E se... Jimin
20 For You
Essa história de Andrey aparecer na Coreia estava deixando Alyona mais estressada que o normal. Se antes não tinha o que fazer, agora tinha até demais. Detestava ter que trabalhar com o diretor, mas o contrato era claro, Anja tinha mesmo que aceitar as decisões da Big Hit com relação à dança dela durante aquele ano. E se isso significava dançar um espetáculo na Coreia, a empresa definiria que tipo de espetáculo seria.
Restava a Alyona mediar essa guerra entre titãs. Naquele dia, pediu que um piano fosse colocado na sala de dança para o primeiro ensaio da bailarina com as músicas do grupo. Um dos produtores havia garantido que eles conseguiriam um pianista para ajudar, mas por via das dúvidas ela mesma foi conferir se estava tudo em ordem. Já no corredor ela ouviu alguém tocando o instrumento.
— Ué, mas eu não pedi para ninguém afinar o piano. – olhou no relógio de pulso e fez uma careta. Era muito cedo pra ter alguém além dela ali. Entrou sem bater e quase deixou sua bolsa e suas coisas caírem. Sentado ao piano, usando óculos de grau e exibindo seu melhor sorriso, estava Jin.
— Que bom que a princesa é do tipo que acorda cedo, estava me perguntando até que horas ia me fazer esperar.
— Eu... er... o que está fazendo aqui a essa hora?
— Tocando piano.
— Certo, eu sei. Mas por quê?
— Eu queria muito ver uma pessoa, mas ultimamente é mais difícil do que conseguir uma entrevista com o maior grupo de kpop do momento.– começou, ainda dedilhando o piano.– Já ouviu falar do BTS? Então...– sorriu – Daí tinha um piano, um pouco de tempo livre e partituras... mal não ia fazer, não foi o que disse naquele dia? – completou.
Alyona se aproximou devagar, meio hipnotizada e meio sem jeito e deixou as coisas por cima do piano. Diferente do instrumento que ficava no auditório – e secretamente ela tivera esperanças de ser o que usaria nos ensaios – aquele era um piano vertical, preto, que quase não ocupava muito espaço na sala de dança. Perfeito para ser tocado num ensaio como os que teriam dali para frente. Jin continuou tocando até que ela parasse ao lado dele.
— Quer tocar um pouquinho?
— Não...
— Vem, sente-se aqui. – falou ele esticando a mão e puxando Alyona para seu colo quando ela aceitou. Devagar Jin puxou o cabelo dela para o lado e pousou o queixo no ombro da empresária. As mãos ele passou por baixo dos braços dela e a enlaçou pela cintura. – Aqui. Assim está melhor.
Ficaram assim, ele abraçado na cintura dela, sentindo uma mistura de cheiros que envolvia o xampu dela, o perfume e a pele e desejando mais do que nunca que não estivessem na empresa. Alyona, de novo, não sabia realmente o motivo de ser tão passiva quando se tratava de Seokjin. Gostava dele? Achava que sim, mas quando não estavam juntos conseguia racionalizar isso melhor e avaliar os riscos de se envolver com um idol do patamar dele. Mas quando juntos... ela perdia completamente o rumo de si mesma e virava uma donzela em perigo, do tipo que não faz nada sem seu príncipe. Soltou um suspiro.
— O que foi? – perguntou ele, gentilmente, a voz bem baixinha perto de seu ouvido.
— O que é isso que temos? – perguntou. Seus olhos estavam fixos na porta fechada, mas sua mente toda estava concentrada nas partes em que Jin a tocava. Sentiu o corpo dele tensionar sob o seu, mas ele ficou quieto um tempo antes de responder.
— Precisamos mesmo definir?
— Você gosta de mim?
— Estamos de novo no clichê dos dramas, então? – brincou.
Alyona não respondeu, estava perdida nos próprios pensamentos. Uma parte de si queria que ele dissesse que não, não gostava dela, estava apenas querendo se divertir um pouco. Era mais fácil lidar com sexo casual do que com sentimento – e fazia muito tempo que sua vida amorosa era só isso. Mas outra parte, a parte sonhadora, fã de BTS e de filmes românticos, queria que ele dissesse que sim, sentia algo por ela e não conseguia esconder. Ouviu Jin suspirar contra seu pescoço, concentrado nos próprios pensamentos.
Para ele não era tão simples definir o que sentia. Não podia se envolver com ninguém por mais que quisesse. Mas também não queria ceder mais esse pedaço de si mesmo para a profissão que havia escolhido. Fechou os olhos e puxou o ar, inundando a si mesmo daquele cheiro de pele limpa que Alyona tinha. Gostava dela. Sabia disso desde o momento em que percebera que Namjoon era o favorito dela no grupo. Estranhamente não sentia ciúmes. Algo lhe dizia que o sentimento dela por seu irmão era puramente de fã, nada comparado ao que ela demonstrava por ele.
Em resposta suas mãos foram para baixo da blusa dela, alcançando os seios pequenos que responderam imediatamente. Sorriu ao ouvir o suspiro dela quando apertou um dos mamilos, provocativo.
— O que você sente por mim? – devolveu a pergunta.
"No momento, tesão" — pensou sentindo o corpo todo responder com aquela carícia.
— Vai fugir do assunto com sexo? – perguntou apoiando as mãos no piano e fechando os olhos ao sentir a ereção dele sob si. Não ia sofrer sozinha ou ficar forçando uma conversa séria que obviamente ele não queria ter, então começou a se mover lentamente no colo dele. Ele soltou um suspiro sofrido ao perceber o que ela estava fazendo e parou sua carícia.
— Não é justo! – voltou a enlaçar a cintura dela com os braços e afundou o rosto nas costas dela, deixando que o cabelo comprido de Alyona cobrisse seu rosto.
— Não é justo eu querer uma conversa séria pela primeira vez e você me provocando desse jeito. – ela responde, ainda rebolando no colo dele. Jin suspirou. Gostava de Alyona, gostava muito dela. Mais do que era capaz de compreender, mas pensar nisso implicava em tantas coisas além da capacidade dele. Queria poder se dedicar como qualquer outra pessoa, comprar flores, levá-la para seus lugares favoritos, apresentá-la aos irmãos – os de sangue e os do grupo – e aos pais, viajar com ela, conhecer sua família. Era tanta coisa que não podia se dar ao luxo de sonhar, porque isso significava mexer na vida de muitas outras pessoas além dele mesmo. Podia se envolver com alguém? Com o BTS, o alistamento militar, a fama e o sucesso em seu caminho?
Apertou ainda mais os braços ao redor dela, puxando-a contra si e forçando-a a parar. O coração dos dois batendo mais acelerado do que nunca, numa conversa silenciosa que ia além do desejo sexual que tinham um pelo outro. Ela ouviu ele soltar um suspiro baixinho enquanto esfregava o rosto contra o cabelo dela.
— Não queria sentir isso... – começou.
— "Isso"? O que seria "isso"?
— Não sei! Eu gostei de você no minuto que te vi toda sem jeito diante do Joonie. Gostei de ver sua desenvoltura falando inglês, coreano e russo. Deus! Você fala mais línguas do que o próprio Namjoon. – continuou com a voz abafada. – Gostei de você naquele dia no auditório. Gostei quando te vi cantando baixinho com os fones de ouvido, sem perceber que eu estava ali desde antes de você entrar... Gostei quando tocamos piano.
— Nós chegamos a tocar? – Aly perguntou, tentando diminuir um pouco a tensão.
— Tsc. Não era você que queria conversa séria? – respondeu ele estalando a língua indignado.
— Desculpa, foi brincadeira...
— Como eu ia dizendo... – virou-a de lado, para que pudesse olhar nos olhos dela. Ficou ali, encarando-a em silêncio um tempo. Refletindo se deveria se declarar assim abertamente. – Eu não gosto de você... Eu...
Mas antes que completasse seu raciocínio a porta da sala foi aberta e várias pessoas entraram conversando. Num reflexo ele empurrou Alyona para que ela levantasse de seu colo, ao mesmo tempo que ela mesma pulava dali para fingir normalidade, mas quase caiu no processo. Olhou furiosa para Jin, sem entender a última frase que ele disse.
— Que bom que já chegaram! Aly, imagino que o piano esteja afinado. – falou Andrey sem perceber o que havia interrompido. Conversava com o roteirista que havia trazido com ele, ignorando completamente as outras pessoas que chegavam logo depois dele.
— Hyung, você vai tocar? – perguntou Taehyung parando atrás do piano e encarando Jin, mal reparando nas orelhas vermelhas ou no jeito sem graça do irmão.
— Não. Estava só conferindo... – respondeu se levantando da banqueta e indo se juntar aos outros membros.
— Aly, explique a eles que não precisam participar do ensaio, vai ser um espetáculo com a Anja apenas. – pediu Andrey.
— É Alyona. – corrigiu ela com raiva – E arrume um intérprete, eu não sou obrigada a traduzir para você. Vou procurar a Anja. – respondeu com raiva, saindo da sala o mais rápido que conseguia.
***
Anja estava esgotada. Pela primeira vez na vida chegou atrasada sem ser de propósito. Tinha passado os últimos três dias ensaiando madrugada adentro com Jungkook e Jimin, seguindo o roteiro e a direção que eles conseguiram, tudo para não precisar seguir ordem nenhuma de Andrey quando o ensaio oficial chegasse.
Encontrou Alyona no corredor, furiosa com alguma coisa que ela não conseguiu entender.
— Aly? – chamou antes de ver a amiga chutar uma lixeira sem motivo. – O que houve?
Alyona estava com a perna no ar, pronta para chutar, quando percebeu onde estava e que não estava sozinha. Abaixou a perna e soltou um suspiro longo, balançando a cabeça negativamente.
— Nada. Coisa minha. – falou jogando o cabelo para trás e ajeitando a blusa. – Pronta?
Anja deu de ombros. Nunca estaria pronta para trabalhar com Andrey de novo, mas não tinha escolha. Estava muito cansada, mas faria exatamente o que Jungkook tinha pedido. Já tinham o repertório de músicas escolhidas pela equipe de Andrey – pego por Namjoon que decidiu ajudar usando seu privilégio como líder do grupo – já tinham ensaiado algumas das músicas, bastava agora executar com perfeição suficiente para que o diretor não precisasse fazer absolutamente nada.
Apesar do cansaço, a bailarina exibia um ar de saúde de dar inveja em qualquer um e isso não passou despercebido de Alyona. A empresária ficou encarando o rosto de Anja, mudando o ângulo em que a olhava, impressionada.
— Que maquiagem perfeita é essa?
— Gostou? Uma amiga fez. — respondeu a bailarina sorrindo.
— Amiga? E você tem outra amiga na Coreia além de mim? Quem?
— Namorada de um amigo meu.
— Quem?
— Outro dia te conto. É segredo que não é meu. Vamos, preciso matar um leão e é por isso que estou toda maquiada e produzida.
Assim que entraram a sala ficou em silêncio. De um lado estavam todos os meninos do grupo e Alex, esperando para assistir ao ensaio em primeira mão. Do outro estava Andrey, uma moça baixinha que deveria ser a roteirista, e um coreano que elas imaginaram ser da Big Hit. Alyona fingiu não ver os meninos e foi direto ao piano, enquanto Anja passava por eles e recebia palavras de incentivo em sussurros. Sorriu ao cruzar os olhos com Jimin e ele lhe lançar uma piscadela. Isso não passou despercebido por Andrey.
— Finalmente nossa estrela chegou. Anjinho, você recebeu o roteiro que te enviei? – perguntou. A bailarina revirou os olhos e respondeu em japonês.
— Aly, pode dizer ao diretor que eu já sei o que fazer? – pediu. Alyona fez cara de interrogação, sem entender o motivo da bailarina estar conversando em japonês, no que Anja apenas respondeu com uma careta e um levíssimo balançar de cabeça. Se pudesse evitar, e ela ia dar seu melhor para isso, ia falar o mínimo com Andrey.
— Vai ser assim, então? – perguntou Andrey depois de ouvir a tradução da empresária.
Anja decidiu ignorar, colocou suas coisas sobre o piano onde a amiga já estava sentada e começou a se aquecer. Alyona focou no piano e não se deu ao trabalho de olhar na direção de Jin, ainda tentava mentalmente desvendar que resposta era aquela que ele havia dado antes de serem interrompidos, tentando decidir se ele gostava ou não dela. Preparou as partituras e alongou os dedos, os olhos indo de Andrey para Anja, e dela para Alex. Desde a primeira apresentação de Anja, ela sempre tocava pelo menos no primeiro ensaio, até mesmo na época em que a bailarina a evitava por conta do noivado com Andrey.
Com um sinal da amiga, ela começou a tocar Lie. No repertório de Andrey, a primeira música que ela dançaria seria Idol por conta do conceito quase totalmente oriental, onde a dança dela conversaria com a tradição do país que a estava acolhendo. O diretor folheou o roteiro confuso quando Anja começou a dançar a música escolhida por ela mesma.
— Mas... – começou, ficando quieto em seguida, hipnotizado pela coreografia escolhida por Anja.
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