Notas iniciais
Oláááaá pessoas. Mil desculpas pelo atraso, mas pelo menos tô postando já de manhã. Bem, espero que estejam gostando, e que não estejam muuuuito chateados comigo XD. Muito obrigada pelas reviews, de verdade, estou no céu aqui. Enfim, tá aqui o capítulo 4, como prometido. Boa leitura!!

Capítulo 4- Tem que dar certo

Eis aqui a verdade: fazer as pessoas acreditarem que eu e Percy estávamos namorando não foi nem de longe tão difícil quanto eu imaginei. A parte complicada foi tentar explicar como ficamos juntos.

Passamos a tarde do sábado inteira no chalé de Atena aprimorando o plano. Percy não pareceu muito incomodado com a ideia. Depois que eu falei, ele refletiu um pouco sobre o plano e aceitou. Sem discussões. Sem confusão. Sem relutância. Ele simplesmente deu de ombros e pediu os detalhes. Estávamos decidindo como contaríamos a história, quando ouvimos uma batida calma na porta.

Nos entreolhamos, sem saber o que fazer.

– Acho que já nos isolamos o suficiente por hoje. – ele disse.

Eu concordei com a cabeça e fui abrir a porta. Lá fora estavam Quíron, Rachel e Malcom. Eu não sabia muito bem o que dizer, de modo que Quíron foi o primeiro a falar:

– Ah, oi, Annabeth.

– Oi, Quíron. – respondi, timidamente, enquanto ajeitava uma mexa solta no meu cabelo e Malcom e Rachel me dirigiam discretos acenos de mão.

Esperei os três entrarem e fechei a porta enquanto falavam com Percy, que estava em pé perto da escrivaninha de trabalho. Então voltei, sentei em cima da mesa e olhei para Quíron, esperando que ele falasse alguma coisa. Ele pigarreou e começou a falar:

– Malcom me disse mais cedo que você, Annabeth, não estava se sentindo bem e que iria ficar no chalé. Então, um pouco depois do almoço, o Percy simplesmente sumiu.

Ao ouvir isso, Percy abriu a boca como se fosse falar alguma coisa, mas Quíron interrompeu:

– Por favor, não falem nada por enquanto. Enfim, procuramos pelo Acampamento, mas vocês não estavam em lugar nenhum, e eu percebi que os dois deviam estar aqui. Eu tinha algumas coisas pra resolver, e achei que vocês não iriam demorar muito por aqui, então só viemos procurá-los agora. – ele fez uma pausa, provavelmente para absorvermos as palavras – De uma forma ou de outra, vocês sabem que é contra as regras do Acampamento dois campistas do sexo oposto ficarem sozinhos em um chalé, ainda mais por um tempo tão longo. Mas antes de eu resolver qualquer coisa, achei que era justo vocês tentarem se explicar. Se bem que eu os conheço bem o suficiente para saber que isso não vai dar em lugar nenhum... – acrescentou, com um sorriso brincalhão.

– Ei! Bem, é que... – eu comecei.

– Nós... – Percy tentou ajudar, mas não conseguiu.

Nos entreolhamos, à procura de alguma coisa a dizer. Então, de repente, eu tive uma ideia. Como parte da atuação, respirei fundo e olhei para Percy:

– Percy, eu... Nós vamos ter que contar.

Ele pareceu confuso, mas depois de alguns segundos olhando pra mim, entendeu:

– Ah, é. Claro, nós vamos ter que contar.

Quíron observava cautelosamente, sem fazer comentários. Olhei para ele e comecei a atuação:

– Quíron, antes de mais nada, você precisa saber... – parei um pouco, como se estivesse tomando coragem – Eu e Percy estamos namorando. Escondido. Ninguém sabe ainda.

Rachel percebeu que eu tinha resolvido colocar o plano em prática e não pode deixar de sorrir, mas Quíron e Malcom simplesmente ficaram nos encarando por alguns segundos, sem saber o que dizer.

– O quê? É tão inacreditável assim? – perguntei com uma voz indignada, apenas para fazê-los falar alguma coisa, porque eu sabia que era, na verdade, bem fácil de acreditar.

Foi Quíron que respondeu, sorrindo:

– Ahn, não, não é essa a questão. Todos nós já esperávamos por isso, mas acho que ninguém imaginou que a coisa iria acontecer dessa forma.

– Ah, com certeza não. – Rachel completou, provavelmente se divertindo muito com a situação – Todos já estavam achando que a gente ia ter que fazer alguma coisa.

– Espera um pouco, vocês estão dizendo que todo mundo pensava que a gente nunca iria ficar junto por conta própria? Que ia ser preciso algum desses planos malucos de vocês pra isso? – disse Percy, como se realmente não suspeitasse disso.

– Exatamente. – confirmaram Rachel e Malcom, ao mesmo tempo.

Percy olhou para mim fingindo-se indignado:

– Você consegue acreditar nesses caras? Ainda dizem que são nossos amigos...

O que não nos deixou alternativas senão rir.

E então eles quiseram saber há quanto tempo nós estávamos escondendo. Oops. Detalhe não planejado. Respondemos ao mesmo tempo:

EU: Pouco mais de duas semanas.

PERCY: Quase um mês.

Acho que precisamos discutir melhor nossa noção de tempo.

Ele olhou para mim, em busca de ajuda, e eu consertei:

– Eh, bem... Nós não contamos muito bem. Acho que tem umas três semanas.

– É, isso aí. – Percy reforçou – Não pode ter mais de três semanas. Eu me confundi. Cabeça de Alga aqui, lembram?

– Certo. – interrompeu Quíron – Mas isso não ajuda em nada vocês.

– Ah, claro. – eu disse – É que ontem à noite nós tivemos uma pequena discussão, nada demais. Só que eu não dormi direito e acordei me sentindo um pouco mal, como você soube, Quíron. Aí, de tarde, o Percy veio aqui porque...

Eu parei de falar, sem achar uma explicação plausível para o resto da história. Graças ao deuses, Percy tinha uma:

– Eu fiquei preocupado, Quíron. Não vi Annabeth a manhã inteira, e ela não apareceu pro almoço, então eu vim aqui pra ver se conseguia falar com ela. Eu trouxe um sanduíche e nós, ahn, fizemos as pazes.

Rachel não conseguia mais segurar o riso:

– Ah, então vocês ficaram a tarde toda aqui... fazendo as pazes?

Por Zeus, o que aquela menina estava insinuando? Senti meu rosto ficar vermelho e meus olhos encararem o chão. Não foi exatamente atuação, essa parte...

Percy se recuperou mais rápido que eu:

– Ah, não. Até eu convencer Annabeth a me deixar entrar demorou um pouco, e eu tive que fazê-la comer, e depois nós ficamos, ahn, discutindo os prós e contras de contar/não contar a vocês e, bem, ao resto do acampamento, que estávamos juntos.

Depois de alguns momentos analisando a história, Quíron se manifestou:

– Uma semana lavando a louça.

E diante das nossas caras de espanto:

– O quê?! As ações de vocês foram contra as regras do Acampamento, e eu não poderia deixar isso passar em branco, apesar da história esclarecedora. Sendo assim, vocês devem entender o meu veredicto. – e se virou para sair – E boa sorte, vocês dois.

Depois que Quíron saiu e Malcom disse que iria avisar para os filhos de Atena que o chalé estava "liberado", Rachel basicamente se jogou no chão de tanto rir e quis saber o detalhes do plano. Ela concordou em nos ajudar e voltou para a sua caverna/quarto, me deixando sozinha com Percy.

– Isso – ele disse, antes de sair – vai ser muito divertido.

Eu diria que, se você quer que a coisa se espalhe, é só aparecer de mãos dadas com o seu suposto namorado no jantar. E aí todo mundo fica sabendo. O que, no nosso caso, ajudava bastante.

Quando o pavilhão começou a esvaziar, fui até a mesa de Poseidon e sentei do lado de Percy apenas para reforçar a ideia. Quíron não fez objeções. Provavelmente, lavar a louça já era suficiente.

Mal tive tempo de falar "e aí, Cabeça de Alga" antes que Matt, já saindo do refeitório e visivelmente irritado, parasse para falar com a gente:

– Então, ouvi por aí que vocês dois, anh, estão juntos.

– Ah, é... – confirmei. – Matt, eu só, hum, queria que você entendesse que eu não te disse antes porque nós concordamos em não falar pra ninguém...

– Certo. As coisas parecem bem mais óbvias agora. – ele respondeu, duramente.

Eu resolvi ver isso como um ponto positivo e Matt se virou para ir embora, mas não antes de Percy dizer:

– Ah, verdade, Matt. Agora eu posso ser mais claro... FICA LONGE DA MINHA NAMORADA.

Matt saiu, sem dizer mais nada, e quando estava longe, se virou para dar um olhada, mas só o que viu foi Percy, numa atuação exagerada, movendo os lábios para formar as palavras "perdeu, playboy". E eu sem me aguentar de tanto rir.

Juro que eu não consegui parar até chegarmos na cozinha e colocarmos as luvas para lavar os pratos.

– Não acredito que você fez aquilo, Percy. – falei, enquanto mergulhava um copo na lava.

– O quê? É minha culpa eu ser muito bom ator?

– Para, Cabeça de Alga! – eu disse, tentando segurar o riso – Ficar rindo só vai atrasar nosso trabalho!

– E daí? Você tem algo importante pra fazer hoje à noite? Porque eu é que não tenho.

– Exatamente, Percy! Hoje é noite livre, eu queria aproveitar uma parte dela, sabia?

Isso finalmente o fez adiantar a tarefa, e acabamos em mais ou menos meia hora.

Passamos o resto da noite com Juníper, Clarisse, Chris, Matt e os irmãos Stoll, o que facilitou muito a minha vida, porque as conversas eram em grupo e focadas em coisas mais gerais. Ou seja, eu e Percy não precisamos dar muita informação. Já Matt não parecia tão satisfeito assim.

No dia seguinte, acordei com o grito de alguém batendo na porta:

– ANNABETH!

Era Percy. Meus deuses, não se pode mais dormir nesse mundo?

Levantei e fui abrir a porta, já que não tinha mais ninguém no chalé, para dar de cara com um Cabeça de Alga sorridente me esperando.

– Ah, bom dia, Sabidinha. Quíron me mandou aqui para te acordar, porque a gente tem que lavar a louça.

– Di immortales! E eu não posso nem tomar café?

– Ah, claro. Ele disse que você tem 15 minutos.

Me arrumei correndo e engoli algumas torradas antes de descer para a cozinha. Lá embaixo, tentamos ao máximo adiantar as coisas, mas havia muitos pratos para lavar.

– Eu sinto – disse Percy, quando estávamos acabando – que a gente vai acabar com algumas queimaduras um dia desses.

– Você acha, Cabeça de Alga? – falei, ironicamente – Porque eu pensei que nós fôssemos... Ei!

– O quê?

– Acabei de me tocar! Você é invulnerável ao fogo! E a todas as outras coisas...

– E daí?

– É claro que você não vai acabar com algumas queimaduras!

– É, mas você pode acabar. Por isso, seria melhor você ficar aí quietinha enquanto eu lavo todos os pratos.

– Nem sonhando, Cabeça de Alga. Na velocidade em que você trabalha, ficaríamos aqui o dia inteiro. – provoquei, enquanto tirávamos as luvas e voltávamos para cima.

Mal saímos da cozinha e fomos interceptados por um Grover saltitante, que quase pulou em cima da gente:

– Perrrrrrrcy!

– Ei! Eu também existo, Garoto Bode! — falei, fingindo estar magoada, mas no fundo estava muito feliz por ele estar de volta.

Ele largou Percy e veio me abraçar também.

– Sentimos saudades! – falei, quando ele me soltou.

Ele estivera fora, recrutando semideuses, desde o começo das férias de verão.

– Eu também. E, por Pã, quatro semideuses numa mesma escola...

– Quatro?! – Percy perguntou, surpreso. – Por que eu fui deixado de fora da festa?!

– Acredite, não foi uma festa! Já estão aqui e em segurança, agora, mas eu quase morri umas mil vezes durante a viagem. E o que vocês dois fizeram de tão ruim para estarem lavando a louça, pelo amor de Zeus?

Eu e Percy nos entreolhamos, sem saber o que dizer, e eu pude sentir meu rosto corando.

– Anh...

Felizmente, fomos interrompidos por Juníper.

– GROVEEER!

Ela veio correndo ao nosso encontro e, depois de quase sufocar o namorado, pareceu lembrar de alguma coisa:

– Você me deve 20 pratas.

– O QUÊ?

– Eu venci a aposta! – disse Juníper.

Então, Grover pareceu compreender e se virou para eu e Percy:

– VOCÊS DOIS ESTÃO JUNTOS?

E aí, é claro que a gente teve que dizer que sim.

Ele nos olhou, incrédulo. Fez umas mil perguntas diferentes e ficou feliz de uma forma que eu não via há muito tempo. Por fim, tirou 20 dólares do bolso e deu para Juníper, que foi embora, dando pulinhos de alegria e pedindo para ele encontrá-la na floresta em meia hora.

– Uma pergunta. – eu disse – O que exatamente foi isso?

– Ah, — Grover respondeu, como se não fosse nada demais – é que eu e Juníper fizemos uma aposta. Eu disse que vocês só iriam ficar juntos depois que alguém aqui no Acampamento armasse um plano pra isso, e ela falou que tinha certeza de que vocês iriam ficar juntos sem ninguém fazer nada.

– Ei! – Percy falou, revoltado – O Acampamento inteiro discutia essa possibilidade?

– Claro que sim, Percy! Vocês dois são muito cabeça dura, por Pã! Demoraram séculos para vocês admitirem que gostavam um do outro! Vocês não podem culpar ninguém!

Depois que Percy saiu para dar aula de esgrima, perguntei a Grover o que estava martelando na minha cabeça:

– Porque vocês se importam tanto assim?

Ele olhou para mim, sério:

– Annabeth, eu te conheço desde quando você tem 7 anos. E nunca, em toda a minha vida, eu vi alguém que você gostasse tanto quanto o Percy. Ele simplesmente te faz feliz. É tão difícil de perceber?

E então ele se afastou, me deixando para trás com a cara de quem acabou de levar um tapa.

"Happiness can be found even in the hardest times, if you just remember to turn on the light."

Albus Dumbledore — Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (filme)

Notas finais
Bem, é isso. E aí, gostaram?? Espero que sim, mereço reviews? Vocês quem decidem ;) Espero que dê tempo de postar o 5 amanhã, mas se não der vou tentar segunda, ok? E daqui a pouco começam as férias, e aí a coisa melhora... Enfim, é isso? Beijinhos :)