E as Bruxas se Divertem
5 No quarto.
Notas iniciais
Tudo bem com vocs pessoal? DDD
- Estranho..- A palavra escapou da minha boca, em um som baixo e praticamente inaudível. Minhas mãos deslizaram pela minha calça, depois pelos meus braços, que estavam desnudos e frios, e por último eu as virei para mim mesmo.
Não me contive e saltei da cama direto para a minha penteadeira vitoriana. O grande espelho refletia uma garota loira e pálida, vestida e sem manchas de sangue espalhadas pelo rosto. Meu coração batia rápido, o alívio invadiu cada célula do meu corpo.
- Sem sangue, sem mortes...- Minhas mãos se voltaram contra o peito e agarraram o pentagrama. Ele era pesado e quente, todo gravado com frases em letras diferentes. Meus dedos formigavam enquanto eu o virava para tentar lembrar o que realmente tinha acontecido ontem. Parecia que quanto mais eu tentava, mais o pentagrama ficava quente. Minha mão pressionava o colar cada vez mais forte quando a janela se abriu e me assustou, fazendo um dedo escorregar e se cortar na corrente.
- Aiii! – O líquido vermelho escorreu pela minha mão esquerda e sujou meu braço. Com uma mão pressionando a outra sai em busca de alguma toalha pelo quarto. O corte era estranhamente fundo e sangrava cada vez mais.
- Quer ajuda? – Se ofereceu uma voz masculina vinda da janela, me virei assustada e encontrei apenas um...
- Gato? Aah..Ótimo, agora eu estou delirando por falta de sangue. – Zombei de mim mesma. O gato estava sentado em um dos galhos da grande árvore que ficava na frente da janela, seus pelos eram extremamente negros e seus olhos eram azuis e penetrantes, penetrantes demais para um simples gato. A longa cauda balançava lentamente, algo nele fez meu estômago gelar.
Ignorando o felino, me virei, sentei a beira da cama e encarei o machucado, aquilo estava realmente me irritando. Será que eu não posso mais ficar sem ver sangue? Olhei mais uma vez pelo quarto e não achei nenhuma toalha, amaldiçoei a empregada por ter as tirado para lavar. O único jeito de estancar aquilo era com um pano. Sem pensar duas vezes eu tirei minha blusa e a coloquei sobre o corte.
- Se não quer minha ajuda, tudo bem, eu não faço nada. Mas se você acha que eu vou ficar parado aqui fora enquanto você se despe bem na minha frente, você não poderia estar mais errada... – Novamente a voz veio da janela, meu coração acelerou e meu corpo estremeceu de medo.
- Quem está ai? – Me virei novamente para a janela, mas no lugar do gato estava um rapaz de cabelos curtos e negros.
- Ora, “quem está ai?” – Disse, pulando para dentro do quarto, com movimentos rápidos e leves. – Apenas mais um “delírio por falta de sangue”...
Caminhava calmamente em minha direção. Seu sorriso era malicioso e trazia a coleção de dentes mais brancos e perfeitos que eu já havia visto em toda minha vida. Escondia ambas as mãos em seu sobretudo negro, que lhe caia quase tão bem quanto o jeans surrado e a camiseta negra. Mas nada era mais incrível que os olhos, azuis e fundos, era como se eu pudesse ler tudo o que ele estava pensando, tudo o que ele estava sentindo. E foi isso que me fez recuar.
Me levantei e fui andando de costas enquanto o encarava, seus olhos tinham um brilho libidinoso, lascivo. Meus passos foram ficando mais largos, meu coração palpitava cada vez mais rápido, sentia meu estômago se retorcer. Era medo ou ...excitação?
“Não, não é hora pra esse tipo de coisa. É hora de correr, vamos mexam-se pernas.” Eu disse mentalmente, mas minhas pernas desobedeceram, e fora indo cada vez mais devagar e devagar... e devagar, até eu bater em alguma coisa. Era porta.
Meus dedos tatearam em busca da maçaneta, mas nada, era em vão. O desespero me tomou e eu o dei as costas pra tentar achar a maldita maçaneta. Mas quando senti o metal em minhas mãos, um sopro gelado roçou minha nuca. Tarde demais.
- Q-quem é v-você? – Meu peito descia e subia lentamente acompanhando minha respiração. Ele deu um sorriso torto, seu corpo chegava cada vez mais perto do meu. Sem esforço algum ele me encurralou no canto da parede. Tomou minha mão machucada e levou a boca.
Sua língua deslisou pelo risco de sangue fresco em meu braço e parou no corte, depois disso ele soltou minha mão e limpou o labio inferior lentamente enquanto levantava meu queixo, me fazendo olhar direto em seus olhos, era possível sentir o júbilo que ele tinha disso tudo.
- Depois de anos seu sangue ainda tem o mesmo gosto....
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