E se...

16 Capítulo 16


Notas iniciais
E a mão do Ikki coçando... Sério, uma coisa que eu aprendi é: Não mexe com o filho dos outros, meu bom =X Tenham uma boa leitura :)

Já tinha decidido tudo com seus homens. Estavam indo para a guerra com fúria superior a do mar. Os inimigos podiam prendê-los, humilhá-los, matá-los, mas jamais deviam ter mexido com suas crianças.

Estava na sala de reuniões das barracas, na parte baixa da cidade. Estava tentando se acalmar depois de despachar ordem atrás de ordem e esmurrar cheio de ódio sua mesa. Sentia o sangue ferver nas veias e rasgar os vasos em sua passagem.

¬ Porque manter-me fora? – soou a voz do virginiano mais velho.

Depois de voltar pra ilha o moreno só urrava ordens e destruía as coisas em seu caminho. Trancou-se na sala de reuniões nas barracas, mandou chamar seus melhores homens e mandou que alguém levasse o virginiano de volta ao Santuário, ordem que pelo jeito foi descumprida pelo subordinado ou burlada pelo budista.

Não queria muita conversa em seu momento de ódio, só queria sua filha de volta não importando o que tivesse que fazer ou sacrificar.

¬ O que ainda faz aqui? – rebateu com a voz alterada de ódio, chegando a rosnar. — Já devia ter voltado pro Santuário.

O mais velho fez uma pequena careta. O leonino então sentiu como se um peso fosse retirado de seus ombros, foi invadido por uma sensação incrível de paz e chegou ao ponto de suspirar. Odiava, mas também amava, o virginiano por ter essa capacidade de alterar os sentimentos das pessoas fazendo uso do cosmo.

¬ Eu também me preocupo. – disse o mais velho.

Calou-se por alguns instantes. Respirou fundo e procurou pensar direito. O mais velho não era culpado de nada, nenhum dos homens da ilha era culpado, ele próprio não era culpado. A culpa não era de uma única pessoa em especifico, a culpa era de todos. Todos falharam de alguma forma em proteger as crianças e agora todos pagariam.

¬ Eu mandei que preparassem a esquadra. Estão reforçando as couraças e aríetes, além de fazer a manutenção dos canhões e morteiros. – era injusto fazer o maior de pária, fazia dois dias que o tratava injustamente, agora tinha que reaver o prejuízo. – Aqueles malditos estão no Mediterrâneo, mas existe uma base secundária no Atlântico.

¬ Triangulo das Bermudas. – ficou sabendo dessa base através dos subordinados do leonino.

Era bom não ter de explicar tanta coisa. Levantou-se e pediu em gesto que o mais velho o seguisse.

A cidade continuava “normal” para quem visse de fora. Para quem estava dentro, era óbvio que tinha algo muito errado. Todas as mães da ilha estavam mais chorosas e irritadiças, temendo pelos filhos que tinham nos braços e por aqueles que foram tragados pelo mar. Os pais espumavam de ódio e os mais explosivos descontavam sua fúria uns nos outros, gerando tumultos tão grandes que obrigava os ainda sensatos a intervir.

Não tinha um homem ou mulher, fosse este velho ou criança, que não quisesse a cabeça do deus dos mares numa estaca bem nos portões da cidade.

¬ Estou mandando uma pequena parcela da esquadra para o Mediterrâneo, sua tripulação vai estar bem equilibrada entre Cavaleiros Negros e civis. – explicou enquanto continuavam a seguir para a cidade alta. – A maior parte da esquadra vai para o Atlântico, cuja base é maior, a tripulação vai ser inteira de Cavaleiros Negros. Eu não vou deixar pedra sobre pedra para Poseidon se esconder depois do que fez. – rosnou furioso.

¬ Não se deixe cegar pelo ódio, Ikki, e não deixe que ele se transforme em vingança. – advertiu o mais velho. – E abra ainda mais os olhos para que seu povo não se transforme também.

¬ A vingança é doce. – disse o que qualquer um pensava.

¬ Á abelha custa-lhe a vida. – rebateu.

Calaram-se. Aquela discussão os levaria ao nada.

Em compensação o leonino guiava o virginiano para bem longe da cidade. Tanto que agora estavam frente um penhasco bastante alto e ameaçador com sua borda escarpada e rochas negras.

¬ Onde me leva? – por fim questionou curioso.

¬ Um lugar um tanto secreto. – respondeu acendendo uma bola de fogo na mão esquerda. – Todos os lugares do mundo têm seus segredos.

Andou mais um pouco e virou-se, sumiu. Aquilo assustou o mais velho a principio, mas logo se recompôs indo atrás do moreno e vendo que aquilo não passava de uma ilusão de óptica.

O penhasco tinha paredes sobrepostas, criando a ilusão de que tinha uma parede única ali e não uma gruta escondida.

Seguiu o leonino rochedo adentro por mais algum tempo. O túnel era bastante claustrofóbico e não existia nenhuma fonte de luz que não fosse a mão do leonino e a entrada a muito esquecida.

Seguiram por mais alguns bons metros antes de avistarem uma nova fonte de luz, por onde também escapava uma forte onda de calor. O moreno apagou as chamas em sua mão e seguiu direto para aquela possível passagem.

¬ Mas o que...?! – foi impossível evitar a surpresa.

As chamas provenientes da lava explodiam ameaçadoras contra os homens que tentavam domá-las. O ferro incandescente iluminava as paredes rochosas e faiscava sempre que o ferro mais frio se chocava com ele. A água salgada silvava de dor quando o ferro quente lhe tocava. O material era testado de forma violenta. Placas eram separadas e presas em couraças de navios tão intimidadores quanto o temível e lendário Holandês Voador com sua tripulação fantasma.

Uma forja gigantesca estava oculta dentro da ilha, fazendo uso de sua condição natural, onde ferro, oricalco e fogo eram abundantes. Armas e armaduras eram forjadas com um dois únicos objetivos. Matar e proteger.

¬ Bem-vindo à Forja da Rainha da Morte. – disse o leonino com certo orgulho.

Acompanhou o leonino em todo o seu trajeto. Estavam fiscalizando o trabalho nos navios e armaduras dos homens. Às vezes chegavam a ajudar os homens em algumas situações, tais como o melhoramento do casco ou então no reforço e incremento das armaduras.

Os navios entravam por uma caverna oculta na baía, eram reforçados e armados até os dentes e saiam para que outros entrassem. Toda a parte externa do navio era reforçada com placas maciças de ferro negro que brilhava em um tom bastante bonito de grafite. Os poucos mastros tinham suas bases reforçadas com o mesmo ferro negro. E as armas existentes eram substituídas por outras armas melhores e em maior quantidade.

Achou interessante que as velas de todos os navios eram carmesins e que sempre existia o desenho de uma fênix negra em todas elas.

As armaduras recebiam uma segunda camada de oricalco e ferro negro, além de terem peças novas sendo forjadas. Ombreiras maiores, proteções para as coxas, uma proteção maior para o peito e armas – apesar de Athena não aprovar seu uso – de todos os tipos, uma mais perigosa que a outra.

¬ Como ela tem estado? – perguntou depois de algum tempo.

Estavam sentados em uma das rochas dentro da forja, apenas observando o desenrolar do trabalho. Ou melhor, estavam assistindo a construção de uma guerra.

¬ Nunca a vi chorar tanto. – o leonino parecia bastante abatido. – Isso me deixa com o coração na mão. Ela não chora na sua frente não é?

¬ Parece que seus olhos são secos e sem vida na minha frente. – respondeu em um suspiro. – Tente dar algum calmante para ela. Ficar estressada não vai fazer bem para ela e nem para os pequenos.

¬ Pequenos?! – se assustou com as palavras do outro. – Que pequenos?

Existia confusão no olhar do rapaz. E via aquilo como algo compreensivo, não devia exigir demais de alguém que estava tão preocupado. Somente ele teve a calma necessária para notar tal fato.

¬ Não sabia? – o moreno negou. – Bem, agora não adianta esconder. Tem dois pequeninos cosmos crescendo dentro dela. Parabéns, Papai. – pousou a mão em seu ombro. – Apesar de que este não é bem o momento mais adequado para se dizer algo assim. Então perdoe minha inconveniência. Eu realmente não sabia.

O leonino parecia totalmente perdido. Chegou a abrir a boca várias vezes, mas nada saia. E o mais velho compreendia seu choque.

¬ WANÁX!! CAVALEIRO!!

A forja pareceu parar enquanto o Cavaleiro Negro corria em suas direções. Quando chegou puderam notar que ele tinha corrido bastante, talvez estivesse procurando pelos dois há certo tempo. Ele arfava e tremia devido ao esforço.

¬ O que foi homem? – perguntou o moreno em tom grave e sério. – Pra que tanta afobação?

¬ Senhor...! – o homem tentava desesperadamente recuperar o ar. – Athena...!

¬ O que tem Lady Athena?! – o virginiano se manifestou no momento que ouviu o nome da deusa. – Diga homem!

¬ Poseidon... Ele levou Athena... Ele levou Lady Athena...! – respondeu dando pausas curtas. – Ou melhor... Dizem que ela foi ao encontro dele... Tentaram negociar... Mas ele a prendeu!

O leonino pulou da pedra onde estava sentado. Assumindo uma postura intimidadora e autoritária, muito diferente de instantes atrás.

¬ Acorde todos os homens! Quero todos trabalhando! Em menos de três dias eu quero a esquadra rumando para a batalha! – ordenou com a voz em tom de fúria. – Entendeu?!

¬ Sim, senhor! – logo o homem saio correndo novamente.

O virginiano teve de se apressar, pois o leonino saio marchando pra fora daquele lugar. Quando finalmente respirou o ar puro do lado de fora sentiu a tensão diminuir, mas não ir embora. Já era noite, nem tinha notado o tempo passar.

O moreno se sentou na beira na praia, onde a água salgada quase o alcançava. Ele se encolheu e ficou mirando o horizonte num misto de ódio e tristeza.

Sentou-se ao seu lado como um bom amigo e companheiro de armas faria. O mais novo precisava de um ombro amigo e não de um critico, como era de costume.

¬ O que eles queriam com minha filha e as outras crianças? – perguntou em um suspiro. – Até do Santuário eles levaram crianças não foi? E agora também foi Athena. O que eles estão planejando, Shaka? – seu olhar implorava por respostas.

¬ Poseidon quer subjulgar Lady Athena, nem mais, nem menos. – deu início a sua resposta.

¬ E o que isso tem a ver com as crianças?! – rebateu antes do mais velho completar. – Eu quero saber com o que estou lidando Shaka!

Apenas suspirou. Tire o filho de um homem e ele não tem mais nada a perder.

¬ Ele quer ganhar força para ter a certeza de que conseguirá derrotar Lady Athena. – prosseguiu pacientemente. – Na antiguidade, era comum sacrificar crianças à Poseidon. Em algumas cidades diziam que as crianças perdiam suas almas e viravam servos do deus. Em outras diziam que elas eram mortas para que o deus bebesse de seu sangue e assim ficasse mais forte por conta de sua pureza.

¬ E quando isso acontece? – perguntou com aflição no olhar.

¬ Eles devem preparar as crianças antes. – explicou rapidamente. – O sacrifício só vai ocorrer daqui sete dias e o tempo se esvai rápido.

¬ Então devemos ser mais rápidos que o tempo. – ditou firme. – Volte para o Santuário. Acorda os idiotas que chamo de irmãos, não quero saber se estão em coma ou não, só acorda. E se prepare.

Se levantou em um rompante, se afastando depressa e estalando os dedos da mão.

¬ O que você vai fazer? – volveu.

¬ Ensinar bons modos aos deuses.

Notas finais
Agora lá vou eu ver o que aprontei para está batalha naval digna (espero eu) de Piratas do Caribe :) Espero que tenham gostado ;) Bjs. L :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.