E se....

6 Ducky Mallard


Notas iniciais
Creio que de todas as pessoas do NCIS, era Ducky quem realmente compreendia esses dois. Ele sempre soube de tudo e era o único capaz de fazê-los ver a verdade! Boa leitura

E se você não tivesse sido tão teimosa?

E se ele não tivesse sido tão teimoso?

E se vocês dois tivessem se acertado em Paris?

E se você tivesse ficado?

E ele tivesse ido atrás de você?

E se você não tivesse voltado?

E se vocês dois tivessem falado a verdade um para outro?

E se, no final de tudo, vocês tivessem se entendido e tivessem tido o que mereciam de verdade?

E se a vida não fosse tão cruel com você e com ele?

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Esta a pior parte de todas em minha profissão. Ver o corpo de um amigo dentro do saco preto.

E, dentre todas as pessoas, é você, minha querida.

Você que saiu daqui há dois dias atrás para ir ao funeral de um de seus amigos. E agora, você está de volta, não no último andar, na sala da diretora, mas no subsolo, no necrotério.

Ah, Jennifer... você merecia mais, minha criança.

Parece que foi ontem que você veio ver a sua primeira autópsia. Não aguentou e acabou vomitando tudo no meu pé.

Aliás, o necrotério nunca foi o seu lugar favorito. Você sempre deu um jeitinho de não vir aqui, pelo menos não enquanto eu estava trabalhando na evidência.

Mas você acabou fazendo mais visitas a este lugar depois, quando você tinha certeza de que não havia “ninguém” nas mesas. E aqui ficamos, tomando chá e conversando sobre tudo e sobre nada.

E depois, depois fomos para a Europa. Você e Jethro brincaram de gato e rato com traficantes, terroristas, negociantes de armas, com a própria morte.

Eu vi vocês dois quase morrerem. Ele em Positano, você na Sérvia. E vi muito mais do que você imagina.

Eu vi o brilho nos seus olhos. Eu vi o sorriso aberto. Eu vi a forma como você olhava para ele. Como você se preocupava com ele. Eu estava lá, na primeira manhã, em Marselha, e vi os olhares trocados, os sorrisos tímidos. Eu vi a sua alegria. E vi o que você sentia por ele.

Mas, por mais que você não tenha visto. Eu vi isso tudo nele também. Eu vi a forma como ele se desesperou quando você quase morreu. E vi cada passo que ele dava em volta de você e como ele te protegia. Eu vi você deixar de ser Shepard e virar Jen. E isso foi só o começo.

Mas eu também vi você se decepcionar, você duvidar que ele poderia sentir o mesmo que você. Eu vi a decisão que você tomou, antes mesmo que você partisse.

Eu vi as palavras que você deixou.

E vi o que elas fizeram nele.

Vi você ir, ouvi você dizendo, algum tempo depois, onde estava. Ouvi, mesmo que você não tenha dito, que ainda se importava com ele. Li suas palavras para mim, em incontáveis e-mails, e sempre achei, ali, escondido entre uma frase e outra, você querendo saber dele e se arrependendo da sua decisão.

E, enquanto você se preocupava e se arrependia, mas era teimosa demais para voltar atrás. Eu vi o que Jethro fazia.

Vi o casamento às pressas que ele teve. Vi ele ir embora para Rússia com o propósito de te esquecer. Vi ele voltar a ser taciturno e distribuir seus tapas com mais frequência.

Vi o divórcio ser conturbado e a sucessão de ruivas na vida dele. Vi ele tentar formar uma família substituta.

Ele trouxe uma filha – Abigail.

Trouxe o filho mais velhos, a quem ele tenta colocar um pouco de juízo na cabeça – Anthony.

Trouxe uma outra filha, com quem ele tinha certeza, nunca precisaria se preocupar de ter juízo ou qualquer outra coisa. Ela era prefeita. – Caitlin.

E trouxe o filho mais novo, a quem ele tenta, da maneira dele, ajudar a ter um pouco mais de confiança nele mesmo. — Timothy

Mas sempre faltou a “mãe” como diria Abby.

E um dia, a filha do meio foi morta. E ele sentiu a dor de perder uma agente pela primeira vez.

Isso o deixou desorientado. Jethro, por algumas horas, deixou de ser o Jethro que nós dois conhecemos.

Mas Deus escreve certo por linhas tortas, não é assim o velho ditado? No mesmo dia em que Kate se foi, o protegendo. Você voltou.

Não a agente de campo infiltrada que deixou Paris seis anos antes. Muito menos a agente novata de antes.

Você era a Diretora.

E como você mesma me disse, alguns meses depois, ele era o seu parceiro, e você faria de tudo para protegê-lo.

E ele sempre soube disso. Usou e, algumas vezes, abusou de privilégio. E você, no fundo, no fundo, nunca se importou. Você sabia que era a preferida dele. Entre todos os que passaram na equipe dele, que trabalharam com ele, foi você quem deixou uma marca profunda.

Acontece que essa marca não foi deixada somente nele, em você também, minha cara. Todos aqueles meses infiltrados, quando a realidade e a ficção se misturaram, te deixaram com uma cicatriz permanente.

E você voltou com ela. Lógico, sua ferida ainda não estava fechada, e vê-lo, só aumentou ainda mais a dor. E a dele, ele também tinha o mesmo problema.

Duas pessoas que tinham tanto para conversar, tanto para resolver, que tinham tanto em comum. Foram ser iguais somente em uma coisa: na teimosia.

Você disse não. Ele, com o orgulho ferido, não te procurou. Mas vocês tentaram contornar isso. Aos poucos.

Você deu a ele uma outra filha, vinda de outro país, mas com uma enorme bagagem. – Ziva.

E quando tudo parecia caminhar para um acerto entre vocês.

Ele te esquece.

E você, diferentemente de seis anos antes, você ficou do lado dele, você o ajudou. Memórias de um passado doloroso vieram à tona. E você se importou. Você fez o que estava ao seu alcance para poder diminuir a dor dele. Hora nenhuma questionou o silêncio dele. Afinal, você tinha os seus próprios demônios, não é mesmo?

Mas ele se foi. Uma brincadeira do destino. Agora era você quem assistia a partida dela. Papeis invertidos. Porém, ele te deixou a responsabilidade de cuidar da família dele.

E você fez isso.

Até que ele voltou.

Você, sabiamente, não o deixou ir totalmente, deu a liberdade temporária, sabendo que, mais cedo ou mais tarde, ele voltaria. Se não para você, para a vida que ele tinha.

Contudo, as coisas estavam diferentes. Você estava diferente.

Me pego pensando se Jethro ter conseguido a vingança dele contra o homem responsável pela morte da mulher e da filha tenha te motivado na sua vingança?

Às vezes, acho que sim. Outras, vejo que você já tinha essa intenção e, Jethro tendo feito isto, você notou que também poderia fazer. Afinal, ele era seu mentor no NCIS, não era?

Acontece que a sua vingança foi mais complicada que a dele. Eram dois bandidos diferentes. E isso o deixou com ódio. Primeiro porque você não confiou nele sobre o seu plano, segundo, porque estava usando a equipe dele.

E Jethro, que nunca gostou de ser preterido, resolveu te machucar.

Dois tolos achando que poderiam machucar um ao outro, quando na verdade estavam machucando a si próprios.

Jennifer, Jennifer.

Qual seria o seu futuro se as suas escolhas e a sua doença não tivessem te impedido?

Você se casaria? Teria filhos? Seria feliz?

Gosto de pensar que sim. Gosto de imaginar o seu futuro inexistente e impossível como um conto de fadas, apesar de você estar muito longe de ser a mocinha que precisa da ajuda do Príncipe Encantado.

Gostaria de te ver sorridente, aquele mesmo sorriso da manhã de Marselha, ao lado de Jethro, de imaginar que um dia, mesmo contra todas as regras – e vocês dois lá seguiam alguma regra? – teria uma ou talvez duas crianças correndo pelo NCIS, procurando pela mamãe e pelo papai. Brincando com a Tia Abby. Aprendendo algo no computador com o Tio Tim. Atazanando o Tio Tony e, futuramente, sendo treinados pela Tia Ziva. Gosto de imaginar que vocês os permitiriam me chamar de Avô.

Como eu disse anteriormente, minha querida, é o que eu imagino. E pretendo levar essa imagem recém montada em minha mente comigo. Porque, aqui, você era verdadeiramente feliz.

Agora, minha criança, depois de tudo o que você passou. De tudo o que viveu e de tudo o que foi obrigada a ver, meu último desejo é que você descanse em paz.

E, quem sabe, em uma outra vida, ou em outro lugar, possamos nos encontrar.

Sei que você não vai gostar do que eu criei. Mas aceitará que esse velho chauvinista aqui, sempre quis o seu bem. Seja ele qual for.

E, aqui, terminando a sua autópsia, eu vejo. Essa foi a sua melhor saída. Você saiu sendo você. Tendo controle sobre as suas ações.

Você deixou esse mundo, defendendo a única pessoa a quem você amou de verdade. A única pessoa que poderia ter te dado tudo. Mas os caminhos da vida impediram.

Descanse em paz, minha criança. Um dia, vocês dois se acertarão.

Aqui jaz Jennifer Shepard

Que escolheu morrer protegendo o amor de sua vida.

Notas finais
Bem.. vocês podem imaginar quem está no último capítulo... Até lá, e vivam com essa imagem que Ducky criou.. Obrigada por lerem!