E se eu... gostar demais de você
12 O Começo de Uma Nova Vida
Notas iniciais
A menina sempre muito carinhosa e atenciosa acalmava o amigo, fazendo carinho em sua cabeça, lembrando que Ben sempre saiu das mais variadas enrascadas e dessa vez não seria diferente, mas que precisariam se manter fortes para ajudar o parceiro se preciso. O menino garoto escuta tudo e assim que ela termina de falar, ele levanta de seu colo lhe dando um abraço. Gwen retribui o gesto, novamente afirmando que tudo ficará bem.
Não demora muito para que os pais e tios de Ben chegassem. Seus pais muito nervosos e preocupados, sobretudo a mãe que não parava de chorar um minuto, enquanto o marido mesmo inquieto tentava tranquilizar a esposa. Os pais de Gwen vão ao encontro da filha salva, apenas com alguns machucados.
–Querida ficamos tão preocupados com você. Ainda bem que não se machucou muito. –fala a mãe abraçando a garota.
–Eu também mãe. –diz a garota fechando os olhos e sorrindo, ao ser envolvida pelos braços da mãe. –Mas o Ben, eu to com medo. O médico disse que ele pode entrar em coma.
–Ficamos sabendo amor, infelizmente ele sofreu um golpe feio na cabeça. –responde a mãe olhando fixamente para filha com ar de aflição.
Os tios da garota também vão abraçá-la, felizes pela sobrinha estar bem e angustiados pelo filho. Ao ver Kevin ali sentado, também vão cumprimentá-lo, as mulheres com abraços e aperto de mão da parte dos homens. Todos esperavam por novas notícias na recepção, seriam dadas pelo médico depois de feito os novos exames.
Encontravam-se impacientes, com medo, nervosos, tentavam manter a calma como podiam, conversando sobre algum assunto aleatório, mas pela maneira de falar e de agir demonstravam a preocupação, muito impacientes. Todos menos Kevin, o menino permanecia sentado, embora ficasse claro a tristeza pela expressão em seu rosto, não falava nada se não falassem com ele, parecia estar em órbita como de costume. Gwen e Cooper ficavam sentados, um de cada lado, com a menina segurando a sua mão.
–Eu nem tive tempo de te agradecer. Obrigada, sem sua ajuda teríamos demorado muito para sair daquele lugar horrível. –agradece a menina ao amigo loiro.
Ele fica vermelho, pois sempre esteve muito a mostra que gostava da menina mais do que simples amizade.
–Ah que isso Gwen. Não foi nada não. O Ben avisou a central sobre o desaparecimento de vocês dois. Tentamos falar com ele e não deu certo, então pelo distintivo do Kevin encontramos onde vocês estavam, mas quando chegamos lá só tinha uma montanha, um disfarce que demoramos para perceber.
A garota ruiva sorri e novamente agradece, Kevin também agradece apenas dizendo: “Valeu!” de uma forma vazia, sem nem mesmo olhar para o garoto.
O médico sai de uma das salas pedindo para falar com a família Tennyson, os quais vão rapidamente ao encontro do profissional. A mãe sendo a mais preocupada e nervosa, tremia ao perguntar:
–Doutor, como o Ben está? Meu filho vai ficar bem?
–Primeiro quero pedir a calma de todos. O Benjamin sofreu uma forte pancada na cabeça, causando uma concussão, o medicamos e cuidamos dos ferimentos, inclusive da concussão, mas a atividade elétrica encefálica continua baixa. –responde o doutor explicando o quadro de Tennyson.
Todos tentavam entender o que ele quis dizer com isso, então Kevin pergunta sem rodeios:
–Traduzindo?
–Não sabemos quando ele vai acordar, o corpo dele vai ficar bem, mas ao que parece vai ficar inconsciente por algum tempo.
Ao receber essa informação, a mãe do menino se abraça no pai chorando, Gwen abaixa o rosto lacrimejando sendo amparada por Cooper e seus pais, o médico completa dizendo que poderão visitar ele a partir do dia seguinte e que farão o melhor pelo paciente, pedindo licença e saindo para atender mais pessoas. Kevin atravessa a sala e senta sozinho perto do corredor, a senhora Tennyson vai atrás dele, parando em sua frente, o menino levanta a cabeça para olhar a mulher que lhe estendia a mão, pegando nela, a mãe de seu amado o leva de volta para perto de seus familiares. Dizendo:
–Fique aqui, você também é da família, junto com a Gwen sempre ajudou a proteger o meu menino. –ao terminar de falar observa as bochechas do moreno corar acompanhado de um sorriso tímido.
A noite foi longa, passaram ali mesmo esperando caso algo acontecesse, na esperança que o dono do Omnitrix despertasse. Ao amanhecer já estavam abatidos, notava-se a mistura de aflição com o cansaço causado pela falta de sono.
–Querida, vai para a casa descansar, qualquer coisa eu te aviso. –diz o pai para a esposa.
–Eu quero ficar, se ele acordar eu quero estar ao seu lado. –responde ao marido, pegando em sua mão e sorrindo.
Gwen havia saído por alguns minutos e volta trazendo um café para Kevin.
–Toma, vai te ajudar a ficar acordado por mais um tempo. –diz a menina se abaixando em sua frente, lhe entregando a bebida.
O menino aceita, agradecendo:
–Valeu Gwen.
–Você precisa descansar Kevin, não pode esquecer que também precisa se recuperar.
–Na boa, nem to com cabeça para dormir. –fala fazendo um sinal negativo com a cabeça, tomando um gole do café.
–Mas precisa, vai para casa, toma um banho, descansa e depois volta. –continua segurando o queixo do amigo.
–Você é demais, mas eu não quero. Vai você, ta cansadona e precisa mais do que eu.
–Eu também não quero deixar o Ben... vou ficar aqui com você.
A garota levanta sentando ao lado de seu companheiro, depois de certo tempo, os pais da menina decidem ir para casa, pedem desculpa ao casal que tinha o filho internado e convidam Gwen para ir com eles, a garota se nega e diz que ficará ali, entendendo a decisão da filha não fazem nenhum tipo de oposição, se despedem e vão embora. Já eram quase duas da tarde, quando Gwen não aguentando mais seu corpo ainda ferido e debilitado, acaba dormindo no ombro do parceiro, que a acorda.
–Gwen... Gwen... – a menina desperta, com os olhos entre abertos, dando um suspiro.
–Pode falar. –diz esfregando os olhos, voltando a olhar o menino.
–Acho melhor você ir para casa, tomar um banho, tirar essas roupas rasgadas e descansar.
–Mas eu quero ficar aqui, não quero te deixar sozinho. Ainda mais preocupado desse jeito.
–Combinamos assim, você vai e se algo acontecer eu te ligo. Ta beleza?
–Tudo bem. Eu não demoro. –mesmo concordando, não queria sair dali, afinal de contas se trata do seu primo que ama tanto, com um peso no coração vai se despedir dos tios, mas antes beijando Kevin na testa.
–Eu vou para casa me trocar, logo eu to de volta.
–Não se preocupe com isso Gwen. Qualquer coisa te avisamos.-responde o pai.
–Obrigada, vou ficar atenta enquanto estiver fora. –diz dando um beijo em cada tio.
Kevin olha para Cooper que também passará a noite com eles e diz enquanto toma o café.
–Acompanha ela... –sorrindo e dando uma piscadinha.
O loiro fica com uma expressão no rosto que dizia: “Como assim?” Kevin responde com um levantar de sombra celhas, comprovando o que tinha dito seguido de um leve movimento de cabeça para a direção da garota ruiva. Mesmo desconfiado Cooper faz um sinal positivo e leva Gwen até em casa.
Os pais do garoto ficam sozinhos com Kevin, o senhor Tennyson puxa assunto com o menino, perguntando o que fazia, se estudava, há quanto tempo conhecia seu filho. Pouco sabia sobre Levin, pois nunca teve a oportunidade de desenvolver grandes diálogos com o mesmo. Conversaram por um bom tempo, conhecendo-se melhor, o moreno mesmo com todo o seu jeito rude, procurou ser o mais educado possível, deixando a mãe de Ben impressionada, pois não era comum Kevin ser tão gentil.
O tempo passa e os sinais de exaustão dos três ficam extremamente perceptíveis, aguardavam inquietos por novidades. Então o médico aparece pedindo para falar com eles, os permitindo ver Ben e passando todas as informações como: horário para visita, os resultados de exames atualizados e tudo mais. Os primeiros a entrar são os pais do herói, abrem a porta e caminham até a cama, o olham chorando, pedindo a Deus que se recupere bem, não demorando para acordar, afinal era seu único filho, amavam o garoto incondicionalmente, não suportavam vê-lo em cima de uma cama de hospital sem poder fazer nada, além de esperar. O pai pega na mão filho, observando seus machucados. Dizendo:
–Você vai ficar bem filhão, acorda logo. –fechando a mão do filho sobre as suas.
A mãe o beija na testa, fazendo carinho no cabelo dele, arrumando a sua franja, colocando-a atrás da orelha. Falando:
–Ben, você é o nossa maior riqueza... eu sei que você ta dormindo e não pode me escutar... mas eu e seu pai vamos ficar aqui com você. –a mulher para por alguns segundos em prantos e continua. –Lembra quando você caiu da bicicleta e esfolou o joelho quando tinha cinco anos? E eu fiz um curativo e você disse que eu era a melhor mãe do mundo? Eu me lembro de perguntar se estava doendo e você me respondeu: “Mamãe eu sou homenzinho agora, não choro mais por besteira.”
–De quando você subia na mesa quando eu estava trabalhando e me convidava para brincar com seus carrinhos e bonecos de luta... nosso garotão vai sair dessa, ele é um herói lembra? Os mocinhos sempre vencem. –fala o marido para esposa, consolando a mulher com um abraço apertado, os dois se despedem do filho. Um beijo da mãe e outro do pai, saindo do quarto dando espaço para Kevin também poder vê-lo.
O menino entra no quarto suspirando, fecha a porta, observando seu namorado deitado sobre a cama. Caminha lentamente até seu parceiro, com os olhos lacrimejando, pega em sua mão, passando ela suavemente em sua bochecha, beijando-a. Derramando as lágrimas.
–Eu sou um fracassado não é mesmo? Me desculpa não ter cuidado de você como eu deveria... fiz papel de idiota com aqueles imbecis e eles te machucaram... eu deveria ter sido mais forte e aguentado melhor as porradas... ter te protegido, como você fez comigo... me desculpa Ben... me desculpa... eu sei que dizer que foi mal não vai mudar as coisas, mas... –respira fundo e fica em silêncio.
Alisava o rosto do menino, tomando cuidado com ferimentos, fazendo um carinho. Passa a mão em seus cabelos delicadamente, mesmo desacordado Ben continuava lindo. Lembrava-se do primeiro beijo que ocorreu naquele mesmo hospital e sorri, recorda as noites que teve o garoto em seus braços, deitado, dormindo ao seu lado, de certa forma protegido, pois nunca deixaria mal algum acontecer com ele enquanto estivesse por perto. Inclina-se devagarzinho, apoiando as mãos na guarda da cama, aproximando o rosto pouco a pouco do companheiro, dando-lhe um selinho. Agora se sentia mais calmo, pois o menino sempre lhe trazia muita paz. Saindo do quarto, fala:
–Amo você meu pequeno... trata de melhorar logo.
Fechando a porta dá de cara com os pais aguardando por ele para voltar à sala de espera. Retornando ao local encontram Gwen e Cooper sentados. Ao vê-los Gwen levanta, dizendo:
–E então como ele está? Queria ver ele, mas já passou do horário. –diz a prima chateada.
–Ele está bem Gwen e você vai poder ver ele mais tarde. O que me preocupa é ele demorar a acordar. –responde a mãe explicando a situação do filho.
–Fico feliz por saber que ele está se recuperando. E agora já sabem que ele vai ficar bem, então não acham melhor ir para casa? Trocar de roupa e dormir um pouco, parecem exaustos. –diz a menina acompanhando os tios e o amigo até os bancos da sala.
–Querida eu concordo com a Gwen. Você precisa descansar passou a noite toda em claro. –fala o marido para esposa o colocando a mão sobre seu rosto.
–Nós dois você quer dizer. –completa a mãe.
Aceitando o conselho da sobrinha, o casal decide ir para casa, se recuperar do choque do dia anterior. Despedem-se de todos, agradecendo a atenção e o carinho, dão adeus e seguem para seu lar. Contudo Kevin não vai embora e se senta novamente.
–Kevin o que eu disse para meus tios, ta valendo para você também. –diz a menina em pé na frente com as mãos na cintura, olhando o parceiro, percebendo o cansaço em seus olhos.
–Gwen, eu...
–Você prometeu. –interrompe a garota. –Quando eu voltasse, você iria para casa descansar.
–Mas Gwen... e seu eu sair e acontecer alguma coisa... –resmunga o moreno.
–O Ben ta repousando agora... nada vai acontecer com ele e a equipe de médicos daqui é ótima, enquanto você estiver fora eu garanto que ele vai ficar seguro. –tenta convencer o menino de ir para sua residência. O garoto fica em silêncio olhando para o lado, então a menina completa. –Você precisa esfriar a cabeça. –diz pegando na mão do companheiro.
–Culpa é minha por ele ta aqui... eu deveria ter sido menos molenga com aqueles bandidos... não pensei que chegaria nesse ponto, não consegui proteger o Ben e ele se machuco defendendo a gente. –diz o garoto enchendo os olhos de lágrimas enquanto olhava atento para o rosto de Gwen.
–A culpa não é sua, pensando dessa forma, eu também sou culpada, eu fraquejei e não pensei direito, mas era exatamente o que eles queriam. Olha Kevin, aquela situação foi difícil, estávamos enfraquecidos e com medo, quase não pensamos direito, agimos por instinto e o Ben nunca deixaria nada acontecer com nós dois. E você salvou sim ele, se não tivesse acordado bem a tempo, quem sabe se ainda estaríamos aqui? –para de falar pegando no ombro do menino e continua a falar. –Então para de besteira e vai para casa, descansa e volta, eu cuido do Ben para você. Ou você não confia em mim?
–Ta beleza então... eu vou. –responde para a amiga com um sorriso meio desanimado.
Kevin se levanta, dando um beijo de despedida em Gwen e ao passar por Cooper dá uma tapinha em suas costas falando para ele cuidar bem da menina, deixando os dois sozinhos. O garoto loiro era tímido e muito gentil, sempre teve uma paixonite por Gwen, mas como a garota ruiva ainda estava namorando o outro companheiro, correspondeu apenas com amizade. No entanto agora encontrava-se solteira, podendo assim dar uma nova chance ao seu coração, e claro ao Cooper também.
Dentro daquele hospital conversaram por horas, descobrindo várias coisas em comum, o menino também era fascinado por leitura, obviamente tinha um gosto mais voltado a ficção cientifica, enquanto Gwen gostava mais de livros informativos e românticos, os minutos passavam e pareciam se dar cada vez melhor, como se conhecessem a anos. Cooper conseguia acalmar a prima do herói quando ela falava do medo que tinha de Ben não se recuperar totalmente, podendo ficar com alguma sequela ao acordar.
Ao mesmo tempo em que os dois jovens ficaram no hospital, Kevin já se dirigia para casa. Cansado, levava um conflito dentro de si, a sensação de não ter cumprido seu papel como bom namorado e ter deixado Ben se ferir no combate. Chegando em sua residência tira a camiseta apresentando alguns roxos pelo corpo, jogando a roupa no chão do banheiro, retirou a calça para entrar no banho e ao atirar ela em algum canto, escuta o barulho de uma coisa caindo, o que pensou ser seu celular. Sai do banho, veste-se, toma uns remédios, algo difícil de acontecer, pois mesmo doente se recusava a usar qualquer medicamento. Cai na cama ainda pensando no seu amado e no acontecimento, sua cabeça dava voltas sempre batendo na mesma tecla, continuou assim por poucos minutos, mas logo os comprimidos fizeram efeito e o garoto apagou.
O dia amanhece fazendo com que Kevin percebesse que realmente tinha caído no sono, pelo efeito dos remédios e do corpo debilitado. Pula da cama procurando seu celular, achando ele em cima do sofá onde tinha colocado na noite passada.
–Gwen, você me ligou ontem, eu ferrei no sono, aconteceu alguma coisa? –liga o menino imediatamente, extremamente preocupado.
–Não. Não aconteceu nada, só liguei para saber se estava bem, você sumiu. –responde a menina.
–Ufa! Que alivio, pensei que fosse algo com o Ben. Noticias dele?
–Médico voltou e falou a mesma coisa de antes, só aguardar mesmo. E que bom que conseguiu descansar um pouco, ta melhor?
–Só vou ficar quando o Ben acordar...
A menina também pensava assim, fica em silêncio e em seguida responde:
–Olha... toma um café, não pode ficar sem comer e vem para cá nos fazer companhia.
–Ta ok. Só não quero segurar vela. –fala rindo, ouvindo a menina rir do outro lado da linha.
–Prometo que não vai segurar.
–Vou ir me trocar então, logo to pintando por ai.
–Vou te esperar. Beijo.
–Beijo e valeu Gwen.
–Não tem o que agradecer. Se cuida.
–Você também.
O garoto vai se trocar e comer alguma coisa, assim que termina decide deixar as roupas lavando enquanto estivesse fora, ao pegar sua calça percebe algo caindo dela e o que pensou ser seu celular no outro dia, era na verdade a caixinha com as alianças. Se abaixa juntando-as delicadamente e colocando em seu bolso, partindo para o hospital onde o estava internado seu namorado, tamanha foi a pressa que até esqueceu de colocar as peças na máquina de lavar.
Chegando ao local encontra todos novamente ali, sem grandes informações. Contudo o moreno não queria perder nada, por isso sempre passava o tempo que aguentava naquela sala, esperando dia após dia o seu amado despertar. Gwen sempre fiscalizando o amigo, se não fosse por ela, ele nem mesmo voltaria para casa. Chegando a dormir sentado, fato que já havia acontecido.
Nove dias se passaram e Ben continuava em coma. A família e amigos muito aflitos visitavam o menino e se revezavam para obter noticias. O médico já ficava chateado por dizer sempre o mesmo, porém os cortes cicatrizavam normalmente, o que era bom, levando em conta que ele estava desacordado a tanto tempo. A rotina de Kevin agora girava em torno do hospital, estava sempre lá, não importava o que houvesse, permanecia cada segundo ao lado do companheiro. Nesse dia o profissional responsável anuncia que o menino poderia visitar o paciente e como o garoto estava sozinho, pois esperava pela chegada dos outros, entrou somente ele.
Kevin entra e pega a mão de Ben, fica conversando com o herói como tinha feito nos últimos dias:
–Você faz falta Tennyson. –sorri ao lembrar que seu parceiro odiava ser chamado assim. –Tanta falta que até Azimuth veio aqui te ver... pena que ele também não pode fazer muito para ajudar... mas não importa, eu vou ficar com você o tempo todo... ninguém mais vai te machucar quando eu estiver por perto... loucura né, você é quem sempre foi o herói... é você quem sempre faz tudo dar certo... –continua alisando a face do menino. –E mesmo que não possa me ouvir... eu te amo Ben, to te esperando... –dá um beijo na testa do menino e completa. –Não sabe a saudade que tenho de ver esses olhos verdes esbugalhados olhando para mim. –faz mais um afago e sai, olhando mais uma vez o companheiro.
Por ser muito cedo o sono ainda batia, então o moreno decide ir comprar um café, indo até a lanchonete do hospital. Ao voltar encontra todo o pessoal reunido com uma expressão séria no rosto e trêmulos de tão nervosos.
–O que houve Gwen? –pergunta juntando-se a eles.
–Médico do Ben quer conversar algo sério com nós todos. –responde a menina inquieta.
Kevin pensa em mil razões para o doutor pedir uma coisa dessa e instantaneamente fecha os olhos para tentar se acalmar, respirando fundo, ao abri-los se depara com Ben caminhando com ajuda da enfermeira até eles. Um mistura de surpresa, alegria, vontade de chorar, matar a saudade, abraçar e beijar o garoto tomam conta de seu corpo. Todos vão para cima do dono do Omnitrix, abraçando e beijando, felizes pelo menino ter acordado, enquanto Kevin fica paralisado.
A mãe do herói era só felicidade, chamando ele de filhinho, agradecendo a Deus por tudo ter terminado bem, seu pai o chamando de garotão, seus tios e Gwen o abraçando dizendo como era bom ter ele de voltar, aperto de mão do Cooper dizendo seja bem vindo novamente. Ben sorria feliz para todos. abrindo espaço procurando Kevin, ao vê-lo diz:
–Não mereço nem um abraço. –diz estendendo os braços.
Kevin apenas agiu instintivamente com o coração e segue até Ben, não o abraçando, mas sim beijando o menino, que primeiramente fica com vergonha, curvando-se para trás ao ser pego de surpresa pelo namorado, que puxa seu corpo contra o seu. E nesse momento o garoto dos olhos verdes pensa: “Agora já era!” e corresponde o beijo do parceiro. Ao soltar Ben, Kevin puxa a caixinha que sempre levava no bolso, esperando ansioso por esse momento, se ajoelha pedindo:
–Ben aceita namorar comigo?
Todos ficam surpresos, o senhor Tennyson até mesmo desmaia na hora, óbvio que foi um choque para todos.
–Pai? –diz Ben ao ver o seu pai caindo, virando-se para Kevin, respondendo. –É claro que eu aceito. –estendendo o dedo para colocar a aliança. –Agora vamos ajudar meu pai.
Depois de muitos dias para total recuperação e confusão pelo ocorrido no hospital, os pais de Ben aceitaram o namoro dos dois, a senhora Tennyson argumentou com o marido que depois de todo o acontecimento seu filho merecia ser feliz com quem quisesse, após muita resistência do pai, ele acaba cedendo e aceitando a ideia, mas ainda sim não gostava muito de Kevin, tinha um certo ciúmes paterno, então no intuito de convencer o marido por completo, a mulher resolve dar um jantar de comemoração pelo ótimo restabelecimento de Ben, convidando Kevin para um jantar em família.
O garoto Tennyson até mesmo estranha a atitude positiva dos pais, mas não se opõe, avisando o namorado com antecedência do jantar, os pais de Gwen e a menina também foram convidados, porém como estavam sempre viajando não puderam comparecer, o que garota ruiva achou até melhor, dizendo para Ben que dessa forma iriam perceber com mais facilidade que o moreno não era tão ruim quanto aparentava. Chega a grande noite e Kevin estava muito nervoso, se arrumava, passando perfume, colocando sua melhor roupa e penteando o cabelo. Quando escuta o celular tocar:
–Fala ai Gwen.
–Já ta se arrumando?
–Sim, to sim. Por que a pergunta? –questiona o garoto intrigado.
–Ótimo, não se atrase, meus tios são muito pontuais. Ah e tente agradar bastante e seja menos Kevin, seja o mais educado que conseguir, mas de um jeito espontâneo, coma normalmente, não empurra tudo de uma vez só como sempre faz e tome um cuidado redobrado ao falar, se expresse o menos possível.
–Pera ai, você ta falando rápido demais. –diz o menino anotando em uma caderneta.
–Vou repetir de novo. –fala a menina muito calma, sabia que esses conselhos seriam de grande ajuda.
Depois de explicar tudo novamente para seu amigo. Ele pergunta:
–Você vai ir né?
–Infelizmente não vai dar, vamos visitar meus parentes no Canadá, mas boa sorte.
–Valeu Gwen, vou precisar de toda a sorte possível.
–Então vai terminar de se arrumar e qualquer coisa é só mandar sms, ta bem?
–Ta beleza. Até depois.
–Até e eu quero detalhes de como foi hein. –diz a menina soltando uma risada.
–Pode deixar. Beijo. –responde rindo também, achava engraçado o fato dos pais da menina nunca sentirem necessidade de conhecer ele mais a fundo, mas os de Ben organizarem até jantar para saber quem era Kevin realmente.
Em poucos minutos ele termina de se vestir e liga para seu parceiro.
–Oi Kevin, tudo bem? –pergunta Ben muito feliz com o acontecimento.
–Tudo sim, já to saindo. E você tranquilo?
–É digamos que mais do que você. –brinca fazendo uma piadinha.
–Vou ter sorte se não sair a chutes daí. –responde o garoto muito nervoso.
–Relaxa. Meus pais são meio durões, mas são bacanas.
–A senhora Tennyson sim, mas o seu pai não vai muito com a minha cara.
–Vai sim, agora vem para cá logo.
–To entrando no carro.
–Ok, até logo.
–Amo você.
–Amo você. –responde Tennyson impressionado com a mudança do companheiro.
Assim que desliga o telefone vai sentar no sofá perto da janela, esperando pelo garoto, oferece ajuda a mãe que agradece, mas dispensa o auxilio do filho. Kevin chega bem no horário marcado, sem atrasos, o que deixa os pais muito surpresos, pois embora Ben gostasse dele, não levavam fé no menino. Ao entrar o moreno se mostrou muito cavaleiro, ajudando a sua sogra mesmo ela dizendo que não tinha necessidade, arrumando a mesa, sentando e conversando sobre as atualidades com o senhor Tennyson, que colocava o garoto a prova a todo minuto, perguntando sua opinião e o que pretendia fazer de faculdade.
A matriarca avisa que o jantar está servido. Kevin se porta até mesmo melhor do que Ben, deixando o garoto curioso, cochichando para o parceiro.
–O que você está fazendo?
–Conquistando seus pais... e eu não sou a Elena, por isso não banque o idiota.
Agora o menino tinha certeza de que era Kevin. O jantar pode-se dizer que estava agradável, mesmo com o seu sogro fazendo muitas perguntas ao genro.
–E então Kevin, você sabe que o Ben não é brinquedinho para nenhum vagabundo, então sugiro que cuide dele o melhor possível.
–Querido acho que este comentário foi desnecessário. –corrige a esposa.
–Pode deixar senhor Tennyson, eu vou cuidar o Ben. –após terminar olha para seu amado.
–É o que eu espero. Suas intenções são as melhores não é?
–São sim, eu quero muito construir uma história com seu filho.
–Interessante! espero que cumpra que está falando. Porquê muitas vezes, ainda mais na idade de vocês dois, o felizes para sempre bate muitas vezes na porta.
Ben e sua mãe ficam apavorados com o jeito do patriarca da casa expor seus pensamentos tão rudemente.
–Eu concordo com o senhor, mas acredito que já encontrei o meu feliz para sempre.
–Espero que não seja do mesmo jeito que encontrou com a Gwen.
–Pai o senhor está me deixando envergonhado, fez um jantar para nos constranger? –repreende o filho.
–Eu concordo com o Ben, você está sendo muito desagradável. –fala a mulher olhando o marido, muito séria.
–Eu entendo o senhor não gostar de mim, de boa mesmo, mas eu vou provar o quanto eu amo o Ben e um dia espero que possamos ser parceiros.
Com essa resposta o homem apenas abaixa a cabeça e volta a comer, com todos o copiando e fazendo o mesmo. Kevin mais uma vez se mostra gentil, lavando a louça e agradecendo a ótima comida da mãe de seu companheiro. Sentam na sala para conversar um pouco mais e mesmo com as alfinetadas por parte do pai, a conversa seguiu mais calma.
Depois de um certo tempo o moreno se despede, pois segundo ele teria alguns assuntos para resolver, desculpa para sair logo dali, mais uma vez agradece o jantar, recebendo um beijo no rosto da sogra e um aperto de mão forte do sogro. Ben o acompanha até a porta, saindo junto com ele e entrando no carro.
–Seus pais não vão brigar por você sair assim? Escondido, sem avisar eles? –pergunta Kevin preocupado depois de saber com quem estava lidando, nesse caso o pai de Tennyson.
–Não brigam não e eu quero pedir desculpas pelo meu pai hoje, ele foi muito mal educado.
–Beleza. Eu sabia que ele me daria indiretas que foram bem diretas por sinal... nem esquenta com isso, papai Tennyson só quer proteger o filhote.
O garoto ainda meio constrangido abre a porta do carro para descer, quando é interrompido por Kevin.
–Espera você não vai fugir comigo?
–Mas você disse que tem assuntos para resolver.
–Agora lembrei que não tenho mais. Mas e ai ta a fim de assistir um filme?
–Ta bem, só não posso demorar muito.
Com o herói concordando vão rumo a residência de Levin, acomodam-se no sofá com pipoca e refrigerante, colocando mais um dos filmes de comédia romântica que Ben tanto gostava.
–Não entendendo como você gosta tanto de toda essa melação. –diz o moreno apontando para a tela.
–Ué quem sabe então não fizemos um filme com a nossa história, ela é menos melosa, o que acha? –responde erguendo a cabeça, escorada no peito no parceiro.
–E menos chata também. –responde beijando o garoto e fazendo carinho no seu cabelo.
–Você não muda mesmo. –fala rindo e voltando a prestar atenção no filme.
Ficam em silêncio por um tempo e Kevin volta a falar:
–Eu te amo meu pequeno... –beijando a cabeça do garoto que não se mexia. –Ben? Ben? –o menino dormiu na metade o filme, então Kevin pega ele no colo e leva para a cama deitando ao seu lado, do jeito que gostava, protegendo ele de qualquer perigo em seus braços.
O tempo passa e nesse meio tempo Gwen e Cooper começam um relacionamento aos poucos. Enquanto Kevin e Ben, só ficavam cada vez mais apaixonados, demonstrando a cada dia o quanto se importavam um com o outro, mesmo que fosse refletido em uma briga por ciúmes. Viveram e ainda terão muitos momentos inesquecíveis, como o seu primeiro beijo, a sua primeira vez, o pedido de namoro, o jantar com a família, a primeira dança dos dois no baile da escola, todos momentos que seriam levados em seus corações. E pela primeira vez na vida, Kevin se sentia completo e totalmente feliz, sem nenhum arrependimento, deixando seu jeito rude de lado pouco a pouco, para conquistar Ben todos os dias. Desejando passar cada segundo com o menino, pois o amava muito. Aprendeu com Ben que sentimentos além de feitos para serem sentidos, também são feitos para ser demonstrados. Enfim ganhou uma família e com Ben construiria a sua própria, tendo a certeza de ter encontrado o amor da sua vida e que seria feliz com ele para todo o sempre.
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