E se fosse a gente? — Final Alternativo
2 Epílogo: Ben
Notas iniciais
Um mês depois
Nova York, Nova York.
Então é isso. É realmente isso. O fim.
Não acredito que consegui.
Assim que termino de postar o capítulo, sinto Arthur me abraçar bem forte, enfiando o rosto na curva de meu pescoço, o que me causa algumas cócegas.
—TERMINOU! — Grita ele animado — Finalmente BennisOPimentinha terminou de postar a sua história! — Ele me enche de beijos, o que obviamente me arranca diversos sorrisos.
—Ei, para alguém que é fã dessa história, você está feliz demais. — Digo, dando-lhe um beijo demorado.
Ainda não consigo acreditar que acabou. Acabei de postar o último capítulo de A Guerra do Mago Perverso no Wattpad. Eu comecei a postar em Janeiro, e desde então o número de leitores veio aumentando vertiginosamente. Comecei com algumas centenas de leitores que rapidamente viraram milhares em fevereiro, e sinto que o último capítulo vai passar dos cinquenta mil leitores. Tudo isso devido à capa feita por Samantha, que vamos combinar, é bem melhor do que a feita pelo Ethan.
—Você conseguiu. — Diz o Arthur, fazendo o meu coração acelerar. Ele está de óculos, o que, como sempre, o deixa infinitamente mais fofo do que normalmente é. Ele veio passar o recesso de fim de ano na minha casa, e meus pais decidiram jogar baralho com os vizinhos para nos deixar sozinhos por uns instantes, e como só faltava um capítulo para que eu terminasse A Guerra do Mago Perverso, Arthur insistiu para que eu terminasse o capítulo enquanto ele me observava atentamente a escrever — Você finalmente terminou o seu primeiro livro.
—Como assim "primeiro livro"? Eu posso nunca mais ter ideias pra outro livro além desse. — Digo, desviando o olhar, me questionando se eu realmente irei me tornar um escritor renomado como J.K Rowling ou se vou apenas me tornar o autor de AGDMP.
—Até parece que você iria parar aqui. Não existe escritor de um livro só, Ben. — Ele diz, acariciando o meu cabelo.
Eu sorrio, esfregando o nariz no dele.
—Não teria começado a postar se não fosse por você.
—O Ethan e a Jessie também incentivaram bastante. — Ele morde meu lábio levemente, e eu sinto as nossas respirações se misturando. Olha, eu sei que não deveria estar tendo ereções durante meus momentos mais fofos, mas quando o seu namorado que mora fora da cidade está ali, com você, a coisa muda totalmente.
—Eles foram incríveis também, mas você é o meu fã número 1, Rei Arturo. — Digo, dando-lhe um selinho demorado. Deus, passar o tempo junto de Arthur realmente é o meu passa-tempo favorito. Agora que ele veio me ver, quero aproveitar para passar a maior parte do tempo com ele antes dele voltar para Connecticut.
Eu o abraço, e ele apoia a cabeça no meu peito.
—Não vai ver as tags do seu livro no tumblr? — Pergunta Arthur.
—Eu estou tentado a fazer isso, mas vou deixar eles lerem primeiro. — Digo, mal conseguindo me segurar de ansiedade — Quero muito ler os comentários. Quero ver o que acharam de Ben-Jamin aniquilando sozinho os Sugadores de Vida e salvando o Rei Arturo, e o que acharam do duque Dill e a soberana Harrietta. E quando o Ben-Jamin se uniu com a feiticeira coroada para exorcizar...
—...Exorcizar os espíritos maus que possuíram o Hudsonien, eu sei disso. — Arthur completa, sorrindo pra mim — Você me contou o roteiro do final umas trezentas vezes.
—Contei, foi? — Pergunto, fazendo um biquinho.
Ele beija o meu biquinho de forma carinhosa.
—Falou, e mesmo assim, não me incomodei de ler o capítulo, e tenho certeza de que vou ler mais quarenta mil vezes quando voltar pra casa. — Ele diz, beijando meu peito — Estou orgulhoso de você.
—Quando eu digo que não teria conseguido sem você, estou falando a verdade. — Digo, acariciando seu cabelo — Você foi o meu primeiro leitor, o meu primeiro fã, a primeira pessoa que leu os capítulos antes de todo mundo...sinto que tudo o que eu tenho veio por sua causa.
—O que é isso, foi você quem escreveu. — Ele diz, corando.
—Mas eu estou falando a verdade. — Pego o rosto dele nas mãos, o encarando com um sorriso de orelha a orelha — Porque eu te conheci, eu pude te mostrar a história, e então você me encorajou a postar, e então agora a minha história tem milhares de fãs.
—E futuramente você pode publicar o livro fisicamente. — Ele diz, sorrindo.
—Se não tivéssemos nos conhecido naquela agência de correios, jamais teríamos começado a namorar e jamais teria me encorajado a postar os capítulos. — Digo, acariciando seu rosto — Obrigado. De verdade.
Nem sei o que teria acontecido se o universo não tivesse nos apresentado. Talvez eu estivesse agora sozinho em casa, entediado, sem coragem para postar os capítulos para que o público pudesse ler, e ainda não teria superado o Hudson, talvez. Apesar de que o tempo realmente me ajudou a entender que não nascemos para ficar juntos, e tudo bem. Algumas pessoas vêm para passar apenas algumas fases da vida com você, e outras, como o Dylan e o Arthur, vêm para ficar.
—Agora acredita que o nosso encontro nos correios foi uma ação do universo? — Ele pergunta, arqueando a sobrancelha pra mim.
Eu reviro os olhos, balançando a cabeça enquanto sorrio.
—Tá, você venceu. Estava certo o tempo todo, foi o universo que uniu os nossos passos.
—O universo não foi tão babaca conosco, pelo visto. — Ele beija a ponta do meu nariz.
De fato, o universo vem sido bastante generoso conosco. Sabe, desde que eu terminei com o Hudson por ele ter me traído com um cara qualquer, eu pensei ter levado um chute na bunda do universo, o tipo de chute que o universo dá em quem não vale a pena. Mas então aquele término me levou aos correios, o que me fez conhecer o Arthur, que é um namorado infinitamente melhor do que o Hudson em diversos aspectos. Digo, o Hudson foi incrível, mas nada comparado ao Arthur. Deus, duvido que chegue a existir alguém como o Arthur.
—Eu agradeço a ele por ter cruzado os nossos caminhos. — Eu entrelaço os dedos nos dele, beijando sua mão — Eu não podia ver lá atrás o quanto o universo esteve nos presenteando, mas olhando agora, vejo que tudo teve uma razão para acontecer do jeito que aconteceu.
—E o seu novo namorado é infinitamente mais bonito, mais inteligente, mais perspicaz, mais sagaz, mais corajoso, mais...
—Ok, eu vou deixar você falando aí. — Brinco, o afastando, enquanto ele ri. A risada dele é a risada mais gostosa de todas, a minha música favorita. Mais ou menos como Hamilton soa nos ouvidos de Arthur.
Ele se inclina e pega o imã que contém o nome dele, que fica na cabeceira da minha cama. Ele passa o dedo por cima do nome, e sorri pra mim.
—Eu durmo com o meu ao lado da cama todos os dias. — Ele beija o imã — Sinto que foi o melhor presente que você me deu.
—Eu sabia que assim lembraria de mim. — Passo o braço ao redor dos ombros dele, o trazendo mais para perto.
—Fico feliz por aquela caixa ter sido uma caixa da amizade, e não uma caixa do término. — Ele diz, encostando a cabeça no meu peito de novo — Eu nem saberia o que fazer caso terminássemos.
—Definitivamente somos melhores juntos. — Digo, beijando sua cabeça.
De certa forma, o universo realmente não me decepcionou. Eu o amaldiçoei e achei que jamais voltaria a amar alguém de novo naquela intensidade, e de repente, eu estava na agência de correios conhecendo um turista baixinho, um turista que viria a por uma foto minha na Dream&Coffee para procurar por mim, o que me faria mandar um e-mail para ele. "Isso é pra valer?", eu perguntei no e-mail. Então ele começou a falar como se fosse um professor, me fazendo perguntas estranhas sobre a mulher de piercing que estava atendendo naquele dia. Eu o achei meio estranho, mas soube no momento em que conversamos pelo telefone pela primeira vez que nós poderíamos nos tornar muito mais do que apenas conhecidos. Poderíamos nos tornar namorados, e talvez noivar um dia, mas na época eu não estava pronto pra isso. Mas, de alguma forma, o namoro com o Arthur naquele verão me fez superar o Hudson — que, apesar de não sermos mais amigos como costumávamos ser, ainda está na cidade, enquanto Dylan e Samantha fazem faculdade em Illinois. Ainda conversamos e nos damos bem, e é melhor do que a época em que as coisas estavam estranhas. Acho que chegamos no auge da nossa amizade antes de começarmos a namorar, e nunca mais voltaremos a ser como antes. Mas está tudo bem.
—Eu continuo pedindo por uma continuação. — O Arthur diz, sorrindo pra mim — Quem sabe as aventuras de Ben-Jamin e Rei Arturo possam continuar.
—Elas certamente existirão, mas não sei se terei disposição em criar mais história para eles. — Respondo, beijando sua testa — Acho que o final feliz que ambos tiveram foi o suficiente. Agora criarei cenas deles dois fazendo sexo selvagem na floresta ou em algum acampamento proibido.
—Opa, eu vou querer ler essas cenas. — Ele diz, beijando o meu pescoço, e sinto que ele está querendo encenar aquelas cenas agora mesmo.
E quem sou eu para negar? Afinal, estou sozinho em casa com o meu namorado, e todas as vezes que transamos se tornam cada vez mais especiais. Acho que pelo fato de estarmos namorando a distância, talvez. Isso torna nossos momentos juntos mais únicos, mais especiais, e sinceramente, acho melhor que seja assim do que aqueles casais que ficam juntos todos os dias. De alguma forma, nosso amor não necessita que estejamos presentes um na vida do outro o tempo todo para existir. Nosso relacionamento funciona muito bem, e valorizo sempre cada momento nosso junto.
—Que tal começarmos a ter umas ideias para as cenas? — Pergunto, mordendo sua orelha. Ele respira fundo, mordendo o lábio inferior.
—Acho que a arte realmente pode imitar a vida, as vezes. — Ele diz, me puxando para um beijo intenso.
E aqui estamos nós, unindo nossos corpos de novo, corpos que passam dias querendo se tocar, e que quando se tocam causam uma explosão muito maior do que a explosão de Chernobyl. Uma explosão linda, causada por Ben e Arthur, uma explosão que nenhum outro casal seria capaz de nos imitar.
E essa explosão é linda. Eu quero aproveitar ela o máximo de tempo que posso.
—Que sorte nós temos de estarmos vivos agora. — Digo, referenciando a Hamilton, deitado ao lado dele na cama.
—Estou completamente afim de você. — Ele beija minha mão, sorrindo — Não tem jeito.
—Estou completamente afim de você também. — Respondo, beijando-o com intensidade.
E, assim como Alexander Hamilton passa uma noite proibida com Maria Reynolds, eu passo essa noite com o Arthur. Porque, afinal de contas, apesar das nossas complicações, sinto que nosso amor é uma história de um musical da Broadway, com seus dois atos definidos e seu final feliz. O nosso final feliz.
FIM.
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