E se Fosse Real?

27 Capítulo 26: A Flor de Pessegueiro Vermelha detona


Notas iniciais
esse cap ja estava pronto ha um mes atras, mas so que como resolveram mudar o provedor daqui de casa, so pude postar hoje.
sobre o capitulo...
touya mostra que nao é só minato o genio da familia. a pequena vai chocar muita gente com o potencial dela ainda. espero que gostem desse capitulo e da capa nova da fic. a ultima cena será um dos assuntos do capitulo seguinte, juntamente com a continuaçao do chuunin shiken.
boa leitura

[pov. Touya]

Apertei meu lápis com força e engoli em seco. Meu coração estava disparado. Calma, Touya. Você precisa se concentrar, você já sabe o que tem que fazer, então faça, sua molóide! Você é uma kunoichi ou não é?

Obedecendo a mim mesma, peguei a prova e corri os olhos por ela, analisando as questões com cuidado. Mas que droga de perguntas eram aquelas?! Eu não sabia nem um quinto do que pediam naquela droga de prova! Acho que nem o onii-chan consegue fazer essas ques...

Não. Peguei um mau exemplo, porque o onii-chan é muito forte, mas é muito burro também. Acho que nem a Sakura-senpai consegue resolvê-las. Sim. A Sakura-senpai é um bom exemplo.

Desde quando meu pensamento foi parar na senpai?! Eu tenho que fazer a prova!

Onii-chan, seu cretino. Nem pra me dizer qual era a décima pergunta...

--------------------------------[flashback]-------------------------------

-Na primeira parte do chuunin shiken eles vão te dar uma prova difícil pra caramba baseada na nota do grupo. A prova é feita para que você cole, e eles vão analisar sua capacidade de coletar informações sem que percebam. Ou seja, para passar, você terá que colar não só pra você, mas para todo o seu time sem que te peguem, -ttebayo. E também tem uma tal de décima pergunta, que é a mais importante...

-E qual é ela, onii-chan?

Ele deu um sorriso matreiro e piscou.

-Essa você só vai descobrir no dia, -ttebayo.

Encarei-o, com o olho piscando e um sorriso que mais parecia um rosnado.

SEU CRETINO!!!

-----------------------------[flashback off]-----------------------------

Bem, pelo menos eu já ganhei uma vantagem sobre os outros. Olhei ao redor e vi quanta gente desesperada para responder as questões. Uns com a mão na cabeça, outros roendo o lápis com uma expressão aterrorizada, os vigias anotando coisas em suas pranchetas e o sensor com um sorriso satisfeito no rosto ao ver o nosso desespero. Por um segundo meu olhar se cruzou com o dele, que me encarou surpreso. Ele sabia que eu sabia, sorriu quase imperceptivelmente para mim e fez um aceno com a cabeça. Ibiki fez um aceno para seu auxiliar e lhe pediu alguma coisa, que eu não consegui ouvir o que era. Segundos depois, ele apareceu pela porta carregando uma pasta de arquivos, que entregou ao sensor e saiu da sala. Morino me encarou de novo, sorriu sadicamente e folheou a pasta, lendo o que continha. Engoli em seco. Meu sentido estava apitando confusão. Ele não era nada bobo, pensei. É impossível enganá-lo completamente. Só preciso ser rápida o suficiente para que não me pegue 5 vezes, é essa a resposta.

Desviei os olhos para a minha prova e fingi estar rabiscando algo inocentemente, para que não desconfiassem. Nunca fui muito discreta, mesmo sendo tímida. Algo sempre me denuncia. Vou precisar do máximo de chances possíveis para colar nessa prova e passar as respostas aos meninos.

Encarei o garoto que estava sentado na minha frente, e notei que ele tinha um sorriso vitorioso nos lábios enquanto fazia as questões, e mais do que isso: ele tinha anotações no rodapé da folha, com os números das questões e outras coisas, como se fossem dicas ou...

Ou...

As próprias respostas!

Sorrio. Hora de colocar o plano em ação. Ainda bem que eu presto muita atenção no treinamento com a mama.

O jutsu Chakra no Cheen da mama tinha inúmeras variações, cada uma para cada aspecto de uma batalha, como o rasengan do otou-chan. A mama me treinou ano passado como era para retirar informações do inimigo. Era um jutsu muito complicado, eu demorei muito para aprender, mas consegui. Muito mal e porcamente, mas consegui. E agora ele terá serventia.

Senti as grossas correntes saindo do meu corpo e ordenei que fossem para o garoto defronte a mim. Curvei meu corpo para a frente de modo que meus cabelos ocultassem minhas mãos para que eu pudesse fazer o selo necessário para o jutsu de invisibilidade. Assim que terminei, focalizei o segundo jutsu no primeiro, para que ninguém conseguisse enxergar as correntes. E então, quando tive certeza de que estavam invisíveis, penetrei uma delas bem devagar na nuca do garoto, que entrou em transe. Mama dizia que era uma bosta com genjutsu, mas esse ela conseguiu criar com a ajuda da equipe especializada em genjutsu da Ninjutsu no Kousen-tekina no Konoha kaihatsu-ka, que agia sob seu comando há uns anos atrás.

Ela é avoada? É. É louca? É. Desleixada? Também. Mas ela, assim como o otou-chan, é um gênio, só que não usa muito seu talento para coisas úteis, só mesmo na época em que era ninja.

Já na mente dele, transferi pela corrente as respostas da prova para a minha, retirei minha corrente e enquanto ele massageava a nuca atordoado, eu passava para o papel as informações coletadas. Com a prova feita, era só dar o sinal.

Juntei o ar e bocejei, me espreguiçando escandalosamente, e encarei Satoshi pelo canto do olho, que acenou com a cabeça confirmando. Hoshi me encarou também, e em nossos olhares se lia a mesma coisa: é agora!

Satoshi se levantou e começou a se debater e pular, agitando os braços feito louco, dizendo que tinha entrado um bicho em seu casaco, quando na verdade era só desculpa para que ninguém notasse que, ao jogar o braço pra cima, ele enlaçara uma linha quase invisível no lustre. Ele balançou um pouco, mas os sensores pareciam estar mais preocupados em socorrer Satoshi do que notar o lustre ameaçando cair. Droga, Satoshi! Seja mais cuidadoso!

Ninguém notara a linha, muito menos os espelhos quase transparentes que estavam amarrados nela. Assim que Satoshi se normalizou e voltou a sentar, me virei um pouco para trás, permitindo-o que visualizasse minha prova pelos espelhos e a copiasse, manipulando-os com as linhas amarradas nos dedos. Depois, virou-os para Hoshi e esperou que ele colasse também. Missão cumprida!

[pov. Konohamaru]

Aimeudeusdoscéuqueraiodeprovaéessaissoécoisadocapetakamiéagoraqueeuvoumeferrarbonitinhopaiamadomeampare!

Meia hora de prova e nada. E essas questões, como eu posso responder, cara? Elas são obra do demônio!

Encarei Udon, e lá ia aquele nerd respondendo todas freneticamente, enquanto eu e Moegi nos ferramos. Valeu, quatro olhos. Valeu mesmo. Só que se a gente se ferrar você vai pra vala junto!

E a Touya-chan? Ela é muito nova, e com certeza deve estar tendo dificuldades nesse exame do capeta (N/A: eu penso isso toda vez que encaro minha prova de física). Olhei para ela, que estava lá na frente e tive um choque: ela estava respondendo as questões! Incrível!

Nada menos esperado da minha Touya-chan, A Flor de pessegueiro Vermelha da Academia Ninja!

----------------------------[flashback]----------------------------------

Era uma manhã de maio. Eu estava chegando a academia, quando vi uma multidão se aglomerando perto do dojo de duelos. Todos gritavam nomes, torcendo pelos dois que iriam lutar. Cheguei perto do meu colega de turma, Massao, que estava torcendo. Coloquei a mão em seu ombro e ele se virou para mim e sorriu:

-Hey! Como vai, cara?

-To bem. O que tá acontecendo aqui?

-Ah, nada de mais. –Deu de ombros. –É que o prodígio do primeiro ano está duelando no vale-tudo com o Hinomiya Taro. –Vale-tudo? Mas isso é um tipo de duelo que vale qualquer arte ninja.

-T-Taro-senpai?! O melhor em taijutsu do último ano?! Mas ele é enorme! Não é covardia ele lutar contra alguém do primeiro ano? Lá só tem pirralhos!

-Pois é. Ele viu que sua posição como o melhor da academia estava comprometida, então resolveu chamar Touya-kun para um duelo pelo título. Eu aposto em Touya-kun. E você?

-Touya-kun... –Espichei os olhos para ver o tatame. Já estava a jamanta do Taro, que era um moleque gordo, alto e horrendo, com os dentes saltando como os de um javali selvagem. Do outro lado do tatame tinha uma menininha baixinha, de cabelos vermelhos longos com uma franja milimetricamente cortada em formato tigelinha, olhos grandes e verdes, marquinhas estranhas nas bochechas e pele muito branca. Ela usava um vestidinho branco reto e era muito delicadinha. Ela não tinha a expressão de alguém que desejava lutar, e pela cara do Taro, ele iria destroçar a menina! –Mas essa menina é muito pequena! Ele vai machucar ela! Parem com isso!

Tentei correr para impedir, mas já era tarde demais. Eles deram o sinal e a jamanta foi com tudo pra cima da baixinha ruiva, que desviou do golpe dando uma cambalhota e posou delicadamente atrás dele. Ele se virou e mirou um soco, mas ela desviou de novo. Ele continuava a tentar acertá-la, mas ela era muito rápida! Dando um salto para esquivar-se do golpe dele, no ar algo saiu de suas costas, e quando vi, eram correntes grossas e pontiagudas feitas de puro chakra! Elas acertaram em cheio a boca do estômago do Taro e o fizeram voar vários metros e bater contra a grade que cercava a academia. Ele havia saído do círculo.

Meu Kami...

Yuuriko-senpai, do último ano, que era juiz, declarou:

-Vitória de Touya-kun, do primeiro ano! –E a multidão irrompeu em aplausos. Quem era aquela garota?

Ela se virou e com uma reverência e um sorrisinho sem graça cumprimentou a multidão. Todos correram até ela, porém, pararam quando Taro se levantou com dificuldade e gritou:

-Ainda não acabou, sua pulga! –E veio correndo com tudo pra cima dela, já armando o soco. Touya-kun não se moveu, somente disse, encarando-o severamente:

-Um ninja deve saber reconhecer a derrota, Taro-senpai. Se você não sabe, então não merece ser chamado de ninja.

-Engula suas palavras, sua fedelha! Você é só uma pirralha! Não sabe nada sobre ser um ninja!! –E quando chegou perto, Touya-kun desviou com a cabeça e girando em seus calcanhares, bateu com o dedo indicador e médio na nuca do senpai, que caiu desmaiado no chão. Ela o encarou tristemente e deu um suspiro, enquanto a multidão voltava a delirar.

...

Eu queria contar ao Naruto-nii-chan sobre o acontecido na academia, mas não o encontrava em lugar algum. Andando pelo lago, encontrei-o, e fui ao seu encontro.

-Oyabun, oyabun! Você não vai acreditar no que aconteceu! –Freei quando cheguei perto dele. Ele sorriu.

-O que é, Konohamaru?

-Tinha uma garota na academia hoje que detonou o Taro!

-Taro? Aquele monstro? –Exclamou ele surpreso.

-É, é sim. E ela era do primeir...

-Aniki, eu to com fome. –Ouvi uma voz fraquinha e fininha reclamar e notei que no braço direito de Naruto-nii-chan havia uma mãozinha delicada e branquinha. Ele se virou e sorriu para a menininha que estava atrás dele e quando ela se virou, reconheci imediatamente aquele cabelo vermelho. Paralisei.

-Já vamos comer, Touya. Deixa o Konohamaru terminar a história. Conte, Konohamaru.

Eu olhava em choque para a ruivinha, que se curvou delicadamente.

-É um prazer vê-lo de novo, Konohamaru-senpai.

-T-Touya-kun!? O que você tá...

-Peraí, vocês se conhecem, -ttebayo? –Ele apontou de mim para ela, confuso. Ela ainda estava grudada no braço dele e fez que sim com a cabeça.

-Ele é o senpai da academia, aniki, Sarutobi Konohamaru. –Ela me conhecia?

-V-você me conhece?

-Sim. –Sorriu. –Você é o neto do Sandaime-jii-chan. Alguns membros da minha turma citam seu nome uma vez ou outra. Como neto do Sandaime, é esperado que você seja um grande ninja.

Corei. Não sabia que aquela menininha sabia tanto sobre mim.

-E você, quem é? Sabia que depois dessa, tão te chamando até de “A Flor de pessegueiro Vermelha”? O que você fez com o Taro foi incrível!

-Obrigada. –Disse coradinha.

-NANIIII!!?? Você derrubou o Hinomiya Taro, -ttebayo?! –Perguntou Naruto-nii-chan, chocado. Ela concordou com a cabeça.

-Ele me chamou pra um duelo vale-tudo, eu tinha que aceitar senão me chamariam de covarde. E venci. –Explicou ela, depois abaixou a cabeça e o tom de voz. –Fiz mal, aniki?

Naruto-nii-chan não sabia o que fazer. Espera! Aniki?

-Vocês são irmãos? –Perguntei chocado.

-Sim. Ela é minha irmãzinha, Uzumaki Touya. –Respondeu oyabun. Agora eu entendi. Ela era assim porque era a imouto do Naruto–nii-chan.

-E-eu não sabia que você tinha uma irmã.

-Quase ninguém sabe. A Touya prefere ficar sempre com a okaa-chan, e isso significa quase nunca sair de casa. E ela é muito tímida, por isso quase ninguém sabe que ela existe. Mas estamos tentando mudar isso, não é, Touya-chan, -ttebayo? –E sorriu para ela, que sorriu de volta e agarrou seu braço, abraçando-o. Fechou os olhinhos, como se a presença do irmão a confortasse. Ele se abaixou e ela subiu em suas costas. –Bem, já que minha irmã é um gênio, vamos comemorar com uma rodada de lámen no Ichiraku, -ttebayo!

-EEEE, LÁMEN!!! –Gritou a baixinha alegre, rodando o braço no ar. –Será que o Teuchi-jii-chan dá um desconto pra gente, nii-chan? –Perguntou. Agora é oficial, ela é mesmo irmã do oyabun.

-Acho que sim. Vamos lá! Ja ne, Konohamaru. –E virando-se, dispôs-se a correr com a irmã nas costas. Ela, por um segundo, olhou para mim, corou e disse:

-Ja ne, Konohamaru-kun.

--------------------------------[flashback off]-------------------------------

Várias equipes já haviam sido desclassificadas, e eu sem responder nenhuma questão. E agora, o que eu faço?

Faltavam 20 minutos. Daqui a 5 o velho mal encarado iria entregar a décima questão, e essa era a minha última chance. *glup*

[pov. Konohamaru ends]

15 minutos, pensou Ibiki. É agora.

-Larguem os lápis. –Ordenou. Assim que todos o fizeram, ele continuou. –Bem, para a décima pergunta, vocês terão que seguir algumas regras...

-O que?! –Gritou um ninja de Suna. –Mais regras?!

-Sim, mais regras e prestem bem atenção nestas. A décima pergunta é opcional. Vocês podem responder ou não. Estão livres para escolher.

-Nanii!? Quer dizer que agora nós podemos escolher? E o que acontece se escolhermos não responder, ein?

-Você e toda sua equipe tirarão zero independendo das outras respostas. Mas poderão tentar no ano que vem. E para os que ficarem, se responderem errado, não só tirarão zero mas como nunca mais poderão fazer a prova chuunin!

A balbúrdia reinou na sala. Gritos de indignação e xingamentos contra Ibiki foram proferidos, mas ele não moveu um músculo, e até sorria de um jeito macabro. Um gennin de Kumo gritou:

-Isso é um absurdo! Tem gennins aqui que já fizeram essa prova e nunca teve essa regra!

-Pois agora tem e eu sou a lei nesta sala! Quem não gostar pode se retirar.

-Espera aí! –Gritou Hoshi. –Meu irmão já fez a prova e você era o sensor, e hoje ele é jounin! Isso mostra que...

-... Isso mostra que seu irmão respondeu corretamente à décima pergunta. –Retrucou Ibiki. Hoshi paralisou. –E então? Quem se habilita?

Uma horda de gennins deixou a sala, dizendo que não valia à pena. Ibiki sorriu vitorioso. Somente 30 equipes permaneceram. Konohamaru tremia. Ibiki perguntou:

-Mais alguém?

Alguns estavam em choque, outros indecisos. Touya lutava contra si mesma em sua mente.

-“Droga! Gennin para sempre! Se eu não conseguir, nunca vou orgulhar o otou-chan, a mama e o aniki! Meu sonho de ser reconhecida vai por água abaixo!” –Balançou a cabeça. –“O que o aniki faria?!”

------------------------------[flashback]--------------------------------------

-Eu nunca me rendo nem desisto! Não volto atrás com minha palavra! Esse é meu nindo, meu caminho ninja, -ttebayo!

----------------------------[flashback off]-----------------------------------

Touya abriu os olhos e cerrou os punhos.

-“Acho que você não se importa se... Eu pegar seu nindo emprestado, não é, aniki?” –Sorriu e encarou Ibiki. Levantando-se, encarou o sensor friamente e elevou o tom de voz para que todos a ouvissem. –Já fui avisada sobre você. Seus joguinhos podem assustar os outros, Morino Ibiki-san, mas não a mim. –Ibiki a olhou descrente de sua pretensão. Agora Touya já estava praticamente gritando. –Não vai me fazer desistir! Eu sou Uzumaki Touya, ninja de Konohakagure no Sato e tenho a vontade do fogo em mim! Mesmo que você use de todos os seus artifícios, não vai me fazer voltar atrás! Eu tenho a garra do meu irmão! Vou provar para todos que posso ser tão forte quanto o aniki, a okaa-chan e o otou-chan! Eu vou passar nessa prova e ficarei forte para proteger todas as pessoas que eu gosto! Este é o meu nindo! –E bateu com a palma da mão na mesa. –Meu caminho ninja. –Ofegante, encarou Ibiki seriamente por trás dos olhos verdes e viu a expressão dele se carregar de curiosidade, enquanto os outros aplaudiam o discurso da Uzumaki. Ibiki caiu na gargalhada e todos arregalaram os olhos.

-Eu me lembro bem do seu irmão, Uzumaki Touya. Foi o moleque mais ousado, irritante, abusado... –Ela engoliu em seco. –... Engraçado e corajoso que eu já vi. Vocês não são nada parecidos fisicamente, mas o espírito dentro de vocês é o mesmo. Bem, já que graças a você ninguém mais parece desistir, vocês passaram.

WTF???????!!!

-CUMÉQUIÉ??!! –Gritaram. Ibiki riu e explicou.

-O objetivo da prova era ver se vocês tinham a capacidade de coletar informações sem ser pegos, ao mesmo tempo em que para isso o pescoço seu e de seus parceiros estavam em jogo, de modo que vocês precisassem desesperadamente de informação correta. Analisar qual era a melhor fonte era vital, então disfarcei três chuunin entre vocês para que tivessem de quem colar. –Três garotos acenaram para os outros, e um deles era o garoto de quem Touya colara. Ela quase teve um ataque do coração quando notou que conseguira todas as respostas corretas. Ibiki continuou. –Em uma batalha real, uma informação errada custará não só a sua vida, mas a de seus parceiros também. Vocês tiveram que lidar com pressão de todos os lados e ainda correr o risco de ter seu sonho acabado. Os que desistiram ainda não estão prontos para ser chamados chuunin, pois é este o tipo de pressão que um ninja de maior nível sofre todos os dias. Por isso, digo que a primeira fase do chuunin shiken está acabada e todos aqui passaram.

Gritos de alegria ecoaram dos 90 gennins que passaram na prova. Equipes se abraçaram, muitos choraram de emoção. Touya estava estática no banco e quando Ibiki passou por ela, sussurrou:

-Depois que todos saírem, quero falar com você.

Touya acenou com a cabeça, mas mal notara o garoto corpulento que a observava por trás da nuca, com os punhos cerrados e puro ódio no olhar.

-“Então a pulga passou também, não é? Pois bem, Uzumaki Touya! Pouco me importa se você é a filha do Hokage, eu vou te esmagar como o insetinho chato que você é. Guarde minhas palavras. Ninguém subjuga Ninomiya Taro!”

A pequena Uzumaki encarava o sensor sem entender, imaginando o que ele iria querer com ela. Assim que virou para o lado, algo pulou pela janela e se estendeu em frente ao quadro, saindo de dentro uma mulher de cabelos roxos.

-Olá, crianças! Eu sou sua próxima sensora, Mitarashi Anko! O que estão esperando?! Vamos, vamos lá detonar, iuhuuuu!! –Girou o punho no ar, mas ao ver a reação dos gennins, colocou as mãos na cintura. –Platéia difícil, ein? Affe! –E correu os olhos pela sala. –Hum... Um número bom. Parece que você está voltando a pegar o jeito, Ibiki, já que há 5 anos atrás você deixou uma patota inteira passar, e me deu um trabalhão.

Ibiki saiu de trás da cortina.

-Pois é. Vamos ver se esses têm sorte. –Anko sorriu malignamente.

-É. Vamos ver mesmo, muahahahahahhahaha! Eles vão precisar de muuuuita sorte. –As crianças se encolheram. Ela era louca. Completamente louca. –AEH, SEUS MOLÓIDES, ESCUTEM! AMANHÃ ME ENCONTREM AO MEIO-DIA NO LUGAR QUE SERÁ DESIGNADO AOS SEUS CHEFES DE EQUIPE PARA COMEÇARMOS A DIVERSÃO! JA NE! –E sumiu em uma nuvem de fumaça. Todos tinham gotas na cabeça.

...

-Atchim! Atchim! –Naruto coçou o nariz. –Acho que eu to ficando gripado, -ttebayo.

Hinata encostou a cabeça em seu ombro. Estavam sentados no topo de um prédio, observando o busto dos Hokages e de costas para a vila, com o vento assobiando em seus ouvidos e fazendo os cabelos da azulada voarem.

-Geralmente quando você espirra sem estar gripado, tem alguém falando de você, sabia, Naruto-kun?

Ele deu de ombros.

-Não creio que você acredita nesse mito idiota, Hinata. É só uma lenda, -ttebayo.

-Pode ser... –Respondeu a Hyuuga. –Mas acredito mesmo assim.

...

A Uzumaki esperou que todos os gennin e os chuunin saíssem, restando só ela e Ibiki na sala. Ele a encarava de cima a baixo, parado perto do quadro negro. Quando a menina o encarou, perguntou:

-Então, o que você quer comigo?

Ele apontou a pasta que o chuunin o havia entregado mais cedo.

-Você sabe o que é isso, Uzumaki? –Ela negou com a cabeça. –Os relatórios dos professores da academia sobre você. –Touya arregalou os olhos. –É um relato bem interessante... –Comentou, abrindo-o e lendo um trecho. –Uzumaki Touya-kun sofre uma enorme pressão por ser filha do Hokage, mas seu desempenho não é impedido por isso. Ela é excelente em todas as matérias, excepcional em ninjutsu e genjutsu, boa em taijutsu. Tem raciocínio rápido, é atenta a tudo, detalhista e extremamente inteligente, embora às vezes ocorram lapsos de impulsividade. Suas notas se comparam ás do próprio pai no tempo da academia. Tirando isso, é gentil com todos e uma garotinha amável, e tem uns traços de personalidade forte e geniosa, somente às vezes. A menina é um verdadeiro gênio. –Terminou a leitura e virou-se para ela. –O que tem a me dizer sobre isso?

-Eu... –Na verdade, ela não sabia o que dizer. Estava corada e não olhava o sensor nos olhos. Ibiki largou a pasta e se sentou ao lado da pequena. Assumiu um tom sério de advertência.

-Eu também soube que a senhorita tirou informações de como era a prova antes de vir para cá. Sabia que para alguns sensores, isso seria trapaça e você e sua equipe seriam desclassificados? –Touya engoliu em seco. Desclassificados?

Não. Só se...

Assumiu um tom altivo e firme e encarou Morino nos olhos.

-Você mesmo disse que informação é a coisa mais importante que se pode ter em uma missão. Eu só colhi informações precisas que me ajudaram na hora da prova. Proibir isso seria contradizer suas próprias palavras. –Encarou Ibiki duramente, que a olhou com curiosidade.

-Abusada. Irritante. Audaciosa. Corajosa. Você é igualzinha ao seu irmão, tão curiosa quanto. Não te entendo, Uzumaki Touya. Umas vezes você age como uma menina normal, outras como uma ninja experiente. –Ele riu. –Gosto de você. É difícil de ler, confunde o sentido dos outros. Eu disse que outros sensores a eliminariam. Não eu. Admiro seu empenho e até a parabenizo pelo seu sucesso na prova.

-Honto? –Perguntou ela, com os olhinhos brilhando.

-Com toda a certeza. Você sem dúvida será uma ótima chuunin, e seu ninjutsu para coletar informações é admirável. Tanto domínio sobre uma técnica daquele nível sendo ainda uma gennin, é impressionante... –Touya quase engasgou. Tossiu violentamente.

-V-você percebeu?! Mas eu...

-Eu avistei as correntes debaixo da mesa momentos antes de você deixá-las invisíveis. Achei que tinham sumido, mas notei que quando você se abaixou estava querendo esconder algo, talvez um selo, e momentos depois o chuunin sob meu comando estava babando como se estivesse em um genjutsu e depois deu um solavanco como se algo tivesse acabado de sair de sua cabeça. Somei dois mais dois e identifiquei o jutsu, que já havia visto sua mãe, nos tempos de guerra, usando algumas vezes para retirar informações dos inimigos. Esperta, já que nenhum dos meus sensores pegou você. Bom. Muito bom mesmo. –Touya engoliu em seco. Ele era bom. Muito bom. Sabia que não poderia com ele.

-O-obrigada. –Respondeu corada. Ibiki riu.

-Touya-kun, o que você acha de, é claro, quando você for uma chuunin, ir pra Seção de Interrogatório de Konoha? Posso te treinar pessoalmente, e seria um modo de você utilizar esse seu talento para obter informações. É claro que, você também poderia ir para o Pelotão Médico... –Se arrepiou. Touya arregalou os olhos mais ainda. Como ele sabia que ela usava ninjutsu médico? –... Mas eu prefiro ter você sob minha vista. Que tal?

Ela relutou um pouco. Mas assentiu sorrindo. Um dos maiores especialistas em interrogatório de Konoha estava pedindo para que ela, Uzumaki Touya, fosse sua aluna.

-Claro que sim, Ibiki-san! Eu ficaria honrada!

Ibiki sorriu e passou a mão nos cabelos da Uzumaki.

...

-Minha filha, uma torturadora? –Perguntou Minato, quase engasgando com a última palavra. –Mas, Ibiki, ela é só uma menina!

-Uma menina que enganou 30 chuunins examinadores bem treinados bem debaixo dos narizes deles. –Minato e Kushina encararam a filha atônitos.

-E-ela enganou os...

-Parece que vocês não sabem o potencial que a menina tem. O irmão dela foi treinado pelo sábio dos sapos e hoje é um dos jounins mais respeitados da vila. E como eu sei que vocês não pretendem de jeito nenhum deixar a sua amada filha com o Mestre Jiraya para treinar e a Senhora Tsunade não está com humor para ter mais nenhum discípulo depois da Haruno, permitam que eu a treine.

Touya sorriu. Ibiki era muito bom em argumentação, eles tinham que admitir. E quanto à Jiraya... Eles ficaram sabendo do que ele tinha feito quando eles estavam fora durante a missão contra a Akatsuki, tanto que ele teve de correr de Konoha para que os dois não o pegassem. Se deixaram Touya com ele durante alguns dias e ele já a levou pro bordel, imagine o que ele faria em anos com a pequena Uzumaki por perto. E Tsunade também não era um exemplo de pessoa, principalmente depois que voltou a jogar.

Engoliram em seco. Ibiki era sádico, mas não tinha nenhum problema com qualquer uma das 3 proibições ninja e era um homem íntegro. Talvez ficar em companhia dele acrescentasse Touya em alguma coisa.

Kushina lançou um olhar preocupado à filha, que veio para perto dela e a deu um abraço. Minato suspirou e dando uma olhada para a esposa e depois para Touya, disse:

-Tem nossa permissão. Mas só se Touya virar chuunin. –Ibiki sorriu de orelha a orelha e Touya deu pulinhos.

-Do jeito que ela está, vai virar é jounin em um piscar de olhos. –E piscou para a pequena Uzumaki, que sorriu.

...

-Tá falando sério mesmo, ou é uma pegadinha? –Perguntou Minato pasmo para a pessoa a sua frente.

-Muito sério, Namikaze. Eu vou viajar com Tsunade por um tempinho, sabe como é, porque fiquei isolada durante anos e como você está preso a este lugar e Kushina não iria a lugar nenhum sem você e as crianças, viajar com vocês não dá. Vou sair com minha sobrinha neta para conhecer o mundo um pouco, me distrair. E então, como você é o Hokage e chefe da minha família, estou pedindo sua permissão para deixar Konoha. –Sua voz tinha um certo tom de amargura, como se ela estivesse odiando aquela situação. Minato sorriu de orelha a orelha e levantando-se com um salto, apertou a mão da sogra freneticamente.

-Com certeza! Pode ir, vai! O quando mais cedo melhor! Vai pela sombra, não tenha pressa em voltar, tá? Quando está partindo?

-Idiota. –Murmurou Yuuki, contemplando o sorriso largo no rosto do genro, que não se desmanchou.

-Ah, Yuuki-san, nem que você me xingue pode estragar minha alegria. –Suspirou ele. Yuuki sorriu malignamente.

-Jura? Então acho que vou ficar mais um tempinho... –Agora sim o sorriso de Minato sumira, dando lugar a uma expressão nervosa. Ele arrastou a sogra pra fora do escritório.

-Nem brinca com isso! Você tem razão, precisa ver o mundo! Espairecer um pouquinho! Não se incomode com um... Do que você me chama mesmo?

-*gota*Verme.

-É. Não se incomode com um verme como eu, vá curtir a vida! Te desejo tudo de bom! –Yuuki revirou os olhos.

-Falso como pirita. –E virou-se para que ele parasse de lhe empurrar. Minato cruzou os braços.

-O que está esperando?

-Eu vou amanhã, seu lesado! –Ele franziu o cenho. –Voltarei no dia da final do Torneio chuunin...

-Prova chuunin. –Corrigiu.

-Ou isso. Bem, voltarei neste dia. –Minato suspirou. Um pouco mais de um mês sem a velha rabugenta!

Ela olhou para a janela um pouco, admirando o busto dos Hokages. Chegou perto dela para observar melhor com as mãos para trás e o loiro teve uma súbita vontade de empurrá-la, mas se conteve.

-Sabe, Namikaze... –Começou. –Antes eu te achava... Não. Eu ainda te acho, um completo idiota. Porque você não se estressa com porcaria nenhuma. O mundo pode estar acabando que você não está nem aí. E isso me irrita.

-*gota*”Tá legal... Então eu sou um idiota só porque não me estresso com as coisas? Estresse mata, sabia?”

-Mas mesmo assim, você tem seus pontos bons. –Ele se espantou e colocou a mão na testa da velha.

-Tá com febre?

-Não, eu não estou com febre! Eu estou aqui tentando te elogiar um pouco e você está estragando tudo, seu loiro idiota!

-*gota*Desculpe. Continue. –Yuuki pigarreou e começou a falar.

-Com toda a sua lerdeza e idiotice, acho que... Você é um bom marido pra minha filha. E um ótimo pai pros meus netos, apesar de alguns deslizes que você comete. –Minato corou. Não esperava isso dela.

-Obrigado. Não sou perfeito, é claro que ainda vou cometer erros. Mas só estou dando o meu melhor, tanto com o Naruto e a Touya quanto para com a Kushina. Ainda estou pegando o jeito. –Sorriu corado. Yuuki encarou o genro por alguns segundos.

-Você gosta mesmo dela, não é? –Ele assentiu com a cabeça.

-Ela sempre esteve ao meu lado, nos momentos bons e ruins. Já passei tanto tempo com ela que é quase como se ela fosse uma parte de mim mesmo. Mas no fundo, ela carrega algo meu. O meu coração é dela, Yuuki. Ele pertence somente a ela. –Colocou a mão sobre o peito, fazendo a velha sorrir um pouco.

-Vendo vocês todo dia, naquela guerra infinita, nem parece que se amam tanto.

-Pois é. Nosso relacionamento sempre foi complicado. Nós somos muito diferentes. Quase opostos. Por isso não concordamos em quase nada. Mas eu acho que é por isso que eu a amo. Ela precisa de mim, tanto quanto o Naruto e a Touya. Quero cuidar dela, protegê-la. Gosto dela perto de mim, do cheiro dela, da sua pele, seus olhos, seus cabelos... Seu sorriso... –Ele fechou os olhos e sorriu. Yuuki tinha os olhos arregalados. –Não gosto de brigar com ela, e sei que ela também não gosta disso. Kushina gosta de mim tanto quanto eu dela. E eu acho que é por isso que estamos casados por tanto tempo, mesmo discutindo muito. –Encarou a sogra, com um quase imperceptível sorriso nos lábios. Yuuki corou e desviou o olhar.

-Você é um Hokage muito estranho, Namikaze.

-Isso foi uma ofensa ou um elogio?

-Interprete como quiser.

-Tomarei como elogio, então. –Sorriu. –Tem sua permissão para sair da vila.

-Obrigada. –E virando-se, caminhou até a porta, mas quando foi abri-la, esta foi aberta pela filha que tinha acabado de entrar no aposento, carregando dois embrulhos.

-Okaa-san? O que está fazendo aqui? –Perguntou surpresa, e ficou mais ainda ao ouvir as palavras de Yuuki:

-Ele... –Apontou para Minato. –... É menos tonto do que eu pensava. –Kushina encarou confusa o marido [que estava encostado na escrivaninha de braços cruzados] assim que a velha senhora deixou a sala. Caminhou até ele e entregou-lhe um dos embrulhos quentes que carregava. Ele sorriu enquanto abria a embalagem de viajem do Ichiraku, sentindo o cheirinho do lámen impregnar a sala. Ela se postou ao lado dele e começou a comer, em silêncio.

-Obrigado. –Disse ele, cortando o macarrão com os dentes. –Eu tava mesmo com fome. –Mesmo com a boca cheia, Kushina sorriu, e tal ato deixou suas bochechas enormes. Minato desatou a rir.

-*gota* Tá rindo do que?

-Sua cara, hahahahahah, tá hilária, hahahahahaha!! –A ruiva revirou os olhos e esperou o ataque de risos terminar. Depois, mexeu timidamente o lámen em sua tigela com os hashis, enquanto Namikaze se controlava.

-Eu ouvi sua conversa com minha mãe... –Começou e admirou o rosto bronzeado do Hokage ficar vermelho. Riu.

-E-é? E-e o q-que q-que v-você o-ouviu?

-Quase tudo. Cheguei na parte do “vai pela sombra”, ttebane. –Ele sentiu o macarrão descer lentamente pela garganta. –Você não diz coisas bonitas assim pra mim faz muito tempo. –Queixou-se.

-Achei que não precisava. Ações valem mais do que mil palavras. –E encarou-a com ternura. Ela encostou a cabeça em seu ombro e suspirou.

-Mesmo assim, palavras às vezes fazem falta. –Fechou os olhos.

-Então, me desculpe. Prometo de agora em diante me expressar mais vezes. –Virou-se de frente para ela e levantou seu queixo com o dedo delicadamente. –Eu te amo. –E enlaçando sua cintura, beijou-a.

Notas finais
parece que touya faz muitos amigos... mas muitos inimigos tambem. no proximo, veremos o seguimento do chuunin shiken na floresta da morte e a ida de yuuki e tsunade.
quero reviews, ein? odeio leitores fantasma, voces sabem.
ja ne
Kissus, Kushina-sama