E caio-lhe
4 A energia inerente ao esqueleto
Notas iniciais

Caminhava a tempo; firme. Na sua terceira passagem iniciava uma passarela. Era gélido. Os passos ao baterem no chão faziam ecoar o som do metal.
A música começou e já a esperava. Como uma revoada tomou o lugar e preencheu-lhe. O som batia nas colunas e alicerces da estrutura enferrujada tamborilando e batucando. A voz passava cortando o vento; estremecia o esqueleto da ponte de ferro.
Seu coração palpitava mais rápido, o espírito energizava, seus pés compassavam. Cambaleou para um lado e para o outro e prostrou-se em uma dança. Abriu os braços leves até que as pontas dos dedos alcançassem o ar mais longe, depois juntou as palmas das mãos uma sobre a outra e sobre o ventre. Pediu. Girou na ponta dos pés; saltou sem medo de passar acima da grade que a protegeria de cair da ponte; pousou e com as mãos juntas ao peito apertou, empurrando-se para trás. Correu à sua frente e girou ponta-cabeça.
Colocou-se em pé e correu além.
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