E na minha sede de vingança, encontrei o amor
10 Família & fogo
Notas iniciais
–Senhor, eu os vi. Saíram em um carro negro.
–O trabalho foi feito?
–Sim, senhor. Porém a parte da garota foi feita pelo garoto.
–Terei uma conversinha com ela.
***
–Will, o que houve? – Safira disse após acordar. Lembrava-se vagamente da missão. – Você a matou? – Interrogou confusa.
–Sim. – Sorriu de canto. – Devíamos ter olhado o que havia no bilhete... – Lamentou mudando o assunto.
–Tudo bem. Saberemos mais cedo ou mais tarde.
–Como você está?
–Sobrevivendo. – Riu sem humor. – Alguma notícia dele?
–Na verdade sim, ele nos mandou um pacote. Vamos abrir juntos? – Ela assentiu com um menear de cabeça.
Quando abriram, eram fotos da noite anterior ao lado de um pequeno bilhete com letras em negrito “Parabenizo-os pelo sucesso na missão! Mas soube que você não fez sua parte Safira, temos negócios a tratar”.
–Ótimo, agora ele tem provas contra nós. – Murmurou Will.
–Ele quer falar comigo...
–Ele não seria louco de fazer nada conosco. Afinal, ele necessita da nossa ajuda, não é? – Disse mais para si mesmo do que para ela. Safira permaneceu calada, mergulhada em seu próprio subconsciente.
***
–Você ainda a segue Walter? – Interrogou um homem de cabelos grisalhos.
–Sim. Ela parece estar mudada com aquele garoto por perto novamente... Precisamos eliminá-lo. – Respondeu-lhe seu interlocutor.
–Tão cedo? Ainda não descobrimos nada sobre ele.
–Ele tem o mesmo potencial que temos. Se continuar assim pode nos ultrapassar.
–Precisa dele para se aproximar dela.
–Posso encontrar outra ponte.
–Ele é o único em quem ela confia. Nunca se abrirá contigo!
–Se ela não o fizer, ele irá levá-la assim como fez com Rita...
–Você fez bem em acabar com ela. Esqueça essa mulher, ela era uma vadia de quinta!
–Nunca mais repita isso! – Disse enquanto lhe golpeava. Jogou um líquido, e logo após acendeu um fósforo e ateou fogo em seu interlocutor. –Tenho certeza que não irá repetir. Certo Smith?
–Eu o amaldiçoo Walter. Você não conseguirá... – Gritou enquanto as chamas lhe consumiam.
–Estou amaldiçoado desde que nasci, Smith. Não há volta. – Virou-se e caminhou rapidamente até avistar um cartaz. “Walter Brown, procurado”, ignorou as demais palavras.
***
Safira e Willian queriam esquecer o que faziam nos últimos dias, então ligaram a TV para assistir qualquer coisa que os distraísse. Mas a primeira coisa que viram não foi agradável.
“Advogada Abigail Whitmore, 42 anos, foi assassinada a sangue frio em sua própria casa. Legistas encontraram um papel entre os dentes da vítima. Nesta mesma noite o policial Fred Olivier, 51 anos, foi encontrado morto com um papel similar em sua boca. Qual a ligação entre os casos? Fred teria descoberto o culpado no caso de Abigail? O que estava escrito no papel? [...] “Mandar certas pessoas para o lugar onde merecem não é tarefa apenas daquele que reina”“.
–Por que ele está fazendo isso? Ele está louco...
–Não está claro? Vingança! Ele quer demonstrar poder a alguém.
–Quem?
–Iremos descobrir.
***
–Tudo saiu de acordo com o plano.
–Não se preocupa que seus subordinados tentem investigar seus planos?
–Eles não conseguiriam saber toda a história.
–Não deve subestimá-los, senhor.
–Tem razão.
***
O celular de Willian tocou, ele não estava presente então Safira atendeu.
–Olá minha querida! – Reconheceu a voz de imediato. – Como está? Tenho certeza que bem. Estou ligando apenas para conversar. Prometi que ligaria não é?
–Foi apenas um erro de cálculo. Não irá se repetir. – Disse com voz firme, apesar do receio.
–Apenas? Isso poderia estragar tudo! Ainda bem que Willian estava lá. Se algo sucedesse eu não hesitaria em lhe esmagar como um inseto! – Rosnou. – Você e o garoto são muito unidos... Que tal guardar tudo o que falarei aqui só pra você? Se contar algo, será a vez dele. Ou já esqueceu o que houve com a sua mamãe? Pobre alma!
–Não contarei nada. Juro! Não faça nada a ele, por favor.
–Tenho informações sobre seu pai biológico. As darei a você se me obedecer e não falhar. Será apenas um incentivo, se topares, claro.
–Eu quero conhecê-lo. Eu o verei se tudo for bem sucedido?
–Eu lhe darei o endereço se necessário.
–Feito!
Naquele momento Safira não sabia, mas havia feito um pacto com o pior. Talvez conhecer seu pai não fosse uma de suas melhores escolhas, além disso, não sabia o quanto de sangue derramaria e quais segredos seriam revelados. O passado não volta.
Safira apagou a ligação recebida e seguiu sem rumo algum até parar em uma rua sem saída.
–Parada! Se mexa um pouco e já era. – Berrou o homem.
–Eu não tenho nada... – Disse com a cabeça baixa.
–Não preciso de nada além de você mesma. Não se preocupe sweet, eu não a farei mal nenhum. – Sorriu cínico enquanto a segurava e colocava a arma em sua cabeça.
–Solte a garota, Walter.– Gritou uma policial.
–Olivier, quanto tempo. Procurando seu marido? Ah, me esqueci... Ele está debaixo da terra! – Sorriu.
–Abaixe a arma, agora.
–A maldição está se cumprindo. Não vê? Agora é a sua vez!
Ao dizer isso, um comparsa chegou e a ateou fogo. A mulher descontrolada atirou enquanto o homem corria com a garota nos braços. Ela correu em direção à esquina e desapareceu. O homem não se deu o trabalho de observá-la. Apenas soltou a garota amedrontada que caiu ao chão em prantos.
Aquela foi a primeira vez que Safira sentiu a dor da perda sem ter conhecido o ente.
–Obrigada pela ajuda, sweet. – Ela levou a mão ao rosto do desconhecido e correu sem olhar pra trás. – O mesmo gênio da mãe... – Tocou o local – Perdoe-me amor, foi necessário. Você verá, nossa filha vai me amar. Ela vai me amar... – Sorriu e caminhou a um local desconhecido.
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