E no fim será Lutávio...
3 A pequena motociclista e o nem tão bom motorista
— Papai, papai! – Brariana correu para os braços de Brandão, que estava na cozinha terminando de guardar algumas coisas que havia feito para o piquenique. Ele a carregou e a girou no ar. – Adivinha que dia é hoje?
Brandão riu e abraçou a filha bem apertado.
— O aniversário da princesa do papai. Como eu poderia me esquecer? Parabéns, meu amor.
A pequena sorriu e balançou a cabeça.
— Princesa não, papai. Eu sou uma motociclista, como você, a mamãe e o Tio Lu.
Nesse momento Mariana entrou na cozinha, vinda do jardim.
— Então quer dizer que a pequena motociclista já acordou? – Mariana correu até ela, a pegando dos braços de Brandão e beijando seu rosto. Parabéns, minha filha.
Brariana riu e devolveu o beijo a mãe.
— Que horas será o piquenique, mamãe? – A pequena Brariana desceu do colo da mãe e correu se sentando no sofá da sala, sendo seguida pelos pais. – Todos irão vir? Eu vou ganhar muitos presentes?
Mariana sorriu.
— Claro que sim, meu amor. Todos virão, suas tias, seus avós, seus primos.
— E o tio Lu e o tio Távio? – Brariana perguntou. De todos os familiares, os que Brariana parecia gostar mais era de Luccino e Otávio. – Estou com saudade deles. Eles não vieram aqui essa semana.
— Oh, meu amor. – Brandão brincou com uma mecha do cabelo curto da filha. A pedido dela e com a permissão dele e de Mariana, Luccino havia cortado o cabelo da filha como o da mãe, que nunca mais havia deixado os cabelos crescerem novamente. – O seu tio Távio está cheio de afazeres no quartel. Esta semana chegaram novos recrutas e o lugar está uma bagunça.
— E o tio Lu está ajudando o seu tio Camilo com as máquinas de café. – Completou Mariana. – Mas não se preocupe. Eles chegarão daqui a pouco e vamos passar o dia inteiro juntos. Que tal?
Brariana abriu um belo sorriso.
— Vamos, Major. – Disse Luccino, agora já banhado e com roupas limpas, dessa vez sentado no banco do carona do carro, segurando a cesta de piquenique com mais força do que o necessário, tenso por ver o companheiro no volante. Otávio havia insistido tanto que ele acabou cedendo e indo para o banco do carona.
— Calma. – Respondeu Otávio, verificando se estava tudo no lugar. – A pressa é inimiga da perfeição.
Otávio sabia que Luccino tinha medo que ele dirigisse. Mas era um medo infundado, ele era ótimo no volante e nem tinha provocado tantos acidentes assim. Só havia acontecido algumas vezes, quando ele confundiu o pedal de freio com o de acelerar e acabou batendo numa árvore, quando ele quase atropelou um gato que estava passando pela frente da casa deles quando estava saindo, e quando quebrou a lanterna do carro batendo na parede da oficina. Mas, tirando isso, ele era ótimo.
— Pronto. – Otávio deu partida no carro.
— Não esqueça dos pés nos pedais certos. – Avisou Luccino.
— Não fique tão nervoso, italiano. – Otávio sorriu e piscou para ele, acelerando de leve.
— Olhe para frente, sr. Major. – Luccino sorriu de leve.
— Me diga, — disse Otávio, seguindo em frente, prestando bastante atenção nos pedais para que o companheiro se orgulhasse dele, — onde será o piquenique?
— Na cachoeira. – Respondeu Luccino. – O resto do pessoal já vai seguir para lá, mas vamos antes para a casa do Brandão e da Mariana, ver nossa Brariana e entregar nosso presente. Já virou nossa tradição, você sabe.
— Aí! – Otávio gemeu. – Aquela cachoeira de água gelada que você tanto gosta?
— Essa mesma. – Luccino riu. – Não faça essa cara. Da última vez que eu te levei lá, você gostou.
— Mas naquela ocasião você pôde me esquentar. – Otávio deu aquele sorriso malicioso que era reservado exclusivamente para o seu italiano.
— Fique quieto e dirija, Major. – Luccino avisou, com um belo sorriso nos lábios ao se lembrar dos momentos dos dois naquela cachoeira. – E hoje o dia está bem quente, podemos nadar.
Luccino mostrou as roupas de banho que havia pego no armário do quarto dos dois, escondido de Otávio.
— Seu italiano carcamano. – Respondeu Otávio, balançando a cabeça, já se preparando para aquela água mais do que gelada.
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