E o jogo começa.

11 Voltando para casa.


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Todos começaram a se lembrar de histórias e algumas pessoas até gargalharam, até que chegou a hora de enterra-la. Eu tentei achar o Gibbs na multidão, mas o Tony me achou primeiro. Ele estava com uma rosa na mão, e deu outra pra mim. Eu cheguei perto do caixão, e então virei para ele e disse:

– Lembra quando eu disse, que tínhamos que nos lembrar dela e sorrir? Eu não quero ter essa lembrança dela Tony! – eu disse e ele me abraçou.

– Esta tudo bem, você pode ir dar uma volta, ok? Você realizou o desejo dela, todos sorrindo. Eu tenho certeza que ela não se importará – ele disse, e pegou a rosa da minha mão.

Eu sai de lá, e fui andando sem rumo, eu já não tinha mais medo, afinal, o terrorista louco que me seguia estava mesmo morto, e eu estava livre dele. Pena que para isso, eu tive que perder uma das minhas melhores amigas. Eu estava pensando nisso, quando um homem esbarrou em mim e quase me derrubou, então ele me segurou e disse desculpe, e olhou pra frente, estávamos na frente do mesmo aeroporto que tudo aconteceu, só que do outro lado. E pensar que eu já quase havia morrido ali. Então ele olhou pra trás, e murmurou um “até que foi bem feito”.

– Com licença, mas eu nem te conheço! – eu disse, colocando a mão na cintura.

– Mas você conheceu meu amigo, Ari. Ele morreu por SUA culpa! – ele disse, apontando o dedo na minha cara.

Eu dei um tapa na cara dele.

– Ele matou a minha melhor amiga, pra tentar me pegar! – eu disse, gritando.

E então a Ziva apareceu atrás dele, empurrando ele pra trás e se colocando na minha frente, exatamente como Kate tinha feito. Ela estava com um curativo na altura da sobrancelha e alguns arranhões no braço e na perna.

– Seu avião já esta saindo, então adeus! – ela disse, enquanto o empurrava.

– Vou mandar lembranças a seu pai – ele disse, e sorriu.

Ela virou de costas e sorriu pra mim, e eu a abracei. Ela colocou o queixo no meu ombro e passou a mão nas minhas costas, desajeitada. Pelo jeito, ela não era abraçada com frequência.

– Então, eu sinto muito pela sua amiga – ela disse, e se soltou de mim com o tanto de delicadeza que pode.

– Obrigada, sinto muito pelo seu parceiro.

– Irmão, ele era meu irmão – ela disse e se sentou – meio irmão, mas mesmo assim né.

– Você matou seu próprio irmão? – eu perguntei assustada.

– O quê? Gibbs te disse? Eu não tive escolha! – os olhos dela se encheram de lagrimas.

– Calma, eu descobri sozinha, ele não me disse nada. Eu tenho que te agradecer, você o matou, seu próprio irmão, pra salvar a minha vida. Eu te devo muito!

– Não deve nada, alguém precisava para-lo.

– E então, quem era esse homem? – eu apontei para o avião que estava saindo.

– Um mensageiro do meu pai, veio me dar um recado – ela suspirou – meu pai descobriu que eu a ajudei a fugir, ele não sabe que eu matei o Ari, mas sabe que eu fiquei contra ele e que te ajudei. E ele me proibiu de voltar pra casa, então, eu estou presa aqui.

– Como assim proibiu? Ele não tem esse direito!

– Ele tem o controle da maior agencia de Israel, pode fazer o que quiser, quando quiser. Ele disse que se eu voltar, ele me mata. Então estou sem emprego, sem casa, sem família e sem amigos – ela olhou pra baixo e pegou uma das malas.

– Pra onde vai? – eu perguntei, pegando a outra mala que estava muito pesada e levantando –a.

– Vou pra um hotel, que meu dinheiro pague, e depois vou ter que arrumar um emprego de garçonete ou algo assim, pra conseguir me manter.

– Tenho uma ideia melhor – eu disse, e disse pra ela vir comigo – você não tem casa, nem dinheiro, mas amiga você pode apostar que tem – eu disse e sorri.


Nós andamos até o estacionamento do cemitério, e ela parou a meio caminho. Eu disse que esperasse ali e quando cheguei lá, encontrei a equipe toda sorrindo, acho que estavam conversando sobre a Kate, lembrando – se. Eu puxei a Jenny sem que ninguém visse.


– Jenny, como você está?

– De verdade? – ela disse, e eu assenti – estou ótima, e quero uma coisa mais ou menos assim no meu velório.

Nós rimos.

– Jenny, eu tenho uma coisa pra te pedir. Lembra-se da Ziva? Ela salvou minha vida e tal, ela esta sem emprego, sem casa, sem amigos e família. Então, já que quando eu estava assim vocês me proporcionaram tudo isso e mais um pouco, eu queria saber se você poderia ajuda-la.

Então eu fui até ela, enquanto Jenny comunicava a todos sua decisão. Ela estava relutante em se aproximar, mas assim que chegou perto deles, todos sorriram pra ela. Ela chegou a centímetros de Abby e ela a abraçou, agradecendo por ter me ajudado. Então, depois que Abs conseguiu solta – lá, Jenny falou:

– Jessy me disse que você estava desempregada, e eu estou precisando de uma – ela ia dizer substituta, mas achou melhor não – agente para a equipe do Gibbs. O que acha?

– Eu, na equipe de vocês?

– Exatamente – eu disse – você não só teria um emprego, mas teria dinheiro, e uma família. A minha família.

– Eu .. Quero sim! – ela disse, e sorriu.

– A Ziva é uma agente maravilhosa – eu disse, e todos acenaram com a cabeça – será uma ótima adição para o NCIS .. Ela é uma agente que vale por duas pessoas.

Todos estavam rindo até que Abby falou, um pouco alto demais:

– Você está indo embora, Jess? Já não bastava a Kate, você também? Diz que não! – ela disse isso e veio me abraçar.

– Claro que está, não confia mais na gente – o Tony disse, e ela parou.

– Não é nada disso gente, é que eu tenho minha família no Brasil, lembram?

Gibbs abaixou a cabeça.

– Eu volto uma vez por ano e passo as férias com vocês, mas minha casa é lá, lembram? Eu amo vocês, mas eu tenho que voltar pra minha mãe, para meus outros amigos! Eu tenho que alternar, entendem?

– Quando você vai? – Gibbs perguntou de cabeça baixa.

– Semana que vem, eu já arrumei tudo. Mas quero que saibam que eu amo muito vocês, mas eu os amo muito também.

– Eu já estava me acostumando com você aqui – Tony disse, sem graça.

– Ok, sem despedidas, por favor. Vamos deixar isso pra semana que vem.

A semana passou normalmente, eu fiquei um dia na casa de cada um, já que não precisava mais de segurança, e a casa do Gibbs foi a ultima. Eu cheguei lá, e ele estava comendo cereal na sala, e não deu sinal da minha presença, e eu sabia por quê. Eu sentei do lado dele e fiquei esperando, e ele continuou comendo sem olhar para mim, então eu tirei a tigela dele e ele finalmente olhou. Ainda mastigando, ele levantou e sentou no sofá, ligou a TV e eu sentei do lado dele, e o abracei. Ele olhou pra baixo e eu o soltei.

– Eu sei que isso é horrível Gibbs, eu venho aqui, você se abre comigo, diz que eu sou como uma filha pra você e agora eu vou embora, mas você tem que entender, eu não posso deixar minha família pra sempre, entende? Eu te amo como a um pai, mas eu amo minha mãe também e .. – ele colocou a mão na minha boca e fez um sinal com o dedo pra que eu seguisse, e sorriu.

Nós descemos e ele me mostrou o barco, estava pronto, e estava maravilhoso. Ele fez um adesivo com o nome de cada amigo meu do NCIS, e colou, e tinha o meu nome bem grandão, e o dele do lado, tinha o nome da Kate, da Abby, do Mcgee .. E até da Ziva!

– Eu pensei que, quando você voltasse, poderíamos velejar um pouco, ter momentos, como você disse que queria.

– Ah Gibbs! – eu disse e o abracei mais uma vez.

– Você está parecendo a Abby! – ele disse, e eu ri.

– Gibbs, poderia me levar agora para o aeroporto? – eu disse ainda abraçada com ele.

– Agora? Mas você ia só amanhã!

– Eu sei, mas eu odeio despedidas, sabe? Quero ir agora.

Ok, na verdade verdadeira, eu sabia que se ficasse mais um minuto na casa de Gibbs, eu ia perder toda a coragem de ir embora, e eu realmente tinha que voltar. E eu estava voltando sim pela minha família, mas não era o motivo todo. Eu não achava que tinha terminado. No momento que eu encontrei com aquele amigo do Ari, eu percebi que talvez não tivesse terminado ainda, e eu tinha certeza que qualquer um ali, inclusive Ducky, pularia na minha frente se uma pessoa apontasse uma arma pra mim, e eu não gostaria que mais ninguém morresse por minha culpa. Kate morreu, e isso foi o bastante pra perceber que enquanto eu não tivesse uma arma pra me proteger, eles sempre iam querer fazer isso por mim, e poderia custar caro. Então resolvi dar um tempo de tudo isso, e sair dos pais por um tempo. Assim que chegamos ao aeroporto, Gibbs entrou lá pra agendar um voô de ultima hora pra mim, e me disse que levaria meia hora. Passaram – se dez minutos, e dois carros chegaram, e todos eles – Tony, Ziva, Mcgee, Abby, Ducky e Jenny – desceram de lá de dentro, e Abby já desceu falando:

– Você acha mesmo que eu não iria rastrear seu cartão de crédito?

No fim, eu estava feliz por estarem ali.

Jenny veio na minha direção e me puxou pra um cantinho, enquanto Gibbs conversava com eles.

– Jess, eu queria que você soubesse, que caso você volte e eu não esteja mais aqui ..

– Jenny, para com isso – eu disse – eu voltarei em breve, não vai ser tão rápido assim.

– Jessy, escuta. Se eu não estiver mais aqui, eu quero que saiba .. – ela simplesmente me abraçou e lagrimas desceram do seu rosto. Pronto, era o que eu temia.

– Jessy! – Dinozzo chamou – Olha, aqui tem algumas das nossas fotos, eu revelei pra você, pra não se esquecer da gente, ok? – ele me deu um tipo de maletinha de mão, e me abraçou.

Abby chegou perto de mim e só me abraçou, assim como Ducky.

– Jessica, eu vou sentir sua falta – Mcgee disse.

– Ok, eu também vou sentir a sua, e não esqueça, não deixe o Dinozzo te fazer de bobo de novo, combinado? – ele assentiu e me abraçou rapidamente.

Ziva veio perto de mim, e disse timidamente:

– Eu lhe devo muito.

– Eu lhe devo a minha vida – eu disse, e sabendo sua pequena aversão a abraços, eu só estendi a mão, e ela veio e me abraçou, para minha surpresa.

A moça anunciou que meu voo sairia naquele instante.

– Gibbs – eu disse, e corri para abraça-lo – você é o melhor pai do mundo.

Ele me olhou e eu me lembrei de que ele não costumava ser daquele jeito perto de todos, e o soltei.

– Adeus, criança – ele me disse, e me levou até o avião.

Entrando no avião, eu peguei a maleta de fotos que o Tony me deu, e fiquei olhando, e tinha uma foto de todos nós ali, então eu coloquei meus fones e passei o resto da viagem pensando em quando iria voltar, porque ali era meu verdadeiro lugar. No meio deste devaneio, eu não percebi, que o amigo de Ari, aquele em quem eu havia esbarrado, me observava há alguns bancos de distância, com uma expressão que eu só havia visto uma vez, misturava um pouco de ódio com uma vontade de vingança. Um novo jogo havia começado.



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