E Se fosse verdade?

20 Fazemos novos Amigos


Aparecemos, de repente, do nada em outro lugar. E pra piorar, a 15 metros de altura. Acho que Ares quis se vingar da provocação que lhe fizemos antes.

Levei um tremendo susto quando vi que eu estava caindo, junto com Percy, Igor, Annabeth, Grover e Dandara ao meu lado. Sinceramente, eu não teria feito nada para diminuir a velocidade da nossa queda, mas Igor teve uma ideia.

– Se agarrem ao Percy ou ao Raphael! Ou a mim!

Dandara abraçou Igor. Peguei Grover e Percy pegou Annabeth.

– Os protejam! – gritou Igor para mim e Percy. Quando o mar estava a poucos metros da gente, me concentrei bastante. No segundo seguinte... Bum!

Concentrei-me o máximo para proteger Grover. Ele se debatia tentando nadar. Peguei a mão dele e o puxei para cima. Quando chegamos à superfície, vi que estávamos muito longe da costa. Odiei Ares por isso. Nem sabia em que lugar nós estávamos.

– Vamos. – disse Percy com Annabeth as suas costas. – Temos que ir nadando até lá.

Dandara montow nas costas de gor. Olhei para Grover.

– Hã... Você... Quer ir também nas minhas costas? – achei aquilo totalmente estranho. Grover também achou.

– Não sei. Mas... pode ser.

Juntos, fomos nadando e nadando até chegarmos à praia. Assim que saí da água, despenquei na areia de exaustão. Respirava dificultosamente. Quem diria que um sátiro podia pesar tanto?

Eu estava me sentindo terrível. Meu corpo estava cansado. Estava morrendo de fome, e minha cabeça doía. E mais que tudo isso, eu ouvira o grito de minha mãe pedindo socorro. Será que era verdade? Não, não podia ser. Aquilo era a ultima coisa de que eu precisava. Queria permanecer deitado ali na areia por algumas horas.

Vi várias famílias se banhando no mar. Pessoas passavam passeando na praia, crianças brincavam de jogar areia umas nas outras. Minha cabeça estava girando. Onde eu estava?

– Ah, não! – disse Grover aflito. – Cadê meus sapatos?

Pgrcebi que ele estava descalço, com os cascos a mostra. Annabeth veio para perto dele.

– Esconda isso. – disse ela. – Não podemos chamar atenção de ninguém.

– Acha que eu não sei? – resmungou Grover.

– Olhe. – falei. – Ali tem um par de sapatos.

Bem ao nosso lado estava um par de sapatos pretos. O que um sapato estava fazendo sozinho ali na praia eu não sei. Grover os pegou emprestados.

– E agora? – disse Igor. – Como vamos saber onde a gente está.

Percy chamou uma mulher que passava.

– A senhora sabe onde estamos? – perguntou ele.

A mulher fez cara de que não estava entendendo nada. Olhei para Percy.

– É... Onde nós estamos? – tentei ajudar. – Que lugar é esse? – Não importa o quanto à gente falasse, ela não entendia. A mulher falou alguma coisa que também não compreendemos. Depois ela revirou os olhos e se foi.

– Ah meus deuses. Não estou gostando nada disso. – murmurou Annabeth. Ela olhou em volta.

O lugar era bonito. Vários guarda-sóis e barracas de bebidas estavam espalhados por todas as partes. Do nosso lado esquerdo, uma ponte seguia longamente a alguns metros longe da costa da praia. Pescadores navegavam pela praia em suas jangadas a procura de peixes.

Ao longe, atrás de nós, inúmeros prédios e hotéis cercavam a praia como se fosse um muro ao redor. Eu me sentia completamente perdido. E pela milionésima vez perguntei:

– Onde... nós... estamos?

Grover olhou para nós, e se levantou.

– É o que vamos descobrir.

***

Obviamente, devíamos estar em outro país, por que por onde a gente passasse várias pessoas falavam e conversavam, e eu não entendia coisa nenhuma.

Havia uma duas ruas que separavam a praia dos edifícios. Carros passavam constantemente. A movimentação era incessante ali.

– Pessoal, Ares deve ter pregado alguma peça de mau gosto na gente. – falei irritado. – Isso aqui está errado. O que estamos fazendo aqui? O que aqui tem haver com encontrarmos Israel?

– Raphael, sei que você está confuso – disse Annabeth. – todos nós estamos, mas devemos seguir em frente. Não podemos ficar parados sem fazer nada.

– Isso. Aliás, Ares disse que teríamos de procurar o seu filho. – lembrou Grover. – Então se ele mandou a gente para cá, é por que ele está por aqui em algum lugar.

De repente, um calafrio percorreu minhas costas. E me lembrei de um verso da profecia:

No nordeste Brasileiro, você irá chegar.

Será mesmo que...?

– Acho que sei onde estamos. – falei.

– Onde? – perguntou Dandara.

– Hã... estamos no Brasil, em algum lugar do nordeste.

Todos me olharam como se eu estivesse louco.

– O quê? – perguntou Percy.

– Lembrei-me das palavras do oráculo. Ela disse que no nordeste Brasileiro nós chegaríamos.

–Bem... então está explicado o porque de nós não entendermos as pessoas daqui. – murmurou Dandara.

– E agora? – resmungou Igor. – Como vamos falar com esse filho de Ares?

De repente, uma menina andando de patins passou por nós como um jato. Ela falou algo incompreensível, mas pela a cara dela foi: Saiam do meio idiotas!

Atravessamos a pista, tomando cuidado com os carros. Do outro lado, vimos uma lanchonete. Estava com tanta fome que senti vontade de invadir e comer tudo o que havia lá, mas eu me contive.

– Como vamos comer? – perguntou Grover. – Não temos mais dinheiro.

– Vamos comer qualquer coisa. – implorou Annabeth. – Não aguento mais de fome.

Mesmo sem dinheiro entramos na lanchonete. Sentamos á frente de um homem que vestia um terno empresarial. Fiquei imaginando como iríamos comer.

– Se o garçom vier perguntar se temos dinheiro, – murmurei. – não quero nem ver a cara dele quando vocês disserem que não tem.

– Calma, vai dar certo. – disse Percy, como se isso fosse ajudar.

Nesse momento, dois garotos entraram na lanchonete. Quando eu os vi fiquei atônito de mais para falar alguma coisa.

– Raphael? – disse Annabeth acenando com a mão em frente ao meu rosto. – O que está acontecendo?

– São... eles. – falei. – São... os garotos com quem eu havia sonhado.

Olhei para Percy, que se virou para olha-los.

– Será que...?

– Não pode ser. – disse eu.

– Do que vocês estão falando? – perguntou Igor.

Contei a ele sobre os meus sonhos.

– Quer dizer que eles são meio-sangues? – perguntou Dandara.

– Eu vi monstros os perseguindo. – insisti. – A não ser que monstros possam perseguir mortais comuns.

– Vamos acabar logo com isso. – disse Annabeth. Ela se levantou e foi em direção a eles. Tentei falar com ela dizendo que era má ideia, mas não deu.

– Oi. – disse ela. Ficamos olhando incrédulos enquanto ela falava.

– Com certeza eles não vão entender nada. – murmurou Grover.

Depois de alguns minutos, Annabeth voltou para nós.

– Problema resolvido.

– O quê? – perguntei. – Como?

– Não me diga que você fala a língua daqui? – disse Dandara impressionada.

– Claro que não. – respondeu Annabeth. – A língua daqui é Português. Eu ouvi um pouco sobre ela. Graças aos deuses, eles me entenderam. No inicio foi um pouco difícil.

Ela acenou para eles se achegarem.

– O único motivo de eles conseguirem me entender, pelo o que me disseram, foi porque aprenderam a nossa língua.

Eu não estava acreditando nisso. Pensei que seria bem mais difícil. Eu não queria admitir isso, mas fiquei feliz demais por Annabeth estar com a gente.

Os garotos se aproximaram desconfiados da gente. Eles eram do jeito que eu lembrava no sonho. O primeiro garoto com os cabelos espichado para cima, pele cor de chocolate e com um short de náilon estampado com coqueiros. O outro, pele parda com o cabelo curto e assanhado. Olhos castanhos escuros e usava roupas de quem estava indo á praia.

– Hã... e agora? – perguntou Percy.

Ficamos alguns segundos em um silencio constrangedor. Por fim, um deles disse:

– Oi.

– Hã... oi. – falei. – Tudo bem? – Assim que disse isso, achei a frase meio ridícula, mas eu estava sem saber o que fazer.

– Bem... hora de ir direto ao ponto. – disse Annabeth forçando um sorriso.

– Mas antes... podem fazer um favor pra gente? – disse Percy, fazendo uma cara parecida com a de um cachorro pedindo comida. – Somos estrangeiros e estamos morrendo de fome. Não comemos nada desde ontem. Tem como pagar um lanchinho pra nós?

Annabeth olhou para ele.

– Você está maluco?

– Quer morrer de fome? – sussurrou ele.

Annabeth fez uma careta.

– Continue.

– É claro. – disse o garoto. – Podemos pagar para vocês. Recebi o meu dinheiro da mesada hoje.

– Aleluia. – disse Igor levantando as mãos.

– Vocês estão tão esfomeados que se esqueceram de perguntar o nome deles. – murmurou Dandara. Fiquei um pouco envergonhado, mas eles se apresentaram. O nome do garoto com cabelo penteado para cima era Stefferson, e do outro, Marcos.

Nesse momento, o celular de Stefferson tocou. Ele provavelmente devia estar falando com um amigo seu, pois eu não entendi nada do que ele falava. Enquanto falava, ele ficou com uma expressão assustada. Ele olhou nervoso para Marcos. Assim que desligou o celular, eles começaram a discutir em português.

Olhei para os meus amigos sem entender nada.

– Desculpem. – disse Stefferson com um olhar de pânico. – Não posso ficar. Um amigo meu está com problemas. Precisamos ir!

– Esperem! – disse Annabeth. – O que está acontecendo?

– Não há como explicar. – disse Marcos assustado. – Precisamos ir.

– Não podem nem deixar o dinheiro da comida? – perguntei.

– Isso! – concordou Percy.

Annabeth olhou para nós dois com um olhar de quem ia calar a nossa boca a qualquer momento.

– Nós vamos ajuda-los. – ordenou ela.

– Não! É perigoso de mais! – implorou Stefferson. – Da ultima vez ele quase nos matou.

– Quem? – perguntei.

Foi quando eu soube, mesmo antes dele dizer. Levantei-me da cadeira abruptamente. – Eu sei quem é!

– Quem é o quê? – perguntou Grover totalmente confuso.

– O monstro que atacaram eles. Eu o conheço.

– E qual é o monstro? – perguntou Percy.

Olhei para os dois garotos.

– O Minotauro.

Notas finais
Espero que tenham gostado. ^^ Não estou com muito tempo para escrever. Então... até o proximo capitulo galera!