Notas iniciais
Mais um capitulo postado, boa leitura . Beijinhos

O telefone toca, fazendo com que Kevin "acorde" da sua linha de pensamentos, levantando da cama e indo apressado pegar o celular:

–Oi Gwen, tudo bem?

–Oi Kevin, tudo sim. E com você?

–Tudo indo, só o Vulkanus que deu as caras, mas demos um jeito nele. E o passeio como tá?

–Ah você sabe como minha família é. Estão explorando até os becos sem saída de Los Angeles, eu até to gostando, mas preferia ta em casa, lendo algum livro.

–Estudiosa como sempre. Quando volta?

–Eu volto no domingo. E o Ben?

–Ele ta de boa, acabei de deixar ele em casa.

–Kevin... você e ele estão se dando bem? Sem brigas?

–Claro gatinha. Tirando o fato de os dois adorarem perturbar um ao outro, o resto ta beleza.

–Isso significa muito para mim. Obrigado... de verdade.

–Imagina, o Tennyson é um imbecil, mas no fundo eu sei que gosto dele e nos damos bem.

–Eu sei. Bem, agora preciso desligar minha mãe ta me chamando para ir visitar os parques temáticos. E lá vou eu bancar a caipira de novo. Se cuida ta?

–E você também gatinha.

–Amo você Kevin.

–E eu você.

Assim que desligou o telefone Kevin deita novamente. Voltando aos seus pensamentos e dessa vez já não pensava mais com a mente, mas sim com o coração. Sabia que de nada adiantaria pensar com o cérebro, só ficaria mais confuso. Encontrava-se em um estado de divisão, amava Gwen o suficiente para não conseguir machucá-la e sabia que tudo que haviam construído e passado juntos, as demonstrações de carinho e até mesmo as brigas por nada que sempre resultaram em uma volta fortalecendo a relação, eram realmente importantes para ele.

Por outro lado, a vontade de viver tudo isso ao lado Ben era maior, no fundo sabia que gostava mesmo era de Tennyson, todos esse anos brigando e chamando a atenção, com apostas infantis como: quem toma mais sorvete ou então quem bate em mais capangas dos vilões. E a maneira de como precisava ser mau humorado para afastar qualquer aproximação de Ben, quando sentia uma vontade incontrolável de dizer: Fica comigo?

Sim, Kevin tinha esse amor reprimido há algum tempo. No início parecia platônico, mas com o tempo só fez aumentar. E como sabia que Ben não sentia o mesmo, decidiu nunca se declarar. E com Gwen ele era feliz, sim, muito feliz, mas não se sentia completo. Enquanto com Ben, apenas o fato de olhar para aquele rosto, sentia um friozinho na barriga, verdadeiras borboletas no estômago, só por pensar em ter algo a mais com o amigo.

Tudo isso veio à tona na noite do Senhor Sorvete, quando finalmente teve a oportunidade de admirá-lo pela primeira vez, ele conhecia o motivo por pensar em Ben, mas Kevin sabia esconder seus sentimentos, sabia o que era melhor para si, ou pelo menos o que achava que era melhor. Era a típica pessoa que procura não se machucar. Sua frieza e seu mau humor eram escudos para bloquear qualquer aproximação de Tennyson. Durante todo esse tempo estavam dando certo, mas agora...

"Eu deveria ter me controlado, eu deveria ter partido para algum lugar, era melhor do que ficar sozinho com ele. Com Gwen aqui, eu sempre me afasto desses pensamentos, mas agora... desde aquela noite... quando finalmente me deixei levar... e olhei atentamente para ele... desde que senti os seus lábios e o calor do seu abraço. Isso tem me deixado maluco, ta me machucando, só queria que tudo fosse diferente."

Kevin não era de chorar, mas sentia uma dor insuportável em seu peito, se sentia sufocado, não poderia machucar Gwen, e nem mesmo se declarar para Ben. Não pode, não pode.

–Não nasci para ser feliz! -exclama aos soluços causados pelo forte choro.

Nesta noite, todas as mágoas, tristezas e arrependimentos que se deixaram passar, voltaram com força para atormentar o jovem, mostrando o lado sensível de Kevin, fazendo seu lado emotivo transparecer. Tudo que o menino durão suportou e deixou para lá, agora o perseguia, estava se sentindo extremamente incomodado, e com ninguém ali por perto para vê-lo nesse estado, ele deixava as emoções falaram alto. Sentia uma imensa vontade de dormir e nunca mais acordar, de nunca ter existido, de simplesmente sumir.

Permaneceu assim até apagar por completo. No dia seguinte, parecia tudo normal. Acordou, fez seus exercícios, tomou banho e decidiu dirigir um pouco, gostava de fazer isso quando precisava de paz. Pegou a estrada e resolveu que iria almoçar em um bar que não ficava muito longe dali, onde muitas vezes se reuniu com Gwen e Ben.

Distraído com a paisagem e a calmaria, não esperava encontrar um grupo de vespas gigantes sobrevoando a floresta. Kevin olha e fala:

–Animal!

Dessa vez o plano do vilão era roubar um laboratório, para incrementar suas vespas e seus outros mascotes, com o propósito de derrotar Ben e conquistar o planeta, usaria este composto para alterar mais ainda suas criações genéticamente, fazendo com que ficassem super resistentes a quase todo tipo de ataque e se adequassem a qualquer tipo de ambiente. Também usaria em si mesmo, para poder lutar de igual para igual com os nossos heróis.

Kevin numa manobra rápida freia e vira o carro seguindo as vespas, pega o seu celular, ligando para Ben.

–Alô.

–Ben, corre pra cá. A coisa ta feia. Animal vai aprontar mais uma das suas. Eu vou na frente e seguro ele até você chegar.

–Bom dia para você também Kevin, to indo o mais rápido possível. -desliga o telefone já escolhendo Arraia a Jato para ir em direção ao local.

Kevin consegue ultrapassar as vespas, parando logo a frente para combater o mal feitor.

–Aí! Seu panaca, que ta pretendendo com esses projetos de mosquito vitaminados?

–Aaaaaah por que não me surpreendo? -diz o vilão ironicamente.

–Nem começa com o discurso porque não vai durar. Sinto muito, mas vou ter que bancar o dedetizador e acabar com essa festa. -diz Kevin rindo, após ter absorvido uma pedra e agora arrancando uma árvore para bater nas vespas gigantes.

–Peguem ele! Dessa vez ninguém vai estragar meus planos.

As vespas mergulham para o ataque sobre Kevin, que bate fortemente nelas com o tronco da árvore que arrancou, tem vantagem até elas mostrarem que conseguem soltar seu ferrão, lançando vários contra Kevin, que corre para salvar a vida, escondendo-se atrás de uma rocha.

–Não é tão valente assim sem seus amiguinhos não é? -fala Dr. Animal dando uma gargalhada debochada.

–Fala sério. Eu te ganho com os braços e as pernas amarrados nas costas em um combate mano a mano. -responde Kevin enfurecido , jogando a rocha sobre ele e suas vespas, desviando-se e atacam novamente. Kevin chutava, socava e jogava o que via pela frente nelas e em seu dono.

Até mostrarem sua outra habilidade, soltavam uma gosma grudenta, que tentavam acertar em Kevin, ele se desviava sem nem pestanejar, dessa forma acertando o seu carro.

–Ah que droga! Por que é sempre meu carro que sofre as consequências? -diz colocando as mãos na cabeça e com uma expressão desesperada ao ver seu carro completamente grudado no chão.

–Não se preocupa. Na próxima elas não erram. Agora! -ordena o vilão para que todas cuspam a gosma sobre Kevin.

E teriam acertado se no momento exato Arraia a Jato não tivesse salvo Kevin bem a tempo.

–Kevin você ta bem? -pergunta ao parceiro voltando a ser Ben.

–To sim, mas agora esse criador de animais de meia tigela me pega pelo que fez com meu carro. — fala Kevin morrendo de raiva.

–Isso ai. E eu já sei quem pode te ajudar. -diz batendo no relógio. -Eco Eco.

–Dessa vez não Tennyson, meus bixinhos vão fazer de você um casulo. Ataquem!

Eco Eco se multiplica fazendo com que o vilão não atinja o certo, e assim se multiplicando mais ainda, onde todos os Ecos disparam seu grito sônico, confundindo as vespas que aos poucos atacam umas as outras, caindo no chão da floresta. Até mesmo a que o Dr. Animal estava montada cai pelos gritos dos Ecos, mas Animal já havia saído de cena quando percebeu os planos de Ben, afinal de contas, não era bobo e conhecia o seu rival. Na correria para se salvar acaba batendo em algo, era Kevin que o havia seguido e estava com um enorme sorriso por ter encontrado o mal feito sozinho.

–O que acha de um mano a mano agora? Essa é por dizer que eu não era de nada. -diz dando um soco no bandido. -E essa pelo meu carro. -diz dando um chute que deixa o vilão ficar desacordado.

Depois de entregarem Animal para as autoridades, Ben e Kevin resolvem almoçar juntos, afinal tudo tinha terminado bem, ninguém havia se machucado e o bandido estava atrás das grades.

–Começamos cedo hoje hein?!? -diz Ben sorrindo e puxando conversa.

–E terminamos tarde. Demorei um tempão para tirar aquela gosma nojenta do meu carro. -responde Kevin dando um sorriso, mas ao mesmo tempo tirando onda da sua situação.

Ben ri do que o amigo disse e pergunta:

–Vamos no cinema hoje? Tá passando aquele filme de zumbis, onde eles comem o cérebro de quase toda a cidade.

–Por mim tá beleza, afinal não tenho nada para fazer mesmo.

–Vamos pegar a sessão das seis. O filme acaba lá pelas oito, saímos e fazemos a ronda... e depois tomamos um sorvete, o que acha?

–Ta certo. Eu poderia dizer que seria legal, mas você vai tá comigo, então não posso dizer. — fala rindo muito do que disse.

–Eu digo o mesmo. -responde rindo também.

Os dois compram os ingressos e vão assistir ao filme, se divertem bastante, pois mesmo sendo de terror, Kevin e Ben não resistiam as piadinhas como: "Você atuou muito bem como morto vivo nesse filme Tennyson, nem precisou de maquiagem" ou "Kevin, gostei de saber que você foi o único sobrevivente da cidade por não ter cérebro para ser devorado."

Os dois saem rindo do cinema e conversando:

–Vamos fazer a ronda? -pergunta Ben.

–Entra no carro, só cuidado para não se bater na hora de entrar, tem que ta interaço para o Oscar de Melhor Ator, com sua atuação nesse filme, o prêmio é seu. -responde rindo.

–Ah ta bem, e você para o de Coadjuvante. -fala rindo muito também.

Depois de terem acabado com Dr. Animal , nada demais aconteceu, mais uma ronda calma. Com a noite tranquila partiram em direção ao Senhor Sorvete, e novamente a cena se repetiu, ambos olhando para o céu, com os copos na mão.

–A noite ta mesmo linda, não acha? -fala Ben olhando para as estrelas e a lua.

–Ta sim. -responde olhando também. Kevin tinha se controlado o dia todo para não demonstrar, o fato de não conseguir mais ficar sem Ben, passar o dia todo com ele tinha sido ótimo.

Kevin suspirou, e novamente ficou distante, tão distante a ponto de seu companheiro perceber e perguntar:

–Kevin, tá no mundo da lua de novo?

–Ãhn? Ah não... é... é que eu to só pensando mesmo. -responde gaguejando e voltando a si.

–Tem andado muito pensativo para alguém que não tem cérebro. -diz zombando do outro.

–Perdi quando te conheci seu babaca. -responde levando na brincadeira.

O silêncio toma conta do ambiente e novamente a voz de Ben rompe a quietude:

–No que fica pensando?

Quando Ben pergunta isso, Kevin não responde, apenas olha para o amigo, e volta a olhar para o céu.

–Se eu te falar... eu perco tudo que tenho de mais importante para mim.

–Eu já disse, sou seu amigo, vou te ajudar no que puder. Conversa comigo Kevin.

Kevin levanta do capô do carro, e fica na frente de Ben, se aproximando, ficando entre as pernas do amigo, com o rosto bem próximo ao do companheiro... tinha a respiração ofegante... e o medo tomava conta de seu corpo, mas não aguentava mais aquela guerra dentro de si. Então responde:

–É que eu...

Notas finais
E aqui se encerra a terceira parte, obrigada a você que leu até o final