E Se fosse verdade?
31 Uma deusa é a nossa guia
Notas iniciais
– Elas estão vindo! – gritava Beatriz, enquanto corria.
Não podia acreditar que a gente planejou aquilo tudo, para que no fim desse errado. Eu não ia permanecer naquela caverna de novo enquanto o Acampamento Meio-Sangue estava correndo perigo. Ninguém de lá sabia sobre o ataque.
Eu estava tão desesperado que gritei:
– Socorro!
Dandara passou na minha frente e deu um empurrão em Khamis, que caiu. Percy, Annabeth e os demais entraram na caverna.
– O que está havendo? – perguntou ele.
– Faça alguma coisa! – gritei. – Impeça que aquelas garotas saiam do quarto!
Corri, passando por cima de Khamis. Os outros vieram atrás de mim.
– Onde está Grover? – perguntou Annabeth.
Ah, pra variar, Pensei. Onde estava Grover?
– Não sei. – respondi.
As garotas saíram de seus quartos, todas armadas e prontas para atirar no que vissem pela frente. Khamis se levantou e gritou:
– Preparar!
Todas ficaram em guarda, apontando suas flechas em nossa direção.
– Pensei que os semideuses eram mais pacíficos, mais amigáveis. – rosnou ela. – Mas acho que me enganei.
– Quem você pensa que é? – disse Annabeth entre os dentes.
– Você logo irá descobrir. – sorriu ela. E virou-se para as suas companheiras. – Preparem-se para acabar com esses semideuses inúteis.
– Espera! – Exclamou Igor. – Mas nós chegamos agora. É assim que vocês dizem: Sejam bem vindos?
– Não me importa se chegaram agora. – disse ela, armando seu arco. – Vou matar você.
– Me matar? – riu ele. – Você não consegue nem matar o meu tédio.
Os olhos de Khamis brilharam perigosamente.
– Sabe, ele tem razão. – disse eu. – Então... eu só digo uma coisa: Não digo nada. E digo mais: Só digo isso. CORRAM!
Todos se dispersaram aos gritos. Khamis berrou:
– Matem-nos!
Flechas voaram por todo o lado. Todos se abaixaram para não ser atingidos. Uma quase atingiu minhas costas, quando de repente a caverna inteira começou a tremer. Tentei andar, mas o tremor era tão forte que eu caí. Olhei para o lado, e vi Igor com as mãos no chão se concentrando. Tinha uma leve suspeita de que era ele quem estava provocando aquilo.
As garotas arqueiras perdiam o equilíbrio e erravam os alvos, que era a gente. Todas elas cambaleavam para trás ou caiam de costas. Pedaços de pedra caiam do teto. Poeira vinha abaixo. Olhei para Khamis, que conseguia permanecer equilibrada. Ela entesou seu arco, apontando para Igor, e já ia soltar a flecha, quando gritei:
– Khamis! – Ela olhou para mim. – Vou lhe mostrar o quanto os semideuses são inúteis.
Direcionei minhas mãos para o lago (que estava com pouca água, hehe.), e desejei que um furacão se formasse. Á água começou a girar e a girar. Impressionantemente, os restos de água que estavam ao redor começaram a se juntar ao meu furacão. Vários litros de água giravam se erguendo aos poucos. Khamis estava com os olhos arregalados.
– Estou ficando sem força! – gemeu Igor. O tremor na caverna começou a parar aos poucos. Sem pensar, despejei toda a água que eu havia convocado em Khamis. Ela foi arrastada até bater na porta do banheiro.
– Matem-nos! – gritou uma garota se levantando do chão. As outras atiravam suas flechas tentando nos atingir, mas ainda estavam atordoadas por causa do tremor de terra. De repente, todas elas ficaram imóveis, como se alguma força invisível tivessem prendendo elas.
– Vão! – exclamou Percy. – Façam alguma coisa! Prendam-nas!
Annabeth correu até elas e fez com que todas ficassem no chão. Corremos em direção a Annabeth.
– O que houve com elas? – perguntei. – Estavam se mexendo e de repente...
– Foi o Percy. – respondeu Annabeth. – Ele controlou a água do corpo delas.
Olhei para Percy impressionado.
– O que vamos fazer com elas? – Dandara fez cara de menina diabólica.
– Vamos perguntar como sair desse labirinto. – sugeriu Matheus.
– Não podemos. – murmurou Percy. – É o caminho mais rápido para se chegar ao acampamento.
Fomos interrompidos por Khamis, que começou a tossir.
– Seus... idiotas. – ela soluçava. – Vão se arrepender.
– Por que você não nos ajuda? – sugeri. – Precisamos de ajuda para derrotar o exército de Cronos.
– O quê? – Annabeth olhou para mim. – Você quer a ajuda dela?
– Sim. – falei. – Olha, não somos seus inimigos Khamis. Só estamos desesperados para salvar o nosso acampamento. Você sabe quem é Cronos não é?
O ambiente se tornou frio e escuro de repente. Pensei que o próprio titã ia sair das paredes para nos destruir, mas nada aconteceu.
– É claro que eu sei. – respondeu ela meio rouca.
– Então... ele está enviando um exército para destruir o nosso acampamento. E precisamos de ajuda.
– Acha mesmo que eu vou ajudar vocês?
– Não, não acho. – resmungou Annabeth. – Pois é, Raphael, tentamos a aproximação diplomática, mas não deu. Vamos andando, estamos perdendo tempo aqui.
Parte de mim sabia que Annabeth estava certa. Tínhamos que correr. Mas eu ainda achava que poderíamos obter ajuda daquelas garotas.
– Bem, se quiser nos ajudar, é só seguir a gente. – disse eu calmamente. – Vai ser ótimo ter a sua ajuda.
– Ei! – gritou uma voz. – Vocês estão vivos!
Era Grover. Eu não fazia ideia de onde ele tinha se metido, mas ele estava com a cara toda suja de comida.
– Grover! – Annabeth abraçou-o. Ele cumprimentou Matheus e Igor. – Como vocês conseguiram escapar do navio? – perguntou ele emocionado.
– É uma longa historia. – disse Annabeth. – Depois eu conto.
– Mas, Grover, onde você estava? – perguntou Percy.
Ele corou.
– Bem... eu estava debaixo da mesa de jantar... comendo.
– O quê? – murmurou Matheus. – Estávamos numa luta contra essas garotas lunáticas, e você estava debaixo da mesa comendo?
– Esperem... e Israel? – perguntei. Foi só eu acabar de falar, que ele apareceu saindo do quarto com uma garota, ajeitando a blusa e o short. Todos nós olhamos para ele.
– Hã... Oi galera! – disse ele, embaraçado.
– O que você estava fazendo? – Igor sorriu, desconfiado.
– Quem acha que já perdemos tempo suficiente aqui levanta a mão. – disse Annabeth.
– Eu acho. – resmungou Percy. – Vamos galera! Agora é sério.
Andamos em direção à saída da caverna. Khamis nos olhava friamente. Parte de mim estava exausto. Eu nem sequer dormi para variar. A outra parte estava feliz por terem todos os meus amigos juntos novamente.
– Agora começa a nossa viagem por esse labirinto. – murmurou Grover.
Ficamos andando pelo o labirinto por alguns minutos. Em um momento, dobramos em um corredor, e quase que todos nós despencávamos em um buraco imenso que havia lá.
– Gente, me respondam uma coisa. – sussurrou Stefferson. – Vocês disseram que esse tal acampamento ficava nos Estados Unidos, em Nova Yorque.
– Sim. – afirmou Percy.
– Então... Como nós vamos chegar lá?
– Hã... nós temos que tentar. – disse Percy. – Nós temos Annabeth. Então vai ser fácil.
Annabeth deu um sorriso para ele.
– Mas não é tão fácil assim. – retrucou ela.
Quando de repente, algo se moveu acima de Annabeth. Olhando rapidamente, eu vi asas enormes e olhos vermelhos pronto para atacar.
– Cuidado! – gritei. E a empurrei para frente. No mesmo instante, um bicho marrom aterrissou no lugar onde estava Annabeth. Houve gritos e berros quando aquela coisa aterrissou. Eu mesmo gritei de pavor quando eu vi.
Era um morcego. Um morcego grande, com a cara achatada e asas enormes. Os dentes eram finos e afiados, e seus olhos vermelhos.
– Protejam-se! – gritou Igor.
Ele avançou para cima de Percy e Igor, mas eles se desviaram. Dandara atirou uma flecha tentando atingir a cabeça dele, mas a criatura voou.
– Mata essa coisa! – gritava Beatriz.
Saquei minha espada, e tentei atingir o morcego na barriga, mas ele avançou ferozmente sobre mim, arranhando meu ombro com suas garras. Eu gritei de dor.
– Raphael! – gritou Grover.
Parecia que meu ombro havia sido cortado por uma faca. O sangue escorria. De relance, vi Grover pegar sua flauta de bambu e atirar contra o morcego gigante. A flauta atingiu-o na cabeça com força, e ele emitiu um grunhido. Annabeth sacou sua adaga e a jogou também contra a criatura, e por sorte (ou por pura habilidade.), a lâmina entrou pelo o abdômen e saiu. O monstro voador deu um grito estridente e foi se desintegrando aos poucos.
Eu gemia de dor. Estava no chão segurando o local do ferimento.
– Ajudem-no! – exclamou Percy.
Ele pegou um saquinho de dentro do seu bolso que continha ambrosia, e me deu um pedaço. O gosto era de pedaços de chocolate.
– Nossa! Que gostoso. – resmunguei.
Todos deram uma risada. Levantei-me, um pouco tonto de dor.
– Está se sentindo melhor? – perguntou Marcos.
Assenti.
– Vamos continuar.
E voltamos a andar.
– Aquela coisa era horrível. – murmurou Dandara.
– Eu que o diga. – disse Grover.
Andamos mais alguns metros antes de dar de cara com dois túneis. Um ia para a direita, outro para a esquerda.
– Ah, não. Túneis de novo. – reclamou Percy.
– Bem... qual dos dois devemos escolher? – perguntou Stefferson.
Annabeth olhou ao redor. O teto não era muito alto. As paredes eram de tijolos desgastados. Ela suspirou e disse:
– Acho que devemos parar um pouco. Descansem.
Eu não queria parar, mas o meu corpo não obedeceu. No mesmo instante eu me deitei no chão. Pude perceber o quanto eu estava cansado.
– Acho que alguns devem ficar de guarda, não? – sugeriu Barbara. – Só por questão de segurança.
– É claro. – Percy balançou a cabeça. – Pode dormir em paz.
Todos se deitaram. Fingi que não vi Annabeth pegar na mão de Percy. Mas nesse momento, uma luz brilhante encheu o local. Fiquei atônito. Seria mais um monstro?
Quando a luz diminuiu, uma mulher alta com um elegante vestido vermelho apareceu. Os olhos eram cinzentos, iguais aos de Annabeth. O cabelo estava amarrado em um rabo de cavalo. Quando a vi, fiquei de queixo caído.
– Quem...? – tentei dizer, mas Annabeth foi mais rápida.
– Mãe! – ela soltou a mão de Percy rapidamente. Percy olhou para a mulher com os olhos arregalados.
– Hã... Quem é ela? – perguntou Beatriz.
– “Mãe?” – disse eu. E lembrei-me de quem era a mãe de Annabeth. – Ah... Atena?
A mulher balançou a cabeça.
– Sim, jovem meio-sangue. Eu sou Atena.
– Mãe... o que a senhora... faz aqui? – gaguejou Annabeth.
– Eu vim ver como vocês estavam se saindo. – disse ela secamente. – E percebi que vocês estão indo muito mal.
– Que bom que percebeu. – disse eu sorrindo. Mas ela colocou aqueles olhos cinzentos em mim, e eu decidi que era melhor ficar calado.
– Eu vim dar uma ajuda a vocês. – disse ela. – Sei que estão querendo chegar ao acampamento, mais o caminho é mais longo do que vocês imaginam.
– A senhora vai nos ajudar? – admirou-se Percy. Atena olhou-o com um leve aborrecimento.
– Sim, eu vou ajuda-los. Se aqueles monstros conseguirem destruir o seu acampamento, então eles irão marchar diretamente para o Olimpo. Não podemos permitir que isso aconteça.
– Obrigada, mãe. – agradeceu Annabeth.
– Vou guia-los até o acampamento. – continuou ela. – E vou fazer isso através de você Annabeth.
– Eu?
– Sim. Uma filha de Atena tem que mostrar-se digna diante dos desafios. Não tenha medo. Você vai ser o mapa deste grupo.
– Ela já era mesmo. – sussurrei. Foi então que me lembrei de que era para eu ficar calado.
– Eu... vou tentar. – disse Annabeth baixinho. Um pequeno sorriso passou pelo o rosto de Atena.
– Muito bem. Conto com você minha filha.
Ela começou a brilhar, e antes de desaparecer, falou:
– E quero que o filho de Poseidon tenha cuidado ao se aproximar de minha filha. – dito isso, ela se foi.
Olhei para Percy.
– Ela estava falando com você, não era?
– Hã... eu acho que sim. – murmurou ele.
– Muito bem. Vamos descansar enquanto podemos. – disse Annabeth. E eu pude notar que ela estava um pouco insegura.
– Tomara que eu não tenha nenhum sonho. – sussurrei.
Deitei-me, e no mesmo instante adormeci.
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