E Se fosse verdade? 2
12 Dou um salto doloroso
Notas iniciais
Tudo o que pude pensar nesse momento foi: Meu professor de matemática? Quem é? Sra. Erika? Ela era minha professora de matemática na nova escola. Ah, mas o monstro havia falado “diga olá para o seu antigo professor...”. Então quer dizer que era um homem. Certo. Deixe-me lembrar quem foi o meu...
— Vou matar você! — rugiu ele tentando me pegar com a sua mão através da janela.
Saí dos meus pensamentos. Levantei-me rapidamente e tentei sair do ônibus, mas o monstro ficava socando o veículo toda hora, e eu me abaixava para que ele não pudesse me pegar.
— Raphael! — Annabeth gritou lá fora. — Você está bem?
— Você é que não vai estar. — riu uma voz grossa. Ouvi barulhos de lutas e de pessoas gritando.
— Estou bem. — consegui dizer. Minhas mãos estavam tremendo. Tirei meu mini celular do bolso e puxei a antena. Logo uma espada de bronze estava em minhas mãos. Eu estava quase perto da porta, pronto para sair, quando de repente o ônibus foi levantado. Escorreguei para trás e bati minha cabeça no volante. Os corpos dos passageiros caiam de seus assentos.
— Ah, meus deuses! — gritei. — O que eu faço?
— Que tal você morrer virando churrasco? — riu o Lestrigão. Pela janela eu o vi de relance. Estava com o ônibus em seus braços pronto para jogá-lo.
O que está esperando? Disse uma voz na minha mente. Vamos acabar logo com esses monstros ridículos.
Franzi a testa. De onde estava vindo aquela voz? Foi quando senti uma coisa apertando minha coxa. Enfiei minha mão no bolso, que era grande, e tirei de lá a máscara.
Isso, pensei. Ela pode me safar desta. Ótima ideia.
Mas, calma ai. Falou a minha consciência. Ela já provocou estragos demais. E você prometeu não coloca-la.
Era verdade. Eu poderia acabar matando mais alguém inocente. Coloquei-a de volta em meu bolso. Devia haver outra forma de sair dali.
— Lá vai um belo arremesso! — rugiu o monstro.
Corri para a janela mais próxima. Na hora em que ele arremessou o ônibus, saltei pela a janela. Por um segundo vi as coisas de cabeça para baixo, e então... TUM! Senti uma dor imensa em minha cabeça. Meu corpo fraquejou. O ônibus explodiu mais adiante fazendo pedaços voarem.
Eu estava caído no chão, incapaz de me levantar. Depois de alguns segundos percebi que eu havia caído de cabeça. Minha visão estava rodando e embaçada.
— Raphael, cuidado! — gritou Kayro.
Olhei para cima e vi o monstro olhando-me com um sorriso. Ele me pegou pela a blusa e levantou-me.
— Filho de Poseidon, não é? — ele riu. — Onde está aquele seu amigo estúpido, Israel?
Apesar de eu estar pouco consciente, consegui ver Percy, Annabeth e Kayro lutando contra dois Lestrigões. Os monstros estavam com pedras imensas nas mãos. Eles atiravam contra meus amigos, mas eles desviavam-se. Vi Kayro pegar algo de sua mochila. Alguma coisa comprida de metal parecendo com um V.
— Vocês me destruíram antes. — disse o monstro que me agarrava. — Mas agora terei minha vingança.
— Sr. Brayck. — murmurei, ainda tonto. Lembrei que ele foi meu antigo professor de matemática em minha antiga escola.
Ele riu.
— Depois de tempos me regenerando no Tártaro, finalmente voltei. E agora verei sua morte.
— Não! — exclamou Annabeth.
O ex-sr. Brayck ergueu sua mão com garras, pronto para me fatiar, quando alguma coisa o atingiu em cheio na cara.
— Argghh! — ele me soltou e se desintegrou, transformando-se em pó.
— A-há! Funcionou! — comemorou Kayro quando algo voltou voando para a sua mão. Era um bumerangue.
— Irmão! — gritou o outro Lestrigão.
— Arghh! — rugiu outro. — Vai pagar por isso semideus imprestável.
Kayro parecia tremer de medo. Percy rolou por debaixo das pernas de um e tentou lhe espetar, mas o monstro, sem olhar para trás, deu-lhe um chute com o calcanhar. Annabeth se desviou de um murro do outro, e lançou sua faca como um dardo em direção a ele. A faca entrou em seu peito, e o próximo Lestrigão foi fazer mais uma visita ao Tártaro.
Kayro arremessou seu bumerangue em direção ao último Lestrigão que estava tentando esmagar Percy, só que ele o pegou no ar antes de atingi-lo.
— Seu brinquedo estúpido não é páreo para mim. — rosnou ele. Quando no momento de distração do monstro, Percy o espetou na coxa. Poeira foi tudo o que restou como lembrancinha dele.
Levantei-me ainda com a cabeça doendo e o corpo fraco. Annabeth veio em minha direção ofegante. Só agora percebi que ela tinha cortes pela as testa.
— Você está bem?
Assenti.
— É, acho que sim.
— A sua queda foi feia. — disse Percy. Seu cabelo estava cheio de poeira de monstro. Seu queixo estava com pequenos cortes. — Parecia que estava querendo dar um mergulho no chão.
— Que bom. — murmurei. — Agora, o que houve? Como isso tudo aconteceu?
— Foi simples. — contou Annabeth. — Estávamos no ônibus viajando quando paramos no sinal. Três homens vieram para a nossa janela vendendo garrafas d’água e doces. Falei que não queria, mas eles insistiam, quando de repente os doces emitiram um bipe agradável e explodiram.
— E depois... — continuou Kayro. — É... Três monstros apareceram e começaram a atacar o nosso ônibus. — Ele estava pálido. Acho que era a primeira vez que ele enfrentava alguma coisa perigosa. — Você estava dormindo na hora do ataque. Alguns mortais conseguiram escapar.
Olhei á nossa volta. Estávamos em algum lugar da Pensilvânia. Não muito longe. Pelo jeito a gente estava fora da área urbana, por que do nosso lado direito e esquerdo só havia mato e arvores.
— Quanto tempo eu dormi? — perguntei.
— Não sei — respondeu Annabeth. —, mas acho que estávamos viajando durante cinco horas. É melhor acamparmos.
Ela apontou para o céu, que estava ficando alaranjado ao entardecer.
— Acampar? — Kayro deu uma risada. — Onde? Nos matos?
— A menos que você ache outro lugar. — replicou ela.
Ele olhou para a gente.
— Sério? Vocês acampam nos matos?
— Eu lhe disse que a missão não ia ser fácil. — murmurei.
— Não estou reclamando. Até por que eu trouxe algumas coisinhas para casos como esses.
Ele abriu a mochila e tirou de lá um travesseiro. Percy arregalou os olhos.
— Como...?
— Eu andei fazendo umas coisinhas quando estava no acampamento. — contou ele. — Sabe, teve dias em que eu ficava sem fazer nada de útil, então eu ia para as forjas inventar coisas.
— E você fez isso sozinho?
— Hã... Bem, o bumerangue foi. Agora essa mochila, não. Alguns garotos me ajudaram.
— Mas... Espere. — disse eu. — Como o seu bumerangue matou o sr. Brayck?
— O nome dele era sr. Brayck? — perguntou.
— Era. Bem, não é mais. Mas não importa.
— Okay. Meu bumerangue o matou por que... — ele apontou para as pontas do bumerangue. O brinquedo era grande e todo feito de metal. Parecia mesmo um V, só que mais aberto. Vi que as pontas eram mais brilhantes. — São feitas de bronze celestial.
— Nossa! — Percy pegou o brinquedo mortal. — Gostei disso. E como se lança essa coisa? É só jogar?
— Bem, tem que ter um jeito...
Percy jogou o bumerangue para o alto. O brinquedo se distanciou, girando e girando, até que veio em nossa direção como um míssil.
— Abaixem-se! — gritei. Todos nós nos abaixamos. Mesmo assim, o bumerangue atingiu a cabeça de Percy com toda a força.
— Aaaiii! — gritou ele, pondo as mãos na cabeça. — Brinquedo idiota!
Eu e Annabeth rimos. Kayro pegou o bumerangue.
— Esqueci de dizer que ele volta para você, não importa onde está. Se não quiser ser acertado, tem que pegá-lo no ar.
— Ah, ótimo! — resmungou Percy. — Vamos logo acampar. Quero ver você tirar de dentro da sua mochila um bloco de gelo para por em minha cabeça.
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