Notas iniciais
Aaaaai Deuss, me desculpeeeem. Sério mesmo, mil desculpas, eu sinto muito por demorar. Ai, gente, eu esqueci de avisar que ia viajar e ficar sem computador por essa semana, e eu realmente não pude postar... Mas, bem, aqui está, finalmente. Desculpeeem E boa leitura XD

Capítulo 8- Kansas City

– Matt! Matt! – eu chamei o filho de Apolo, para ver se ele acordava para o terceiro turno.

Percy tinha me acordado, como prometido, mas não tinha feito muito esforço, eu diria. Se eu não tivesse sono leve, não teria acordado. Aquele Cabeça de Alga...

– Hmm – Matt finalmente deu sinal de vida e eu o sacudi com mais força.

– Acorde!

Ele abriu os olhos, sonolento.

– Ah, o que foi?

– É o seu turno.

– Meu turno? – ele perguntou.

– Sim. Você vigia enquanto a gente dorme.

– Ah, certo. Até que horas?

– Por duas horas. Mais ou menos às duas da manhã você acorda o Percy. É a vez dele.

– OK. Boa noite, Srta. Google.

Eu rolei os olhos, cansada, e voltei para perto de Percy.

Ele havia apoiado a cabeça na mochila, ficando de costas para a parede.

O único problema: ele estava usando as duas mochilas.

Isso me deixava sem muitas opções.

Estava tentando arranjar uma forma de deitar do lado dele (algo também conhecido como mudar a posição dos braços e pernas da pessoa), quando ele acordou.

Ainda sonolento, sorriu um pouco e virou de barriga pra cima, me puxando para perto dele.

– Venha, Sabidinha.

Ele fez com que eu deitasse e me abraçou por trás.

Eu podia sentir sua respiração e ouvir seus batimentos cardíacos.

O sentimento de seus braços ao meu redor era reconfortante, e eu não demorei de dormir de novo.

Quando acordei, senti falta de Percy atrás de mim.

Estava escuro, mas consegui enxergá-lo sentado um pouco mais distante, conversando com Matt.

– Você fica até que horas, então? – o filho de Apolo ia perguntando.

– Quatro e meia eu te acordo. – Percy respondeu.

Resolvi continuar fingindo que estava dormindo e ver aonde aquilo ia dar.

– Certo. – Matt concordou.

– E aí sete horas você nos acorda, se ainda estivermos dormindo. Nós lidamos com as consequências disso de manhã, mas é melhor que ela fique dormindo.

– Tá. – disse Matt, enquanto voltava para o seu cantinho.

Em outras circunstâncias, eu teria levantado e lidado com os dois bem ali, mas eu simplesmente fechei os olhos enquanto Percy voltava e, delicadamente, colocava a minha cabeça no colo dele.

E não pude reprimir um pequeno sorriso enquanto ele brincava com o meu cabelo e eu aproveitava o namo- ahn... melhor amigo maravilhoso que eu tinha.

Até esse dia eu não acreditaria que era possível dormir tão bem em um beco no meio de Nova York. Mas, acredite em mim, eu consegui.

A luz do sol batendo nos meus olhos me acordou.

Percy estava de volta atrás de mim, me abraçando com força.

Abri os olhos, me sentindo revigorada, e agradeci silenciosamente por ter "aceitado" o turno a menos.

Matt estava sentado, um pouco mais perto de nós do que antes.

Deslizei para fora dos braços de Percy, com cuidado para não acordá-lo e fui falar com Matt.

– Bom dia Srta. Google. – ele disse.

– Bom dia Mr. M&M.

– Você está de bom humor.

– Estou, sim.

Era verdade, eu estava. Mas ele estava quase conseguindo estragar meu humor.

Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e fui me levantando.

– Matt, continue de vigia por um tempo. Eu vou comprar alguma coisa para o café da manhã.

Me agachei perto de Percy mais uma vez e, cuidadosamente, procurei minha carteira dentro da minha mochila.

Deu um pouco de trabalho, mas consegui pegá-la.

– Até daqui a pouco, Matt. – falei enquanto corria para a rua.

Faltava pouco para as 7 horas, e as pessoas já começavam a passar pelas ruas. Apesar disso, muitas lojas ainda estavam fechadas, e tive sorte de achar um Starbucks aberto. Achei que seria uma boa opção e fui entrando.

– Bom dia. – falei para o atendente, que ainda terminava de arrumar o balcão.

Ele sorriu para mim antes de responder:

– Bom dia! Em que posso ajudar?

– Ahn, eu queria um chocolate quente simples e dois com chantilly. E três pacotes pequenos de cookies.

Ele começou a preparar as bebidas, mas pareceu achar estranho.

Oh, deuses. Ele estava achando que era tudo pra mim.

Eu sabia que Percy gostava de chantilly, assim como eu, mas eu não sabia se Matt iria querer, então achei melhor pedir um normal.

E achei os cookies uma boa opção.

Foi aí que eu me lembrei do monte de comida que Percy havia comido no dia anterior e achei melhor aumentar o pedido.

– Na verdade... Acrescente mais um pacote médio e um grande de cookies. – pedi, percebendo que agora ele estava ficando assustado – Ahn, é pra levar. Para alguns amigos. – esclareci.

A expressão do cara se suavizou e ele riu um pouco.

– Ah, claro.

Esperei em silêncio enquanto ele terminava de preparar o pedido.

O restaurante estava vazio, e só se ouvia o som das máquinas.

– Pronto. – ele disse, depois de um tempo, me entregando uma sacola com os cookies e um porta-copos com os três chocolate. – Deu $32,47.

Eu paguei, peguei a comida e saí.

– Obrigado. – falei, enquanto abria a porta da loja antes de começar meu caminho de volta para o beco.

Fiz meu caminho de volta pelas ruas agora um pouco mais cheias, com o cheiro de chocolate me matando.

Encontrei Percy já acordado, mexendo na mochila dele.

– Bom dia, Cabeça de Alga. – falei.

Ele levantou os olhos e sorriu para mim.

– Bom dia, Sabidinha.

Sorri de volta antes de me virar para Matt também e perguntar em voz alta:

– Quem quer café da manhã?

Tirei o copo de chocolate sem chantilly do porta-copos e o pacote médio de cookies do saco e dei para Matt.

– Eu não sabia se você gostava de chantilly, então...

– É, eu não gosto.

Depois peguei um copo de chocolate e um pacote pequeno de biscoitos para mim e dei o resto para Percy. Ele pegou e agradeceu, e nós três nos sentamos em um pequeno círculo no meio do beco enquanto comíamos.

Matt colocou a bússola no meio da roda para analisarmos.

– Certo, — falei, depois de tomar um gole de chocolate – então o ponteiro continua na mesma posição.

– Talvez esteja quebrado. – Matt sugeriu, com a boca cheia de cookies.

Eu olhei para Percy, Percy olhou para mim, e nós dois olhamos para Matt:

– Não. – dissemos, em alto e bom som, ao mesmo tempo

Ele não pareceu ver qual era o problema da sua ideia, então Percy respirou fundo antes de olhar bem para ele e explicar:

– Matt, itens mágicos não simplesmente quebram do nada.

– E por que não?

– Tá, às vezes quebram, mas é muito raro. – interferi – E isso provavelmente significa outra coisa.

– O que? – Matt perguntou.

Eu e Percy nos entreolhamos e eu suspirei antes de responder:

– Que teríamos tido muita sorte se o bilhete realmente estivesse aqui em Nova York.

– Vocês estão querendo dizer que...

– Sim. – interrompi – Vamos para a estação de trem. Temos que ir para San Diego.

– Trem? Não seria mais fácil pegar um avião? – Matt perguntou, confuso.

Aí Percy se estressou.

– Ah, claro. Seria. Com certeza seria bem mais fácil pegar um avião pra você se você fosse filho do deus do mar. Aquele deus do mar que tem só uma pequena rivalidade com o deus do céu. Que por acaso pode derrubar o avião a qualquer momento.

– Ah, certo. Tudo bem. Trem então. – Matt concordou enquanto eu tentava rir sem cuspir todo o chocolate quente da minha boca.

Algum tempo depois, estávamos andando em direção à estação de trem mais próxima.

– Na verdade, — Percy lembrou – eu acho melhor a gente comprar uma passagem para algum lugar na metade do caminho. A gente não sabe qual exatamente a lógica da bússola, então...

– Certo, então a gente compra uma passagem para... – concordei, e parei para pensar – Kansas City. Mas a primeira coisa que eu quero fazer quando chegarmos na estação é trocar de roupa.

– Com certeza – Percy disse, e nós ficamos em silêncio até chegarmos na estação.

O que, na verdade, não demorou muito.

– Acho melhor comprarmos logo as passagens. – disse Matt, quando entramos no edifício antiquado.

– É, pode ser. – falei, e nós fomos para a bilheteria.

Como ainda estava cedo, as cabines não tinham muita fila. Ficamos atrás de um cara com terno e pasta executiva, enquanto a funcionária atendia uma família de turistas (ou pelo menos eles pareciam turistas).

A família saiu, com os pais puxando as duas meninas pela mão para correrem até a plataforma, e cara executivo comprou uma passagem para Nova Jersey.

– Bom dia, — falei, chegando perto do buraco no vidro – quando saiu o próximo trem para Kansas City?

A atendente consultou alguns horários no computador antes de responder, bem humorada:

– Ah, vocês estão com sorte! Temos um trem com preço promocional saindo para Kansas City daqui a 20min, às 8:50!

– Ótimo! Três passagens, então.

Comecei a achar estranha a boa vontade da moça. Entenda, não estou dizendo que as pessoas não possam trabalhar bem humoradas. A questão é que, quando se é um meio-sangue em missão, você deve suspeitar de toda e qualquer coisa. Isso porque toda e qualquer coisa pode ser um monstro.

Ela digitou alguma coisa e imprimiu as passagens, anunciando depois:

– $35,40.

Eu dei o dinheiro e peguei as passagens.

– Obrigada e boa viagem! – ela desejou e nós fomos andando em direção às plataformas.

– O trem sai da plataforma 7. – avisei – Mas antes, eu preciso ir ao banheiro.

– Eu também. – Percy disse.

– Acho que tem uns ali – Matt falou, apontando para um canto perto – Vão enquanto eu fico aqui, ahn, vigiando. Em caso de qualquer movimento estranho aviso a vocês.

– Certo. – concordei.

Eu e Percy fomos andando em silêncio para os banheiros, até que eu tive coragem de falar:

– Obrigada por dividir os últimos turnos com Matt. Eu estava precisando mesmo dormir.

Ele arregalou os olhos e depois franziu a testa:

– Você não está chateada?

Eu olhei para baixo e neguei com a cabeça.

– Não. Não, eu não estou. – respondi, ainda encarando o chão.

O ar que ele soltou pareceu estar sendo segurado há muito tempo.

– Ah. Isso é... bom, eu acho. – ele disse, me fazendo rir de leve.

– Mas isso não significa que eu não vá ficar chateada se você fizer isso de novo. – falei, numa brincadeira com um certo fundo de verdade.

Percy começou a rir, e eu consegui me segurar um pouco, mas logo me juntei a ele.

Eu já estava prestes a entrar no banheiro feminino quando lembrei de algo importante:

– Percy! Seu braço! Como está?

Ele deu uma olhada rápida para o curativo e depois deu de ombros:

– Não sei. Eu tento não pensar nessas coisas. Não está doendo o suficiente para eu dar atenção a ele.

Eu, sendo a pessoa atenciosa e exagerada que eu sou, não pude deixar de morder o lábio, preocupada.

– Tá, certo. Mas eu acho melhor eu dá uma olhada nisso depois.

Percy sorriu e balançou a cabeça, falsamente desaprovador:

– Essas garotas apaixonadas não me deixam em paz... – ele disse, brincando.

O que lhe rendeu uns bons tapas antes que ele pudesse alcançar a porta do banheiro masculino.

Claro que eu tomei o cuidado de não acertá-lo no braço machucado. Eu ainda não perdi a sanidade. Ainda.

O banheiro estava vazio, e eu entrei no compartimento da ponta, que era o maior. Coloquei a mochila no gancho para procurar uma roupa limpa. A primeira blusa que encontrei foi uma verde clara com decote em "v", que eu coloquei no lugar da do Acampamento. Coloquei a outra calça jeans e guardei a roupa suja num canto da mochila.

Saí do boxe e fui até a pia. Lavei o rosto e molhei uma folha de papel toalha para limpar o suor dos braços e do pescoço.

Acredite ou não, isso é insanamente refrescante.

Prendi meu cabelo em um novo rabo de cavalo um pouco mais ajeitado e saí do banheiro, encontrando Percy já parado lá fora, com um jeans e uma camiseta limpos.

– É, acho que a sua aparência até que melhorou um pouco, Sabidinha... – ele disse, e eu lhe dei uma cotovelada.

– Ei! – retruquei – Você também não está nenhuma maravilha, Cabeça de Alga.

Ele riu, e eu não pude me segurar, mas eu não estava esquecida do nosso pequeno problema:

– Percy, nós temos que fazer alguma coisa com o seu braço!

Ele parou para pensar por um segundo.

– Tinha alguém dentro do banheiro feminino? – ele perguntou.

– Ahn, não... – respondi, franzindo a testa.

Sorrindo de canto, ele disse:

– Ótimo.

Nossos olhares se encontraram e eu entendi o que ele pretendia fazer e, sinceramente, eu não tinha nenhuma ideia melhor. Mas ainda assim...

– Ah, não. Percy, não, de jeito nenhum. – eu falei, mas já estava começando a rir.

Ele também já tinha um sorriso na cara e começou a me puxar para dentro do banheiro feminino. Quando chegamos lá dentro, estávamos basicamente rindo descontroladamente.

– Tá, tá, já chega. – eu disse, quando recuperei o fôlego – Sério, Percy, seu braço.

– Ok.

Eu desenrolei a atadura do braço dele e não pude conter um suspiro de alívio.

– Graças aos deuses. – murmurei.

O corte estava bem menor e com uma aparência bem menos doentia do que na noite anterior. Mas, ainda assim era um pouco preocupante.

– Você ainda tem néctar, Cabeça de Alga?

– Tenho.

Ele pegou o cantil na mochila e me entregou.

Molhei um papel toalha com néctar e passei no corte, que melhorou um pouco mais.

Enrolei o local de novo com o resto do rolinho de atadura e lavei a usada, que eu guardei na mochila.

– Eu não sei se você realmente precisava lavar isso. – Percy comentou.

– Percy, pense um pouco. Eu vou precisar trocar o curativo de novo, não vou?

– Ah. É. Eu não tinha pensado nisso.

Eu sorri com a resposta.

– É claro que não. – provoquei – Vamos.

Eu o puxei pela mão e fui até a porta, mas quando fui abri-la uma mulher de uns 35 anos começou a entrar no banheiro.

Bem, começou, mas ficou paralisada com a visão de nós dois saindo de lá. Ou melhor, eu puxando Percy de lá.

Ops.

– Ahn, bom dia. – eu falei, tentando conter o riso e nós passamos, deixando a pobre mulher assustada parada na porta do banheiro.

Assim que nos afastamos começamos a correr e rir simultaneamente.

– Eu não acredito nisso. – falei, sem fôlego, quando chegamos perto de Matt.

– Essa foi a cena mais engraçada que eu já presenciei em toda a minha vida. – Percy comentou.

Eu ia dizer alguma coisa quando Matt interrompeu:

– Ahn, eu acho que vocês iam gostar de saber que o trem sai em 3 minutos.

Nós chegamos na plataforma em cima da hora e entregamos nossas passagens para o bilheteiro.

– Boa viagem. – ele desejou.

Nossos assentos eram no meio do trem, e foram fáceis de achar.

Matt sentou na cadeira do corredor do lado esquerdo (do lado de um velhinho dorminhoco), Percy no corredor do lado direito e eu na janela, ao lado do Cabeça de Alga.

O trem não estava lotado, mas havia bastante gente.

Pouco depois que sentamos, ouvimos o apito e começamos a ir em direção ao Kansas.

"I hope that you see right

Through my walls,

I hope that you catch me

'Cause I'm already falling,

I'll never let our

Love get so close,

You put you arms around me

And I'm home."

Arms- Christina Perri

Notas finais
Entããão... É isso. Espero muuuito que tenham gostado, e vou tentar postar de novo amanhã. Vou fazer meu máximo para não demorar, OK? E quando não for dar, aviso. Até a próxima!!!