E... de Novo
5 Impacto
O lugar estava deserto. Nenhum policial podia ser visto, mesmo que houvesse aquela faixa amarela de "não ultrapasse" circundando uma certa parte da área do Antigo Egito.
Tudo pedido por L e providenciado por Watari.
— Quem o encontrou foi o faxineiro, certo? — Raito perguntou olhanddo ao redor.
Deve ter sido um choque imenso. Apenas mais um dia de trabalho, um dia normal, até enxergar algo que não deveria estar ali. Uma grande folha de papel colada em cima de um dos sarcófagos, com o nome "Heather" escrito e um imenso "X" riscado em cima. E claro, sem esquecer da múmia jogada em um canto qualquer, fora de seu "caixão".
A curiosidade do pobre senhor havia sido grande demais, e ao abrir com cuidado o sarcófago, deparou-se com uma criança amarrada e amordaçada dentro.
Ryuzaki pôde ver as mãos de Raito cerrarem-se em punhos ao vislumbrar aquele pequeno corpo sem vida.
A garota não devia ter mais do que 6 ou 7 anos de idade. Seu rosto detinha um tom azulado, típico de pessoas que morriam por asfixia.
O detetive colocou a mão no ombro de Raito. Podia sentir sua raiva, sua repulsa.
— Vamos — falou puxando-o, ao ouvir uma agitação próxima. Devia ser a família da garotinha.
A semana se passou em um clima tenso, e quando perceberam, já estavam novamente ansiosos para receber a notícia de uma nova morte e verificar qual método teria sido utilizado desta vez.
— Pode voltar na frente. eu quero andar um pouco — foi o que Raito disse antes de se separar de Ryuzaki na rua certa tarde.
Haviam passado o dia tentando encontrar algo de suspeito nas pessoas próximas da mulher grávida, Nancy. Não, não precisavam ser pessoas próximas, apenas conhecidos bastavam. Qualquer um que pudesse saber de sua gravidez, afinal, não se encontraria "feto em formação" em uma lista telefônica. Também precisaria saber que o casal ainda não tinha um nome para o bebê...
Há alguns dias L discutiu isso com os agentes responsáveis pelo caso.
- Mas como você pode afirmar que dentre todas as vítimas, o assassino conhecia Nancy Hudson? — um dos agentes perguntou.
— Assassinos.
— Como?
— Assassinos, no plural. É mais de um — Raito falava pelo alterador de voz. Aqueles agentes subestimavam e duvidavam da capacidade de L, e ele não gostou muito de perceber isso.
Na verdade Raito alternava com Ryuzaki para falar, mas os agentes sequer notavam.
— Está bem. Assassinos — o mesmo agente disse impaciente — Mas por que Nancy Hudson?
— Por que Greg? — desta vez era Ryuzaki falando.
— Ahn?
— Gerard, Grace, George, Gabriel, Giselly, Giovanna, Gilbert — enumerou Ryuzaki — Existem muitos nomes com "G", então por que Greg? Escolheram um nome masculino, então podemos pressupor que sabiam que Nancy Hudson estava esperando um menino, portanto ao menos um deles deve ter tido contato com ela ou com o marido. Posso concluir também que o nome é importante, como se pré-estabelecido, e não simplesmente aleatório.
Nenhum dos agentes encontrou palavras para questionar.
Ao invés de voltar ao hotel, Ryuzaki decidiu andar um pouco também.
Estava preocupado com Raito.
Não que achasse que ele não seria capaz de lidar com o trabalho. Não, longe disso. Mas... Ele estava se empenhando demais. As últimas mortes o abalaram muito, tanto pelos métodos quanto pelas vítimas.
Se permitiu um suspiro. Não sabia muito bem o que fazer para acalmá-lo. Lotar um andar com jogos não funcionaria desta vez, não é?
Ryuzaki também queria acabar logo com aquilo, mesmo que uma parte sua estivesse curiosa para descobrir o que aconteceria depois do "Z".
Desgastante.
Era o que aquele caso era. Desgastante.
Olhou ao redor, não reconhecendo aquelas ruas. Pelo jeito tinha andando mais do que pensara. Já estava escurecendo também, era melhor voltar.
Aconteceu tudo muito rápido.
Uma forte luz o fez parar por um momento. Um forte impacto. O asfalto gélido. A dor. E então a inconsciência.
Fale com o autor