...E por você perdidamente apaixonado
1 A pergunta
Bem, por onde eu posso começar? Nós nos conhecemos em Outubro se não me engano, um pouco antes de seu aniversário, pensei que seria somente um daqueles encontros randômicos em que um amigo encontra outro no meio da rua, mas na outra semana, na 2ª quinta-feira de RPG, lá estava você, sentado, sozinho em uma mesa do canto, em frente a uma loja de cartas, esperando por um de seus irmãos se não me engano. Eu até diria que você o e Douglas planejaram isso, só pra fazer você se aproximar de mim e ajudar o Douglas com o segredo dele, mas acho que eu estaria pensando demais. Ou isso é verdade? Bom, continuando, algum tempo depois, não lembro bem se foi uma ou duas semanas depois disso, você começou a namorar, e quando eu soube disso, eu fiquei um pouco incomodado, deve ter sido nesse dia em que eu comecei a gostar de você. Depois de uns dias descobri que você estaria de aniversário, e você disse “Pode ser, assim, não sei, um livro chamado Scott Pilgrim Contra o Mundo vol. 2”. Eu não poderia perder uma chance dessas, mesmo que você já estivesse namorando, eu pelo menos queria ser próximo de você, você era alguém diferente, não sei dizer como, mas era diferente de todas as pessoas que eu já conheci. Depois de um tempo você me perguntou se eu queria ser seu irmão, eu pensei e disse “Por que não?”, pelo menos consegui ficar ainda mais próximo de você. Depois disso você me convidou algumas vezes pra sair, gostei de todas as vezes que sai com você, sempre que você saía do ônibus eu já pensava em quando nos encontraríamos de novo. Depois o Douglas começou a escrever uma história, em que vocês não queriam que eu lesse, ficava imaginando o porquê de eu não poder ler aquela maldita história. Depois de uns dias, talvez quatro ou cinco, eu comecei a pensar que eu gostava mesmo de você, você me perguntou pelo skype “O que que foi?”, “Nada, só pensando aqui” eu respondi, “Pensando no que? É sobre o Douglas?”, você me perguntava (você me disse uma vez que queria que eu fosse sincero com você, que eu não mentisse mais, então acho melhor começar por aqui, eu meio que menti ao dizer isso, e troquei um “segredo” por outro) “Não”, eu disse “Não é isso”, “Ta gostando de alguém então?”, não respondi, e você levou isso como um sim. Depois disso você ficou me perguntando sobre o que era esse segredo, me questionou várias vezes, até que me perguntou “É sobre mim?”, quando eu respondi que sim, eu já pensei na hora “Pronto, agora ele sabe que eu gosto de alguém e é sobre ele, já pode ligar os pontos e descobrir agora mesmo”, mas eu fiquei surpreso ao ver que você ainda não tinha descoberto, ou você descobriu na hora, mas não falou porque queria que eu falasse ao vivo, na sua frente, não sei. Então algum tempinho passou e começamos uma conversa pelo skype, que depois de uns minutos acabou assim:
Ele: fala pra mim, por favor
Ele: eu tenho que saber a verdade
Ele: eu preciso da verdade
Eu: não é algo tão difícil de descobrir
Ele: é de
Ele: m
Ele: i
Ele: m
Ele: ?
Então você me mandou um link de um texto que você fez, sobre o seu mano e um segredo, dizendo no final uma “mensagem secreta”.
Ele: leu tudo?
Eu: sim
Ele: pois é
Eu: é
Pra falar a verdade eu fiquei surpreso com aquilo, eu pensei “Isso é sério? Eu gosto dele e ele também gosta de mim?”, nunca achei que isso aconteceria comigo, parecia coisa de anime. Mas estava acontecendo, ali, naquele momento.
Eu imagino você chorando agora, lendo isso, e se você realmente estiver chorando, pode parar, limpe o rosto, não quero saber do meu maninho chorando de novo.
Muito bem, esse texto já está ficando grande demais, você deve saber o porquê de eu estar escrevendo isso, deve saber que eu vou fazer uma pergunta no final, já deve até saber qual é a pergunta, pode pular para a última linha se quiser, a pergunta está lá, esperando para ser lida, não sei nem porque você ainda está aqui lendo isso tudo, deve até estar pensando “Vai logo desgraça, faz a pergunta de uma vez!”, mas é que às vezes eu gosto de enrolar nos textos, escrevendo coisas desnecessárias, só pra deixar a pessoa mais ansiosa a cada palavra.
Bem, acho que esse texto termina por aqui, foi um pouco estranho escrever ele enquanto eu falava com você, saber que a pessoa que vai ler isso tudo está “logo aqui do lado”, a uma palavra de distância, eu poderia até ler esse texto pra ti, mas não teria o mesmo efeito. Então agora chegou a hora, depois desse texto imenso e desnecessário, eu faço a tão esperada pergunta...
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Você aceita ser meu namorado, e depois meu noivo, e depois meu marido, e depois ficar com os cabelos brancos junto comigo, até que a morte nos separe?
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