E agora?
15 Definições e conclusões
Laura
Nathan olhou para mim, esperando que eu falasse algo, mas não sabia o que dizer, afinal, o homem que sempre achei que fosse o meu pai era, realmente, o meu pai e de certa forma foi um alívio. E afinal, minha mãe não era uma adultera, só uma mulher de muita sorte, por ter encontrado um maravilhoso homem, que aceitou criar a filha de outro, como se fosse dele próprio, por isso, nunca revelaram a verdade, pois não tinham motivos, para eles estava tudo bem. Simplesmente, minha mãe foi feliz ao lado do meu pai.
— Eu lamento muito, Alexia – Tim falou para a minha irmã.
— Por quê? Não há porque se lamentar. Eu tive o melhor pai do mundo, que eu amava muito e que me amou. Nunca senti a falta do que não conheci.
— Eu desejava me aproximar de você, conhecê-la melhor, agora, que já sabe de tudo – Tim pediu de modo humilde.
— Talvez, no futuro, por enquanto, tenho muitas coisas na minha vida para resolver – Ela olhou para Maurício.
Todos nos levantamos e saímos da sala, deixando Tim, sozinho. Nathan parou em frente de Alexia.
— Eu sempre quis ter uma irmã ou um irmão – Sorriu, simpático, para ela.
— Eu nunca quis um irmão. Já tenho irmãos o suficiente – Ela brincou, olhando para mim.- Acho que vocês dois precisam conversar agora.
Nathan me puxa pela mão e me levou dali, fomos para a varanda, sob a luz fraca da lâmpada circulada por insetos voadores, ouvimos os risos e as conversas dos outros hóspedes lá de dentro. Eu me encostei no guarda-corpo, Nathan parou na minha frente, a uma distância que julguei segura.
— Eu espero que você supere isso – digo.
— Superar?
— Sim, essa situação, de repente, deixou de ser filho único e tem uma irmã agora. E você se comportou muito bem lá na sala com seu pai.
— Já estou acostumado com esse tipo de situação.
— Espera aí! O que quer dizer com isso? Tim tem outros filhos?
— Não, sou promotor.
— Pensei que você fosse um homem do campo.
— Não, só venho para aqui, ajudar meu pai. E você como se sente, depois que perdeu um irmão?
— Aliviada – Ele ergue as sobrancelhas em interrogação. –, pois não conseguia evitar uns pensamentos pecaminosos com você.
Ele dá um sorriso torto e um passo na minha direção.
— Agora, esses pensamentos não são mais pecaminosos?
— Sim, ainda são, mas de um modo diferente.
— Você quer me falar sobre eles?
Ele se aproximou e me encurralou, não tenho como fugir nem quero.
— Melhor, eu posso mostrá-los para você, se quiser? – Dou-lhe um sorriso malicioso.
Alexia
Minha irmã sumiu com o meu irmão recém-descoberto, essa é uma situação muito inusitada, afinal, sou o único elo de ligação entre os dois. Maurício ficou ao meu lado, com ar preocupado.
— Como você está? – ele me pergunta, cheio de atenção.
— É estranho, mesmo já esperando por isso, é difícil se acostumar com a ideia de ter outro pai, mesmo que minha mãe não seja uma adultera.
Por que eu disse isso? Maurício deu um sorriso sem graça, aquele era um assunto muito delicado para nós dois.
— Amanhã, estará tudo acabado e você poderá voltar a sua vida normal.
— Não há mais vida normal, sem você, Maurício. Não dá viver naquele apartamento, sozinha.
— Alexia, eu acho muito cedo para discutirmos isso.
— Não, não é. Preciso tomar um rumo na minha vida, saber se será com você ou não. Eu não aguento mais viver nesse limbo, à espera de uma solução.
— Eu ainda estou muito magoado.
— Você acha que não poderá me perdoar?
— Hoje, quando ouvi o seu pai, quer dizer, Tim, contando como perdeu sua mãe, eu pensei em nós dois, como poderia me arrepender por perder você e passar o resto na minha vida amargurando isso. Tudo isso por causa de um único erro idiota seu.
— Eu sei que fui uma estúpida por botar tudo a perder, por nada. Mas, com toda essa história descobri o quanto eu o amo e quero que continuar com você.
— Você sabe que será difícil para mim reconsiderar e superar tudo isso.
— Estou disposta a me arriscar, a ter paciência, e acho que teremos que recomeçar bem depressa, porque você não terá lugar para dormir hoje – concluo ao ver Nathan e Laura desaparecerem pelo corredor em direção ao quarto dele.
Assim o feriado acabou e retornamos para nossas casas e nossas vidas normais, só que um tanto diferente. Maurício e eu voltamos a morar juntos, reconstruindo nossa relação com muito cuidado e delicadeza. Laura vê Nathan, os dois estão muito bem entrosados, constantemente, pensa em se mudar para a cidade dele, ela está feliz de uma maneira que nunca vi antes, acho que descobriu quem ela é, não uma estranha na família. Estou tentando manter uma relação amena com o meu pai biológico, costumamos nos reunir na fazenda nos feriados. E quando estou lá muitas vezes, olho em volta e penso como minha vida poderia ter sido diferente se minha mãe e Tim ficassem juntos, mas, ainda que não ficaram porque gosto exatamente do jeito que ela é.
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