E que minha sorte não me separe de você
3 Capítulo 3
Notas iniciais

Faziam dois meses que eu estava casado com Min YoonGi. E não podia estar melhor, considerando que, antes de conhecê-lo, tive certeza de que conheceria aquela famosa expressão: “Ficar pra titia”. Eu não tenho nenhuma, mas tudo bem.
No dia da minha volta para meu apartamento, agora marcado, SeokJin me deu o maior cagaço da minha vida, típico de uma mãe, segundo ele. Mas houve uma parte boa nessa história. Descobri coisas sobre NamJoon que, mesmo o conhecendo há 9 anos, não fazia a menor ideia.
Fui descobrir que ele é membro de uma daquelas gangues que causou a briga naquela noite, uma gangue de família, daquelas passadas de pai para filho, parecidas com máfias. Por conta do cio de Jin, ele não pôde ir à uma reunião extremamente importante com outra gangue influente. Por ele ser o braço direito do líder dela, a outra gangue considerou uma ofensa enorme e causou toda aquela putaria. YoonGi, que era membro da mesma gangue que meu colega de quarto e trabalhava normalmente como um dos mais importantes advogados criminais de Seul, era colega do acinzentado. Ganhava bem – até demais – e morava em uma cobertura em GangNam-gu.
Depois de brigar conosco, SeokJin me obrigou a ir para o meu quarto, por volta das quatro da tarde e depois de ouvir quase duas horas de carão, e mandou o loiro ir para casa. Eu, porém, por mais cansado que estivesse e tentasse dormir, não conseguia de jeito nenhum. Jin já me dera analgésicos e aspirina, mas as dores pareciam não passar, e, se duvidar, ainda piores que antes.
Quando o relógio do meu celular (que, misteriosamente, tinha aparecido nos meus pertences na delegacia) marcou 2 da manhã, a campainha tocou. Ponderei levantar e atender, mas NamJoon – ou SeokJin, vai saber se não foi ele que o obrigou – foi mais rápido e, antes mesmo que eu conseguisse sentar, gemendo alto de dor, cujos sons saíam contra a minha vontade, Suga apareceu, ofegante, na porta do meu quarto.
Se, depois de ele ter deitado atrás de mim e me abraçado, eu tiver levado mais de dois minutos para pegar no sono, foi muito.
Durante os dois dias seguintes, nos quais até ir ao banheiro era doloroso, o alfa ficou ali, cuidando e me ajudando com as consequências dos meus atos impensados pela bebedeira. E, quando finalmente passou, YoonGi saiu dali e não voltou a aparecer por mais dois dias, que aproveitei para recuperar a matéria perdida na faculdade.
Claro que a primeira coisa que notaram em mim, antes mesmo que eu entrasse na sala, foi a marca. Vários parabenizaram, inclusive professores, e até mesmo gente que eu nem sabia que estudava ali começara a falar comigo como se eu fosse a pessoa mais fodasticamente foda do mundo por isso. No terceiro dia de aula após meu retorno, uma sexta-feira chuvosa, o loiro estava me esperando na porta.
Vestia um terno preto e segurava uma rosa vermelha enorme, do tamanho de uma maçã, encostrado num Alfa Romeo Brera preto e lustrado. Um sorriso doce e carinhoso brotou dos seus lábios quando me avistou em meio a multidão, coisa que eu tentava evitar ao esperar alguns minutos no segundo andar, mas, ao olhar pela janela e conseguir enxergá-lo, não me contive em sair correndo até ele.
Me cumprimentou com um selinho tímido e demorado que aceitei de bom grado, me entregou a rosa e entramos no carro. Ele dirigiu até sua cobertura, onde fiquei por todo o fim de semana – avisando a Jin, claro. Não cometo o mesmo erro tantas vezes.
Na verdade, cometo sim. Umas duas ou seis vezes, mas não vem ao caso.
Por duas semanas, continuamos dessa rotina de faculdade-carona-almoço (às 4 da tarde, mas tudo bem) -me deixar em casa, com direito ao fim de semana com ele, já que eu estudava das 9 até as 16, além de estudar bastante em casa. Isso durou até YoonGi convencer Jin de que ele, como meu marido, deveria morar comigo. Em um fim de semana, todas as minhas coisas estavam embaladas em caixas no apartamento do loiro, isso após bastante choro e drama da parte do Omma de consideração, que tentara me prender em casa com unhas e dentes.
No começo, cismei em dormir no quarto de hóspedes (em um deles), mas, logo na primeira noite, ele conseguiu me fazer dormir com ele, na suíte principal. Não que eu esteja reclamando, claro. Quem reclamaria daquela KingSize?
A sobrinha dele, By, uma omega brasileira mestiça, era a única outra moradora do recinto. Tinha cabelos castanho-escuros e cacheados até a cintura e mechas azuis no último palmo de cabelo, com tons desiguais em toda a cabeleira cheia. Os olhos eram bicolores, o que chamava muita atenção, coisa que descobri quando ela me convenceu a ir com ela até a livraria mais próxima do apartamento, atraindo olhares com segundas, terceiras e quartas intenções, eram nas cores verde-bandeira e um azul-prateado meio estranho.
Era meio louca, leitora assídua e poliglota, falando 8 líguas diferentes, sendo japonês, português, espanhol, coreano, inglês, mandarim, cantonês e alemão, morava com YoonGi desde que os 4 anos, já que seus pais, sendo a mãe irmã de YoonGi, morreram cedo num acidente provocado por uma das gangues. Primeiro, eram os dois na casa da minha sogra, já falecida há 4 anos, e, após isso, vivia com o tio no apartamento. Tinha apenas 15 anos, mas já cursava Medicina na Seoul National University e era marcada por um alfa muito divertido e respeitoso, chamado Lucas, um intercambista que cursava Gastronomia na mesma universidade e morava numa república pequena.
Logo de cara, me compadeci, com pena dela, assim como Jin ficara comigo. Ela, para minha surpresa, porém, apenas sorriu e me deu um tapinha no ombro, já que nesse momento estávamos ambos sentados no sofá espaçoso da sala de estar. Voltou o olhar para mim, sem parar de sorrir, e disse uma frase que, para ela, definia a vida de um omega. Essa frase passou a se tornar meu lema também.
“Se já estamos no inferno, que aproveitemos para abraçar o capeta.”
No tempo que se seguiu até completarmos um mês morando juntos, eu e o loiro nunca passamos dos beijos. Não por culpa da outra moradora, pelo contrário, By passava pouquíssimo tempo em casa para não nos atrapalhar e frequente mente ia dormir na casa do namorado – totalmente contra a vontade de YoonGi – dizendo que não queria segurar vela e que poderia estudar lá.
Por mais que ambos quiséssemos – e muito – estavávamos nervosos demais para tal. Eu por ser minha primeira vez sóbrio, tinha medo de que algo saísse errado, e o loiro por pensar – erroneamente – muito erroneamente — que eu o rejeitaria por algum motivo.
Esse nosso cu doce durou até o meu cio.
Em novembro, nas férias da faculdade em que eu encerrara meu 2º semestre de Arquitetura, quase todos os dias eu passava jogado na cama, sem nada para fazer. A maior parte dos deveres domésticos era eu que fazia, para tentar compensar minha estadia ali, mesmo que ambos dissessem quem não era nescessário. Suga não gostava de empregadas por temer ser roubado, então eu tratava de manter a casa em ordem, coisa que By fazia antes.
Eu e a garota, depois de um longo tempo de negociações, concordamos que ela faira o almoço e eu o jantar, já que suas aulas eram das 13:30 até 23:30. Me perguntava como uma menina daquela idade conseguia fazer isso e ainda manter uma bolsa de estudos impecável, mas o loiro apenas me dizia para ignorar, porque a menina nunca fora lá muito normal e não seria agora que ela ia mudar.
Segundo ele, aquela criatura, aos dois anos de idade, já lia e escrevia e, aos 5, já falava 3 línguas diferentes: português, coreano e espanhol. Depois disso, desisti de argumentar mais qualquer coisa sobre ela ter que aproveitar mais sua adolescência.
Naquela sexta-feira fria de novembro, a qual a garota iria, mais uma vez, dormir na casa do namorado, ela mandou-me, por volta das 23, uma mensagem pelo celular, dizendo sobre sua aula ter acabado mais cedo, já que o professor de neuro-alguma-coisa – nem fodendo eu aprendo o nome desse caralho, não estou estudando para isso mesmo — havia faltado. YoonGi, como sempre, já estava encarregado de buscar a menina e levá-la à república de Lucas, que ela afirmava ser segura o bastante, já que eram poucas pessoas e ele dormia sozinho no quarto. A república era perto do campus, mas não tanto para que fosse seguro para deixar uma omega de 15 anos, sozinha, marcada ou não, ir até lá a pé às 11 da noite.
O jantar estava pronto há algum tempo, aguardava pelo meu marido em cima da mesa, e eu, cansado de fazer nada, com sono, tentava não dormir no sofá antes da sua chegada. E essa tarefa estava difícil demais para uma pessoa só, por sinal.
Pela enésima vez, suspirei, coçando os olhos de maneira que eu sabia ser infantil, mas que não conseguia evitar por já ser uma mania. Vestia, naquele momento, shorts curtos e pretos e um moletom cinza de Hogwarts que pegara de YoonGi, que ia até o meio das minhas coxas. Com uma olhada no relógio da parede, pude ver que já se passava da meia-noite. Estava cansado e preocupado com sua demora, me recusando a dormir antes da chegada dele.
Por mais que nosso começo não tivesse sido como deveria, eu gostava, mesmo sem todo aquele romance e primeiro encontro e tal. Não éramos o casal mais perfeito do mundo, longe disso, mas me orgulhava em dizer que havíamos aprendido a conviver e amar um ao outro. A marca também tinha uma parcela da culpa, mas eu não achava isso ruim. Ela, por incrível que pareça, me unira bem mais a ele do que eu pensava.
YoonGi não era perfeito. Resmungão, reclamão, se irritava fácil, irritava mais ainda quando queria, principalmente com sua capacidade de ser fofo ao nível irritante quando desejava e não dormia, hibernava. Foi bem mais de uma vez que, enquanto fazia o café da manhã, ouvia os barulhos estrondosos vindos do quarto, seguidos de uma By sonolenta e descabelada entrando na cozinha segurando duas panelas e um alfa emburrado e com a cara inchada, o deixando ridiculamente fofo, se arrastando atrás da menina.
Ele, porém, era o tipo de alfa desejado por qualquer omega. Ao menos quando estava de bom humor. Gentil, doce, carinhoso e babão, era como eu poderia definí-lo. Bipolar ao extremo, mas ainda assim. E eu apenas podia agradecer pela sorte que tive em ser marcado justo por ele naquela noite.
Desistindo, coloquei uma almofada sob a cabeça e abracei um travesseiro que havia levado para lá. Uma pontada de leve no ventre foi a última coisa que senti antes de cair em um sono quase tão pesado quanto o do mais velho.
Acordar embebido em suor não é algo agradável. Não mesmo. De jeito nenhum.
Já estava arfando quando consegui focar no relógio da parede, que marcava 1:32. O travesseiro que abraçava estava tão úmido quanto minhas roupas e meu odor se propagava pelo cômodo. Provavelmente já havia se encravado no sofá. Dirigi uma das mãos até minha bermuda, choramingando com o atrito ao perceber o quão molhado já estava.
Merda de cio.
Usando a parede como apoio, consegui andar pela cobertura até chegar ao nosso quarto, sem, para o meu desespero, encontrar YoonGi. Seu odor, oscilando por todo o imóvel, me deixava ainda pior e mais sedento por algo que preenchesse minha entrada de modo que o lubrificante parasse de escorrer. Caí na cama sem conseguir evitar um grunhido mais alto, graças, mais uma vez, ao atrito.
Me contorcia na cama, sem nada que pudesse fazer além de sentir o cheiro amadeirado e convidativo do loiro nos travesseiros. Tive, então, um vislumbre de algo brilhando na cômoda ao lado do móvel. Era meu celular e estava tocando, vibrando e provocando um barulho fodidamente irritante.
Foder.
Fo-der.
Puta que pariu, eu precisava foder.
Alcancei-o e atendi.
“Tae?” a voz grossa do meu alfa invadiu o quarto silencioso, cujo único barulho além da voz dele eram meus arfares doloridos. “Tae, você está aí?”
“Yoon...” O som saiu quase como um gemido pelos meus lábios.
“TaeHyung, você 'tá bem?” ele soou preocupado. “Aconteceu alguma coisa? Você está sentido algo?”
“Yoonni...” choraminguei. “Cadê você...?”
Suga levou alguns segundos para responder.
“Tae, você entrou no cio?”
Apenas deixei-me resmungar algo antes que ele dissesse para que esperasse e eu ouvisse ele falando algo com alguém do outro lado. Em seguida, pareceu correr para algum lugar, e não conseguia mais me conter nesse momento.
Enfiei a mão dentro do moletom encharcado do meu próprio suor e agarrei meu mamilo, soltando um arfar mais alto. Iniciei uma série de movimentos com o indicador e polegar, não conseguindo evitar soltar gemidos baixos.
“Tae, ainda está aí?”
Não prendi o som estranho que saiu de minha garganta, causado pela sua voz rouca. O cantar de pneus foi ouvido e percebi que estava vindo correndo para cá.
“Ótimo” YoonGi disse. “Eu vou dizer o que fazer e você me obedece, entendeu, Tae?”
Outro som estranho, que deve ter soado como uma afirmação, saiu pelos meus lábios.
“Coloca o celular no viva-voz e deixa ele do seu lado. O que está vestindo?”
“Um...” com esforço, pude formular, fazendo tal qual disse. “Um daqueles shorts... e seu moletom de Hogwarts...”
“Já sei que vou amar usar ele de novo. Qual a cor da sua cueca?”
Corei bravamente, ainda mais do que já estava.
“Você 'tá usando cueca, Tae?”
Dessa vez, o som soou como negação, o que o fez soltar um riso nasalado.
“Melhor ainda. Coloca a mão na parte da frente dos shorts e começa a se masturbar, com força, e não segura nada. Com a mão livre, coloca na boca quantos dedos preferir e baba muito. Não tive a oportunidade de saber a quantidade de lubrificante você solta. Tira os shorts, eu sei que eles estão incomodando. Chuta eles em qualquer lugar, eu não ligo. Está melhorando, Tae?”
“Uhum...” gemi, revirando os olhos, sem conseguir me conter ao obedecer suas ordens.
“Agora, eu quero que você use os dedos para se penetrar, um de cada vez, tenta não esquecer sua semi-virgindade. Isso... Enfia até o fim. Se preferir, é melhor de quatro. Está com quantos dedos já?”
Com um barulho meio grotesco, indiquei os três. Ele soltou um riso nasalado que foi cortado por um gemido meu.
“Yoonni... Falta muito pra você chegar?”
“Não, meu amor... Estou perto. Mas agora, eu quero que você lembre de quando eu te toquei naquele dia, na sala, quando quase fizemos. Imagine que sou eu aí, te tocando fundo. Com a outra mão, aquela que eu pedi para que usasse no seu membro, quero que pincele seus mamilos até eles ficarem bem vermelhos. Gema mais alto. Enfie com mais força e mais fundo. Deve estar saindo muito lubrificante, não é mesmo? Pegue um pouco do lubrificante e passe nos mamilos para ajudar a deslizar.”
O barulho da garagem abrindo surgiu no outro lado da linha, e gemi mais alto ainda que antes, acertando minha próstata com quatro dedos ao mesmo tempo que YoonGi, novamente, acelerava, os pneus provavelmente marcando o chão.
“Continua, Tae, não para, eu não vou me segurar quando chegar aí.”
“Por favor...” grunhi. “Não o faça de jeito nenhum.”
Ele gemeu, seguido pelo barulho do elevador abrindo e fechando.
“Oh, Yoonnie...”
“Tae...”
A porta da frente se abriu e fechou com um barulho estrondoso, e quase gritei de alegria. Passos correndo em direção ao quarto principal – quem caralhos quis colocá-lo tão longe da porta de entrada? — e a visão do meu marido, corado e ofegante na porta da suíte me deixou ainda mais excitado, se é que é possível.
Ele não se fez de rogado, assim como disse. Já estava arrancando a camisa quando chegou, então provavelmente deixara o paletó no carro na pressa e tentara tirar o resto em casa. Com o rosto contraído, tirei os dedos de dentro de mim, mostrando-lhe os flúidos ao encostar os dedos uns dos outros para logo separá-los, linhas finas de lubrificantes entre eles, provocando-o, podendo vê-lo engolir em seco e arrancar a camisa, sem se importar com os botões, que voaram para algum lugar. Vendo-me gemer, se aproximou, tirando as peças de roupa remanescentes em seu corpo.
Meu corpo estava em chamas. O rosto estava quente, provavelmente corado, e minha entrada soltava mais lubrificante ao sentir seu odor, escorrendo pelas coxas até o colchão.
“Vejo que me obedeceu bem direitinho, TaeTae” sorriu com malícia.
Não me aguentei ao escutar sua voz, empinando ainda mais o quadril em sua direção, sentindo uma satisfação grande em ver seu pênis até mais ereto que o meu, indicando que gostava do que via.
E, socorro, aquilo realmente conseguia entrar ali? E, pior ainda, numa primeira/segunda vez?!
Sem conseguir pensar direito, assim como desde o começo daquele inferno, coloquei dois dedos, um de cada mão, na entrada, esticando-a e deixando que o lubrificante escorresse ainda mais, ao que ele podia ver parte do meu interior. YoonGi pareceu gostar mais. Ele subiu na cama e se aproximou, o membro em direção à entrada lambuzada.
Para minha surpresa, porém, ele inclinou o tronco e enfiou aquela língua presa que eu tanto amava lá dentro. Um grito de prazer escapou dos meus lábios já ressecados.
Os movimentos de vai-e-vem, as mãos apertando minhas coxas, pincelando meus mamilos, tudo o que ele fazia parecia ser feito para me deixar ainda mais alucinado. Minhas pernas pareciam gelatina, tentando segurar-me ali, sem muito sucesso. Minhas mãos agora estavam ocupadas em segurar os cabelos do mais velho e servir de mordaça, já que eu tentava parar de gritar tão alto, já que não duvidava que logo algum vizinho apareceria ali para mandar-me calar a boca.
Se apoiando nos joelhos, Suga segurou ambas as bandas da minha bunda, tirando o rosto dali e me fazendo resmungar pela falta que ele fazia.
“Se segura, Tae...”
Foi a única coisa que ele disse, colocando minhas mãos na cabeceira, na esperança de que eu conseguisse continuar ali.
Não deu certo.
Assim que ele me penetrou, enfiou tudo de uma vez, fazendo-me urrar. As mãos deslizaram de onde estavam e caíram à minha frente, agarrando os travesseiros e lençóis, escondendo o rosto no vão que meus braços formavam.
As mãos do homem escorregaram até minha cintura, ditando um ritmo até desesperado com a penetração. Não consegui sentir dor alguma, estava inebriado demais com sua mira certeira em minha próstata. Gemidos altos ecoaram pelo quarto, sua boca ocupada em morder meu pescoço e ombros, marcando o lugar com chupões e mordidinhas que estariam roxos no dia seguinte.
“Rebola pra mim, bebê...”
Não consegui sequer reclamar, apenas obedeci. Seus grunhidos saíam rápido e altos, mas ainda mais baixo que os meus. O ritmo não parava. Senti que estava perto do meu ápice – o primeiro da noite – quando ele segurou firme meu membro, movendo-o no mesmo ritmo das estocadas poderosas.
Com o outro braço, ele puxou meu corpo para colá-lo ao seu. Tremi e contraí meu corpo, berrando seu nome ao deixar que meu prazer sujasse os lençóis da cama, ao mesmo tempo que sentia seus dentes se cravarem no meu pescoço e seu líquido preenchendo meu interior.
“Oh, meu Zeus...” gemi uma última vez antes de cair na cama, sendo segurado por ele, que colocou a mão ao redor da minha cintura e outra na cama.
Delicado, YoonGi se retirou de dentro de mim e deitou ao meu lado. Estávamos ofegantes e cobertos de suor. Um leve incômodo acometia minha cintura, mas nada que me impedisse de me mover até poder segurar seu ombro, próximo ao seu pescoço, e deitasse a cabeça em seu peito.
“Se sente melhor, Tae?” YoonGi disse, com a voz entrecortada já dando indícios de que estava se recompondo.
Apenas acenei positivamente. O líquido começara a diminuir, mas eu sabia que iria voltar. Fiquei feliz, porém. Agora eu tinha um alfa para me ajudar com isso.
A dose precisou ser repetida oito vezes até meu cio acabar. Mais duas na cama, uma no banheiro, de volta para a cama, no sofá, no chão ao lado do sofá, na parede ao lado da TV da sala e a última foi na cozinha, durante sua falha tentativa de fazer o jantar. E, mesmo que eu estivesse no cio, era surpreendente para ambos que alguém quase virgem como eu tenha chegado ao orgasmo 12 vezes num espaço de 24 horas, isso incluindo os três boquetes que recebi.
Ao final de tudo, no sábado à noite, pedimos comida chinesa, mas, mais uma vez, precisei ser cuidado por YoonGi. Na realidade, me sentia um inútil, mas não vem ao caso. Na nossa cama, em posição fetal, após tomar os analgésicos para a dor dados por ele, o loiro usava os hashis para me ajudar a comer o porco mushu.
Em dado momento, ele começou a falar.
“Desculpa se eu fui muito bruto com você...” disse, bem de repente.
Franzi o cenho. Fiquei confuso com sua fala.
“Não precisa se desculpar...” Minha voz saíra rouca e baixa, ao passo que minha garganta ardia a cada palavra, e ambos culpavam meus gritos de mais cedo. “Você foi perfeito, Yoonnie... Eu que devia me desculpar, eu acho... Te deixar preso à alguém tão inexperiente e idiota deve ser horrível...”
“Do que está falando, Kim TaeHyung?” o mais velho pareceu irado pela minha fala, aumentando o tom de voz, me fazendo contrair o corpo involuntariamente. Arrependido, colocou a caixa de comida na cômoda ao lado da cama, se aproximou e me abraçou, passando a mão por cima do meu tronco e entrelaçando suas pernas nas minhas. “Tae... Eu já te disse que não me importo com isso mais vezes do que posso contar. A partir do momento em que eu te mordi, quer você ou não, decidi que daria minha vida por você se preciso. Você é meu e eu sou seu. Podemos ser o casal mais imperfeito e estranho do mundo, mas não pretendo parar de te amar. E é bom que se acostume com isso e comigo, pois não vou te deixar ir.”
Engoli um soluço e me agarrei à sua camisa. Por mais que seu corpo estivesse coberto pelas roupas grossas, a camiseta preta preta com mangas compridas e uma calça de moletom cinza, eu conseguia sentir seu calor acariciar minha pele, coberta pela sua camiseta do Iron Maden, tão grande quanto o moletom de Hogwarts, e uma boxer preta meio grande, que YoonGi decidira ser melhor que uma calça ou deixar-me nu, já que, segundo ele, não aguentaria se segurar, mesmo após as oito rodadas que passamos.
Sua mão direita alcançou minha nuca e a outra agarrou uma das minhas, que pareciam prestes a rasgar sua camiseta, a agarrando como se fosse algo extremamente importante para minha existência.
O que eu não duvidava.
Seus lábios tocaram o topo da minha cabeça com gentileza.
“Tae” começou, agora baixo, quase sussurrando. “Por favor, não repita isso nunca mais. Se é inexperiente, eu te ensino. Se é inseguro, eu te provo o quanto eu te amo. Se pensar que eu não preciso de você, eu te mostro quantas vezes forem preciso a minha necessidade por você. Então, coloque nessa sua cabecinha” ele riu fraco “que você é mais, e muito mais importante para mim do que você pensa.
Dessa vez, o soluço não foi contido. Sequer consegui cogitar tal coisa. Não tive tempo. As lágrimas rolavam soltas pelo meu rosto. YoonGi puxou meu queixo para cima e beixou o rastro delas até alcançar meus lábios. O beijo que iniciou tinha o salgado gosto das minhas lágrimas, mas não nos importamos.
Estávamos mais preocupados conosco.
Tudo melhorou entre nós após o cio. Até By parecia mais feliz. Em menos de uma semana e meia, eu já havia me viciado no corpo do loiro, e aproveitava muito bem minhas férias, cujo as aulas voltariam no meio de janeiro.
By, mesmo feliz, parecia bem estranha. Passava mais tempo no próprio quarto, não foi tantas vezes quanto antes para a casa de Lucas e faltou dois dias de aula – coisa que, segundo YoonGi, era extremamente fora do normal.
Nesse tempo que passou, estava tudo indo às mil maravilhas para nós dois. Mas foi em uma quarta-feira, cujo clima gelado nos obrigava a usar suéteres e calças grossas, que, mais uma vez, a vida me mostrou o quanto eu era fodido.
Depois do meu cio, eu evitava dormir antes da chegada dos dois. E, naquela noite, enquanto assistia à uma maratona de American Horror Story na Netflix, a risada de tio e sobrinha invadiram o apartamento pouco iluminado.
E, Zeus, que risadas fofas aquelas, de ambos.
“Espera, então o irmão dele que caiu da tal árvore?” a voz alegre ficou mais compreensível quando atravessaram a porta. “E não acertou?!”
“Esse é o problema” a garota ria tanto quanto. “Acertar acertou, mas no lugar errado!”
Nem tentei entender o que eles falavam. Aqueles dois tinham umas conversas estranhas que pareciam vir de outros planetas, coisa que aprendi a ignorar. Já me sentia invasivo demais ao entrar na vida deles desse jeito, por mais que dissessem que não era incômodo, mas não queria me sentir ainda pior.
Levantei-me do sofá macio, cambaleando um pouco, talvez por ter ido muito rápido, mas que ainda atraiu um olhar preocupado do mais velho. Balancei as mãos, indicando que não era nada.
“Bem vindos de volta” falei, beijando os lábios do alfa e acenando para a garota.
“Oi, tio Tae” disse By, jogando a pesada mochila – que até agora me fazia pensar em como ela não tinha nenhum problema de coluna – e os cadernos universitários, lotados de post ites e anotações sobre o sofá.
“Oi amor” o alfa não parou de sorrir para falar.
Tirei as coberturas das travessas de comida, sentando na última cadeira de um lado da mesa de jantar enorme que era mantida ali. YoonGi se sentou na ponta, ao meu lado, e a omega sentou na minha frente. Cada um se serviu do que queria, uma conversa amena pairando sobre nós. De vez em quando, um riso ecoava pela sala. Até que, em certo momento, ela nos chamou a atenção.
“Tios...” engolindo o resto da salada que mastigava, continuou: “Quando pensam em ter filhos?”
Engasguei. YoonGi passou a mão delicadamente pelas minhas costas, até que a comida desentalasse e eu voltasse a respirar novamente.
“Não conversamos sobre isso ainda, By...” ele disse. “Ainda estamos juntos há pouco tempo. Não iria desgostar de ser pai, você sabe muito bem, mas ainda estamos...”
“Nos estabilizando” concluí por ele, ao ver que não conseguia terminar a frase, sem achar a palavra certa.
Ela soltou um “ah” murmurado. “E o que acham de ser tios-avós?”
O loiro arregalou os olhos.
“Você não é muito nova para isso? Pare com essas brincadeiras. Não tem a menor graça.”
A menina engoliu a comida e abaixou a cabeça. Franzi o cenho, cheirando o ar.
Era fraco, mas eu, como omega, senti.
“Pois é, né...” ela falou, o tom baixo temeroso. “ Surpresa...”
E apaguei, caindo no chão sob o chamado de By e YoonGi.
Fale com o autor