E as Bruxas se Divertem
3 Terceira morte
Notas iniciais
Fatigada com a corrida, sentei e deitei minha face na mesa. Estava tão cansada que nem notei que alguém estava entrando na sala.
- Melissa... – A voz masculina me fez voltar à vida – Está bem?
Obviamente não estaria, acredito que meus olhos estavam borrados e inchados. Entretanto, teria coragem o bastante para responder algo rude a quem me perguntava.
- Sim, estou. – Tentei sorrir, só que algo estava entalado na garganta.
- Está bem... – Ele voltou ao seu lugar, na primeira carteira. De quem falo? Do meu amor platônico.
Sim meus amigos, posso ser uma garota estranha, mais os estranhos também têm sentimentos.
Gostava de Rafael desde a quinta serie. Porém nunca fui mais do que uma observadora, e ele nunca deixou de ser um objeto de afeição. Nunca nem se quer fomos amigos.
Ele era o tipo inteligente, rico, popular, bom atleta, engraçado, educado, pontual.., Ficaria aqui o dia inteiro falando adjetivos ao favor dele.
Mais irei parar de falar sobre ele, porque acabei de notar uma coisa. Você não sabe quase nada sobre mim não é?
Irei começar pelo físico. Loira de cabelos cacheados, olhos verdes e uma pele terrivelmente clara. Muitos dizem que sou uma pessoa lindíssima, mais mal sabem eles que isso é só uma casca.
Sou de falar muito pouco, alias, não falo nada. Sempre estou usando um gorro para esconder as reluzentes madeixas.
Fui uma criança criada por empregadas e educada para ser uma dama perante a sociedade. Mas não sou como tal. Só uso calças, não me importa o esmalte lascado, minhas roupas não são chamativas. A única qualidade que eu sei que tenho é a inteligência.
Gren Ville foi fundada com a ajuda dos ancestrais de minha família, sendo assim eu conheço quase todas as historias daqui. E isso sempre me atraiu, principalmente as sobre bruxas.
Mas como eu ia dizendo, Rafael e eu nunca fomos nem sequer amigos, e eu nunca procurei mudar isso.
Minha vida sempre foi uma chatice. Até essas coisas começarem acontecer...
Bem, não estou dizendo que estou gostando do fato de ter visto duas pessoas morrem na minha frente, mas sim que... estou pressentindo que algo novo está vindo, algo que ira mudar muitas coisas. Mais deve ser só uma impressão boba, ou estou ficando perturbada.
As aulas passaram rápidas, mas eu ainda não estava bem, as mortes sempre vinham a minha mente. Quando o sinal bateu, peguei minha bolsa e segui em direção à porta.
A escola é o prédio mais moderno existente na cidade, conta com varias salas, laboratório, biblioteca e até um elevador, o único da cidade. Crê?
Quando já estava dentro dele pude ouvir alguém me chamando, era Rafael. Vinha correndo com um livro na mão, certamente era o meu de ciências. Quando ele me entregou o livro, sua mão tocou na minha, mais foi só por um segundo, pois no outro o elevador se fechou completamente.
Se fechara com uma violência enorme, e você pode até imaginar o que aconteceu. Sim caro leitor, o braço e a cabeça dele foram separados do corpo.A menina que estava ao meu lado começou a gritar e tampar os olhos, a outra apenas desmaiou.
O sangue só sujou a mim, exclusivamente a mim. Porque? O que estava acontecendo? O que seria de mim? Ver uma morte por dia? Sentia que estava prestes a enlouquecer.
As duas meninas foram retiradas do elevador, falaram que eu deveria esperar que alguém viria me buscar.Sentei-me no elevador, e fiquei encarando o sangue escorrer da parede, e vendo mais uma maldita frase se formar.
- “Vamos brindar a ti três vezes, durante três noites.” – Aquilo era demais, o único garoto que dei valor nessa escola acabara de morrer e no fundo culpa era minha. Joguei o livro na parede, fazendo a frase se borrar....
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