E Se fosse verdade?
24 Somos capturados
– Uma ova que eu vou com vocês! – gritou Matheus para Luke.
– Gente, calma. – disse Grover ansioso. – Esse é o momento que temos que ter muita calma.
– O sátiro está certo. – falou Luke. – É só entregar os três garotos para mim. Somente isto. Parte da encomenda que vim pegar já está aqui.
Ele apontou para as duas meninas amarradas nas mãos e amordaçadas. As duas eram idênticas e muito bonitas. Eram do mesmo jeito do meu sonho.
Você sonha de mais! Reclamou meu cérebro. Qualquer lugar, ou pessoa que você vê, é do seu sonho.
A culpa é minha? Respondi. Tecnicamente a culpa é sua. Você que sonha, não eu.
Ah, tá.
Cale a boca! Finalizei.
Minha atenção estava voltada para minha mãe e para Israel. Não acredito que eu estivera procurando ele por todo esse tempo, e num instante ele está ao lado desse idiota do Luke.
– Israel. – falei. Minha voz queria falhar, mas eu não deixei. – O que você está fazendo ao lado dele? Por que está com esses monstros?
– Raphael, me desculpe. – disse ele. – Mas comecei a perceber que Luke estava certo. Os deuses não ligam para nós. Eles não nos ajudam. Passei horas pedindo ajuda ao meu pai, Zeus, para que me tirasse daquele navio, mas ele não ajudou. Não meu deu nenhuma ajuda.
– Típico deles. – resmungou Luke.
– Não é verdade. – respondi. – Meu pai me ajudou... quer dizer, ajudou a gente quando Percy pediu.
– E quem é seu pai? – perguntou Israel.
– Poseidon.
Ele levantou as sobrancelhas. Parecia um pouco impressionado.
– Bem, então acho que Zeus não gosta de mim como filho. – resmungou ele. – Ele me odeia.
– Como você sabe?
– O que Poseidon já fez por você Raphael? – perguntou Luke.
Bem, nada. Era o que eu queria falar. O único que me deu algum tipo de ajuda foi Hermes. Mas fiquei pensando: Por que Hermes não ajudou Luke? Por que ele não falou com ele e explicou as coisas? E Poseidon? Ele nunca ajudou minha mãe em todos esses anos. Me vira ser atacado por monstros mas nada fez para ajudar. E agora, todos nós estávamos em perigo.
– Você sabe que é verdade Raphael. – murmurou Israel. – Temos que lutar contra eles.
Imaginei-me em um grande exercito de monstros e semideuses, todo mundo junto para atacar os deuses. Não entendi como teríamos chances se atacássemos o Olimpo. Eram doze seres poderosos. Poderosos e insensíveis.
– Israel você não pode dar ouvidos a Luke. – disse Percy. – Ele é um canalha que está tentado destruir o Olimpo só por vingança.
– Isso. – ajudou Grover.
– Até que ele é bonito. – murmurou Dandara ao meu lado. Olhei pra ela, que parou de sorrir e ficou séria. – Hã... mas é um idiota.
Luke riu.
– Raphael, vamos! Junte-se a nós. Você terá poder e honras. Sera bem recompensado. Sua mãe poderá ser rica e morar numa mansão. Pense bem. O que você ganha lutando? Nada. Isso é inútil.
Parte de mim achou aquilo verdade. A oferta era bem tentadora. Mas, uma coisa que eu não poderia fazer era abandonar meus amigos. Então, falei:
– Luke, de qual hospício você fugiu? Sério... sente-se e desabafe conosco. Podemos lhe levar de volta para lá. Loucura tem tratamento.
Meus amigos riram. Luke me olhou com puro ódio.
– Chega de conversa. – ele olhou para duas mulheres-serpentes. – Peguem aqueles semideuses.
Elas avançaram. Ergui minha espada, pronto para ataca-las. Meus amigos sacaram suas armas igualmente. Stefferson, Marcos e Matheus ficaram atrás de nós.
Uma delas atacou Percy, que rolou para um lado e tentou atingi-la, mas ela defendeu com o escudo. A outra veio para cima de mim. Dandara atirou sua flecha, mas a mulher-serpente conseguiu erguer o escudo para se defender. No entanto, a ponta da flecha se grudou no escudo, e ela começou a tremer, como se alguém a estivesse dando um choque.
– Aaahh! – ataquei-a. Um segundo depois, tudo o que restava era poeira de monstro.
Annabeth saltou sobre a outra que tentava atingir Percy, e lhe deu um chute na barriga. Igor aproveitou e cravou sua espada nas costas dela. Ela se dissolveu em um grito horrível.
Luke rosnou.
– Pra mim já chega! Ataquem!
O exército de monstros veio em nossa direção. Como a gente poderia lutar contra tantos? Era impossível.
– Separem-se! – gritou Annabeth. E pôs seu boné dos Yankees na cabeça. Será que ela era esperta?
Nos separamos, cada um correndo para um lado. Corri para trás de um carro enferrujado. Igor correu para perto de mim.
– E agora? – perguntei assustado.
– Eu sei lá. – respondeu ele. Os olhos se arregalaram para algo atrás de mim. – Lutamos!
Olhei para trás e vi um gigante lestrigão com um porrete. Num impulso, avancei e dei uma estocada na barriga do monstro. Ele se foi.
– Ah... eu... – estava tão perplexo com o que acabara de fazer que nem notei os outros chegando.
Igor avançava com as suas duas espadas, vaporizando monstros e se desviando. Fui ajuda-lo.
Um telquine se lançou sobre e mim e me mordeu no braço. Eu gritei de dor.
– Me larga! Eu não tenho um gosto bom! – E enfiei a espada em sua cabeça. Destroços de carros voavam por todo lado. Desviei de ataques, ataquei e fui atacado. Igor e eu lutávamos lado a lado.
– Socorro! – gritou minha mãe. Eu havia esquecido ela. Como pude ter feito isso?
– Igor, vou salvar minha mãe! – gritei. – Consegue lutar só?
– Vá! – respondeu. – eu cuido deles!
Corri, passando por monstros e semideuses inimigos. Um tentou me dar um soco, mas me abaixei e fiz um corte em sua coxa. Consegui chegar perto de minha mãe. Olhei para a luta que se seguia. Percy estava lutando contra Luke. Grover estava fazendo raízes crescerem em torno de monstros. Marcos, Stefferson e Matheus haviam pegado partes de carros e se defendiam. Annabeth estava ainda invisível em algum lugar, mas pude ver monstros se desintegrando sozinhos. Sem duvida era ela.
– Raphael, como chegou aqui? – perguntou minha mãe. Ela estava apavorada. Também, com vários monstros rugindo e atacando quem não fica.
– Depois eu explico! – falei. – Vou cortar as correntes!
Cortei a corrente da direita. Quando fui cortar a da esquerda, uma espada interceptou a minha no ar.
– Agora não. – falou alguém. Virei-me e dei de cara com Luke. – Vamos ter uma conversinha.
Ele riu. Na mesma hora fiquei com raiva.
– Sim, vamos conversar.
Ataquei-o, mas ele se desviou facilmente. Tentei dar uma estocada, mas Luke me chutou no peito e fez um corte em meu braço. Eu gemi.
– Você não sabe o que vai acontecer com o seu acampamentozinho, sabe? – riu Luke.
– Eu sei o que vai acontecer com o seu traseiro, cara rasgada. – rosnei.
– Raphael, cuidado! – gritou minha mãe.
Peguei uma parte dianteira de um carro. Quando Luke avançou pra cima de mim, pulei para o lado e a joguei em cima dele.
– Você já era! – rosnou ele, e correu em minha direção. Mamãe colocou o pé no meio e Luke caiu de cara no chão. Aproveitei o momento. Levantei minha espada, e na hora que fui acertá-lo, alguma coisa pontuda me acertou nas costelas. Eu berrei de dor. Caí no chão encolhido, segurando o local do corte. Olhei para cima e vi Israel, com a espada nas mãos.
– Desculpe, mas eu precisava fazer isso.
– Seu doente! – rosnei.
– Mate-o! – rugiu Luke. Israel levantou a espada, e soube que iria ser morto pelo meu próprio amigo. Então, algo aconteceu. Um trovão fez o lugar inteiro tremer. O chão começou a tremer também. Israel abaixou sua espada e cambaleou pra trás.
– Raphael! – gritou Dandara. Ela correu em minha direção. – Israel, por favor, pare!
– Não posso. – disse ele tristemente.
A luta prosseguia ao longe. Luke se levantou e veio em minha direção.
– Bem... Adeus meio-sangue. – ele levantou sua espada.
– Não! – gritou minha mãe.
De repente, uma espada passou voando por nós e acertou a mão de Luke. Ele gritou e se curvou.
– Ponto para mim! – sorriu Percy correndo até nós. – Acertei o alvo.
Enquanto Luke estava curvado segurando sua mão, alguma coisa invisível o empurrou para o chão. Consegui me levantar e peguei minha espada. Os poucos monstros que sobreviveram à luta se juntou ao redor da gente.
– Fique no chão Luke. – falou Annabeth ao meu lado, e tirou seu boné. Igor estava atrás dela.
– Vocês vão pagar. – rosnava ele. – Isso ainda não acabou. Israel mate-os.
Israel olhou para nós. Nos olhos dele, eu vi que ele não queria fazer isso.
– Não faça isso cara. – eu disse. – Você sabe que isso não está certo.
Um gigante lestrigão pegou minha mãe pelo o pescoço. Ela se debatia, mas era inútil.
– Mate-os Israel. Ou eu matarei a mãe dele.
– Não faça isso Luke! – gritou Annabeth.
Israel fechou os olhos com força. Ele estava tremendo. Se eu avançasse contra o monstro, sem duvida ele esmagaria minha mãe.
– Já vi que você ainda não abriu mão da sua fraqueza. – disse Luke a Israel. Olhou para o lestrigão. – Acabe com ela!
– Não! – gritei.
Nesse instante, um trovão fez tremer o chão novamente, e um raio atravessou o teto e pulverizou o monstro que estava segurando mamãe.
– Ninguém mata a mãe do meu amigo. – falou Israel abrindo os olhos. Fiquei impressionado.
– Traição! – rugiu Luke.
– Nossa! Que demais! – exclamou Matheus.
– Você está ferrado. – sorriu Igor. – Agora solte aquelas garotas.
Luke se ergueu e estalou os dedos. Três dracaenae apontaram suas lanças para mim. Um lestrigão pegou Annabeth e Percy pelos cabelos. Os outros encurralaram Grover, Dandara e o resto dos meus amigos.
– Que tal uma ultima viagem a bordo do meu cruzeiro? – ele deu um soco em Israel e olhou para nós. – Vai ser uma viagem bem dolorosa para vocês.
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