E Se fosse verdade?

5 O Pai de Israel se revela


Notas iniciais
iaiiii galera! novo capitulo.

Annabeth foi à frente nos apresentando a todos que passavam por nós. Apresentou-nos a um menino chamado Charles Beckendorf. Ele era alto e musculoso. As mãos grandes, arranhadas e com pequenas queimaduras. O cara parecia um lutador de TV. Annabeth nos dissera que ele era filho de Hefesto, então, estava toda hora nas forjas fabricando armas.

Depois, ela nos apresentou a uma menina chamada Silena Beauregard. Eu quase fiquei sem fala na frente dela. Minha boca ficou aberta, e não saía nem uma palavra. Ela era realmente linda, mais linda ainda que Annabeth. Tinha cabelos pretos lisos. O rosto dela era de parar qualquer um. Maquiagem perfeita, olhos deslumbrantes. E seu sorriso dava para iluminar qualquer ambiente escuro. Olhei para Israel e vi que ele também estava babando. Tive dificuldade em dar tchau.

Depois fomos apresentados a uns garotos estranhos. Chamavam-se Connor Stoll e Travis Stoll. Eles eram idênticos. Quase gêmeos. Tinha a aparência de brincalhões e de que pregavam peças em todo mundo. Eles nos olharam de alto a baixo, e sorriram um sorriso meio sarcástico, então se foram.

Conhecemos o cara filho de Poseidon, Percy Jackson.

– Percy – disse Annabeth. – Estes são Raphael e Israel.

– Ahn, ah olá. – ele sorriu. – Prazer, bem vindos ao acampamento.

– Obrigado. – Israel e eu falamos.

– Então, vocês já sabem de quem são filhos?

– Percy... – Annabeth falou olhando para ele. – Eles são recém-chegados.

– Ah, é verdade.

– Você é mesmo o filho de Poseidon? – Israel perguntou.

– Sim.

– Uau! E você pode mesmo controlar o mar? – perguntei impressionado.

– Sim. Não só o mar né.

– Queria poder ser filho dele também.

– É... Basicamente ele é o único filho de Poseidon. – disse Annabeth. – Não tivemos mais nenhum outro filho dele, exceto o Tyson.

– Quem é esse? – perguntou Israel.

– Meu meio–irmão. – falou Percy – Ele não esta aqui agora.

– Ah.

Fomos os quatro ainda andando pelo acampamento. Conhecemos uma menina chamada Clarisse. Ela era alta e musculosa, tinha olhos cruéis e feios. Cabelos castanhos esticados. Ela veio em nossa direção.

– Ah, então temos dois novatos aqui? – disse ela malvadamente.

– Sim. – disse Percy. – Raphael e Israel, essa é Clarisse, filha de Ares.

– Sério? Filha de Ares? O deus da guerra? – disse Israel animado.

– Algum problema? – perguntou a tal Clarisse.

Israel sorriu.

– Não nada. Eu até que o acho bem legal. Acho-o um guerreiro incrível.

Clarisse deu um sorrisinho.

– Acho que nós podemos nos dar bem.

– Não queira isso. – riu Percy.

Clarisse lançou um olhar de desprezo a ele.

– Não fique tão animadinho Jackson por ter conhecido dois novos meio-sangues. Possa ser que eles desejem também transformar em pó um certo filho de Poseidon.

– Eu não conheço nenhum filho desse deus, você conhece Raphael? – disse Percy.

– Ahn... Eu acho que não. – falei atordoado.

Clarisse virou-se e saiu.

– E você Annabeth é filho de quem? – perguntei.

– Não filho de quem, filha de quem. – corrigiu ela. Fiquei um pouco vermelho. – Sou filha de Atena, a deusa da sabedoria.

– Nossa! Legal! – eu disse. – Então você deve ser fera nas matérias de sua escola.

Ela riu.

Annabeth nos apresentou também a uma menina chamada Katie Gardiner, e depois fomos andando e conversando. Achei muito bom eu já ter alguns amigos para conversar. Pensei que eu iria demorar a fazer qualquer amizade. Annabeth seguiu falando como o acampamento é protegido por barreiras mágicas, e assim, nenhum monstro pode entrar. Falou também que nenhuma pessoa mortal pode entrar aqui. Não entendi muito bem aquilo.

Nesse momento, eu olhei para o grande pinheiro lá no topo da colina, e vi duas pessoas correndo entrando no acampamento. Pude distinguir que era uma menina guiada por um sátiro. Annabeth disse:

– Isso raramente acontece. Alguns meio-sangues não conseguem chegar até aqui. Eles são mortos.

– Ahn? São mortos? – perguntou Israel.

– Sim – disse Percy. – Eu quase fui morto antes de chegar aqui.

– Como? Por quem? – perguntei curioso.

– Pelo o Minotauro. Lutei com ele no topo da colina, quase que ele me faz em pedaços. Ainda tenho o chifre dele como uma lembrancinha. – riu ele.

– Você lutou contra o Minotauro? – Israel ficou admirado. – Uau! Isso é muito show!

– Cara – eu disse. – Lutei com um cachorro gigante depois que saí de minha escola. Foi horrível.

– Cão infernal, esse é o nome certo. – corrigiu Annabeth.

Ficamos alguns minutos em silêncio.

– Mas, espera ai – eu disse ficando confuso. – Eu sou mesmo um semideus? Eu acho que isso é a coisa mais impossível do mundo. Sabe o que eu acho, que aqui é um hospício para loucos! Isso tudo é só um mito.

– Não, não é. – disse Annabeth. – Os semideuses tem certas características que os distinguem. Por exemplo, você tem transtorno do déficit de atenção e dislexia não é?

– Ahn... – tentei não me sentir envergonhado. – Sim.

– Então, isso já é um sinal certo. As palavras flutuam para fora das páginas quando você lê certo? Isso é porque sua mente esta programada para o grego antigo. E o transtorno do déficit de atenção? Você é impulsivo e hiperativo. Não consegue ficar quieto na classe. Isso são os seus reflexos de campos de batalha. Numa luta real eles o manterão vivo.

Deixei aquilo amadurecer em minha mente. Como aquilo poderia ser real? Decidi não responder.

– Ah. Então... por que nenhuma pessoa normal pode entrar aqui? – perguntei.

– Por causa das barreiras mágicas. – disse ela calmamente. – E também por que os mortais não veem esse lugar como nós. Eles olham, e não veem nada demais a não ser terras de fazendas e campos de morangos.

– Isso tudo é esquisito. – disse eu, olhando em volta. – Como é esse negócio de ser reclamado?

– Não se preocupe com isso. Pode levar muito tempo antes que seu pai, quem quer que seja, o reclame.

– Por quê?

Ela suspirou. Parecia que ela estava cansada de contar aquilo.

– Os deuses nem sempre prestam atenção em nós. Eles são muito atarefados, e às vezes, eles nos ignoram. Muitos campistas aqui esperam muito tempo em vão.

– Puxa, que triste. – murmurou Israel. – Quer dizer que eu posso passar minha vida inteira aqui, e não vou saber quem é meu pai olimpiano?

– Annabeth, não vamos desanima-los. – disse Percy.

– Mas é a verdade Percy. Quer que eu diga o que? Olhe, chegou mais um campista, e agora é a sua vez de falar e explicar as coisas.

– O quê? Por que eu?

– Por que a maioria dos campistas que chega aqui fica por minha conta. Agora é sua vez!

Pensei que eles começariam a discutir, mas nesse momento Grover chegou.

– Temos uma nova campista. – anunciou ele.

– Quem é? – perguntou Percy.

– O nome dela é Rebeca Dandara, mas ela gosta de ser chamada por Dandara.

– Percy – disse Annabeth sorrindo. – Sua vez.

– Ora, vamos Annabeth. Só mais essa vez. – resmungou ele.

Ela começou a sair. Percy foi com Grover resmungando.

– Ah, bom, prazer em conhecer vocês. – disse Israel enquanto eles se afastavam.

– Sim? E agora, o que fazemos? – perguntei.

Nesse momento, Clarisse, filha de Ares, veio andando em nossa direção com mais quatro campistas. Meninos feios iguais a ela.

– Ah meu Deus. Lá vem aquela garota novamente. – disse meio receoso. Não sei por que, mas ela não me agradava. Talvez fosse o fato de os olhos dela serem tão cruéis.

– O que foi cara? – perguntou Israel. – Não me diga que está com medo dela?

–Eu? Com medo dela? – debochei.

Ela se aproximou.

– Olá de novo novatos. – Ela apontou para os meninos que estavam atrás dela. – Esses são meus companheiros de chalé.

Pensei comigo mesmo que não queria que meu pai Olimpiano fosse Ares. Caso contrário, eu passaria a ter que conviver com Clarisse e seus irmãos feiosos.

– Então – disse ela para Israel. – Você realmente acha Ares legal não é? Se você der sorte, e ele for seu pai, você vai descobrir o quanto ele é muito mais legal do que você imagina.

– Hum, interessante. – disse Israel.

– Por que os filhos de Ares são tão estranhos? – Eu me arrependi dessas palavras.

Clarisse me olhou.

– Estranhos como assim?

– É... – tentei falar. – Todos tem uma aparência assim... meio diferente das dos outros. – minha garganta estava ficando seca.

– Diferente? – perguntou um menino que estava atrás dela.

– Deixa pra lá. Não é nada. – falei, tentando parecer simpático.

– Eu sugiro que você fale. – disse Clarisse ameaçadoramente.

Então, comecei a me sentir zangado. Não podia demonstrar medo. Ela me lembrou de Dylan na escola, me fazendo de bobo. Então sem medo falei:

– Vocês são muitos feios, mais feios que aquela cabeça de javali em cima da porta de vocês.

Israel segurou o riso. Clarisse rosnou.

– Então já esta dando uma de engraçadinho não é? Espere até chegar sexta feira a noite. Você vai se arrepender do que disse.

Fiquei pensando o que haveria na sexta feira a noite. Com certeza não era bom. Mal cheguei ao acampamento e já fiz uma rival. Por outro lado, não dava para ser amigo de todo mundo ali. Tem que ter alguém com quem a gente não se entende.

– O que vai haver na sexta à noite? – perguntei. Clarisse sorriu malvadamente.

– Você verá. E sugiro que abra o olho quando esse dia chegar. – Ela se dirigiu a Israel.

– Venha, vamos conhecer o chalé de Ares.

Israel se retraiu. Acho que ele não queria ir só, mas não tinha como eu ir com ele. Clarisse não ia deixar. Mesmo assim ele foi. Observei enquanto ele era rodeado pelos irmãos dela.

Fiquei só, sem saber para onde ir. Olhei ao redor. Não conhecia ninguém a não ser Percy, Annabeth, Grover, Quíron e a tal Clarisse. Decidi ir para o chalé 11.

***

Chegando lá, todo mundo estava correndo, brincando e discutindo. Entrei meio sem jeito. Alguns me observavam. Quando de repente chegaram perto de mim aqueles dois garotos, Connor e Travis Stoll.

– Olá, seja bem vindo ao chalé 11. – disse um deles. Não sabia dizer quem era o Connor ou o Travis. Ambos eram idênticos.

– Ahn, obrigado. – disse eu.

– Você pode escolher o lugar em que quer ficar. Sinta-se em casa. – disse o outro. Pensei comigo mesmo que eu teria de perguntar a alguém quem era quem dos dois.

– Obrigado. – respondi.

Um dos irmãos estendeu a mão para mim. Entendi que era para eu apertar. Apertei a mão dele, mas me arrependi de ter feito isso. Assim que nossas mãos se encostaram, houve um pequeno estalo de bombinha. Eu me assustei e recuei. Os dois começaram a rir.

– Que hilário. – disse um deles. E saíram andando.

Sentei-me no chão, sentindo-me confuso e atordoado. Fiquei pensando o que estava acontecendo com o Israel nesse momento. Pensei em minha mãe. Como ela estaria nesse momento? Ela estava em casa sozinha. E eu sem conseguir falar com ela.

Olhei para o lado, e vi a menina que estava entrando no acampamento. Comecei a me sentir mal humorado. O que eu estava fazendo ali? Aquilo tudo era real? Existiam mesmo deuses gregos? Eu deveria estar em casa.

As perguntas ficavam girando em minha mente, quando de repente, uma menina surgiu diante de mim. Ela tinha cabelos pretos lisos, e olhos castanhos claros pequenos. Era magra, e tinha a pele branca, e estava vestida de calças jeans com a blusa do Acampamento.

– Bem vindo ao chalé 11. – disse ela com um sorriso. Imaginei que devia ter uns 13 ou 14 anos. Levantei-me e cumprimentei-a.

– Obrigado. – disse eu, sem jeito.

– Olhe, não se preocupe em estar aqui. – disse ela. – O acampamento é um ótimo lugar. Você verá. Aqui somos uma grande família. Qual o seu nome?

– Raphael.

– O meu é Elissa.

– Você é filha de Hermes? Ou só esta aqui por que ainda não descobriram seu pai ou sua mãe? – perguntei.

– Sou filha de Hermes. Sabe quem é não sabe?

– Ahn... mais ou menos. – eu disse. – Ele é o mensageiro dos deuses. E também dos ladrões, das estradas e... – Estava pensando em como responder, quando de repente escutei uns gritos. Gritos de alguma pessoa zangada.

Elissa olhou para mim.

– Vamos! – disse ela.

Corri, junto com todos os campistas do chalé 11.

Assim que eu estava me aproximando do local dos gritos, pude perceber que quem estava gritando era Clarisse. Ela estava correndo atrás de Israel e gritando para que ele devolvesse sua lança. Não entendi nada.

Percy, Annabeth e Grover vieram correndo também até o local. Corri até eles. Quíron veio trotando com vários campistas correndo atrás dele.

– O que está acontecendo aqui? – perguntou Quíron.

– Esse idiota não quer devolver minha lança. É um tremendo de um fracote. – berrou Clarisse.

– Não devolvo! – gritou Israel para ela. – Você vai me espetar outra vez com essa coisa.

– Você o espetou com a lança? – perguntou Annabeth.

– Por quê? – eu quis saber. Israel estava atrás de umas árvores, quase adentrando o bosque. Clarisse tentava pega-lo, mas ele corria. Começou a ficar escuro com a chegada da noite.

– Ela me convidou para conhecer o chalé dela. – disse Israel. – Depois ela disse que os filhos de Ares precisam ser treinados para suportarem ataques e para aprenderem a se defender.

– Como você sabe que ele é filho de Ares? – perguntou Percy. – Ele ainda nem foi reclamado, ou foi?

– Cala a boca Percy! – berrou Clarisse. – Vocês todos não precisam estar aqui, essa é uma questão minha e dele.

– Ele é meu amigo. E você não tem o direito de espetar ele com uma lança. – Estava começando a me zangar outra vez com ela. Quíron foi para frente.

– Já chega! – disse ele. – Clarisse, você não deve se precipitar em dizer de quem ele é filho. Só vamos saber quando um dos deuses o reclamar.

– Com certeza ele deve ser filho de Afrodite. – disse ela rindo. Todos deram risadas. Israel ficou vermelho. – Um garoto desse nem sequer aguenta ser espetado por uma lança. Deve mesmo ser filho de Afrodite por ter o corpo tão sensível e delicado.

Todos caíram na risada. Pensei que Israel ia explodir, por que ele estava vermelho de raiva. Ele foi em direção a Clarisse.

– Quer lutar menininho? – disse ela. – Pois venha.

– Eu disse já chega! – ordenou Quíron. Mas eles pareceram não ouvir. Israel estava indo em direção a ela com confiança. Clarisse pegou outra lança de um dos seus colegas. Assim que Israel investiu contra ela, Clarisse pulou para o lado e o espetou no lado. Ele ganiu, e tentou espeta-la também, mas ela era habilidosa e boa lutadora. Fiquei observando enquanto eles lutavam, e Israel estava cada vez mais surrado.

– Para! – gritou ele.

Pegou a lança que estava caída, e de repente o céu escureceu mais ainda, ventos sopraram e um trovão ecoou. Todos olharam para o céu. Israel estava com a mesma expressão quando eu o vira enfrentar o sr. Brayck, quando se transformou naquele monstro.

Ele gritou e raios cortaram o céu. Levantou a lança no alto e um raio atingiu a lança como se fosse um para–raios. Ele direcionou a lança em Clarisse e o raio imediatamente a atingiu.

Todos olhavam incrédulos e de boca aberta o que estava acontecendo. Pensamos que Clarisse já era, mas depois, vimos que ela estava abaixada cobrindo a cabeça com os braços e tossindo. Não compreendi como ela sobrevivera aquilo.

Então as coisas ficaram mais estranhas. Um desenho holográfico surgiu em cima da cabeça de Israel cintilando e rodando. Um raio luminoso estava rodopiando em cima da cabeça do meu amigo.

– Israel... Olha. – eu disse surpreso. Ele olhou para cima e gritou. Tentou afastar o raio, mas ele o seguia.

– Ah meus deuses. – disse Annabeth.

– Você está determinado. – anunciou Quíron.

Todos começaram a se ajoelhar. Resolvi que seria bom eu fazer a mesma coisa. Clarisse olhava para o raio que estava desaparecendo. Quíron disse:

– Zeus. Senhor dos ares, deus dos trovões e raios. Senhor dos deuses. Salve Israel Rodrigues, filho do deus do céu.

Notas finais
Por favor comentem! iai o que acharam?