As lágrimas escorriam e parecia que aquela agonia não tinha fim. Ela se via em um beco sem saída. Mais tarde, teria que dar uma escapada as escondidas para ir à farmácia e comprar um teste de gravidez, mas morria de medo só de pensar no resultado. Mas talvez nem precisasse. Estava tudo muito óbvio. Aquelas intolerâncias que estava tendo com cheiros que antes pouco importavam agora explicavam tudo, além da fome excessiva que vinha apresentando ultimamente. Começou a se culpar de não ter se controlado e se protegido adequadamente em suas saídas antes. Com que cara ela daria a notícia para o Chico? E depois, para a dona Cíntia? O Dr. José Ricardo e pior ainda, à dona Carmem?

— Aquela bruxa da dona Carmem, vai expulsar a mim e ao Chico, com certeza! Eu não queria nem imaginar ela sabendo do nosso namoro, imagina isso resultando em um bebê! E nem adianta esconder, porque mais cedo ou mais tarde isso vai ficar bem visível para todos. Além disso, vai ter um momento em que eu não vou conseguir mais pegar pesado no trabalho, aí seria mais um motivo para ela querer colocar outra pessoa no meu lugar!

Ernestina ficou muito desolada quando se tocou que, enquanto com o Chico ela só passou uma vez por uma situação de risco que pudesse resultar em uma gravidez, com o Dr. Santarelli foram várias. Seria mais fácil, naquele momento, dizer que o filho era do dentista. Mas só os exames poderiam comprovar isso a partir da idade do feto. Ainda assim, o intervalo de tempo entre a última vez em que ela fez sexo com o Dr. Santarelli e a primeira e única vez com o Chico foi muito pequeno, e ela não se lembrava ao certo.

— Nesse exato momento, o Dr.Santarelli nem quer saber se eu estou viva ou morta. Com certeza deve estar com alguma namorada, e se eu for demitida, até parece que ele vai me acolher. Vai me chamar de interesseira e me ignorar. Não é do meu caráter arrumar barriga para pegar dinheiro de homem, isso vai totalmente contra os meus princípios.

Por um momento se lembrou da irmã. Se fosse a Matilde, com certeza estaria correndo atrás dele para pegar o dinheiro, e se fosse rejeitada, o ameaçaria. Mas não! Mas que péssimo exemplo! Ernestina não queria imitar a irmã em absolutamente nada, e nem sabe por que esse exemplo veio em sua cabeça. Depois veio a preocupação com o Chico. E se o filho não for dele e ele for demitido? A dona Carmem não suportava vê-lo, e esperava apenas um vacilo para manda-lo embora. Se ela souber de tudo, ah, já era, vai embora os dois sem perdão!

— Quando isso acontecer...nem sei o que será da gente! Também não quero em hipótese alguma que o Chico saiba que eu fui para a cama com o Santarelli. Não vou nem tocar no assunto! Para ele vou fingir que nada aconteceu. Qualquer coisa, nunca tivemos nada além de uns passeios à cafeteria! Não quero que o Chico me abandone de jeito nenhum! Não sei o que será de mim se isso acontecer! Ai...nem sei como vou dar a notícia da gravidez para a dona Cíntia, não posso esconder isso dela...aquele anjo...mas acho que ela não poderá fazer muita coisa por mim, perante à dona Carmem.

Ernestina estava tão perdida que se esqueceu de ir limpar o banheiro. E ela foi, e se sentindo totalmente desorientada. Continuou o seu trabalho, com toda sua preocupação que não parava de perturbá-la e parando para chorar de vez em quando. Acabou demorando mais do que deveria.

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Enquanto pré aquecia o forno e separava as mussarelas e os presuntos para preparar a lasanha do almoço, Chico estranhava a ausência da Ernestina. Até agora ela não havia dado as caras desde o café, e ele já estava morto de saudades dela. Após o comentário da Bia mais cedo, ele já estava achando graça do que aconteceu, e ao mesmo tempo envergonhado por ter levantado o tom de voz com ela daquele jeito. Como pedido de desculpas, resolveu preparar um mousse de chocolate só para a menina. Está certo que o tipo de pergunta que ela fez não era nada adequado para ser feito perto da Ana e da Tati, mas depois ele se tocou que exagerou. No fundo ele estava muito preocupado caso a Bia não estivesse enganada em suas observações. Ela cutucou a sua ferida. Ele também estava achando a Ernestina muito estranha ultimamente. E a Bia é uma menina extremamente esperta.

Chico resolveu que conversaria com a Ernestina mais tarde sobre isso. Essa possibilidade o deixava muito preocupado, pois caso sua namorada estivesse realmente grávida, a dona Carmem não iria gostar nadinha e demitir os dois. – Caramba, não gosto nem de pensar no que seria da minha vida longe dessas meninas. Pensou Chico.

Chico começou a ficar preocupado, pois se via como um pai para elas. Ainda mais agora com o irmão da Pata e seus amigos escondidos no depósito do orfanato. Será que, caso ele fosse demitido, o próximo cozinheiro levaria comida às escondidas para os três meninos? Ou manteria o segredo sobre as três crianças escondidas no depósito só porque não eram aceitas? Será que ele trataria bem as meninas? E o pior de tudo, com uma namorada grávida, o que seria de seu bebê? Qual seria o futuro deles?

— Mas meu Deus é grande, Ele é maior do que todos os meus problemas juntos. Tudo vai se encaixar, tenho muita fé de que apesar da gente sofrer muito no início, tudo dará certo. E essa criança que virá, será um anjo nas nossas vidas, que só trará alegrias.

Se não fosse pela dona Carmem, Chico estaria vibrando de alegria com tudo isso. As suas amadas meninas ganhariam um “irmãozinho”...seria tão bonito ver todas ansiosas para a chegada do bebê, a carinha de alegria de cada uma das órfãs, e ele cresceria com as melhores companhias com certeza.

Ele trabalhava na lasanha e na sobremesa com um certo pesar, mas ao mesmo tempo esperançoso, afinal de contas apesar de a dona Carmem mandar em tudo e se achar a rainha do orfanato, a dona não era ela, mas sim um homem muito bondoso, completamente diferente da irmã. Chico colocou a lasanha no forno e aproveitou o tempo até esta ficar pronta para ir buscar as meninas na escola.

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Depois de limpar o banheiro, o que parecia ter levado uma eternidade, Ernestina foi para o jardim cuidar das plantas para tentar espairecer um pouco. Na verdade, ela estava meio que fugindo do Chico. E da Cíntia também. Precisava treinar as palavras, como que ela daria a notícia para eles. Não queria falar tão de repente. Obviamente que a Cíntia só iria saber depois que ela contasse para o Chico. Até porque seu namorado é um ótimo conselheiro, e ele com certeza ele saberia lhe dizer o que ela deveria falar, e o mais importante, como.

O Chico é um verdadeiro refúgio para ela, um homem com uma bondade fora do comum, e ela se sentia tão culpada por tudo o que estava acontecendo, como se tivesse cometido uma tremenda injustiça contra ele. Ernestina se sentou em um banco no jardim e olhou o seu relógio: — Já são 12:10h. A essa hora o Chico já saiu para ir buscar as meninas.

Ernestina não conseguiu se segurar. Chorou tanto quanto mais cedo em seu quarto, ao mesmo tempo em que repousava de leve uma mão na sua barriga: — É, parece que você veio na hora errada...e agora, o que vai ser da gente?

Notas finais
Atenção! Postei minha fanfic também no Spirit Fanfiction, logo não é plágio!!! https://www.spiritfanfiction.com/perfil/Tupolev144 Mas esse dentista ein... Como é que pode um profissional da área da saúde dar um mole desses? Ter relações desprotegido? tsc tsc tsc Além do mais é um canalha!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.