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1 Pessoas estranhas
De: Sakura
Para: Ino
Assunto: Aliens
Sabe aquele dia que dá tudo errado? Então, hoje foi exatamente assim.
A nova escola é enorme e eu, como aluna nova, tive que chegar bem cedo para conhecer o território inimigo. Já não basta meu cabelo rosa ser chamativo, ser uma novata piorava a minha situação.
Eu já havia me preparado para esse dia. Queria que você estivesse aqui, mas essa sua viagem repentina estragou meus planos. Agora terei que lidar com tudo isso sozinha, já que é pouco provável que eu faça novas amizades tão cedo. Você pediu que eu escrevesse minhas aventuras enquanto estivesse viajando e acho que isso será divertido.
Minha mãe, para tentar me animar, conseguiu achar a minha lancheira da Hello Kitty que eu usava na creche. Segundo ela, ter algo que me traga conforto seria fundamental para enfrentar o primeiro dia de aula. Coitada, mal sabe ela que foi com essa lancheira que eu fui expulsa da escolinha do bairro…
—-- Flashback On ---
Estava no auge dos meus cinco anos e ia cantarolando para a escola todo dia. A tia da sala era um amor comigo e eu tinha várias amiguinhas para brincar e dividir meu lanche.
Eis que um garoto, possuído por algum ser maléfico, começou a puxar meu cabelo e falar que eu era feia. A maioria dos meninos tinha medo de mim e não sei porque aquela criatura não seguia o padrão deles.
Minha paciência esgotou e, quando a tia virou as costas para trocar o CD de músicas, peguei minha lancheira e acertei com toda força a cabeça dele. Do nada, o nariz dele começou a sangrar e a sala toda entrou em desespero. Alguns começaram a chorar também, como forma de consolo.
— Foi a Sakura! — Ele e a maioria dos meus colegas apontaram o dedo para mim.
Traidores.
Fui levada à direção e, por não ter um histórico de convívio social muito bom, eles falaram que era pra eu me retirar da escola. Minha mãe ficou muito brava na época e eu aprendi, naquele dia, que eu deveria ter subornado meus colegas com chiclete, assim eles ficariam calados e todos ficariam felizes.
—-- Flashback Off ---
Recusei a oferta da minha mãe e segui meu destino.
No segundo em que pisei naquele colégio, tive vontade de dar meia volta e sair gritando, falando que eu fui sequestrada e que me obrigaram a entrar lá, caso contrário, me deportariam pra Tailândia.
Só tem gente estranha lá!
Como consegue aturar tudo aquilo? Quando você me incentivou a mudar de colégio, eu imaginava que seria um “Elite Way School”, mas estava totalmente enganada. Sabe que tem uma parte de culpa nessa história, não é?
Pra começar, um garoto loiro com bigodes de gato desenhados no rosto (aposto que ele mesmo desenhou, usando aquelas canetinhas de criança) ficou me encarando como se eu fosse um Alien. Sério I., ele nem sequer disfarçou!
Um dos meninos daquele grupo, cujo cabelo é espetado e me lembrou um abacaxi*, veio me cumprimentar, falando que seria uma honra ter uma aluna nova tão diferente e bonita. Resolvi entrar na brincadeira e, quando ele estendeu a mão para se apresentar, eu mostrei meus dedos e os separei em forma de V, como se fosse uma saudação do meu planeta natal. Juro que me arrependi no segundo que o fiz porque ele foi se afastando de mim, andando para trás como se eu fosse algum tipo de aberração.
Suspirei e segui a procura da minha sala.
Estava caminhando pelos corredores quando me deparei com uma garota chorando, encostada no armário. Minha solidariedade falou mais alto e me aproximei dela para ver o que estava acontecendo.
— Eu... ele... ignora... — Ela mais fungava do que falava e sua voz era tão baixa que tive que me esforçar para ouvi-la.
— Olha, não fica assim não. — Afaguei suas costas.
Procurei um lenço de papel na minha bolsa, mas a única coisa que achei foi um guardanapo do Burguer King que eu havia guardado para esse tipo de ocasião. Na verdade, a ocasião seria limpar minha boca que estaria suja de maionese, mas o que vale é a intenção, não é mesmo?
Quando entreguei o guardanapo, ela piscou duas vezes e sorriu. Disse que adorava comer lanches, mas seu prato preferido era lámen.
Fiz uma cara de nojo, afinal, estava um calor de fritar ovos no asfalto e a hipótese de comer sopa era dispensável. Então ela voltou a chorar.
Ótimo. Isso é o que se ganha em ajudar as pessoas.
Depois do problema com a moreninha (que eu esqueci de perguntar o nome), segui a interminável busca pela minha sala.
Alguns alunos me encaravam e comentavam algo uns com outros.Tentei ignorá-los e segui minha caminhada rumo a diretoria, já que, aparentemente, a minha sala era em algum esconderijo que só os ninjas conseguem achar, mas, no meio do percurso, avistei um palito de fósforo que anda. Dessa vez, eu é que não consegui disfarçar minha cara de assustada e olhei para aquele ser bizarro, cujos cabelos, além de espetados, são mais vermelhos que tomates maduros.
Eis que, do nada, ele começa a andar em minha direção, com os olhos fixos nos meus, e para bem na minha frente. Minha respiração travou.
— BU!
Você acredita que ele me assustou? E o pior, eu gritei de medo!
METADE do colégio me olhou (mentira, não faço a mínima ideia de quantos alunos estudam aqui, mas foi uma grande maioria). Fiquei vermelha como um pimentão! Alguns olhares eram de susto, outros de pena. Teve um garoto que começou a rir de mim e eu marquei cada traço do rosto dele para me vingar posteriormente. A minha única saída foi correr em direção ao banheiro (mentira, também não sei onde é o banheiro, então só corri). E, no meio dessa corrida olímpica, acabei esbarrando em alguém.
Quem será essa pessoa? Seria ela um aluno, um professor ou um alienígena que veio matar a saudade? Descubra nos próximos episódios.
* : Por falar em abacaxi, e por ter sobrevivido a esse incrível dia, não esqueça de comprar aquela garrafa de água no formato de abacaxi que eu vi no site. É o presente por eu não ter espancado ninguém ainda.
P.S.: Estou te vendo on-line no Facebook, então, trate de responder esse e-mail logo.
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