Notas iniciais
Voltei com mais uma fic Camus x Hyoga.

Essa fic terá uns 10 a 11 caps, pelo menos é o que imagino.

Comentários sempre são bem-vindos.

É uma pena que a maioria de vcs não curtem esse casal =/

Ainda era cedo quando Hyoga chegou a empresa no qual foi contratado. Enquanto se encaminhava até a sala de seu novo chefe, Camus Blanche, lembrou-se de quando o conheceu e isso foi a cerca de um ano e meio atrás.

Hyoga estava indo à biblioteca, quando se deparou com o homem mais bonito que já tinha visto. Alto, branco, com um exótico cabelo azul escuro, que ia até o meio das costas, olhos azuis bem claros e alguns anos mais velho que Hyoga. Uma beleza e traços incomuns para um homem. O loiro não sabia quem ele era, mas mesmo assim decidiu o seguir, pois pelo que percebeu, esse homem também iria à biblioteca.

Hyoga era estudante de física e estava buscando alguns livros para ajudar no seu trabalho de conclusão de curso. Ele possuía apenas mais um semestre para cursar. Enquanto olhava alguns livros com nenhum interesse, para disfarçar que analisava esse homem desconhecido, viu que o mesmo conversava com um dos professores da universidade. E a partir daí, decidiu que descobriria quem era este cara. Com algumas perguntas inocentes por aí, se informou que este homem era Camus, o sócio-diretor de uma respeitada indústria metalúrgica e bens de capital. Descobriu com algum esforço, que além disso, Camus era formado em engenharia elétrica, mecânica e civil, além de ser fluente em inglês, espanhol e francês. O mais velho também se formou, em todas as suas graduações, nessa universidade que estudava, criando laços de amizade com alguns de seus professores.

Durante os seis meses que se passavam, encontrou Camus na universidade umas 7 vezes. Pensou em conversar com este homem que o havia hipnotizado com tanta beleza, mas não tinha coragem.

Entretanto, chegou o dia de apresentar seu TCC para a banca e como eram as regras, haveria seu professor orientador e mais dois professores convidados. Depois de tanto esforço e estudo, sabia que o trabalho sobre processos termodinâmicos estaria o mais próximo da perfeição. Qual foi a surpresa de Hyoga quando, ao entrar para se apresentar para banca, deu de cara, além dos professores, do homem que admirava de longe! Não se abalou e pelo menos uma vez, faria esse cara nota-lo, apresentando o trabalho de forma impecável. Não fazia ideia do porque ele estava ali, mas não tinha direito de questionar. Mas no decorrer da apresentação, não se controlava e o olhava discretamente para tentar identificar alguma reação, mas sem obter sucesso.

Demorou uma semana para sair a nota e assim que saiu, também foi pego de surpresa com uma bolsa de estudos de um ano na Europa, com direito a hospedagem inclusa e como era sozinho, não pensou duas vezes em aceitar.

E agora, depois de um mês de ter voltado da Europa, estava se encaminhando a sala de Camus, o homem que ele conheceu na universidade. Ele não poderia reclamar de sua sorte!

- Licença – disse após dar uma leve batida na porta – posso entrar?

- Sim, pode. Por favor, sente-se! Qual é seu nome menino?

- Hyoga, senhor.

- Por favor, não me chame de senhor, não é necessário isso. Quantos anos possui Hyoga?

- Vinte e cinco.

Camus olhou para o jovem que estava em sua frente. Cabelos loiros com um ar de bagunçados, com a pele bem clara e olhos tão claros quanto os dele. Camus constatou que Hyoga não tinha mudado nada desde o dia que viu sua apresentação de TCC. Ah sim, o mais velho possuía uma excelente memória, além de vários contatos na universidade que o garantiram que Hyoga era um talento em potencial. Tanto que foi por isso que permitiu que fosse contratado para ocupar o cargo de gerencia.

Hyoga respondia às perguntas de forma polida e mecânica, mas se surpreendeu quando ouviu do homem à sua frente:

- Seu trabalho de conclusão de curso sobre processos termodinâmicos envolvendo baixa temperatura foi muito bom, excelente na verdade. Tanto que por causa dele, tive uma ideia de como resolver um problema que estava tendo na época.

- Você se lembra disso Camus? – perguntou chocado, ao mesmo tempo que orgulhoso de que seu trabalho teve tal impacto no diretor.

- Eu possuo uma memória fantástica e sim, me recordo disso, apesar de ter se passado um ano e meio aproximadamente. Li sua monografia com bastante interesse, pois como falei a pouco, ela me ajudou a ter uma ideia de como resolver um problema aqui na empresa.

Hyoga sentiu as bochechas corarem, ao mesmo tempo que encarava o homem à sua frente, que estava com uma expressão neutra e o tom de voz educado e indiferente.

- Alguém te falou de suas atribuições? – perguntou o mais velho, alheio a qualquer expressão de alegria do mais novo.

- Eles não foram muito específicos – se limitou a responder.

- Bom Hyoga, como já deve saber, eu sou o sócio-diretor da empresa, assim como o diretor de operações daqui. Então, todos os projetos de alta complexidade passam por minhas mãos e sempre eu quem tomo as decisões. Os projetos de média complexidade, serão divididos entre você e eu e os de pequena complexidade serão de sua total responsabilidade. Não tenho tempo para projetos pequenos e simples. Entretanto sei que não possui muita experiência com gerenciamento de obras e pessoas, apesar de possuir um conhecimento notável em processos devido ao seu curso de física, vou te ajudar na medida de minhas possibilidades e te treinar. Da mesma forma que terá a minha ajuda e parte do meu tempo, terá que correr atrás de aprender e tomar as decisões corretas. Não tenha medo de perguntar as coisas para mim, pois você será meu gerente e te contratei porque quero modelar seu perfil com meu jeito de trabalhar e querer as coisas. Potencial você possui Hyoga, então faça a sua parte. Vou também te poupar de pesquisar com as outras pessoas a meu respeito. Sou exigente e prezo a pontualidade. Não me importa se você vai ficar o dia inteiro coçando, se tem um prazo x para entregar algum trabalho, terá que fazer com que a equipe entregue nesse prazo. Caso esse prazo não seja cumprido e eu não souber com antecedência o motivo, é com você que vou brigar e não com a equipe. Sou extremamente paciente para ouvir e ajudar na resolução de problemas técnicos e gerenciais, afinal essa também é minha função, orientar quando as pessoas estão meio perdidas. Tem dias que mal tenho tempo de respirar, então saiba aproveitar o tempo, principalmente o meu.

- Darei o meu melhor e agradeço a oportunidade – respondeu Hyoga, se sentindo incentivado nesse novo emprego e principalmente pelo seu chefe.

Passaram-se quatro meses desde que começou a trabalhar para Camus. E além de admirar a beleza desse homem, aprendeu a admirar também seu caráter e jeito de trabalhar. O mais velho era exatamente como havia se descrito: exigente sem ser sufocante, calmo, dotado de grande paciência para explicar, controlado, educado e indiferente. Incrível como seu chefe conseguia se manter atualizado sobre todos os projetos, também aqueles que Hyoga cuidava.

Por causa do trabalho, se falavam com grande frequência depois do expediente, seja por telefone ou whatsapp. Entretanto Camus evitava tomar o tempo de qualquer um de seus funcionários após o expediente, mesmo com conversas telefônicas ou mensagens de aplicativos.

Entretanto, hoje foi um dia totalmente atípico, onde Camus estava estressado com atrasos que não podiam acontecer em obras de médio porte e para piorar, foi convocado para uma reunião com dois fornecedores de mão de obra, pois Hyoga se recusou a liberar o pagamento de notas fiscais com valores bem significativos. Em outras palavras, o mais novo tinha certeza que hoje levaria a primeira bronca de Camus e estava preocupado com isso, pois estava se esforçando para ser o funcionário perfeito que o dono dos cabelos azuis desejava.

- Não entendo o motivo dessa reunião – Camus falou em dado momento da reunião, já estava cansado de perder tempo com isso – Se meu gerente, ao analisar o avanço dos relatórios de obra, junto com o avanço do cronograma, acredita que vocês não entregaram o combinado, não há motivos para discussões.

- Ora Camus – disse um dos fornecedores – Sabe muito bem que o resultou no atraso na montagem foi o excesso de chuvas. Não foi culpa nem nossa, nem sua e nem do cliente! É injusto que fiquemos sem receber pelo menos uma parte! É uma questão de bom senso!

- Sinceramente, não vou contestar a decisão de meu gerente. O máximo que posso fazer é pedir para reavaliar a situação de vocês e de seu relatório de obra. Se a decisão dele permanecer a mesma, não posso fazer nada. Ele tem total autonomia para fazer o que está fazendo. E de qualquer forma, será com ele que vocês devem tratar, pois ele é o responsável por essa obra, não eu.

Os fornecedores perceberam que seria inútil pedir a intervenção de Camus. Depois de mais algumas trocas de palavras, decidiram se retirar.

Após os fornecedores saírem, Camus liga para o ramal de Hyoga e o convoca a sala de reunião. O diretor esperou o mais novo se sentar e foi direto ao assunto:

- Você sabe que errou, não sabe? – sua voz era fria, mas não irritada

- Me desculpe Camus! – Hyoga respondeu inseguro

- Menino – o mais velho suspira cansado, mas o loiro sabe que quando seu chefe o chama assim, significa que não está bravo com ele – não é algo que se deve desculpar. Entendo seu lado assim como entendo os dos fornecedores. Apoiei a sua decisão, apesar de dizer que você ia fazer uma nova análise e que eles deveriam cobrar isso de você e não de mim.

- Por que ficou do meu lado? – o gerente perguntou curioso

- Hyoga, você é meu funcionário e confio em suas escolhas. Apesar de saber que sua decisão não foi a correta, se eu não ficasse do seu lado, iria fazer com que você perdesse a autonomia e a autoridade perante a eles daqui para frente. Jamais iria te expor dessa forma. Mas daqui para frente, só um pouco mais de bom senso ok? Odeio perder meu tempo com reuniões desnecessárias.

- Tudo bem chefe, vou tomar cuidado e pensar melhor em minhas decisões daqui para frente!

— Outra coisa, semana que vem vou precisar que você viaje comigo para a refinaria. Algum problema?

Hyoga disse que não havia, eles acertaram alguns detalhes e assim saíram da sala. O gerente foi domado por uma estranha alegria, afinal ele iria para obra com Camus, teria a oportunidade de conhece-lo como homem, além de poder admira-lo. O gerente sabia que nutria uma paixão platônica pelo seu chefe, desde a época da faculdade e agora, quem sabe, teria a chance de virar amigo de seu diretor.