E se for amor?
18 Capítulo final
Capítulo final
O avião acabara de pousar no aeroporto internacional de São Paulo e a minha vontade era de pegar o próximo voo de volta para Paris. A saudade que eu sentia do Fred era completamente incompreensível. Eu estive com ele nas duas últimas semanas, mas parecia que havia sido há um ano. Eu jamais imaginei que um dia fosse me apaixonar tanto por alguém. Aliás, eu nem acreditava que esse sentimento realmente pudesse existir. E aqui estou eu louco de vontade de voltar o mais rápido possível para ficar perto dele.
E a culpa dessa situação toda é minha. Por eu ter sido o mais completo idiota, Fred foi morar em Paris e aceitou todos os bicos que apareceram pela frente. Eu até tentei convencê-lo a cancelar tudo, insinuei que ajudaria com as multas rescisórias do contrato... Só o que consegui foi ser expulso da cama e do quarto. O Fred tem um senso de responsabilidade muito grande. Ele assinou os contratos e iria cumpri-los até o fim.
Eu estava feliz com o sucesso dele, mas preferia que ele estivesse aqui e não do outro lado do oceano.
Fui direto para a Seventh Heaven. Existiam problemas lá que necessitavam da minha atenção. Eu até preferia evitar ir lá tão cedo porque tudo fazia me lembrar do Fred, mas Lúcia – a assistente que eu contratei após demitir o Fred – já havia mando vários relatórios e as contas não estavam batendo. Eu só esperava realmente não ter outro Murilo escondido por lá.
Mas era apenas um pequeno engano da contabilidade e, assim que eu vi as planilhas, desfiz toda a confusão. Pelo menos era um problema a menos para me preocupar.
Os dias seguintes se arrastaram. Eu falava com Fred pelo telefone e pelo skype, mas não era a mesma coisa que estar com ele. Eu já havia cansado de pedir para que ele voltasse. Aquele ruivo teimoso! Eu sei que ele sente tanta falta de mim como eu sinto dele. E ele fica lá se fazendo de forte.
– Não insiste, Eduardo – ele disse em um tom irritado. – Eu não vou voltar enquanto não cumprir os meus contratos!
– Ótimo! – exclamei enquanto levantava da cama. Fred apenas girou os olhos e virou para o outro lado. – Eu não peço mais!
– Aleluia! Até que fim você entendeu alguma – ironizou.
Se o Fred era um poço de teimosia, eu conseguia ser um abismo. Não pedi mais que ele voltasse e acabei indo para um hotel no dia após essa briga. O Fred apareceu lá no dia seguinte, com aqueles olhos pidões e pulou em cima de mim enquanto dizia para eu voltar para a casa dele. Eu fui, mas não falei mais na volta dele para o Brasil.
Eu não culpava o Fred por ter me odiado. Eu nunca fui uma pessoa fácil e fiquei ainda pior depois do que aconteceu com a Luciana. Eu fiquei ainda mais fechado e ranzinza. Ninguém conseguia arrancar um sorriso de mim. Minha mãe – que, aliás, está louca para conhecer o Fred – tentava de todas as formas fazer com que eu me abrisse, contasse o que havia me mudado tanto, mas eu não queria preocupá-la com bobagens.
Quando o Fred apareceu na minha sala com aquela roupa colada que marcava o corpo dele de uma forma tão sexy, minha mente ficou momentaneamente em branco. Eu não vou dizer que me senti atraído por ele no mesmo instante que o vi. Primeiro eu senti admiração por ele ter coragem de ir a uma entrevista de emprego como ele realmente é e ainda me enfrentar daquela forma. Eu gostei daquela forma franca e sincera dele. Com certeza foi isso que me fez contratá-lo. Estava cansado de pessoas falsas e interesseiras gravitando ao meu redor.
E depois... Não sei como me apaixonei por ele. Quando percebi só pensava em puxá-lo pela cintura e beijá-lo como se o mundo fosse acabar no segundo seguinte. E isso me assustou. Porque eu nunca havia me interessado por um homem antes. Me vi sem saber como agir e acabei voltando a ser um adolescente. Comecei a tratá-lo mal para conquistar a atenção dele e consegui... A atenção e o sentimento errado.
A oportunidade de fingir ser namorado dele foi um presente. Eu realmente tinha que agradecer à Dona Laura todas as vezes em que nos encontrássemos por ter bancado o cupido. Eu teria me declarado em um momento ou outro, mas depois de passar a noite toda beijando o Fred eu não conseguia mais me segurar e a declaração acabou saindo mais rápido do que eu havia planejado.
– Toc, toc! – fui arrancando dos meus devaneios pela voz do Alexandre.
Girei os olhos enquanto ele entrava todo sorridente na sala. Eu sei que, se não fosse por ele, eu e o Fred ainda estaríamos separados, mas ciúme é algo irracional e eu não consigo esquecer que ele estava (e eu desconfio que ainda está) a fim do meu namorado.
– O que você quer, Alexandre? – perguntei impaciente.
– Sempre de tão bom humor! – ele disse sorridente e já foi se largando na cadeira na minha frente.
– O que você quer?
– Estou bem, obrigado e você? – Alexandre me ignorou completamente.
Olhei para a foto do Fred que estava sobre a minha mesa enquanto segurava a vontade de enxotar o Alexandre dali. Eu só não fazia isso por causa da gravação da confissão que ele conseguiu e porque ele é amigo do Fred. Não sei por que o Fred insiste em ser amigo dele. Eu já desisti de discutir sobre isso com ele também. Se eu enxotar o Alexandre da minha sala, ele ia correndo contar para o Fred, que então faria um escândalo e me deixaria sem sexo por um mês. Acreditem, ele já fez isso.
– Vim encomendar um desfile – Alexandre disse em um tom mais sério.
– Eu disse que não produziria mais desfiles para você.
– Deixa de ser ranzinza, Eduardo! – Alexandre exclamou exasperado. – Eu não estou mais dando em cima do seu namorado pra você ficar todo desconfiado.
“Não está mais dando em cima dele, mas bem que queria!”, pensei enciumado, mas em seguida tratei de respirar fundo e tentar colocar a mente no lugar. Eu havia prometido ao Fred que iria controlar as minhas crises de ciúme.
– É um desfile para promover a coleção outono inverno da empresa para a qual estou trabalhado – Alexandre disse enquanto ligava o ipad para mostrar alguns dos modelos e os termos da empresa acerca do desfile.
Acabei aceitando promover o desfile. Seria bom para a Seventh Heaven já que a empresa para qual o Alexandre está trabalhando é a filial de uma marca internacional famosa e, se eles gostarem do nosso trabalho, talvez nos contratassem para eventos de maior porte futuramente.
– Então ficamos acertados desse jeito – Alexandre disse satisfeito assim que concordamos com valor do contrato. – Sabe, eu ainda te devo um pedido de desculpas... – ele disse lentamente. – Tentei pedir daquela vez, mas você me enxotou daqui.
– Você realmente quer conversar sobre isso? – perguntei não muito animado ao relembrar o fato.
– Desde aquele dia você me trata como um estranho e nós nos conhecemos há tanto tempo, Edu. Eu sempre te considerei um amigo – Alexandre suspirou.
– Esquece isso, Alexandre – respondi. – Se tem alguém que tem que pedir desculpas, sou eu. Você só tentou abrir os meus olhos quanto à injustiça que eu estava cometendo. E mesmo depois do soco que eu acertei, você continuou investigando.
– Dos socos! Foram dois! Muito doloridos, diga-se de passagem – Alexandre torceu o nariz. – Por isso eu tenho o direito de ser o padrinho de vocês.
Acabei sorrindo com aquela declaração. Acabamos ficando conversando por horas e ele confessou que confundiu os sentimentos em relação ao Fred.
– Estou... namorando... com o Fábio – ele confessou.
– Com o Fábio? – exclamei surpreso. Alexandre corou até a raiz.
Eu nunca desconfiei que isso pudesse acontecer. Conheci o Fábio por meio do Alexandre. Os dois viviam grudados, mas eu sempre imaginei que o Fábio fosse super hétero. Bem, eu também me considerava totalmente hetero até o Fred entrar na minha vida e virá-la de cabeça para baixo.
Suspirei enquanto olhava outra vez para a foto do Fred que estava sobre a minha mesa. Fred detestava que eu tirasse fotos dele, mas eu sempre dava um jeitinho. Descobri que eu gostava muito de fotografia. Estava até fazendo um curso para tirar fotos mais profissionais. E, obviamente, o meu modelo favorito é o Fred. Ele ficou completamente louco quando viu no meu Ipad as fotos que tirei enquanto ele dormia.
– Eu não acredito que você fez isso! – ele exclamou completamente irado e tentou apagar as fotos, mas elas estavam protegidas por senha (porque eu sabia que um dia ele iria fuçar o meu Ipad, encontrar as fotos e tentar apagá-las).
– O que eu posso fazer se gosto de te ver dormindo? – falei enquanto pegava o Ipad, e mordisquei de leve a orelha dele. Fred estremeceu e eu sorri percebendo que havia “amansado” a fera.
Fechei os olhos e me lembrei da primeira noite com o Fred, foi... Nem dá pra definir. Ele era muito mais sexy e quente do que eu imaginava. E como eu imaginei! Eu sabia que ele não iria aceitar muito bem o que aconteceu e o surto dele já era mais do que esperado. Mas isso não impediu que eu ficasse meio desiludido. Tive que aceitar o pedido de tempo dele. Que outra opção eu tinha? E passamos as semanas seguintes sendo “melhores amigos”. Eu havia decidido que não ia fazer nada até ele dar algum sinal de que queria.
E no dia do desfile ele pulou em cima de mim. Aquilo foi realmente inesperado. Mas eu aproveitei. Não ia perder uma chance como aquela. Então, nós começamos a namorar e não nos desgrudávamos. Até acontecer aquele mal entendido que eu prefiro nem lembrar.
Eu amo aquele ruivo sardento e teimoso demais e ainda sofria por causa da besteira que eu fiz por ciúme. Nem sei como o Fred pôde me perdoar.
Quando cheguei em casa à noite estava completamente exausto, mas mesmo assim liguei o computador para esperar o Fred aparecer e deitei no tapete. Marilyn deitou do meu lado e eu fiquei fazendo carinho na cabeça dela. Eu tinha que tirá-la de lá antes que o Fred desse o ar da graça. Na última vez em que eu tentei conversar com ele com a Marilyn presente, ela quase quebrou o computador ao tentar pular em cima do Fred.
– Vem Marilyn – a chamei e ela, como a boa cadela desobediente que é, continuou esparramada no tapete. Tive o maior trabalho para fazer com que ela fosse para a casinha. Voltei para a sala e vi que o Fred já estava na tela.
– Apareceu! – ele exclamou assim que me viu.
– Fui levar a Marilyn para a casinha. Se ela te visse...
– Ia pular em cima do computador – Fred riu.– Seria um prejuízo daqueles! – suspirei e arrumei a webcam para poder sentar no tapete e ele continuar me vendo. – Como foi a viagem?
– Tranquila – balancei levemente os ombros. – Mas você sabe que assim que eu passo o portão de embarque já estou pensando em voltar.
Fred mordeu o lábio e corou daquele jeito que me deixava louco para agarrá-lo. Maldito oceano que está nos separando!
– Pensei que já tivesse se acostumado com as minhas declarações – sorri.
– Você sabe que eu lido melhor com você pervertido do que romântico! – Fred empinou o nariz. – Por falar nisso... Tá tão quente hoje! Você não tem noção.
– O que tem a ver perversão e romantismo com calor...? — Minha voz morreu quando vi que o Fred tinha levantado e estava tirando a blusa.
– Fred?
– Eu queria se você estivesse aqui... – ele sussurrou e fez com que os pelos da minha nuca ficassem completamente arrepiados.
– Frederico – sussurrei e ele voltou a morder os lábios enquanto ruborizava ainda mais.
– Não é justo – ele disse enquanto brincava com o botão da calça.
– O quê? – perguntei confuso. Na verdade eu já não estava racionando muito bem. Fred levou a outra mão ao peito direito e começou a apertá-lo, do jeito que eu gostava de fazer antes de começar a deslizar os lábios pelo dorso dele.
– Não é justo você saber que eu fico louco quando você sussurra o meu nome desse jeito – ele disse e a mão dele começou a descer pelo próprio corpo. A outra ainda brincava com o botão da calça. – Eu queria que você estivesse aqui, queria que tuas mãos estivessem me tocando lentamente, me fazendo enlouquecer aos poucos.
Engoli em seco e percebi que meu corpo começava a responder à provocação.
Gemi baixinho quando o Fred tirou a calça. Ele usava uma cueca preta que contrastava totalmente com a pele branca dele.
– Queria que você estivesse aqui para beijar o meu corpo, deixá-lo cheio de marcas... – Fred levou à mão a boca e a mordeu parecendo tentar conter um gemido mais alto.
Ele sempre tentava isso, mas no segundo seguinte desistia e entregava-se por completo, esquecendo-se dos vizinhos, esquecendo-se do mundo.
Fred tirou a cueca e ficou completamente nu. A visão era demais para mim já que eu não tinha como atravessar aquela tela e beijá-lo como eu queria. Joguei a cabeça para trás e esperei que o Fred entendesse que eu não queria continuar aquilo. Mas aquele ruivo teimoso nunca faz o que eu quero.
– E você então colocaria meu pênis na tua boca e chuparia daquele jeito que eu gosto... Bem devagar... – ele gemeu e me fez olhar outra vez. Vi que ele se masturbava lentamente. Acabei mandando tudo para o inferno e enfiei a mão na calça para acompanhá-lo naquela loucura.
– Frederico – gemi. Fixei os olhos nele e imaginei que era minha mão que o acariciava e o levava à loucura.
Fred continuou murmurando o que queria que eu fizesse com ele e seguimos naquele ritmo até gozar gemendo o nome um do outro.
– Eu acho que essa foi a coisa mais pervertida que eu já fiz nada – Fred disse com a voz entrecortada enquanto largava-se outra vez na cadeira diante do computador. – Se bem que teve uma vez que...
– Eu não quero saber – o interrompi em um tom frio.
– Sabe é por causa desse teu ciúme que nós estamos transando pela webcam! – Fred exclamou exasperado.
– Eu não sou obrigado a ouvir sobre as aventuras amorosas que você já teve e eu não estava envolvido! – exclamei exasperado. Fred armou uma tromba enorme e eu sabia que ia vir uma bomba daquela boca.
– Mas eu era obrigado a ficar dando fora nas tuas ex-namoradas!
– O que isso tem a ver?
– Tudo!
– Eu desisto de entender essas suas lógicas sem sentido!
– É raciocínio lógico! – Fred cruzou os braços sobre o peito e me encarou com aquele ar que me desafiava a responder. – Eu dava os foras nelas e ouvia a voz delas no telefone, aí eu ficava imaginando o que vocês dois faziam!
– Isso está mais pra raciocínio ilógico... – resmunguei. – Vou aí no final do mês, então eu posso fazer tudo isso que você falou e mais um pouco.
– Final do mês? – os ombros dele caíram. – Bem que eu queria, mas tenho uma série de desfiles em Milão.
– Então eu vou te encontrar lá...
– Não dá. Eu vou ‘tá atolado em trabalho até o último fio de cabelo.
Grunhi insatisfeito. Mas, o que eu poderia falar? Como ele disse, estávamos longe por causa da minha estupidez. Eu só poderia esperar que o mês passasse logo e eu pudesse ir encontrá-lo.
Nas semanas seguintes nós mal nos falamos. O Fred praticamente se mudou de mala e cuia para Milão e não tinha tempo nem para atender aos meus telefonemas. Eu jamais imaginei que ele pudesse ficar tão famoso. Eu tinha saudade (e ciúme das fotos que ele tirava com os modelos – porém não demonstrava isso), mas estava feliz por ele.
Na manhã do desfile que eu estava produzindo para o Alexandre, eu acordei atrasado. Isso era realmente algo muito difícil de acontecer porque eu sou uma pessoa extremamente chata com horário. Nem sei por que fui perder a hora assim. Lembro do Fred estar no meu sonho, mas é melhor nem tentar lembrar porque o que eu menos preciso agora é ficar excitado.
Às vezes eu não consigo me reconhecer. O Fred me deixou mais leve, mais despreocupado, menos carrancudo. Minha mãe diz que o “genro ruivinho” dela fez um verdadeiro milagre.
Felizmente a equipe da Seventh Heaven é a melhor de São Paulo e, quando eu cheguei ao local do desfile, estava tudo pronto.
Confesso que não prestei muita atenção no desfile. Eu não conseguia parar de pensar no Fred. Há dias que não nos falávamos e eu já estava ansioso para ir encontrá-lo.
Tudo transcorreu sem problemas ou sustos. Me levantei quando vi a última modelo sair da passarela e me aproximei para cumprimentar o Alexandre, que assistira ao desfile na primeira fileira.
Mas estanquei no meio do caminho quando You’ll be in my heart começou a tocar. Era a música favorita do Fred.
Percebi que as pessoas voltaram a ocupar os lugares, se entreolhando intrigadas. E os olhares intrigados deram lugar a exclamações de surpresa quando o Fred apareceu na passarela. Meu queixo caiu enquanto ele olhava para mim e sorria.
Eu nem consegui pensar direito enquanto ele atravessava a passarela. Ele estava usando uma roupa parecida a que usou no dia da entrevista e eu suspeitei que era uma das criações dele mais incrementada.
As pessoas soltavam gritinhos animados, mas eu nem prestava muita atenção nelas enquanto os fotógrafos tentavam ultrapassar a barreira de segurança para chegar mais perto da passarela; mas os seguranças perceberam o alvoroço que aquilo poderia causar e rapidamente impediram.
Fred fez um sinal pedindo para que me aproximasse. Eu fui meio que no automático. Ainda não conseguia acreditar muito que ele estava lá.
Quando eu cheguei à ponta da passarela, o Fred pulou em cima de mim. Sim, você leu certo. Aquele ruivo sem juízo pulou em cima de mim. Foi uma sorte eu não ter caído e o levado junto para o chão.
Passei o braço em volta da cintura dele e o puxei para cima para que ficássemos da mesma altura. A respiração dele estava irregular e o sorriso mais largo.
– Surpresa! – ele murmurou.
– Seu louco... – resmunguei, mas meu tom denotava minha surpresa. – Por que não me avisou que iria vir? – Perguntei, mas não deixei que ele respondesse. Colei minha boca na dele e o beijei sem me importar nem um pouco com a plateia e muito menos com os fotógrafos.
Quando nos separamos, sorri e ele encostou a testa na minha.
– Eu voltei pra ficar... – ele disse. – Agora você vai ter que me aguentar o dia inteiro.
– Você sabe que não vai ser um sacrifício...
– Espera até eu começar a virar a tua casa de cabeça para baixo – Fred riu.
– Você virou a minha vida de cabeça para baixo... Não é como se virar a casa fosse fazer muita diferença – balancei levemente os ombros.
– Então você aceita casar comigo? – Fred perguntou com os olhos brilhando.
– Isso era um pedido de casamento? – me fiz de cínico e levei um soquinho na barriga.
– Hey, eu sei que você dois estão morrendo de saudades, então arrumem um quarto – girei os olhos ao ouvir a provocação do Alexandre.
– Você armou tudo isso – falei para o Alexandre, fingindo aborrecimento.
O Fred riu enquanto entrelaçava os dedos nos meus. Bem que eu adoraria seguir a sugestão do Alex e arrastar o Fred para a cama mais próxima. Eu nem conseguia realmente acreditar que ele não iria mais embora.
– Na verdade, fui eu – Fred confessou.
– Eu não podia ir encontrar você porque você já sabia que ia voltar! E não me falou nada! – agora eu estava realmente irritado.
– Você merecia sofrer um pouquinho – Fred disse completamente indiferente ao meu tom.
Nós começamos a andar em direção à área reservada onde aconteceria o coquetel para imprensa, mas eu não estava nem um pouco inclinado a ficar por lá mais de cinco minutos. Eu não me importava em ser fotografado com o Fred, mas não queria todo aquele assédio em um momento que eu só desejava saber de matar a saudade dele.
– O Alexandre me falou que a empresa queria um desfile para promover a nova coleção, aí eu perguntei se poderia desfilar. Obviamente a diretoria aceitou...
– Que convencido – girei os olhos.
– Eles aceitaram e ainda me ofereceram um emprego! – Fred continuou como se eu não tivesse interrompido. – Vai ser um período de experiência, mas se der tudo certo e eles me contratarem definitivamente...
– Pensei que você não iria mais desfilar – franzi a testa não gostando muito da possibilidade dele ter que voltar a viajar.
– Aí que tá! Não é pra desfilar. Eles me contrataram como estilista!
– Sério?
– Sim! Eu nem acreditei quando eles propuseram. Parece que o Alex mostrou alguns croquis. Aí eles querem que eu desenhe e desfile o que eu desenhar. Eu não queria desfilar, mas acabei cedendo porque eles vão me ajudar a realizar o meu sonho. Você sabe, né. Eu sempre sonhei com isso – Fred desatou a falar como uma matraca desembestada.
Sorri antes de dar um leve beijo nos lábios dele. Ou era para ser leve, mas eu nunca conseguia me controlar quando estava com ele.
– Eu sei que é seu sonho e fico feliz por você estar perto de realizá-lo.
– Eduardo... – ele sussurrou e me olhou com aqueles olhos brilhantes e cheios de tesão. – Vamos fugir agora?
Ele nem precisou pedir outra vez. Nós escapamos antes que os repórteres aparecessem. Nem sei como foi que chegamos em casa inteiros porque o Fred fez questão de me provocar durante todo o percurso.
Já entramos em casa arrancando as roupas, trocando beijos, mordidas e lambidas. Fred passou as pernas em volta de mim e eu nos levei até o quarto. Eu acabei esbarrando em algumas paredes e o Fred ria antes de gemer de dor.
– Eu sei que você me ama, Eduardo. Não precisa ser tão violento para mostrar – ele disse.
O joguei na cama. Fred mordeu o lábio e eu deslizei os olhos pelo corpo dele. Agora apenas a cueca o cobria. Eu subi em cima e ia começar a beijá-lo inteiro quando um latido alto nos assustou.
Eu havia esquecido de prender a Marilyn na casinha e ela apareceu no quarto e... pulou na cama, mais precisamente: pulou em cima do Fred.
– Ai, Marilyn! – Fred exclamou meio rindo, meio gemendo. – Esse teu amor ainda me mata! Sabe, mocinha, nós vamos ter que conversar sobre uma coisa...
Marilyn não parecia muito interessada em conversar já que enchia o rosto do Fred de baba. Apoiei o cotovelo na cama e fiquei olhando a cena.
– Ainda bem que eu deixei a Norma Jean no hotel... – Fred resmungou de um modo que ele achava que somente eu estaria ouvindo. Tecnicamente, a Marilyn é uma cadela e não entende o que ele está falando, mas tente explicar isso ao Fred. Eu já desisti. – Eu vou ter que explicar bem direitinho pra Marilyn que no meu coração tem lugar para as duas.
Girei os olhos e o Fred começou a rir quando foi atacado pela Marilyn na barriga.
– Baba no umbigo não, Marilyn! – ele exclamou.
Com certeza ela conseguira quebrar o clima, mas eu não estava zangado com ela. Ver o Fred rindo e brincando com ela me deixa feliz. O Fred me deixa extremamente feliz.
Isso pode soar piegas e antiquado, mas é como eu me sinto.
Uma vez, em uma das muitas divagações que eu fiz pensando sobre o que eu sentia por ele, me perguntei o que meus sentimentos significavam. E uma pergunta não parava de martelar na minha mente.
– E se for amor? – murmurei sem nem ao menos me dar conta.
Fred franziu a testa e me encarou sem entender.
– Você ainda tem alguma dúvida que é? – ele perguntou sorrindo.
– Não. Nenhuma – sorri em resposta e me inclinei para beijá-lo, mas a Marilyn não estava disposta a dividir o Fred comigo naquele momento.
– Tudo bem, Marilyn, eu deixo você matar a saudade dele primeiro – falei enquanto levantava. – Mas depois é minha vez. E aí o Fred vai ser todo meu.
Sorri ao ver como o Fred tremeu com a promessa.
FIM
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