Notas iniciais
Esse Capítulo é basicamente uma pequena introdução, nos próximos eu pretendo me aprofundar nos personagens e nos detalhes.

O sangue está em minhas mãos, pingando, pingando, pingando.

“Você fez isso” ela fala. “Você realmente fez isso.”

“Não fiz.” Retruco.

“Fez sim, você fez isso.”

“Você me ajudou.” Ele continua a pingar e pingar e pingar.

“Não, não ajudei. Foi você, só você. Você o matou” E ela me culpa e me culpa.

“Não, eu não matei ele” não matei, não matei “EU NÃO MATEI ELE!”

“Precisamos fazer alguma coisa. Ou fazemos algo, ou eu digo o que você fez.” Olho pro corpo ensanguentado no chão e vejo que o mesmo sangue do chão é o sangue das minhas mãos mas eu não estou sangrando, não estou sangrando. Ele está sangrando.

“Você não vai dizer o que eu fiz. Não vai.”

Ah, ela não vai.

E foi assim que nós nos conhecemos e que nós nos começamos: Primeiro dia do segundo ano do ensino médio.

Se você pensa que é difícil o ensino médio em escolas da cidade grande, você não sabe o que é a vida escolar em uma cidade pequena do interior, sério, é horrível. Todos sabem quem você é, todos sabem o que você faz e todo mundo fala de todo mundo. É como estar em Gossip Girl, você nunca sabe o que vão inventar sobre você ou o que vão espalhar. Sorte minha que eu não era nada popular.

Mas naquela manhã eu não queria mais ser “Davi Carvalho Ferreira, o garoto Não-Popular” pela primeira vez da minha vida eu não queria ser só outro, eu queria estar na frente das câmeras. Não que isso significasse grande merda.

Acordei e me arrumei pra escola, desci do meu quarto e senti o cheiro de pão de queijo na cozinha.

“Bom dia” lembro dela dizendo

“Bom dia,” sussurrei “só não sei o que tem de bom nele, levando em conta que hoje é o primeiro dia.”

“Eu ouvi essa” ela disse e eu ri.

Quando terminei o café da manhã me levantei, dei um beijo no rosto dela e fui de bicicleta pra escola – o que foi uma péssima escolha, levando em conta que eu suei -, a escola continuava a mesma droga. Acho que na minha cabeça pequena e idiota todos olhariam pra mim e pensariam “Nossa, como ele está bonito”, “Nossa, você viu ele? Raspou o cabelo estilo militar” ou “Nossa, ele emagreceu e ganhou uns músculos”, mas não. Não teve elogios e nem paqueras e na terceira aula, antes do intervalo eu já estava acabado, tinha conversado com meus amigos, outros Não-Populares e só. A sala continuava ‘dividida’ entre duas atmosferas, de um lado os populares, de outro, aqueles que falam dos populares. Não, não pense que são iguais as pessoas populares da sua escola, eles eram basicamente os famosos que nós tínhamos lá. Basicamente louvados por cada adolescente daquela cidadezinha do interior. Parecia demais.

“Eu falei que isso estava passando dos limites.” Ela me fala enquanto estamos carregando o corpo.

“Cala boca sua vadia, isso começou por sua causa.”

“Mas foi você quem continuou.” E foi mesmo.

Se tinha alguma coisa mais chata que o intervalo com os “Não-Populares” era a aula de Biologia. Aquele dia não foi muito diferente, estávamos de volta à sala quando eu a vi. Ela estava sentada na minha carteira lendo um livro qualquer, cabelos longos e pretos, pele pálida. Ela usava várias pulseiras.

“Você está no meu lugar” foi o que eu disse a ela e ela me olhou e sorriu. Não tínhamos muitos alunos novos naquela escola e era muito difícil um aluno novo não ser notado lá, mas ela conseguiu isso por 3 aulas.

“Ah, desculpa, acabei de chegar.” E aquele era o motivo de ela só ter sido notada naquela hora, ela só tinha chegado àquela hora. “Sabe onde eu posso sentar?” e alguém simplesmente gritou ‘NO MEU PAU’ e todos riram, essa era a parte ruim da popularidade na minha visão, te tornava um idiota.

“Atrás de mim, tá vago, do lado também.” Ela murmurou um ‘okay’ e se sentou na carteira de trás e logo depois, se sentaram na do lado.

“E AÍ” ouvi e já sabia quem era.

“E aí Rick.”

E foi lá que começou, na hora em que ele me encarou por mais de cinco segundos e então terminou com um sorriso dizendo “Tá diferente”.

E esse foi o nosso começo. Nem dava pra saber que ia dar tudo errado.

Notas finais
Obrigado por ter lido, espero que tenha gostado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.