E que minha sorte não me separe de você
6 I'll love 'till I die
Notas iniciais

Gemi alto, revirando os olhos. O filho da puta havia achado meu ponto.
“Não foi você que disse que...” grunhiu antes de continuar. “Não era para fazer barulho?”
Não consegui responder, apenas arranhei suas costas mais uma vez, sem conseguir xingá-lo em voz alta. Era impossível abrir a boca sem deixar escapar algum barulho constrangedor que provavelmente acordaria os pequenos no quarto ao lado. Minha mão se ocupou em ser mordida, já que minha tarefa era um pouco difícil.
Afinal, ter a próstata surrada é coisa divina.
Mas receber isso sem fazer barulho é sacanagem. Não dá. É pedir demais. Não.
YoonGi agarrou minha mão e a afastou do meu rosto, segurando meu pulso com marcas que provavelmente ficariam escuras depois, para logo beijar-me com luxúria incontida, abafando qualquer reclamação. Meu interior se contraiu, os espasmos pré-orgasmo me impelindo, o líquido pré-seminal escapando em grande quantidade da fenda.
Minha mão livre se dirigiu à sua nuca, sem deixar que ele fugisse ou escapasse dali como pretendia, e, com as pernas agarradas à sua cintura, sem sequer me tocar, gozei, melando nossos abdomes. O loiro veio em seguida, dentro de mim, seu nó se formando em seguida, obrigando-nos a prender grunhidos dolorosos que provavelvente soariam altos e até assustadores para as crianças de apenas dois anos que dormiam no quarto ao lado.
“Desculpa, amour...” pediu, alguns segundos depois. “Sei que está cansado e tal, passou o dia estudando e ainda te faço fazer isso...”
Dei de ombros, apoiando os cotovelos nos ombros alheios, agora tendo mais espaço para mexer nos fios avermelhados. Não precisava lutar tanto pelo sono como havia feito no caminho até nossa casa, a pontada dolorosa vindo da minha entrada o fazia por mim. Já não era tão estúpido quanto na primeira noite de cio que ajudei meu marido, agora sabia as consequências que tentar tirar agora podia trazer.
“Está tudo bem, Yoonnie” murmurei, fitando os olhos escuros que eu tanto amava. “Sou seu, você é meu, significa que a gente tem que ao menos estar aqui quando o outro precisa, certo?”
O outro sorriu, se inclinando para selar minha testa.
Ficamos naquela posição por mais alguns minutos, até que o inchaço diminuísse e, com um gemido doloroso da minha parte, o ruivo pudesse se retirar do meu interior e rolar para estar deitado ao meu lado. Se aconchegou atrás de mim, puxando meu corpo pela cintura, colando nossos corpos e agarrando o cobertor grosso para nos cobrir, protegendo-nos do ar frio que circulava mesmo com as janelas fechadas.
Estava prestes a pegar no sono, mas agradeci – muito – por não ter tirado o moletom para que o ato sexual começasse, pois TaeHae berrou, assustado, meu nome.
YoonGi sequer pôde me segurar ali, dizendo que o faria dessa vez, como sempre fazia nas malditas noites de tempestade em que nosso mais velho se apavorava com os estrondosos trovões.
Eu já havia corrido.
Naquela manhã de sábado, fria, cujo clima me fazia querer ficar e nunca mais sair da cama, meu caçulinha – cujo maldito gênio puxara de mim – deu a brilhante ideia de sairmos para dar uma volta. Puta que pariu, ele podia ter um poquinho da personalidade do irmão dele nessas horas. Olha o exemplo: Dormindo feito um anjo, embaixo de grossos edredões e abraçado num travesseiro de penas fofo.
Ok, não era lá um bom exemplo, mas quem liga? Eu não, adoraria estar seguindo ele.
YoonJae fez um bico manhoso ao ouvir minha negação, jogado em um dos sofás espaçosos, com um suéter grosso e calças de moletom, assistindo Teen Wolf. Estava nevando, cacete. Eu vou querer levantar do sofá para ir rolar na neve? Sou idiota, fazem questão de me jogar isso na cara todo santo dia, mas não tanto assim. Não exageremos.
“Vamos, Tae” pediu meu marido, sentado de modo que minha cabeça estivesse sobre suas pernas. “Não podemos ficar em casa, mofando, em pleno sábado.”
Um gemido manhoso escapou dos meus lábios, cujos mesmos ainda estavam um pouco feridos pela noite anterior. Estava com muita – muita – preguiça. Olhei para a face do outro, e, prendendo um sorriso, percebi que parecia tão cansado e hesitante em atender o pedido da criança quanto eu.
“Appa, a omma tá muito sono?” o pequeno disse.
“'Tá sim, Jae-ah” concordou, rindo e acariciando meus fios.
“Vamo dexá ele aqui!”
A gargalhada de YoonGi durou pouco, sendo interrompida por uma cotovelada num local pouco agradável.
“Acho melhor...” disse ele, baixo, tentando manter contato visual com a criança. “Vamos deixar para outro dia, Jae...”
“Omma~~, vãããmo!” implorou, apelando para um biquinho manhoso. “Jae qué comê tatata!”
Prendi um “aint” vergonhoso que escaparia. Socorro, era fofo demais.
“Tae, uma hora só, pode ser?” meu marido começou a negociar, após um suspiro cansado e um revirar de olhos. Vendo-me franzir o cenho e fazer um bico manhoso, se inclinou para selar os lábios nos meus, sob um “arg” enojado do caçulinha, tentando novamente: “Quarenta minutos e uma passada no Burger King, pode ser?”
Estreitei os olhos. Estava começando a ficar realmente tentado a ir naquela furada.
“Te compro dois Stackers triplos, que tal?”
Levantei rápido, correndo para o quarto.
De banho tomado, enquanto o mais velho vestia YoonJae, que, apressado, tentava fazê-lo correndo, arrumei uma camiseta branca; um moletom cinza e grosso com algumas estampas na frente; jeans escuros; uma camiseta de flanela xadrez azul e branca amarrada na cintura; e tênis de cano alto marrons, apenas balançando a cabeça para secar os cabelos – inutilmente, mas quem liga? — sem me preocupar muito com essa parte.
Voltei para a sala, onde YoonGi, ainda com seu pijama, tentava, com a ajuda do filho, acordar garoto mais velho. O mais novo trajava um suéter cinza escuro; calças vermelhas de algum tecido macio e fofo; tênis de couro pretos; um gorro vermelho na cabeça pequena; e, para completar, um cachecol estilo cowboy, de flanela xadrez. Animado, saltitava, querendo correr porta afora.
“Eu visto ele” anunciei, recebendo um olhar agradecido do ruivo em troca.
Ligando a televisão no canal favorito dos bebês, deixei YoonJae assistindo Tom & Jerry com um sorriso enorme na face, tirando os edredões de cima do irmão, que estremeceu com o frio e logo se agarrou ao meu corpo.
“Omma...?” Sua voz soou sonolenta. “Quê que conteceu?”
“Seu irmão inventou de querer sair, Hae” respondi, segurando-o entre meus braços e andando lentamente em direção ao banheiro do quarto deles.
Um resmungo irritado saiu da sua garganta, voltando a encostar a testa no meu ombro, como se fosse um confortável travesseiro. Não evitei sorrir com adoração. O pequeno sempre foi fofo de modo humanamente impossível, tal coisa que me fazia querer ficar encarando seu rostinho sonolento o dia todo.
Já no recinto, balancei-o de leve e coloquei-o sentado, oscilando e balançando, ameaçando cair, sobre o vaso sanitário. Enchi a banheira com água morna, retirando sua roupa enquanto aguardava.
“Vâmo onde, omma?” perguntou baixo quando tirei seu pijama xadrez.
“Naquele parque que seu irmão gosta” afirmei, ajudando-o a se levantar e entrar na banheira cuja água exalava um vapor que deixava o banheiro com um ar aconchegante.
“O que tem Bugeer Quingue?”
Sorri.
Caralho, era fofo demais.
“Esse mesmo.”
Dei banho naquela criaturinha manhosa em pouco tempo, vestindo-o com uma camiseta de mangas vermelho-escura, acolchoada; um suéter extremamente fofo estilo estudante inglês, cinza e preto com algumas caveirinhas pixelizadas; calças jeans escuras e grossas; e basqueteiras cinzas da Nike. Porra, ele já era fofo e eu ainda fazia aquilo com o coitado...
YoonGi e YoonJae nos esperavam sentados no sofá. O mais velho usava uma camiseta de flanela preta, listras brancas finas surgindo na linha abaixo do peitoral; jeans pretos; jaqueta acolchoada e impermeável da mesma cor; e vans tradicionais. Segurei um suspiro irritado. Ele sempre conseguia se vestir bem, mesmo para ir até a esquina comprar pão.
O clima fora de casa era exatamente como parecia e como eu esperava. Rajadas de vento frio surgiam por vezes e uma fina cobertura de neve nos cantos do chão nos fazia querer deitar e fazer anjos na neve. Já era quase fevereiro, mas o ar gelado ainda não se dispersara. Depois de algum tempo caminhando, chegamos ao parque próximo do apartamento.
“Appa!” YoonJae, feliz, segurou o rosto do pai com uma das mãos de cada lado. “Quinho, quinho! Appa, o quinho!”
Seu irmão, com a cabeça encostada no meu ombro e o corpo nas minhas costas, gemeu, incomodado com o barulho causado pelo irmão.
“Omma, eu tê acodá?” Quase não consegui ouvir suas palavras sonolentas, tamanho o volume que usara ao falar.
“Só se você quiser ir brincar com o Jae, Hae” respondi, baixo.
O pequeno levantou um pouco a cabeça e olhou ao redor, tentando se localizar enquanto caminhávamos em direção aos bancos ao lado do dito cujo parquinho, lugar por onde meu caçula era loucamente apaixonado. Os bracinhos ainda curtos do pequeno alfa enlaçaram meu pescoço.
“O Kwang tá ai?” indagou, mechendo as perninhas de leve.
“Não sei, quer procurar?” disse.
TaeHae balançou a cabeça, afirmando.
Me agachei para que ele conseguisse escorregar até ficar de pé no chão. Pensei que, agora, fosse andar conosco, mas me contornou e puxou a frente da minha camisa para que eu o pegasse no colo.
Minha expressão de surpresa e confusão não passou despercebida pelo meu filho, que deu de ombros ao colocar a mão sobre os olhos, protegendo-os do reflexo do sol na neve, e falou, em voz ainda baixa:
“É meor pocuar daqui.”
Caralho. Se fosse eu, na idade dele, teria saído correndo feito o Bolt pelo playgroung procurando pelo garoto. Mas, puta que pariu, isso é demais para mim. Nem eu pensava nisso, como porras, aquela criança de coisa anos pensava nisso?
Ainda bem que ele sabia disso. Signidicava que ele havia puxado a inteligência do pai alfa, e não a minha.
“Tae-ah!” o gritinho fino e infantil chamou a nossa atenção.
Virei na direção da voz, vendo o pequeno de cabelos negros e olhos escuros correndo na nosa direção, seguido por um JungKook aflito e um JiMin distraído logo atrás, acariciando o próprio ventre, já um pouco inchado. Se havia alguém cuja a gravidez conseguiu apenas reforçar e enfatizar ainda mais a beleza, esse alguém era Jeon JiMin.
“Kwanggie!” TaeHae exclamou, abrindo um sorriso largo.
Olhei ao redor, buscando por YoonGi, mas este já estava longe, brincando com YoonJae no playground. Um sorriso escapou da minha parte. Deixei que o alfa descesse ao chão e fosse atingido pelo amigo omega com um abraço apertado, o qual foi retribuído. Os dois dorriam abertamente e logo o mais velho deles puxou meu filho até o adorado parquinho.
“Oi, Tae” JiMin cumprimentou, sem olhar para mim.
“Fala aí, Hyung!” ofegando, o mais novo fez o mesmo, apoiando as mãos nos joelhos.
Apenas balancei a cabeça em resposta, enfiando as mãos nos bolsos traseiros da calça. Por alguns minutos, continuamos ali, imóveis e de pé, observando os três pequenos e o único adulto, que ria alto das palhaçadas infantis.
O braço tatuado do omega agarrou o meu, fazendo com que um riso ficasse preso na minha garganta enquanto me arrastava até os bancos de madeira meio cobertos de neve. Chutou indelicadamente o pé de um dos bancos até que a maior parte da neve acumulada caísse por entre as tábuas e pela borda, e o que continuou ali foi afastado pela mão do tatuador. Quando seu marido se afastou para brincar com o ruivo e as crianças, soltou um suspiro cansado.
“Como andam, Tae?” disse, baixo, parecendo me encarar pela primeira vez desde que nos encontramos ali.
“Estamos bem, e vocês?” respondi, observando o rosto belo marcado por olheiras e os olhos baixos demonstrando sua exaustão.
Ele apenas assentiu, abaixando ainda mais o olhar. Era óbvio que algo estava errado para o tatuador mais velho e, como seu amigo, talvez seu melhor, queria saber do que se tratava.
“O que houve, Minnie?” falei, passando o braço por cima do seus ombros. O mais velho pressionou os lábios e negou com a cabeça. “Sabe que estou aqui com você para o que precisar, não é? Melhores amigos, lembra?”
Com a mão livre, puxei a dele, colocando-a ao lado da minha, mostrando um para o outro as belas tatuagens expostas nas costas da mão de cada um. A mesma imagem, reproduzida em dois tons de pele diferentes, não conseguia deixar de ser adorável: um pequeno leãozinho de pé, brincando com um filhote de urso negro deitado de costas, de forma manhosa e preguiçosa. JungKook fizera a pedido nosso, já que o omega não conseguiria tatuar a própria destra.
Quando engravidei, me aproximei mais do casal de tatuadores, já que, por meio do meu marido, descobri que o mais baixo também esperava um bebê. Nos aproximamos muito. Íamos comprar as coisas das crianças juntos. Conversávaos por mensagens no celular e redes sociais. Nisso, descobri muita coisa sobre o casal.
JungKook era da mesma gangue de YoonGi e NamJoon. Enquanto os dois trabalhavam mais na parte administrativa – embora se protegessem e portassem suas armas bem escondidas em casa, motivo pelo qual quase matei o agora platinado por saber que passei sei lá quantos anos morando com ele sem saber que tinham duas armas escondidas no apartamento – e como conselheiros, porém, o alfa mais novo era o herdeiro de um império de empresas multinacionais e da própria gangue. O tatuador era um simpatizante da organização, começou com isso aos 15 anos, o mesmo tempo que começou a tatuar. Evoluiu, melhorou, hoje era um dos maiores tatuadores da Coréia e Ásia. Conheceu o alfa aos 18 anos, e, dois anos depois, me tatuou, durante a minha primeira e última – espero eu – noite de bebedeira.
Na mesma noite que JungKook voltou para casa que dividia com o tatuador, após ser preso, tiveram uma ótima noite – juro que não tinha a intenção de saber disso, descobri sem querer – e, depois disso, veio KwangMin, a amada criança omega do casal.
Agora, aos quase quatro meses de gestação de SeokHee, JiMin se preocupava. E, com isso, eu me preocupava quase tanto quanto ele.
Os pais do alfa queriam que o filho lhes desse logo um neto de mesmo gênero para assumir tudo caso algo acontecesse ao garoto. Por mais que o pai de JungKook fosse uma das pessoas mais educadas, elegantes e incríveis que eu já tive o prazer de conhecer, ainda havia sua mãe, que tinha o péssimo problema de ser focada demais no trabalho que exercia. Portanto, isso faz com que eu troque “os pais do alfa” por “a mãe do alfa”, já que Jeon MinHo era alguém compreensivo e gentil demais para obrigar o próprio filho a apressar seu relacionamento desse modo. Isso, porém, afetava JiMin de maneira terrível, o que era péssimo para ele e para seu bebê.
“Kookie quer um alfa” murmurou, me obrigando a me aproximar mais para ouvir. “Sei que não posso mandar nisso, mas tenho quase certeza de que é outro omega. E ele já desobedeceu ao TaeMin-sshi para ficar comigo. Acho que, se não vier o herdeiro que ele pediu dessa vez...”
Esse é o efeito sogra.
Seus olhos estavam marejados, mas eu sabia que se segurava havia tempos. Ele sempre foi forte, porém a gravidez lhe deixara mais nervoso e sensível. Com o canto do olho, percebi que seu alfa nos encarava, preocupado com o choro contido do tatuador que se agarrara a mim, num abraço apertado. O garoto queria intervir, mas sabia que não podia fazê-lo. Amava JiMin com todas as suas forças, mas o mais velho tinha, de amigos, fora o próprio alfa, apenas eu, Hobi e YoonGi. Ninguém se metia no passado do tatuador omega, e o mesmo não fazia questão de exibí-lo com um prêmio. Era perceptível, e sempre nos foi, que ele havia passado por maus bocados um dia.
Segurei os ombros largos do omega, que engoliu o soluço. Não deixei que terminasse de falar. Sem que ele visse, agarrado às minhas costas e aos meus ombros, um sorriso fraco brotou nos meus lábios, olhando para o alfa mais novo, que ainda nos observava.
“Não fique assim, Minnie” falei, próximo à sua orelha. “Coisas boas vêm com o tempo, mas as melhores são de repente.
Ah, se os pais pudessem sentir o que os observadores de fora sentiam. Talvez JiMin não sofresse tanto ao saber que o pequeno SeokHee seria como o pai. Um alfa.
“Tá tudo bem, omma?” TaeHae perguntou antes que YoonGi pudesse fazê-lo.
“Tô sim, Hae” sorri, puxando-o para um abraço. “Se divertiram?”
Sonolento, YoonJae assentiu. Meu filho mais velho riu, agarrado às minhas pernas.
Santo efeito crush. Ataca até os mais bonzinhos.
“Omma, o Kwanggie pode dormir lá em casa?” o mais velho dos gêmeos perguntou novamente, olhando para o amigo, que bebia água da garrafinha que o casal Jeon trouxera, os dois mais velhos sentados no banco que antes eu e JiMin ocupávamos com o pequeno no colo do mais alto ali. “Onegai~~!”
“Pare de falar japonês, Hae” ri, agachando-me até estar na sua frente, cara a cara. Passei a mão pelo rostinho pequeno, que agarrou meu braço com a carícia gostosa. “Pergunta se ele quer e se os pais dele deixam. Sabe que já tem lugar para ele lá em casa e já são da nossa família.”
O menino corou quando arqueei a sobrancelha, sugestivo. Podia ser jovem – até demais – mas já tinha ideia do que eu falava. O alfa era novo, mas era como preto no branco a queda que tinha pelo garoto mais velho. JungKook nunca sabia se ria ou chorava ao ver seu pequeno tão apaixonado quanto.
De rosto em chamas, o menino foi até o amigo, enquanto eu me aproximava do meu marido. Puxei meu caçula do seu colo para o meu, deitando-o no meu peito e ombro, sob protestos do ruivo.
“O que houve?” indagou, baixo, agora arrumando a criança adormecida em meus braços. “Você está exalando preocupação e ansiedade. Até o Hae sentiu.”
Suspirei. Não adiantava tentar esconder. Um dos dois descobriria.
“Você disse para não contar, mas o Minnie está nervoso demais com isso. Fico com medo de que isso faça mal a ele e ao bebê.”
O alfa acariciou meus cabelos.
Após o nascimento das crianças, nos aproximamos mais. Agora, estávamos mais sensíveis aos sentimentos do outro. Prinipalmente ele comigo. Se eu me preocupava com algo, ele também. Se eu me alegrava, ele também. E vice-versa. Certa vez, até seu cio começara com o meu – embora eu continuasse a insistir que tivera sido uma coincidência grande.
E aqui, sentindo a preocupação pelo omega mais baixo, ele se preocupava com meu estado emocional pelo meu amigo.
Puta merda, não podia ter arranjado um marido melhor.
Sua mão, carinhosamente, foi parar na minha nuca, puxando-me para um beijo lento ali mesmo, em meio à praça que nossos filhos brincavam momentos antes. Um arrepio subiu pela minha coluna. Ambos ainda estávamos muito sensíveis pelo seu cio, que, diferente do meu, durava, em média, 5 a 10 dias. Quando entrava, não precisava ficar como eu, sexo a cada minuto. Seu odor ficava mais forte e másculo, sua voz soava mais rouca e erótica a cada hora que passava sem o alívio necessário. Sabíamos que nada melhoraria até que, finalmente, pudéssemos ter nosso momento à sós em casa.
O som molhado e baixo e o fio de saliva que nos ligava após o beijo soou mais erótico do que deveria, então puxei-o com a língua. O membro do ruivo já estava dolorido, era visível, e eu não queria aumentar sua dor. Assenti de leve, olhando em seus olhos, que já portavam uma leve sombra avermelhada.
Arrumei nosso omega em meus braços com sua ajuda. TaeHae correu na nossa direção, o sorriso enorme estampado na face sorridente.
“Appa, omma, o tio Minnie disse que o Kwanggie tem que dormir em casa joje, mas me chamô pá í lá!” disse, animado. “Eu posso? Posso? Omma~~ onegai!”
Eu e meu marido nos entreolhamos. Dei de ombros.
“Claro, Hae” respondeu YoonGi.
O garoto estava contente, dificilmente conseguiria dormir cedo hoje. E isso atrapalhava os planos do ruivo de saciar seu cio.
Abaixei o tronco e selei a testa do garoto, que abraçou minhas pernas e as do pai, que repetiu meu gesto em sua cabeça, antes de correr para perto de JungKook e JiMin. O casal acenou, e me mantive voltado naquela direção até os quatro sumirem da minha vista, com o braço do alfa mais velho ao redor dos ombros do marido e os dois mais novos de mãos dadas, um pouco à frente do casal de tatuadores.
Não consegui desviar o olhar do local por alguns segundos, até que o ruivo passou o braço pela minha cintura e beijou minha bochecha, ganhando a minha atenção. Ele inclinou levemente a cabeça em direção à avenida movimentada. Sorri de leve, assentindo.
Andamos sem pressa pela rua fria. À noite, o frio se intensificava, o que me fez espirrar algumas vezes, sendo quase obrigado a aceitar o casaco que YoonGi me oferecia. Depois de recusar muito, percebi que meu caçula começou a tremer, e praticamente tomei a peça de roupa da sua mão.
Seu braço continuou a cobrir minha cintura até atravessarmos a porta de casa, quando se afastou para fazer uma vitamina para a criança. Me dirigi para o quarto dos gêmeos e deitei YoonJae no seu berço, sentando na poltrona de frente ao mesmo, a qual puxara até estar mais próxima do móvel da criança.
Parece besteira e coisa de mãe, mas, talvez, seja lá a idade de quem lê essa porra, quando tiver filhos – se – vai entender o que digo. Simplesmente, não existe sensação melhor que olhar para seus filhos e pensar: “Caralho... Fui eu que fiz... Como posso ter feito algo tão lindo?” Não importa o tempo que passa com eles ou a idade deles. Sempre você vai pensar que são os seres mais perfeitos que poderiam existir. Podem fazer o caralho a quatro, mas não dá para “desamar”. E eu acabei de criar esse verbo porque sim. É seu filho e foda-se o resto. Talvez, um dia, eu viesse a me decepcionar, mas não ligava para pensar assim.
Se algum dos dois chegasse em casa, um dia, com óculos refletores, boné de aba reta e bermudões e disserem ter aderido ao estilo pirangueiro, talvez eu os colocasse para fora de casa, mas não daria para parar de amar. Sacaram o exemplo?
A grade do berço estava abaixada e o cabelo do omega era acariciado pela minha mão quando o mais velho chegou, segurando a mamadeira.
Ele abriu um largo sorriso ao nos ver ali.
“Quer ir logo para o quarto?” sugeriu, deixando o objeto sobre a cômoda e se inclinando para beijar meus lábios, suavemente. “Eu tiro a roupa dele e dou a mamadeira, se quiser ir primeiro.”
Engoli em seco.
Eu sempre ficava nervoso nesse momento.
Levantei da poltrona e selei a testinha do meu pequeno e a bochecha do meu marido antes de dar as costas e caminhar até o quarto vizinho. As maçãs do meu rosto estavam coradas e meu corpo estava quente, mesmo sem nenhum toque. O alfa parara de prender os feromônios, então eu sentia a atração como se quem estivesse no cio fosse eu, não ele.
Me livrei da camiseta e do moletom, soltando um suspiro ao abaixar um pouco a barra da calça. A maldita cicatriz da cesariana. Aquilo me incomodava muito, muito mesmo. Eu já nunca me senti à vontade no meu próprio corpo, antes mesmo de ter meus bebês, mas essa sensação passou a ficar pior depois de precisar mostrá-lo para alguém dia após dia. Por mais que meu alfa dissesse que não ligava e a amava como a todo o resto, eu não gostava de ter que encarar isso todos os dias.
Ele querer falar, tudo bem. Eu acreditar nisso é outra história bem complicada.
Sentei na beira da cama, os cotovelos nos joelhos, as mãos no rosto. Até hoje, dois anos, quase três, de casamento e convivência, eu não conseguia me sentir bem para mostrar meu corpo para meu próprio marido. Me sentia uma vergonha para um omega, mesmo sabendo que era normal e até considerado uma marca de felicidade.
“Tae?” a voz roca soou alta demais no quarto silencioso e quase totalmente tomado por ferômonios, assim como, provavelmente, toda a casa.
Nota mental: Abrir as janelas assim que acordar.
“Está se sentindo bem?” perguntou, preocupado pela segunda vez no dia.
Tirei as mãos do rosto, notando-as úmidas. Chorava sem perceber. Não era a primeira vez que isso acontecia. Funguei e passei as costas da mão sobre os olhos, assentindo. O alfa franziu o cenho, fazendo uma carranca mal-humorada.
“O que houve?” tentou, mais uma vez, se ajoelhando na minha frente, entre as minhas pernas. “TaeHyung, se você não me responder, eu vou ficar pior e você também. Então” segurou minhas mãos, prendendo-as entre as suas “me diz o porquê dessas lágrimas? Sabe que vou me desesperar se você não falar nada.”
Suspirei mais uma vez. Meus olhos se voltaram novamente para a cicatriz, os olhos do ruivo seguindo os meus. Ao compreender, sorriu.
“Ainda se sente mal por causa disso?”
Não respondi. YoonGi, para minha surpresa, puxou minhas mãos, beijando-as, logo se inclinando para fazer o mesmo na linha branca em relevo na parte inferior do meu ventre.
“Depois de anos, você ainda não se sente bem para falar sobre isso comigo?”
Engoli em seco. Não conseguia encará-lo.
“Eu... Desculpa...” murmurei. Havia dito baixo, mas soou como um grito naquele quarto quase sem barulho algum além das nossas respirações. Podia sentir seu olhar penetrante sobre mim.
Suas mãos foram parar na curva do meu pescoço. Me puxou, me beijou de modo intenso, quase não me dando tempo para respirar ao agarrar as costas da sua camisa, procurando algum apoio em meio àquele ato repentino.
“A única coisa que me enfurece nessa cicatriz é que ela foi causada por mim” ele disse, após se afastar um pouco, os olhos castanhos com um brilho avermelhado ainda mais intenso que antes sem se desviar dos meus, me prendendo ali. “Mas, sem ela, não teríamos os maiores tesouros das nossas vidas, além de um ao outro. Sem ela, YoonJae não estaria no quarto ao lado e KwangMin não seria crushado por TaeHae. Desculpa se, para você, não é um motivo para parar de odiá-la, mas não quero, e nem vou, deixar de amar cada pedaço de você, pois qualquer pedacinho, perfeito ou não, pertence a mim, e isso me basta.”
Eu realmente não sabia se chorava de emoção, ria de alegria ou beijáva-o novamente, e quase agradeci a Zeus por ele tê-lo feito primeiro.
Minhas mãos pararam em sua nuca e no seu cabelo enquanto o beijo doce e repleto de carinho se desenrolava. As dele surgiram, repentinamente, na minha cintura, apertando-a de leve, mas o bastante para que um suspiro fugisse dos meus lábios. O seu cheiro, carregado de ferômonios, era o suficiente para que sentisse minha entrada logo começar a lubrificar com aqueles beijos trocados na beira da cama.
Seus dedos serpenteavam pelo meu torso nu, às vezes passando por cima dos meus mamilos, às vezes chegando ao cós da calça. Segurou minhas coxas e me suspendeu, fazendo com que eu enlaçasse sua cintura fina com minhas pernas antes de me jogar entre os lençóis claros da grande cama. Nossos corpos se esfregavam, mesmo que sem querer, e sua ereção se esfregava na minha de modo que eu já começava a pensar que ele estava me provocando.
Soltei seus cabelos, dirigindo minhas mãos para a barra da sua camiseta, puxando-a sem se importar se rasgaria ou não. Sinceramente, quem pensa nas roupas em um momento como aquele?
A boca deliciosa do ruivo se dirigiu ao meu pescoço, contente por finalmente poder descontar sua dor em algo. Alguém, no caso. Um alguém muito feliz por isso, mas tudo bem. Ótimo, na verdade. O mais velho continuou a se divertir por ali enquanto agora descia as mãos para o cós da minha calça, ajudando-me a tirar totalmente a peça de roupa, mesmo com a hesitação presente na minha parte.
Eu não conseguia fazer nada além de choramingar e gemer com as carícias, arranhando as costas de YoonGi. Seus olhos, por vezes, ainda levantavam para ver meu estado, se contorcendo na cama. Os lábios voltaram a descer, chupando e mordendo de leve cada um dos meus mamilos, o que fez com que eu cobrisse a boca com a mão para não deixar nenhum gemido vergonhoso – e alto – demais escapar, pois meu filho ainda dormia no quarto ao lado.
Perto da cicatriz, ele parou. Sob meu olhar preocupado, beijou-a suavemente, a acariciando, para logo voltar a prosseguir.
Quando sua língua alcançou minha virilha, precisei colocar o punho entre os dentes, ou soltaria um grito. Como sempre, o alfa foi direto no alvo. Colocou todo o meu membro em sua boca, chupando, por vezes lambendo, até que eu sentisse uma pressão em outro lugar.
“Yoonnie!”
Foi nesse momento que o filho de uma puta – perdão, querida sogra que nunca conheci – enfiou um de seus dedos na minha entrada já bem lubrificada. O líquido escorria pela minha bunda, e o segundo dedo entrou não muito tempo depois do primeiro.
Minha cabeça girou. Todas as vezes que ficava com ele, sentia o mesmo e tudo diferente. Sensações diferentes, mas, ao mesmo tempo, iguais. Era tão contraditório que até eu ficava confuso.
“Quer fazer como, amor?” perguntou, soltando meu membro antes que eu pudesse me liberar ali.
Pensei por alguns segundos. Simplesmente, não havia como não gostar de algo no ruivo. Até no sexo, em qualquer posição, conseguia ser perfeito. E ainda me dava a oportunidade de escolher.
Agarrei os ombros alheios e puxei-o para perto do meu rosto, sentando na cama. Rolei, deixando-o por baixo de mim, e me ocupei em tirar o resto da roupa que permanecia no seu corpo, com sua ajuda.
Pus uma perna de cada lado do seu quadril, ansioso. O cio era dele, mas quem sentia era eu. Não que eu sentisse uma extrema vontade de foder alguém, ou algo do tipo. Estava mais para foder com alguém. E esse alguém tinha cabelos vermelhos, língua presa e pele branca como açúcar.
As mãos alheias se puseram na minha cintura, ajudando-me com a penetração. Sempre agradecia pela lubrificação natural. Duvido muito que aquilo entraria em mim sem.
Mais uma vez, coloquei as mãos agarrando seu cabelo e na sua nuca, ofegante, ouvindo seus suspiros e gemidos como se fosse uma das mais belas músicas, e puxei-o para outro beijo devorador. Nesse instante, comecei a rebolar o quadril, amando o atrito causado pelo membro dele no meu interior. Suas mãos e meus joelhos me sustentaram para que eu começasse a cavalgar no seu colo, sem pudor. Não havia tempo para isso.
Beijos desajeitados eram trocados enquanto meu corpo quicava sobre seu membro, sentindo o calor me consumir. Diversas vezes, acertou meu ponto, e, em todas elas, eu gritei, sem conseguir me preocupar com a criança dormindo no quarto ao lado.
“Tae, sai” tentou mandar, mas sua voz saíra gaguejada.
Ele estava perto. Muito perto.
“Não” neguei.
O alfa resmungou alguma coisa, mas, nesse momento, apenas me importei com o branco que melou nossos abdômens, e, sem seguida, com o gozo que ficou preso na minha entrada pelo inchado nó do alfa.
Não consegui conter um grunhido.
“Eu disse” avisou YoonGi, me abraçando, regulando a respiração desritmada, assim como a minha.
Dei de ombros, segurando seu rosto entre as mãos, distribuindo beijinhos pelo rosto pálido. Não conseguiríamos sair dali pelos próximos quinze minutos, se meus cálculos estivessem corretos.
“Por que você ainda cisma em querer segurar desse jeito?” o mais velho perguntou, tirando minha atenção dos detalhes do seu rosto.
Dei de ombros, mais uma vez.
“Você é meu marido, YoonGi. Tenho que estar aqui para o que você precisar, não é?” falei, com o tom de voz baixa.
Ele segurou um sorriso.
“Mas você não precisa se machucar desse jeito. Pode sair antes, se quiser.”
“Mas eu não quero” afirmei, cortando sua fala e lhe deixando meio enbasbacado. “Eu vou estar aqui porque eu quero e porque você é meu. Não vou te deixar aqui, sozinho.”
“Isso soa mais como uma obrigação...”
“Mas não é” o cortei novamente. “Eu quero estar aqui, você é meu. Eu te amo, cara, não vou te deixar aqui, sofrendo por conta dos instintos.”
Por vários segundos, o ruivo continuou ali, paralisado, olhando para mim como se esperasse que eu fosse parar de falar e dizer que era uma brincadeira. Franzi o cenho, sem entender essa reação.
“Por que está assim?” perguntei, sem conseguir me segurar.
“Nada, não...” desviou o olhar, nervoso e com o rosto tomando um tom rubro. Suas mãos circulavam minha cintura, gentilmente, me segurando ali para tentar amenizar o desconforto da posição. “É que... Foi a primeira vez que você disse que me amava.”
Arregalei os olhos. Puta merda, outro ponto para Min TaeHyung! O idiota de sempre! Depois da porra de 3 anos de casados, eu ia reparar nisso. Caralho, eu que pensava que minha burrice tinha diminuído com o casamento.
“Eu nunca te disse que te amava, Yoonnie?” arrependido e triste, tentei confirmar.
“Nunca tão explicitamente” negou.
Encostei minha testa no seu ombro, refletindo sobre a minha burrice. Passariam quantos anos fossem, mas eu continuaria a pessoa mais retardada da face da Terra.
“Desculpa, amor...” pedi, voltando a olhar em seus olhos, recebendo um carinhoso sorriso em troca.
“Está tudo bem, Tae. Eu já te amava pelos dois, antes de você dizer isso” acabou a frase rindo fraco, sem demonstrar tristeza com o acontecimento.
“Mas agora vou te amar por todos nós e um pouco mais” prometi, voltando a beijar seus lábios macios e avermelhados. “Vou te amar até o dia que eu morrer, e ainda mais além que isso.”
Eu não conseguiria, nem em um milhão de anos, juntar dinheiro o suficiente, nem trabalhando de puta de luxo, para comprar um sorriso tão lindo quanto aquele.
Pois sorriso mais perfeito que o de Min YoonGi esbanjando felicidade não existe.
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