E se....

1 Capítulo 1 - Jenny Shepard


Notas iniciais
Bem, como o próprio nome da fic diz, é uma coletânea de pensamentos dos personagens sobre o acontecido naquele restaurante em L.A.
No primeiro capítulo, os últimos pensamentos de Jenny.
Não tem nada de feliz aqui... o que é bem incomum para mim...
Espero que gostem...
Boa leitura.

E se me pai não tivesse morrido?

E se eu não estivesse consumida pelo desejo de vingança?

E se eu não fosse tão jovem e tola?

E seu não tivesse dado o meu coração para ele?

E se eu não tivesse dito “Eu te amo” sob as luzes de Paris?

E se ele não tivesse dito: “Esse vai ser o dia”?

E se eu tivesse perguntado o que ele quis dizer com essas palavras?

E seu tivesse puxado o gatilho?

E seu não tivesse escrito aquelas malditas palavras?

E se eu não tivesse abandonado aquele avião?

E se eu não fosse tão egoísta?

E se eu não tivesse voltado?

E se eu não tivesse dito não para “Fora do Trabalho”?

E se eu tivesse o convencido a ficar depois que ele perdeu a memória?

E se eu não tivesse me afundado em ódio e perseguido Benoit?

E se eu não tivesse ficado doente?

E se eu tivesse agarrado a mão dele naquele dia na porta da minha casa e o obrigado a ficar comigo?

E se ei tivesse feito tudo diferente?

Será que eu me encontraria aqui?

À beira da morte?

Sozinha?

—-------------

Eu que sempre tive medo de morrer sozinha. De ficar sozinha. Passei os últimos nove anos assim.

Seis de país em país. Com colegas de trabalho, alguns até chamo de amigos. Mas sem ter ninguém para quem voltar.

Depois mais três. Em casa. Mas que casa? Assombrada pelos erros do passado. Assombrada por tudo o que aconteceu naquele maldito escritório. A imagem de meu pai, morto, com uma bala na têmpora, como minha companhia constante. E em um escritório, onde eu poderia ter feito mais. Onde eu poderia ter sido mais cordial, ou menos chefe e mais amiga.

Mas eu escolhi tudo errado.

Minha vida foi uma sucessão de erros.

Minhas desculpas de oito anos atrás não vão servir agora. Não mesmo. Minha sorte foi lançada há muito tempo atrás.

Me deram tudo. Me mostraram o que era o amor de uma família. O amor de uma vida. Me mostraram o poder. Me mostraram o valor da amizade.

E eu joguei fora.

Eu perdi o primeiro. Não porque eu fiz algo, mas porque me tiraram. E, a partir disso. Eu mesmo cavei a minha cova.

Me deram uma segunda chance. Eu a peguei de braços abertos. E lancei para os ares.

Uma terceira. E eu consegui estragar tudo.

Não há uma quarta chance. Para ninguém. Muito menos para mim.

Por um segundo eu fecho meus olhos.

Minha infância. Minha adolescência. Tempos de faculdade. Uma Jennifer Shepard sorridente. Alegre. Feliz e despreocupara. A garotinha do papai. A filha do Coronel.

Então, eu volto para casa. Mais cedo. Uma surpresa para quem sempre foi o meu suporte. E ele está lá. Arma na mão e um buraco de bala na cabeça. Pesadelo. A garotinha teve que crescer no susto.

O sorriso se foi. A alegria foi enterrada junto com o corpo do desonrado Coronel. Traidor.

Ele nunca trairia do país. A farda. O Exército.

Vingança. O gosto amargo da decepção.

Eu iria provar.

E agora eu era Jenny Shepard. Não a aluna brilhante. Mas a agente federal em estágio probatório. Que ralou como nunca. Que deixou, por um tempo, tudo de lado para poder chegar ao topo. E, que por ser esperta, foi mandada para a Europa.

Europa. Com ele.

Uma sucessão de erros e acertos. Um coração carente e uma garota que ainda não estava preparada para tudo o que viu e o que tinha que fazer. Mas ele sempre estaria lá por mim, não estaria? Missões suicidas. Perseguições de carro. Um tiroteio. Ele ferido. Eu desesperada. Eu não poderia perde-lo também. E aí, a linha tênue entre o fingimento e a realidade se desfez. Duas semanas depois do tiro, nós dois viramos mais do que parceiros. Viramos amantes. Longe dos olhos dos superiores de Washington, éramos nós dois. E eu virei Jen. Somente ele me chamou assim por toda a minha vida.

E quando tudo terminou, ao invés de tentar fazer o que nós tínhamos funcionar. Eu fugi. Fugi porque sabia que ele me prenderia para sempre. Porque com ele não seria mais a Agente Especial. Eu seria... o que eu seria?

E uma imagem passou como um flash. Uma casa, não a minha ou a dele, outra casa. Um jardim enorme. Ele do meu lado, seu braço em volta da minha cintura. Nossos distintivos cintilantes. E duas crianças correndo pelo jardim. Uma garota de longos cabelos castanhos escuros e brilhantes olhos verde-esmeralda e um menino, ruivo de olhos azuis. Meu coração se apertou.

O futuro que eu nunca teria. Mas não era só isso. Eu sabia que havia mais. E a família de amigos que eu joguei fora, estava lá. Pude distinguir as vozes de Abby, Ducky, McGee. E ouvi claramente Ziva e Tony brigando.

Em meus últimos suspiros desejei que estes dois tivessem mais sorte do que eu. Que pelo menos eles fizessem as escolhas sábias.

Fechei meus olhos uma última vez. Não queria encontrar o frio. Então, minha mente, muito sabiamente, me deu o calor. O calor de um abraço. Um não, três. Das duas crianças sem nome que correram em minha direção me chamando de mamãe. E dele. Que sussurrava: “Eu te amo, Jen”.

E essa imagem funcionou como um efeito placebo para minha mente amedrontada, me deu o conforto que eu queria. Mas não funcionou para o meu coração.

Quando a ilusão de minha mente terminou as quatro palavras que eu tanto quis ouvir em Paris, e eu senti, eu realmente senti os seus lábios em minha têmpora direita. Meu coração soube que era tudo mentira. E, ali, nos últimos segundos de minha vida, meu coração foi partido pela última vez.

Aqui jaz, Jennifer Shepard.

Aquela que pôde ter tudo. Mas jogou tudo fora.

Notas finais
só uma avisinho, capítulos bem curtinhos. e o final de cada um deles, estará em itálico o que cada personagem acha que deveria estar escrito na lápide de Jenny.
Muito obrigada por lerem.
A