P.O.V Percy Jackson.

Já tinham se passado algumas horas desde o meu encontro nos campos de morango com a Annie, mas eu não conseguia parar de pensar nela e no que estava acontecendo.

Em nossa conversa embaixo da árvore, eu sugeri que fossemos ao Oráculo. Você sabe, nossa amiga Rachel que prevê o futuro com os olhos verdes e brilhantes, coisa e tal. Mas Annie não me deu ouvidos, disse que não estava pronta para outra profecia, que queria descansar depois de tudo o que passamos.

Até que ela tem razão. Salvar o mundo de Gaia não é a coisa mais fácil de se fazer e você definitivamente fica bem cansado depois, tanto psicologicamente quanto fisicamente.

— Percy, ei Percy! — uma voz feminina interrompeu meus pensamentos enquanto eu estava sentado nas bancadas da arena, sozinho. — Esquerda, Percy.

Ok, eu confesso que teria tomado um susto se já não estivesse acostumado. Tinha uma imagem em má resolução na minha frente, feita d'água e com dois jovens da minha idade nela. A menina, baixinha, afro-americana e com muitos, muitos cachos no cabelo. Ao seu lado, um garoto bem mais alto que ela, asiático-canadense e com uma estatura bem forte.

— Ei Hazel, Frank! — eu disse, respondendo meus amigos através da mensagem de Íris.

— Oi Percy, você está sozinho? — perguntou Hazel.

— Ahn... Sim, por quê?

— Nada não, só é estranho te ver sem a Annie ou sem alguém do acampamento.

— Estou na arena. Precisava pensar.

— Tem algo errado? — perguntou Frank, que até o momento, estivera calado.

— Nada demais, posso explicar depois. Como vão as coisas aí no Acampamento Júpiter? — perguntei, ansioso pela resposta. Eu sentia falta de lá.

— Tudo em ordem. — respondeu Frank. — Como vão você e Annie? E seus planos para Nova Roma?

— Annie e eu estamos bem... Bom, pelo menos eu estou. Ah, e estamos só esperando o verão acabar para podermos começar a faculdade em Nova Roma. Posso dizer que tô muito ansi... — eu falava com empolgação, até Hazel me interromper.

— Como assim "pelo menos eu estou", Percy? O que Annabeth tem?

— Eu disse que contaria pra vocês depois, mas tudo bem. Ela está tendo o mesmo sonho a um mês e não consegue entendê-lo. Isso a preocupa e ela anda tendo péssimas noites de sono, sendo assim, não está acordando bem ultimamente.

— Ela não consegue entender o sonho? O que tem de tão demais nele?

— Não, não consegue e isso a está deixando louca. Ela diz que os filhos de Atena tem mais facilidade pra interpretar melhor os sonhos e acha que pode ter algo de errado com ela, pois já faz um mês e nada...

— Percy, você sabe o que fazer. — disse Hazel, com um tom de autoridade. Pra uma amiga baixinha, confesso que é engraçado vê-la falar assim.

— Eu já sugeri isso Hazel, mas ela não me ouviu. Disse que não quer pensar em profecias agora. — eu respondi, sabendo que Hazel se referia à Annie ir falar com o Oráculo.

— Tudo bem, tudo em seu tempo... Annie é inteligente. — disse Hazel e Frank concordou. — Nico esteve aqui.

— Ah, ahn... Ele esteve? E como ele está?

— Bem, pretende ir ao Acampamento Meio-Sangue logo.

— Legal, o esperamos aqui. Mas bom, no momento Annie está na Casa Grande revirando os livros que tem lá atrás de um nome que ela ouviu no seu sonho.

— Ela ouviu algo? Ah, isso já é uma pista, né? Que nome ela ouve? — perguntou Hazel, curiosa.

— Luna Scott. — respondi, com a esperança de que eles tivessem alguma reação positiva e dissessem que sabiam quem era essa pessoa.

— É, nunca ouvi falar. — disseram os dois ao mesmo tempo. — Parece o nome de uma adolescente comum de Nova York. Mas ela vai saber o que fazer, a conhecemos, é a Annabeth. Bom Percy, nós temos que ir, só queria saber como estão as coisas.

— Tudo bem, manterei vocês informados caso haja alguma mudança. Mande lembranças ao Nico.

— Ok, ok. — respondeu ela, sorrindo. — Até mais, Percy.

Antes que eu pudesse me despedir dela e de Frank, a imagem sumiu. A água se desfez e eu estava lá sozinho, de novo. O vento batia agressivo em meu rosto e eu resolvi levantar. Saí andando em direção à praia.

P.O.V Luna Scott

Definitivamente essa não tinha sido a tarde mais normal da minha vida.

Eu tomei um café com minha nova professora de filosofia, batemos um papo no parque e depois de um tempo ela estava louca falando coisas sem sentido. Eu poderia simplesmente ir pra casa e fingir que nada disso aconteceu, né?

É. Eu estava deitada na minha cama com um livro qualquer que eu pegara na minha instante apesar de não estar o lendo. Eu estava mesmo é lembrando do que acontecera algumas horas atrás.

O tempo se passou e eu peguei no sono. Quando acordei, já eram 19h. Eu estava uma hora atrasada de buscar Josh no colégio. Isso nunca aconteceu! Me troquei o mais rápido que consegui e saí correndo pela rua, até chegar na escola do meu irmão não-irmão caçula.

— Josh não está mais aqui, senhorita Scott. — Senhora Owen, diretora do colégio de Josh, não poderia ter dito outra frase que me deixasse mais nervosa.

— Como assim? Ele já foi embora? Vocês ficaram loucos? — eu disse, aumentando o tom de voz. — Como vocês deixam uma criança de 10 anos sair da escola sozinha?

— Mas ele não estava sozinho, senhorita Scott.

— Não? — eu disse enquanto uma confusão maior se formava na minha cabeça.

— Não mesmo. Uma moça veio buscá-lo. Disse ser tia dele e que foi mandada para buscá-lo porque você não poderia vir.

— COMO É QUE VOCÊS DEIXAM UMA ESTRANHA SAIR DAQUI COM O JOSH? ELE NÃO TEM UMA TIA! E MESMO SE TIVESSE, VOCÊS SÓ PODEM LIBERAR TERCEIRAS PESSOAS COM A AUTORIZAÇÃO DE UM RESPONSÁVEL DA CRIANÇA, NO CASO, MEU PAI OU EU! — Eu já estava tremendo tentando imaginar quem viera buscar Josh e o por quê.

— Perdão, senhorita. É que... ela dizia ser sua mãe.