E se... Percabeth
1 A Medusa
Notas iniciais
Argos tinha nos deixado no terminal. Annabeth, Grover e eu tivemos a infelicidade de encontrar as Fúrias no ônibus.
Ele explodiu e perdemos Grover de vista. Nossa missão começou um fiasco.
– Vamos... Parar... Um pouco — pedi ofegante ainda correndo atrás de Annabeth após a explosão.
– Tudo bem — ela disse também cansada.
– E agora? Como vamos encontrar Grover?
– Acho que...
Annabeth se interrompeu. Olhei para frente e vi uma lojinha com faixada neon. Um abrigo.
– Estou morrendo de fome... e cansado — disse ao sentir o cheiro dos cheeseburgues vindo do local.
– Será que podemos? — Annabeth perguntou.
– Não custa nada tentar.
Aproximamo-nos mais da casa e uma mulher alta vestida com um vestido e véu preto nos atendeu.
– Olá, crianças!
– O-oi — cumprimentei.
– Parecem cansadas, coitadas, entrem!
Annabeth e eu entramos e o cheiro de comida ficou ainda mais chamativo.
– O que as crianças fazem sozinhas no meio da tarde? — perguntou ela.
– Perdemos um amigo — disse Annabeth. — Estamos procurando, mas sem sinal dele.
– Ah... Aposto que estão morendo de fome.
Assentimos. A mulher sorriu.
A senhora nos preparou um lanche completo. Annabeth e eu devoramos tudo em poucos minutos.
– Obrigada pelo lanche, senhora — agradeci. — Mas agora temos que voltar a procurar nosso amigo.
– Sem antes tirar um foto?
Annabeth encarou a mulher desconfiada.
– Uma... foto? — perguntou Annabeth.
–Sim! Quase nunca tenho a visita de crianças!
– Claro — respondi.
Annabeth me fulminou com o olhar.
Seguimos a senhora até o jardim e posamos para foto. O estranho era que ela não segurava nenhuma máquina fotográfica. Quando a mulher foi levantar o véu, Annabeth gritou:
– Abaixe-se, Percy! — E ela ficou invisível.
– O que deu em você?
– Não olhe para ela, Percy! Ela é a Medusa!
– A Medusa?
Passei dois segundos raciocinando e então destampei contracorrente.
– Tome cuidado, Percy — advertiu Annabeth. — Ela é traiçoeira!
– Não dê ouvidos, querido — disse calmamente a Medusa quando fui me aproximando com os olhos fechados. — Fique comigo; você dará uma bela estátua de jardim.
– Não, Percy! — implorava Annabeth.
– É só abrir os olhos, querido.
A voz da Medusa era tão convidativo que pensei que não seria tão ruim dar uma espiada. Continuei andando até a Medusa, mas baixei a espada.
– Isso... Venha, criança.
– Percy!- gritava Annabeth, mas eu estava hipnotizado pela Medusa. — Não dê ouvidos à ela! Ela quer matar você!
Mas eu continuava me aproximando. E derepente quis abrir os olhos. Fui abrindo-os lentamente, tinha de vê-la.
– Não seja louco! — E senti algo duro bater em minha cabeça.
***
Abri os olhos e a luz do sol ofuscou minha visão.
Escutei pequenos soluços e uns fungados atrás de mim.
– Eu o matei. Matei você, Cabeça de Alga. Por que você foi tão idiota — alguém murmurava.
Sentei-me lentamente e vi uma garotade cabelos loiros ondulados há poucos metros de mim
– Annabeth? — chamei.
– Cabeça de Alga?
Ela me viu e enxugou as lágrimas. Em seguida se jogou em mim com um abraço.
– Ai, pelos deuses! Pensei que você tinha morrido, Percy!
– Não, eu não morri. E a Medusa?
Annabeth se afastou de mim.
– Eu a matei. Percy, o que passou pela sua cabeça? Você ia olhar pra ela! Você ia morrer!
Ela voltou a soluçar.
– Calma, não precisa se desesperar, afinal, eu não morri...
– Não precisa se desesperar?!?! — Ela me deu um soco no braço. — Percy, você ia morrer! Na minha frente!!
Seus olhos cinzentos estavam vermelhos de tanto chorar. Sua respiração estava tão acelerada que jurava que ouvia seus batimentos cardíacos de longe. Ela tremia.
– Não acredito que fiquei tão perto de te perder — ela sussurrou.
– O quê?
– Nada.
– Eu ouvi.
– Então por que perguntou?
– Você tem que ficar calma, temos que procurar o Grover.
– Será que você só sabe pedir pra eu ficar calma? — ela se levantou e eu fiz o mesmo. — Pedir pra eu me acalmar não melhora nada! O que você faria se tivesse me visto perto da morte?
– Eu...
– Não responda!
– Annabeth...
– Chega! Eu estou... Confusa.
Ela enterrou o rosto nas mãos.
– Afinal, qual é o seu problema? — perguntei já estressado, mas me arrependi.
– O quê? Acha que eu tenho algum problena? Devia ter o deixdo morrer!
– Então por que não deixou?! — gritei mais alto que ela e seus olhos tremeram.
Percebi que Annabeth estava a ponto de explodir de raiva. Então eu fiz a coisa mais impulsiva que alguém com déficit de atenção poderia fazer: a beijei.
Seu corpo estremeceu, mas ela não recuou. Suas mãos tocaram meu pescoço e a puxei para mais perto de mim pela cintura. Parecia loucura, mas eu estava beijando Annabeth e ela não parecia desgostar disso.
– Por que fez isso? — ela perguntou.
– Por que você fala demais.
Nós rimos e ela me abraçou.
– Venha, vamos procurar Grover.
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