Notas iniciais
O Casamento de Darcy e Elisabeta...

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O mês passou voando e já era o dia do casamento. Ema olhou a seu redor e suspirou contente, tudo estava perfeito, exatamente como nos plano dela e de Charlotte. Apesar das constantes mudanças e pitacos que Elisabeta insistia em sugerir. Tudo tinha ficado belíssimo na propriedade dos Bittencourt onde seria realizada a cerimônia. Muitos dos convidados já estavam hospedados no lugar, a família da noiva em número por exemplo, e alguns convidados vindo do Vale do Café. Alguns convidados de Darcy que viera da Inglaterra foram bem hospedados no hotel próximo, tudo saíra com a perfeita sincronia de detalhes organizados por ela.

O vestido de Elisabeta fora a única coisa que ela não teve autorização de por as mãos. Ema, porém, confiava no gosto da amiga, apesar de diferente do seu, e no talento de François; e quando viu o resultado, pensou que não podia haver vestido mais apropriado, era belíssimo e descrevia bem a personalidade de Elisabeta, que estava​deslumbrante e irradiava felicidade. Ema sorriu mais uma vez orgulhosa, ver Elisabeta se rendendo não só ao amor, mas em especial ao casamento, lhe acendia a fagulha de que sempre estivera certa.

Depois de uma última olhada na amiga, desceu as escadas atrás de Charlotte precisam se certificar em colocar todos em seus devidos lugares, pois já começaria a cerimônia. Foi quando avistou a moça num canto mais afastado do jardim, bem entretida numa prosa com um cavalheiro. Pensou em não intervir, mas definitivamente precisava de Charlote, quando aproximou-se mais um pouco, uma pontada de reconhecimento em seu coração, era Luccino.

Respirou fundo, pois aquele homem lhe trazia lembranças, lembranças que ela nunca se atrevia a chegar sequer perto, e se dirigiu para eles.

— Que bom, que pôde vir! — cumprimentou a ele com um sorriso, assim que se aproximou.

— Ema! Que bela dona estás! — cumprimentou Luccino cortês.

— Agradecida! E então, seus pais vieram?!

— Foi difícil convencê-los a sair do Vale. Mas, dona Ofélia ameaçou-os dizendo que não mais dirigiria a palavra a eles se fizessem tal desfeita, então não tiveram como recusar! — explicou ele. — Nossa família deve muito aos Beneditos. Nós ajudaram quando estávamos na pior!

— E como está a fazenda? Soube que está muito mais rentável do que na antiga administração, soube pelo meu pai que estão bem páreos.

— Ah, o conhecimento de papai sobre plantio foi de grande ajuda para reavivar os cafezais, e a perspicácias de negócios de... bem, e como negociamos direto para fora, não ficamos no caminho da Rainha do Café! – Ema sentiu toda a gentileza e sensibilidade de Luccino a ela naquele comentário, por vários aspectos.

— Ainda bem que não! — Eles sorriram. — Bem, desculpe ter atrapalhado a prosa de vocês, mas vim atrás de você Charlotte. — disse Ema. — Já iremos começar!

— Aqui estou! Vamos logo antes que Darcy desmaie de nervoso!

Despediram-se de Luccino e saíram às pressas.

— Hm, Luccino? — comentou Ema, mesmo diante de seus passos apressados.

— Ora Ema, você não se depõe mesmo de seu titulo de casamenteira, hm?! — comentou a moça.

— Ora pois, farejo de longe o tino de romance! E Luccino é um excelente rapaz! — ela sorriu sinuosa.

— Não sei se papai aprovaria!

— Ora, por que não?! — O olhar de Charlotte a fez entender. — Não tem motivos para isso, além de um excelente jovem Luccino agora é um bom partido.

— Por certo, não ao ver de meu pai. Ele leva em conta o berço.

— Escute – Ema estancou e segurou a mão de Charlotte para que ela fizesse o mesmo. – Não se apegue a isso sob-hipótese alguma. Se gosta de Luccino é com ele que deve ficar, independente de qualquer coisa. Não tome como inspiração o seu pai e sim o seu irmão. Qual dos dois você considera o mais feliz?

Charlotte não respondeu, não precisava. Apenas sorriu e assentiu para Ema, e retomaram o caminho, deram as ordens devidas e por fim tudo estava pronto para começar o casamento.

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A cerimônia fora belíssima. Arrancou lágrimas e sorrisos da maioria dos convidados. Os noivos não pareciam está com os pés no chão e sim flutuando sobre o ar. Ema os olhava encantada o amor nos olhos deles era quase palpável. Estavam num coquetel mais intimo na salão da casa, enquanto Elisabeta e Darcy podiam receber cumprimentos da família e amigos.

— Me atrasei, mas cheguei!!!

Ela estava tão distraída, admirando os noivos que se sobressaltou ao ouvir aquela voz entusiástica que ela conhecia bem!

— Ernesto!! — ouviu a voz alegre de Elisabeta lhe confirmar, e virou-se!

Lá estava ele parado na porta, com aquele sorriso largo que fazia os olhos também sorrir. Viu Elisabeta correr até ele verdadeiramente feliz, e abraçá-lo, ele a tirou do chão a rodando no ar.

— Está uma bela dona, Senhora Darcy! — dissera ele quando a colocou no chão.

Ela lhe deu um tapa no braço.

— Seu tratante! Achei que não viria!

— E perder a vitória da persistência de Darcy? Como poderia eu?

Darcy surgia atrás de Elisabeta com um sorriso tão largo quanto o dela para o então amigo.

— Não sabe o quanto estamos felizes por você ter chegado a tempo, meu amigo! — disse Darcy lhe apertando a mãos e o puxando para um abraço.

— Deveria ter chegado ontem, mas houve um atraso na zarpada do navio, enfim... — ele deu de ombros.

Ema puxou em sua mente, não se lembrava do nome de Ernesto na lista de convidados. Porém, lembrou-se que a lista geral ficara sobre os cuidados de Charlotte. Mas lá estava ele, a sua frente. Parecia não ter envelhecido, seu espírito continuava jovial. Lhe veio a mente que se fosse um outro homem estaria vestido como que elegantemente trajado, mas Ernesto apesar de vestir-se com um terno italiano de alfaiataria, tinha o paletó nas mãos, o colete aberto e a gravata jogada no pescoço. E Ema só percebeu que sua respiração tinha quedado suspensa quando sentiu um aperto em seu braço, virou-se e deu-se com Jorge. Assim respirou fundo.

— Está tudo bem, querida? — Ema viu os olhos dele titilarem uma dor que ela não sabia porque estava ali.

Engoliu seco.

— Está! — mal conseguiu pronunciar a palavra.

— Tem certeza? — insistiu Jorge. — Está tremendo!

Só então ela percebeu que realmente tremia.

— Carcamano de uma figa!! — a voz do avô sobressaiu-se a libertando do olhar inquisidor do marido.

A cadeira de rodas do Barão era empurrada por Luccino que junto com os pais se aproximava do recém-chegado, que alargou ainda mais o sorriso! E como sempre era em qualquer recinto onde estivesse Ernesto, tudo se alegrou ainda mais.

No decorrer da festa Jorge não saiu mais de seu lado e estava sempre a encarando. Aquilo fazia-lhe mal, era como se ela tivesse sendo acusada de algo por ele. Aquela atitude e aquela sensação ela já sentira antes, lhe trazia péssimas recordações e as coisas tinham terminado tragicamente.

Foi no casamento de Mariana e Brandão, Ema estava com um mês de casada e tinha acabado de descobrir que estava esperando um filho. Aquilo era tão novo para ela, estava tão feliz. Até a noite se tornar melancólica a partir do momento em que não conseguia tirar os olhos de Ernesto. Ele tinha, por algum motivo voltado ao Vale naquela ocasião.

Não era só melancolia, era tristeza e culpa. Ela não podia se arrepender da decisão que tomara casando-se com Jorge. A vida do pai tinha ganhado algum sentido ele passara a trabalhar com Jorge no escritório, bem como para o avô que não mais precisava passar pela humilhação de ser apontado como falido. Não, ela não podia reclamar, não podia se arrepender. Mas, no entanto, lá estava ela divagando sobre o que teria acontecido se ela tivesse dado ouvidos a Ernesto, naquela noite, antes de seu casamento, quando ele esteve em seu quarto desejando-lhe felicidades.

Na ocasião do casamento de Mariana, Jorge havia feito o que estava fazendo agora, havia cercado Ema de todas as formas, o olhar dele era inquisidor e desconfortável, e ela com emoções a flor da pele por conta de seu estado não conseguiu se fazer de rogada, confrontou o marido, que simplesmente decretou que deviam voltar para São Paulo, mudando os planos que tinham de se hospedar no Vale e partir pela manhã. E foi nessa maldita viagem, quando mal haviam se afastado da cidade que houvera o acidente que vitimou não apenas o pequeno em seu ventre, mas também todas suas esperanças.

E lá estava Jorge de novo, com aquele mesmo olhar pelo mesmo motivo. Já Ernesto parecia nem ter se apercebido da presença deles. Fora logo cercado por todos os amigos e conversava com eles entusiasmado. Só uma vez, uma mísera vez que cruzara seu olhar com o dela, ela sentiu seu reconhecimento e depois sua mágoa, ainda assim, a distância ele lhe fez a velha e debochada reverencia, sutilmente, mas suficiente para aquecer seu coração e para ela se dar conta que nada havia mudado, seu coração ainda batia forte por ele. Os mesmo sentimentos de sua juventude, a mesma inquietação, as mesmas borboletas no estômago, o mesmo frio energético em seu interior. Ela não podia sentir aquilo, mas era fato que estava e se assustou.

— Vamos embora! — a voz de Jorge a trouxe de volta.

— O que?

— Eu não estou muito bem! — disse, porém não se importava em disfarçar que estava mentindo. – Estou cansado!

— Jorge é o casamento de minha melhor amiga! — Ema por algum motivo tinha os olhos rasos d'água, e segurava o choro na garganta.

— Já prestigiamos muito os noivos, daqui a um pouco a festa acaba!

— E-eu...

— Vamos nos despedir, por favor! — ele simplesmente a puxou pela mão.

Elisabeta se entristeceu com a partida da amiga. Mas entendeu o motivo, e sabia que não era Ema que queria partir, apesar de qualquer desconforto Elisabeta sabia que por ela Ema ficaria ali até o possível. E quando estavam no fim da despedida, Ernesto se aproximou dele.

— Mas já estão de saída?! — disse ele sorrindo. — A festa mal começou?

— Você que chegou atrasado! — as palavras pularam da boca de Ema, antes mesmo dela pensar no que poderia responder.

Ernesto sorriu ainda mais.

— É verdade! — concordou ele. — Porém sinto que animação ainda está por começar...

— Eu lamento, mas não estou me sentindo muito bem — interveio Jorge.

— Pode ser a idade, é bom ver isso, meu amigo! — Ernesto respondeu ao que Ema arregalou os olhos e os outros ao redor tentaram disfarçar que acharam graça na alfinetada.

— Seguirei o conselho! — disse Jorge mantendo sua polidez.

— Mas, como assim já vão?! — interveio o Barão. — Justamente agora?

— Ora vovô, o senhor não já se divertiu o suficiente? Jorge está cansado!

— Ora, nem eu estou cansado! Talvez esteja realmente ficando velho, Jorge! — e novamente os poucos próximos a conversa tentaram seguraram a riso.

— Vovô! — Ema ralhou.

— Eu posso deixar o Barão em sua casa quando a festa acabar — disse Ernesto. — Se ele aceitar minha companhia, e claro,​ vocês não se importarem.

— Ora, mas por que iriam se importar? E você ainda tem muito que me contar Carcamano, das aventuras pela Itália. Deve ter aproveitado muito, hein prezepeiro de uma figa?! — o Barão acotovelou a colcha de Ernesto, matreiro.

Ema olhou para Jorge que parecia um tanto desconfortável.

— Tudo bem! Não há problemas — disse ele, por fim. — E peço desculpas novamente pela partida.

— Não se preocupem com isso — interveio Elisabeta. — Eu só tenho que agradecer e muito a presença de vocês. — Ela abraçou Ema novamente, as lágrimas vindo aos olhos. — Obrigada por ser a melhor amiga que alguém pode ter.

— Eu espero que você seja a mulher mais feliz de todas. – a voz de Ema embargou. — Porque você merece. Porque você lutou por isso e contra isso também! – elas sorriram , mas ás lágrimas finalmente caíram dos seus olhos e ela queria sair dali o mais rápido possível, os sentimentos estavam se misturando, talvez ela não suportasse muito mais.

Despediu-se às pressas e saiu com Jorge, não antes de olhar para trás, não antes de ver o rosto dele pela última vez acompanhando-a com seu olhar. Meu Deus, não podia acreditar, ainda estava apaixonada por ele, e que o sentimento não tinha morrido como ela lhe dissera que aconteceria, continuava ali, intocado!

(...)

Notas finais
Eu já falei que AMO o Ernesto? Pois é eu amo, em novela, fanfic, foto, falas ou pensamentos... eu AMO esse cara! Aí, está... espero vocês no próximo!