E onde Foi Parar o Amor?
1 Capítulo Único
Notas iniciais
q
Mas, ah sim, este capitulo é pra Carol, porque eu gostaria que ela estive num nivel de felicidade melhor.
A chuva caia finíssima lá fora. A janela embaçada pelo contato do ar quente do aquecedor-frio de Julho. Ou também pelo hálito quente que saia da boca e narinas de Harry. Ele fixava seus olhos em cada pessoa que passava pela rua, distraída, atrasada, saltitante, congelando, não importava... Escorado no braço e em sua cadeira preferida viu uma loira do outro lado da rua. Levava um filhote de Poodle para um passeio tardio. O sol ainda marcava quatro horas, mas a cidade estava fechada pela neblina. As pessoas com seus capuzes e grandes guarda-chuvas nem deveriam se importar com o que se passava na mente dele... O que estava martelando em sua língua.
A porta do apartamento dos McGuys sempre fazia barulhos ao ser aberta, e quando Tom entrou não foi diferente. Porém Harry não se moveu. Estava aturdido com tudo. Embora não tivesse nada para preocupá-lo de verdade. Talvez fosse o clímax... As ruas frias o deixavam assim, desnorteado e desconsolado, algumas vezes. Mas afinal, aquilo tudo, era apenas imaginação dele, não?
— Oi Judd, e aí, cara? – Thomas bateu nas costas do amigo alegremente. Porém ele viu o sofrimento e angustia nos olhos de Harry. – Nossa, Harry, o que houve? Você está tão baqueado...
— Nada não... Estava só pensando... – sua voz era chorosa e melosa também.
— Bom, vejamos, como você está sempre pensando no Dougie, imagino que agora não seja diferente, não?
Harold assentiu com a cabeça.
— E pela sua expressão não é algo bom... O que foi que aconteceu? Brigaram? – Tom puxou um banco para sentar-se perto do moreno.
— Eu acho... – Os olhos claros do morenos estavam úmidos novamente. – Eu acho que Poynter não gosta mais de mim Tom... Eu vi... O vi conversando com a Frankie esses dias, no café, e eles pareciam tão felizes por estarem juntos...
Tom esperou um pouco e raciocinou.
— Não, não Harry, espere. Se está pensado que Dougie foi infiel a você, não, não. Não se engane...
— Não, Tom. Tenho completa confiança nele. Eu só acho que ele está esperando... Que vai me preparar um pouco, para que eu não sofra tanto quando ele finalmente disser que quer voltar para Frankie.
— Ainda sim Harry, ele ama você... Deveria saber... Ele e a Frankie... Bem, é só amizade entende? Quase como irmãos...
Harold o olhou completamente descrente.
— Se você diz, Tom... – Aceitou encerrando o assunto.
Voltou a olhar para fora da janela. A chuva engrossara e eram poucas as pessoas que se arriscavam a ir para fora de suas confortáveis casas, com seus entes amados, e bichinhos de estimação.
Que falta fazia um bichinho de estimação para fazer uma família entre ele e Dougie.
— Escuta Harry, — o loiro recomeçou, mas Harry nem percebera que ele ainda esta ali. – Eu sei bem, sabe, o Dougie, ele só é muito amigo dela, você... – ele riu ao se lembrar de alguma coisa antiga que lhes aconteceu – Você se lembra de quando fomos ao parque aquático na California... como era mesmo o nome? Sea... Sea alguma coisa de San Diego?
— Sea World de San Diego, sim eu me lembro. – Harry disse sorridente por aquela lembrança maravilhosa – Ele quase teve um ataque quando aquele golfinho serelepe brotou no vidro do aquário bem no nariz dele.
— É, e você teve que segura-lo lembra?
— Sim, e então ele sorriu pra mim e mandou beijo. E o golfinho lá dentro começou a brincar com a gente, e Dougie parecia uma criança indo pela primeira vez ao parque... Pois é, eu me lembro.
— E teve aquela vez que você comprou aquele casaco de uma pantera caríssimo, se lembra? – Tom disse num papo de comadre relembrando velhos hábitos.
— Sim, aquele casaco de camurça que eu demorei uma semana para convencer o pessoal da loja que não gostei do produto simplesmente porque Dougie insistia de que a pele era de verdade e mais um monte de coisas sobre reflorestamento e extinção de animais...
Os dois desataram-se a rir.
— Eu me lembro... – Tom tentou falar, embora não conseguisse parar de rir. — ... Lembro de quando ele troce aquele mendigo para casa...
— NÃO! – Harry riu mais ainda. – Aquilo foi a coisa mais absurda e ridícula que o Dougie fez.
— Eu sei! – Tom disse como se aquilo fosse uma fofoca entre patricinhas – Ele disse que se nós não acolhêssemos aquele sem teto, você morreria em menos de trinta dias.
— E o melhor de tudo era: ‘Quem te disse isso Dougie?’ ‘Oras, o mendigo é claro, ele viu nas cartas, quando eu passei por ele.’
Harry quase engasgava de tanto rir. Suas bochechas doíam já.
— Além de mendigo era cigano... Vê se pode. – Tentou conter as lágrimas de tamanha risada.
Então os dois diminuíram os risos aos poucos até encerrarem-se de vez.
O clima ficou tenso novamente, e as preocupações de Harry voltaram para seus antigos lugares.
- Sabe Harry... – Tom iniciou uma nova conversa, como se o gás Helio tivesse acabado e assim a voz que os fazia rir. — ...Encontrei uma coisa no quarto do Dougie hoje, e eu ia devolver a ele, mas eu acho que você deve ler antes.
Thomas se levantou e procurou em alguma das gavetas da escrivaninha até encontrar um papel dobrado muitas vezes.
— Aqui. – entregou a folha de caderno para o moreno meio apreensivo.
Abriu parte por parte. Estava todo rabiscado, algumas palavras foram deixadas alinhadas. Harry tentou ler o que deu e juntar como frases. Não havia muito...
Judd, amor eterno. Senhor do meu coração. Coisa que me motiva. Alma Gêmea. Dono do meu mundo. Quem me satisfaz no breu da noite – Harry corou – Ser que é o motivo da minha felicidade.
Judd, a pessoa que eu mais amo. A pessoa que eu espero que me ame da mesma maneira. Pessoa que eu nunca abandonarei. Pessoa que eu espero que nunca vá me abandonar.
Tinha uma frase sublinhada. Dizia – Oops, os olhos de Harry estavam completamente nublados novamente – Eu te amo, Harold Judd.
Os olhos de Harry faiscavam de felicidade e com o brilho das lágrimas, e aquele sorriso que mal cabia nos lábios estavam vividos.
Danny e Tom entraram conversando comumente.
Viram Harry – com seu sorriso tolo – e Tom – com seu sorriso de amigo que conseguiu mostrar-lhe a verdade.
— Que bom que estão aqui, nós precisamos ensaiar. – Danny foi logo dizendo, como um líder.
— Nada disso, — Harry contestou. – Nós vamos sair. – Pegou na mão de Dougie arrastando a porta. – Vocês dois... aproveitem ai – apontou para todos os cantos do quarto como se mandasse eles fazerem sexo. – Eu e meu amado vamos atrás da nova membra da família. – Disse isso e fechou a porta arrastando Dougie com um sorriso bobo.
Ainda lá fora pode se ouvir a voz boba e contente de Harry:
— Podemos chamá-la de Lilly, ou Sue... Não, não! Molly, sempre adorei Molly.
— Chamar quem Harry? – Dougie indagou.
— Nossa filha, oras. – sua voz foi sumindo enquanto devia descer pelo corredor – Você prefere que raça? Eu gosto de Beagles...
— Mas o que diabo deu nele? – Danny se zangou olhando para Tom, como se soubesse que ele tinha culpa nisso tudo.
— Deixa eles Danny, eles merecem. – Disse respirando fundo, sonhador, imaginando a família Pudd.
— Mas... E o que nós faremos? Não dá pra ensaiar, só nós dois... – Danny disse reprimido.
— Oras, o que fazemos de melhor, óbvio.
O loiro se levantou e sentou no colo do moreno.
— Cantar?
— Mas é claro Danny... EU vou te fazer cantar... – Sorriu de canto maliciosamente com seus olhares furtivos. – Vem! Tira essa roupa! Vem pra cama.
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