queria tirar as cordas que o envolvia e o espremia.

A dor toma conta novamente do meu corpo e minha visão embaça. Eu queria esquecer a dor, queria que ela sumisse.

Olho para Apolo e ele me olha com pena. Ele põe a mão no meu ombro e de repente estamos nas ruas de Nova York.

Era noite e as ruas estavam cheias de carros e pessoas. Ninguém notou quando aparecemos ali do nada.

— O que estamos fazendo aqui? — pergunto com a voz um pouco mais segura.

— Viemos fazer o que todo deus faz. Se distrair.

Eu não entendi muito bem o sentido dessa frase, mas alguma coisa em mim não gostou disso.

— Acho que não quero fazer isso... — digo dando um passo para trás.

— Relaxa, a gente só vai andar por aí e conversar como amigos — ele sorri e começa a andar por entre os mortais apressados para chegar em suas casas.

Eu acompanho seu passo.

Amigos. A lembrança do Acampamento invade minha mente. A cada segundo que passa vejo que eu sou o maior idiota de todos os milênios.

Nomes vem na minha cabeça, e cada um parece querer arrancar um pedaço do meu coração. Grover, Nico, Thalia, Clarisse, Will, Tyson e ela...

Minha vontade era de voltar para o Acampamento naquele segundo e esperar todo mundo chegar nas férias de verão, mas quando me dou conta, Apolo me puxa para dentro de uma casa noturna.

Eu não queria entrar aí, e acho que a minha mãe também não iria querer que eu entrasse aí... Mãe...

Minha respiração falha.

Sigo Apolo por entre as pessoas. Eu não sabia o que fazer ali, então eu apenas o segui.

— Morenas! — Apolo grita do meu lado e vai até um grupo de garotas em um canto.

Ótimo. Ele me trouxe para um lugar para me largar no meio dele. Não esperava menos.

Tento voltar para a saída para me levar para o Olímpio, mesmo sabendo que ninguém iria perceber se eu sumisse ali mesmo, eu não me sinto confortável em desaparecer na frente de muitas pessoas.

Ando espremido entre as pessoas até que sinto um peso nos meus braços. Olho para baixo e vejo uma garota uns trinta centímetros menor que eu apoiada, vulgo quase desmaiada de bêbada, nos meus braços.

Ela tinha cabelos castanhos e segurava um copo de vidro vazio. Ela olhava pra baixo e eu não conseguia ver seu rosto.

— Moça? — chamo e ela olha pra cima.

Sua pele era morena e seu olhos escuros. Ela não parecia ter mais de dezesseis anos. Sua boca forma um sorriso debochado.

— Desculpa — ela fica de pé, mais ainda preciso olhar para baixo — Achei que você fosse um poste, mas... se bem que postes não são tão fortes assim...

Ela passa a mão no meu braço. Me afasto por instinto.

— O que foi? — ela me olha rindo — Eu não mordo... Só se você quiser — ela morde o lábio inferior.

Acho que era para ser sedutor, mas eu fiquei com um pouco de medo.

Franzo a testa.

— Já sei, você tem namorada. Cadê ela? — ela olha para os lados sorrindo.

Namorada. Será que eu estaria namorando com a Annabeth se não tivesse feito essa besteira?

Abaixo a cabeça derrotado novamente pela dor.

— Ahh... Entendi — olho para ela e ela esboça um sorriso solidário — Vocês terminaram, né?

— Nem chegamos a namorar... — minha voz sai sofrida, mas um pequeno alívio entra pela minha boca. Talvez eu precisasse desabafar um pouco. E porque não com uma completa desconhecida?

— Ai. Pesado... Friendzone? — ela arrisca.

Doeria menos se fosse isso.

Ela puxa meu pulso para um bar no fundo da casa noturna.

Eu não sabia mais o que estava acontecendo, mas eu não ia deixar essa garota sozinha nesse estado. Ela mal andava direito.

Olho em volta no caminho e me arrependo logo depois. Vejo casais dançando, casais dançando colados e casais em cantos escuro fazendo... Prefiro não falar.

Ignoro e me sento em um dos bancos na frente do balcão do bar e ela se senta do meu lado.

— Uma vodka por favor — ela pede para o barman. Não acho que seria uma boa ela beber mais, mas não falo nada.

Ela olha para mim esperando que eu fale mais.

— Vamos, pode falar.

Suspiro ansioso para me livrar de uma parte da minha dor.

— A culpa não é dela, eu que fui idiota — apoio meus cotovelos no balcão e a cabeça nas mãos — Eu fui cego e não vi a besteira que fiz.

— Tudo bem, acontece — olho para ela e vejo o barman deixa o copo com vodka na sua frente — Toma, bebe — ela desliza o copo para perto de mim.

— O que?

— É, bebe... Você nunca bebeu, né? — desvio do seu olhar para as luzes coloridas que enchiam o local — Sabia. Vai por mim, quando você beber parte da dor que você sente agora vai embora. Sei por experiência própria... — sua voz sai fraca na última palavra. Senti tristeza em nelas.

Olho para o copo e depois para ela. Ela aponta para o copo com a cabeça me fazendo olhar para ele de novo.

Num movimento rápido, pego o copo e despejo todo o líquido na minha boca não me importando com as gotas e escorriam dos cantos da minha boca.

Não senti nenhum efeito no começo, nem a ardência que muitos diziam sentir na garganta. Mas depois de um tempo me sinto um pouco melhor.

Vejo outro copo na minha frente e bebo seu líquido. Ele parecia limpar o excesso de dor que eu sentia.

A medida que bebia sentia que podia fazer qualquer coisa (não que eu não possa, já que eu sou um deus), sentia que podia fazer o que eu quisesse, me sentia livre.

Depois do quinto copo, a garota me olha impressionada.

— Para a primeira vez, você parece ter feito isso várias vezes — ela ri.

— Percy — me apresento e estendo minha mão.

— Melissa — ela se apresenta, mas não aperta minha mão, ela me beija.

Notas finais
OPA! O que foi isso? Ficaram chocados? Espero que sim. Bem... Até o próximo cap ^^