Notas iniciais
Pessoal, esse capítulo ficou muito extenso, e pode ficar muito cansativo para ler, principalmente por bater muito na mesma tecla como eu fiz, mas não consegui me expressar de outra maneira, e desde já peço desculpas. Enfim, espero que gostem, estava com muitas saudades de escrever. Espero ter feito um bom trabalho. Beijnhos e boa leitura :D

–Gw-Gwen? -fala Ben quase em estado de choque ao ver a prima caminhar até ele.

–Não precisa agradecer. -responde parando na frente dos meninos que se encontravam boquiabertos por vê-la, ali na sua frente.

–Eu pensei que você voltaria só no domingo. -continua Ben ainda pasmo por ver a garota.

–Esse não é o tipo de recepção calorosa que eu tinha em mente. -olha para Kevin e pergunta- E você? Não vai me dizer nada?

–É muito bom te ver Gwen, e ai como foi lá com a sua família? -pergunta Kevin também nervoso, mas em um tom mais bem humorado.

–Falamos disso depois. Primeiro vamos cuidar dessas criaturinhas famintas. -fala criando um globo de energia, aprisionando os monstrinhos que ainda continuavam imóveis.

Depois de levarem os pequeninos para a sede dos Encanadores, os três decidem passar um tempo juntos. Ben e Kevin ainda estavam tensos, mas se controlavam, afinal não era a hora certa de falar toda a verdade.

A conversa no carro foi tranquila. Parecia tudo no seu lugar, os meninos se comportaram de maneira natural, em nenhum momento demonstraram sua aflição pela chegada precoce de Gwen.

–Kevin me contou que Vulkanus decidiu aparecer. -fala Gwen olhando para os companheiros.

–É... ele fez uma visitinha, mas sentiu saudade de casa e volto rapidinho. -fala Ben brincando com o ocorrido.

–Vejo que se viraram bem sem mim. To orgulhosa de vocês. Principalmente de você. -termina pegando na mão de Kevin.

–Fico amarradão quando te vejo feliz. Não foi trabalho fácil, mas eu e o Tennyson até que nos saímos bem. -responde rindo e olhando para Ben pelo espelho retrovisor.

–Eu imagino o esforço que fizeram... senti saudades de vocês.

–Gwen, o que aconteceu para você ter voltado antes? -pergunta Ben apoiando as mãos nos bancos do carro, colocando-se no espaço que existe entre os assentos.

–Vocês sabem como os meus pais são, assim que desliguei o telefone meu pai se machucou, e não deixou nenhum médico de lá examinar ele, por isso a minha mãe decidiu voltar o quanto antes.

–E agora ele ta sendo examinado por um médico daqui? Os médicos daqui devem ser bom mesmo. -diz Kevin com seu tom debochado.

–Kevin não tem graça, ele é meu pai. -corrige a garota calmamente.

A garota não costumava se irritar com as piadinhas e brincadeiras de Kevin, na verdade sempre aceitou melhor do que quando Ben as fazia, ela também achava engraçado o jeito mal humorado dele de ser. Gwen é doce e muito compreensiva, bonita e adora cuidar de si mesma, faz exercícios, se alimenta corretamente, dedicada aos estudos e atenciosa com seus amigos, era essa a imagem que passava para seus companheiros. O verdadeiro medo dos garotos era machucar ela demais, entendiam que no momento da revelação, o seu coração seria partido, embora muito gentil, não sabiam qual seria sua reação, tinham receio que ela os odiasse. Gwen não merecia sofrer, não era isso que desejavam. Porém não tinham outra saída se não contar tudo para ela, e se livrar de um ciclo doentio de mentiras causado pelo relacionamento às escuras caso optassem pelo mesmo.

Ao longo do percurso até a sorveteria, Gwen os contava como foi a viagem, de como Los Angeles era divertida e até mesmo diferente de como mostravam na televisão, existiam museus, parques temáticos e tudo mais, não era apenas Hollywood, tinha diversos pontos turísticos. Falava da maneira que seus familiares se comportaram de forma exagerada, registrando até mesmo as calçadas da cidade. Os meninos escutavam e comentavam tudo que ela dizia durante o caminho. O trajeto da sede dos Encanadores até o seu destino, não era muito longo, por isso chegaram rápido, descendo do carro ainda conversando, e se acomodando nas mesas do local, escolheram os sabores e Ben foi buscar, deixando Kevin e Gwen a sós, onde a garota ruiva conversa com seu futuro ex-namorado:

–Kevin, ta acontecendo alguma coisa? O Ben parece tão estranho.

–Estranho como? Para mim é o mesmo Tennyson cabeça oca de sempre.

–Parece nervoso... e minha vinda parece ter deixado ele apavorado, você viu o jeito que ele me olhou na ponte? Parecia ter visto um fantasma.

–Qual é Gwen, você sabe que o Ben é doido, pode ter passado qualquer coisa pela cabeça dele. Relaxa.

–Falando sério. Vocês dois não parecem muito contentes com a minha chegada.

–Estamos contentes sim... sem você teríamos tomado a maior surra daqueles bandidinhos lá na ponte.

Ela sorri e diz:

–Eu devo ter pegado a paranóia dos meus pais. O Ben ta demorando com esse sorvete? Será que aconteceu algo? -diz virando a cabeça para trás procurando o primo, que já estava a caminho segurando a badeja com os copos.

–Aqui está o seu Gwen, e o seu Kevin. -diz entregando os copos para cada um.

–Obrigada Ben. -agradece a menina.

–Que demora Tennyson, já tava achando que tinha ido fazer o sorvete.

–É porque no seu coloquei uma coisinha a mais. -fala dando uma piscadinha para o garoto, com um sorriso nos lábios, que corresponde com outro sorriso.

Ben sentou junto com Gwen no banco, enquanto Kevin sentou em cima da mesa, ali continuaram conversando, sobre como foi à semana, dos planos de Vulkanus e Animal, da forma como tudo tem estado mais calmo, sem tanta atividade dos vilões para conquistar o mundo, o universo ou ter mais poder. O diálogo seguiu esse curso até Gwen se virar e observar os roxos no pescoço do primo, perguntando:

–Ben, o que são essas marcas no seu pescoço?

O dono do Omnitrix fica vermelho e totalmente sem graça:

–Nã-não é nada... só... deve ser alguma mordida daqueles ETs estranhos da ponte. -responde puxando a gola da jaqueta, sabendo que eram as marcas feitas pelos chupões de Kevin no dia anterior.

Gwen de modo algum era uma garota burra, percebeu que aquilo não eram marcas dos aliens, e sim marcas feitas por outra pessoa, ela pensou que poderia ter sido Julie, mas conhecendo a menina já sabia que não tinha sido ela, não fazia o seu perfil. Pensou em Eunice, mas ela é muito boba para algo assim, então concluiu que Ben tinha uma nova namorada.

–Me conta quem é ela, é nova não é? Julie e Eunice não fariam isso em você. -diz baixando a gola e olhando mais de perto as marcas.

–E pelo jeito é uma vampira, sanguessuga ou sei lá... para deixar um cartão de visita assim, tem que ter sido selvagem... -diz Kevin rindo, pois sabia que a "nova" era ele, que tinha sido o causador dos roxos.

–É por isso que está tão estranho? Não precisa ter vergonha, eu prometo não contar para a tia Sandra.

–É... é... eu vou colocar meu copo no lixo e a bandeja no lugar. –responde se levantando e indo em direção a lixeira.

–Você sabe quem é? –pergunta a garota curiosa, desconfiada que Kevin soubesse de alguma coisa.

–Não, eu não, e olha só, ta ficando tarde, é melhor ir para casa, porque amanhã tem mais e nunca se sabe né? Vá que o Vilgax ou o Agregor dêem as caras, temos que estar preparados para tudo. –diz saindo de cima da mesa e chamando Ben para entrar no carro, pois já estavam de saída.

No caminho de volta, quase não se falavam, pareciam todos chateados e entediados, mas o que mais aparentava era Ben, ele realmente estava distante em seus pensamentos, queria conversar com Kevin sobre tudo. A primeira a chegar em casa foi Gwen, que descendo do carro dá um beijo no rosto de motorista, e dá tchau para o primo. Fora do automóvel ela diz:

–Espero que essa estranheza toda seja apenas cansaço... descansem e se cuidem... -termina caminhando em direção a porta de casa.

–BOA NOITE GWEN. -gritam os garotos.

–Não gritem meus pais estão dormindo... boa noite meninos. -fala ela dando um belo sorriso para eles e entrando no seu lar.

Ben passa para o banco do carona, e fala:

–Kevin, precisamos conversar.

–Eu sei.

Kevin dirige até o local onde gosta de pensar, precisavam resolver tudo o quanto antes, e lá era o lugar onde as ideias fluíam de maneira mais suave na cabeça quente do moreno. Chegando naquele pequeno paraíso deitam no capô do carro, com Kevin abraçando Ben.

–Eu não sei o que fazer Kevin... minha cabeça ta tão confusa... eu não posso machucar ela.

–Eu também não, eu vou odiar ter que fazer isso.

–To com medo. -diz o menino dos olhos verdes quase chorando, enquanto Kevin aperta mais o abraço.

–Ben, vamos pensar, e amanhã falamos com ela. Conversamos tudo o que for necessário, ela vai entender... Gwen sempre entende.

–Não... ela não merece isso... como eu pude...

–A culpa não é sua... e se for, a maior parte é minha e eu sei disso... mas Ben, eu não posso enganar ela como fiz hoje... não todos os dias, não vou conseguir beijar ela nos lábios e ter ela nos meus braços, sabendo que não é desse jeito que amo ela... Eu amo a Gwen, mas não como você, sempre fomos mais amigos do que namorados... Eu adoro ela... Ela sempre fez o melhor por mim, e eu sei que de alguma maneira to sendo ingrato... mas isso tudo é consequencia daquele medo que eu tinha antes, sobre nós dois, e querendo ou não se tem um culpado sou eu... no fundo eu usei ela para esquecer quem eu realmente sempre quis...

Os dois se abraçam forte sobre o carro. Ben já deixava cair as lágrimas, enquanto Kevin as segurava, não queria desabar na frente do companheiro, sempre gostou de parecer forte, e mesmo não demonstrando, ele estava mais confuso do que Tennyson, devido ao seu relacionamento com a garota, onde sempre tiveram companheirismo e confiança, e agora tinha medo de tudo se perder, junto com o coração despedaçado de Gwen.

–Eu acho que nós dois estamos errados, e se desistirmos agora, e nunca mais...

–Para... isso é idiotice, se fizermos isso só vamos prolongar toda essa situação... fomos pegos de surpresa...

–E agora?

–Falamos com ela amanhã, marcamos e contamos tudo. Vai dá tudo certo no final.

–Será?

–Você é o Ben Tennyson lembra? Tudo dá certo para você. -diz dando um sorriso e fazendo um carinho nos cabelos do parceiro, que o abraça mais forte.

Para Ben, aquilo tudo era uma mistura de sonho com pesadelo, ele sabia o quanto queria ser feliz ao lado de Kevin, mas nunca se imaginou magoando a sua prima, que é como uma irmã para ele. Relembra dos seus momentos de criança quando brigavam e se chamavam de feiosa e de otário, dos momentos em que sempre precisaram um do outro, de como Gwen se sobressaiu no time, aprendendo magia, e de como seus poderes cresceram ao longo do tempo, assim como seu afeto por Ben e o dele por ela. Agora que eram melhores amigos, ele estava colocando tudo em risco, sentia que perderia ela de algum modo, isso o destruía por dentro. Ficaram ali por mais ou menos duas horas, conversando e pensando, com Kevin acalmando Tennyson. Já era tarde e logo partiram para suas casas também, precisavam descansar ou tentar descansar um pouco.

O sol nasce e Ben continuava deitado em sua cama, não tinha conseguido dormir quase nada, o que teve foram breves cochilos, seguidos de pesadelos fazendo-o acordar repentinamente e não conseguir mais adormecer. Levantou, tomou seu banho e saiu para caminhar, não era comum fazer isto, mas gostava da brisa da manhã e por se sentir incomodado, nada melhor do que caminhar e tentar se distrair ao invés de continuar deitado e ficar se mortificando como estava.

Ben senta no banco do parque e fica ali escorado na árvore que fazia sombra por vários minutos. Completamente em órbita, pensava como seria o dia de hoje, em como tudo se desenrolaria e já se preparava previamente para acontecimentos, fechando seus olhos e suspirando profundamente, de uma maneira que mostrava seu estado de preocupação e cansaço. Ficou assim até sentir seu telefone vibrar. Uma mensagem de Kevin, que dizia:

"Ben, pedi para Gwen vir até aqui, venha também, ta na hora... Te esperando."

Sem a minima vontade de ir, levantou do banco, e rumou até a casa do companheiro. Chegando lá encontra os dois parceiros sentados na sala, Kevin acomodado no sofá e Gwen escorada na guarda do móvel sem entender muito do que se passava ali. Entra e senta perto de Kevin, olhando para a prima, que estava com uma expressão de quem não entendia nada, enquanto os dois tinham uma expressão mais séria.

–Vocês podem começar... sobre o que vocês querem falar? -pergunta a menina muito intrigada.

Tennyson sentiu seu rosto corar, começava a achar que não era uma ideia tão boa contar para Gwen naquele momento, mas já estava feito, e agora era tudo ou nada, os dois em silêncio, e a garota séria olhando para ambos. Kevin se manifesta e decide começar a explicação, conhecia Ben o suficiente para compreender que não teria a iniciativa, por isso tomou as rédias da situação.

–Gwen... é um assunto bem delicado. -diz olhando para a garota, que agora em um tom mais preocupado e já demonstrando um certo medo responde:

–Pode continuar... sou toda ouvidos.

–Antes de começar entenda que não foi por mal...

–Sem enrolações Kevin. -interrompe olhando para o primo que já estava segurando as lágrimas.

–Gwen é complicado... Não é enrolação só queremos te explicar o que ta acontecendo. -continua Kevin, que embora estivesse nervoso e com medo também, sentia-se seguro de si.

–Então explica, os dois estão estranhos desde de ontem, não parecem contentes com a minha chegada e olha para o Ben, o que ta acontecendo? Vá direto ao ponto. -responde Gwen em um tom de voz mais alto, não por estar brava, mas pelo clima que ali estava, tenso e pesado, e ela já estava nervosa, se estivesse calma, não gritaria.

–Se acalma, não precisa gritar. -pedi Kevin.

–Eu to calma... continua. -diz ela respirando fundo, baixando o tom de voz e tentando se acalmar.

–Eu e o Ben... bem nós... sabe como é... -por mais que Kevin quisesse dizer, ele não conseguia e travava do mesmo modo que fez quando tentou se declarar para Ben.

Gwen assistia a cena de Kevin se enrolando para falar, a situação já parecia se prolongar demais, aumentando ainda mais a tensão, até Ben dizer:

–Estamos ficando... -ao terminar de falar fecha os olhos, voltando a cabeça para o chão, fazendo suas lágrimas escorrer pelo rosto.

Ao ouvir aquilo Gwen senti seu coração ser atingido um milhão de agulhas, a garota fica totalmente fora de si, não querendo acreditar, já quase chorando também fala para Kevin:

–Diz que não é verdade... Que é só uma brincadeira de mau gosto.

–Não Gwen... não queríamos te machucar.

–E como acha que eu estou agora? -pergunta levantando do sofá, se afastando dos meninos, com os olhos lacrimejando.

Gwen se sentia usada, acabou de perder o chão, sentia-se completamente traída por duas das pessoas que mais amava, o seu primo do peito e o seu namorado que tanto ama. Não conseguia definir a dor causada pela força da revelação, sentia sufocar e uma dor no peito terrível como se apertassem o seu coração, esmigalhando ele, não queria escutar mais nada. Perturbada a menina pergunta o por que de ter acontecido isso.

A explicação vem de Ben para a surpresa dos presentes, ele caminha em direção a menina falando:

–Gwen, eu to muito errado e eu sei disso, eu não queria te machucar eu juro... não sabe como ta sendo dificil para mim, e como isso ta me matando... mas tudo aconteceu e agora...

–Vocês se amam? -questiona a menina interrompendo o primo.

–Eu amo o Kevin. -responde Ben chorando, olhando para os olhos da prima, que também chorava.

–E você? -pergunta para Kevin.

–Eu amo o Ben. -responde ainda sentado, Kevin não era de chorar, e aquela altura da situação respirava fundo, notava-se nitidamente que ele também estava muito mal ao dar aquela noticia para a amiga.

A garota para de falar, e por um tempo fica pensando e olhando para o nada.

–Eu só preciso de um tempo. -diz caminhando até a porta, dando adeus aos meninos.

Assim que ela sai Ben se ajoelha chorando e dizendo que era um monstro, Kevin vai ao encontro do garoto e o abraça dizendo que assim tinha sido melhor, que enganar ela seria muito pior, que mais ou cedo ou mais tarde aconteceria, mesmo mentindo, futuramente ela notaria tudo, mas que tudo se resolveria. Toda essa tristeza, dor, mágoa e conflito que foi causado hoje, não durariam para sempre, na verdade acreditava que não duraria muito tempo, conhecendo Gwen como conhecia, ela não era do tipo que guarda rancor.

Enquanto isso Gwen voltava para casa, caminhando lentamente pela rua, com os braços cruzados e a cabeça baixa, para esconder as lágrimas das demais pessoas, estava realmente abalada, por hora não pensava em quase nada, só queria ir para casa. Não demora muito para se acomodar em seu quarto. Depois de trancar a porta, senta em sua cama, e começa a pensar. Agora era sua vez de colocar as ideias no lugar:

"Não esperava por isso... nunca imaginei... mas bem no fundo, acho que sabia... eles se tornaram muito amigos e ficaram completamente ligados, era natural que pudesse acontecer... eu quem não quis ver... sempre que tocava no nome de Ben quando estavamos sozinhos, Kevin ficava mexido... eu sei que fui usada... só não sabia que doia tanto, mas os dois se amam... e eu não quero ser um obstáculo... o Kevin, eu vou esquecer, sei que não vai ser tão fácil quanto parece, mas vou ter que conviver com isso todos os dias, e um dia vai passar, só queria saber o porquê de não ter me contado antes, e deixar chegar onde chegou... me sinto tão vazia agora... tão sem vida... quem sabe não é melhor assim... quem sabe..."

Ao terminar o pensamento, já tinha se deitado sobre a cama, ali ficou até adormecer. Os meninos preocupados com ela, ligaram para sua casa, onde sua mãe diz que ela passou o dia todo trancada no quarto dormindo. Ben tinha medo dela tentar alguma coisa, não contra eles, mas contra si mesma, então ficou esperando sua prima acordar para ter uma conversa melhor, não queria vê-la chorar e se fosse o caso, não ficaria com Kevin, apenas para deixá-la feliz.

Gwen acorda e decide pegar um pouco de água, ao descer as escadas encontra com Ben sentado no sofá.

–Gwen querida, o Ben está te esperando desde cedo. Acho que é um assunto importante, vou deixar vocês conversando, enquanto preparo um chá. -diz a mãe saindo da sala e indo em direção a cozinha.

Gwen se senta junto com o menino no sofá e olha para ele ainda com cara de sono.

–Gwen, eu vim aqui para conversar com mais calma...

–Eu sei Ben. -responde sorrindo para ele.

–Eu quero pedir desculpas.

–Ben... ninguém manda no coração... eu mesma não me entendi quando me apaixonei pelo Kevin, e está tudo bem viu!?! Eu andei pensando, é melhor assim, eu não quero ser um obstáculo, e eu acho que tive sinais antes e não quis perceber, me ceguei pelo amor.

–Mas Gwen, eu não entendo. Pensei que tivesse ficado triste com isso tudo, o jeito que você saiu da casa do Kevin, fiquei com medo de te perder.

–Nunca vai me perder. Eu realmente tive meu coração partido, mas eu posso curar ele, não vai ser fácil, e sim eu me sinto um pouco usada... mas eu sou forte e eu dou o maior apoio para vocês, eu amo os dois, tanto que não tem como não ficar feliz com uma noticia dessas.

–Como assim? Eu não te entendo Gwen, você parece tão calma...

–Entenda, eu quero a felicidade para vocês dois, e como eu disse, eu estou sim triste com o que aconteceu, não é fácil levar um golpe assim, mas sou sensata o suficiente para entender que um erro não justifica outro. O fato de terem me escondido a relação de vocês, não é motivo para eu odiar os dois para o resto da vida, eu acredito no perdão Ben, e você deveria saber isso melhor do que ninguém.

–Gwen, começou essa semana, não faz tanto tempo assim, e por isso decidimos te contar agora no inicio, não era a nossa intenção te magoar.

–Fica tranquilo, eu vou ficar bem, só preciso de um tempo para me recuperar. -diz dando um beijo na testa do primo. -Agora se não se importa, eu tenho que fazer a lição de casa. -termina saindo do sofá e subindo as escadas dando tchau para o garoto que sorri e responde que tudo que ela precisar, ela terá. -Obrigada. -agradece, e assim que o menino abre a porta para sair ela grita: -Ben, pode contar comigo para tudo ta?

–Você é demais Gwen, obrigado mesmo. -responde com um enorme sorriso no rosto e mais aliviado, embora soubesse que a prima estava para baixo, estava contente por ela ser tão compreensiva.

Gwen sobe até seu quarto, coloca sua roupa e desce novamente.

–Mãe to saindo,volto logo!

–Onde você vai? -no momento em que termina a pergunta, apenas ouve o barulho da porta se fechar, ficando sem resposta.

Gwen foi até a casa de Kevin, estava decidida a falar com seu ex namorado sobre o acontecido, sem brigas e desavenças, apenas conversar mesmo. Encontrou a casa vazia, então lembrou da garagem. E lá estava Kevin embaixo do carro como gostava de fazer, colocando algo a mais para incrementar o véiculo, ele ouve um barulho e decide dar uma espiada, fica surpreso ao ver Gwen ali lhe observando.

–Gwen?

–Eu mesma, por que a surpresa?

–Não esperava você por aqui. -diz o garoto levantando, ficando de frente para ela. -Mas fala ai, o que te traz aqui?

–Só vim conversar.

–Sobre?

–Sobre tudo que aconteceu hoje mais cedo.

–Olha Gwen me desculpe...

–Não precisa pedir desculpas, o Ben veio falar comigo... sem problemas.

–Eu sinceramente...

–Kevin, já disse tudo bem. Eu não vim aqui procurar briga, já tive explicações demais por hoje... não é fácil para mim ta aqui, mas eu não consigo brigar com vocês, na verdade não é uma má noticia, fico feliz por estarem gostando um do outro a esse ponto.

–Valeu, você é dez. -responde o garotão abraçando a menina, que corresponde o abraço.

–Desde quando Kevin?

–Começou essa semana, e...

–Não, desde quando você senti isso por ele?

–Há algum tempo. Eu gosto muito de você, e você sabe disso. Mas o Tennyson é algo totalmente diferente.

–Eu me sinto usada... o que você tem para me dizer sobre isso?

–Gwen me perdoa, não quis te machucar, eu sempre fui um covarde, fugindo de tudo, fugindo dos meus sentimentos...

–Pode parar. Eu sei como é difícil para você falar isso... entendo como essa situação é complicada, mas tudo vai melhorar... se depender de mim, você e o Ben ficam juntos para sempre... — a jovem heroina sorri para Kevin e caminha em direção a porta da garagem. -Cuida bem dele viu?!?

–Vou cuidar dos dois. -responde Kevin com um peso no coração, realmente gostava da menina, sentia-se extremamente culpado por ter causado toda essa confusão, e prometeu para si mesmo naquela hora que cuidaria de Gwen como nunca tinha cuidado quando ainda estavam juntos, e com Ben teria um cuidado todo especial, ele amava seu pequeno.

Gwen acena indo embora. A menina ainda encontrava-se em um estado de tristeza, uma vontade de deitar e ficar ali, imóvel, apenas esquecer-se da vida e do mundo, ficar sozinha por algum tempo, e quando saísse do seu quarto tudo estivesse bem, com seu coração curado. Mas uma coisa nunca poderá ser tirada dela, sua bondade, sua sensibilidade e seu senso de justiça, e principalmente o amor que tinha pelos seus familiares e amigos.

Logo está de volta em casa, cansada devido ao dia turbulento que teve, deita na cama e se vira com os olhos fechados, ao abri-los, enxerga um retrato sobre o seu criado mudo. Nele estavam Ben, Kevin e ela, todos juntos, Gwen pega a foto e aperta forte sobre seu peito. Olhando novamente para a imagem, derruba algumas lágrimas. Dizendo:

–Só quero que sejam felizes! -abraça a porta retrato até apagar por completo. Acordando apenas no dia seguinte.

Notas finais
Obrigada pela leitura e boa noite