E Se fosse verdade? 2

37 Annabeth compra uma limusine


— Táxi! Ei, táxi!

Annabeth estava na beirada da calçada balançando seu braço para qualquer carro que passasse. O mais estranho nela era que, em vez de a Máscara cobrir toda a sua cabeça por inteiro, seu cabelo loiro ficava de fora em um rabo de cavalo. Conseguem imaginar? O rosto verde, cara feia, e atrás da cabeça um rabo loiro de cavalo que lhe caía nas costas. E não era apenas isso. Com uma mão ela acenava para os táxis, e em sua outra mão ela segurava uma metralhadora. Sabe, uma coisa absolutamente normal.

— Hã... Annabeth. — chamou Percy. — Você está bem?

Ela se virou e deu um sorriso enorme.

— Não se preocupe. Estou melhor do que nunca. Estou conseguindo controlar a Máscara.

Ao nosso redor, a cidade começava a se tornar totalmente iluminada. Por onde quer que se olhasse haviam placas de néons e luzes de diversas cores.

— Uau! É lindo. — comentou Ashley, observando a cidade.

— Táxi! — gritou Annabeth. — Seus mal-educados! Quantas vezes preciso balançar o braço para vocês pararem?

Percy sussurrou em meu ouvido:

— Será mesmo que ela está controlando a Máscara?

— Não sei. — disse eu. — É difícil dizer. Aquela coisa controla você de uma maneira que nem percebe.

De repente, uma multidão de pessoas nos empurraram e começaram a gritar. Elas lotaram a calçada e tentavam sair dali às pressas, mas havia tantas pessoas que simplesmente não dava para se mover sem ser esmagado.

— O que é isso? — perguntei, me desviando delas.

Percy estava sendo arrastado junto com a multidão, mas se abaixou e conseguiu passar por entre elas. Ashley segurou em minha mão e se contorcia enquanto várias pessoas tentavam desesperadamente correr.

— Por que estão assim? — perguntou Ashley, confusa.

Um homem que estava perto da gente falou:

— São eles. Estão vindo verificar se tem infectados em nosso meio. Não quero fazer esse teste.

Aquilo não fez o menor sentido para mim.

— O quê? Eles quem? E que teste? Que infectado?

— Só corram! — ele gritou e se espremeu entre a multidão.

Quando a calçada ficou vazia, dois homens com uniformes pretos e com máscaras de gás no rosto se aproximara de nós.

— Vocês... — um deles apontou para nós. — Não se mexam.

Meu coração acelerou. O que estava acontecendo?

— Hã... o que eu fiz? — perguntei.

Percy olhou ao redor e exclamou:

— Onde está Annabeth?

Observei, e vi que realmente ela havia sumido.

— Ah, meus deuses. — sussurrou Ashley. — Será que ela se esqueceu da gente e foi embora?

— Silêncio. — disse o homem. Sua voz soava abafada por causa da máscara de gás. — Fiquem quietos. Não se movam. Se fizerem um movimento suspeito... — ele puxou um revólver que estava em seu quadril. — Mando bala.

— Um argumento convincente. — murmurou Percy, com as mãos para o alto. — Gosto disso.

Eu não fazia ideia de quem eram aqueles dois homens e o que eles queriam. Não dava para diferenciar um do outro por causa dos uniformes iguais. Mas um deles pegou um dispositivo que tinha uma aparência ameaçadora e olhou para nós.

— Não se mexam. Só queremos ver se vocês são infectados.

Ashley riu.

— Infectados. Por quê?

— Não me lembro de ter pego nenhuma doença. — disse eu, pensativo.

— Nem eu. — disse Percy.

O homem que estava com o dispositivo agarrou Ashley pelo o pescoço e disse:

— Calma. Vou fazer só um teste. Se der positivo, sinto muito, mas terão de vir conosco.

— Quem são vocês? — perguntou Percy. — Só por que somos garotos não quer dizer que...

O outro homem que estava ao lado deu um soco na barriga de Percy, que se encurvou de dor.

— Ei! — gritei, e avancei sobre o homem. — Não bata nele!

Tentei dar um soco, mas o homem pegou um revolver e me atingiu na cabeça, fazendo-me cair. Uma onda de dor se alastrou pela minha cabeça.

— Eu disse para ficarem quietos. — avisou o homem que me atingira. — Estão fazendo isso ficar mais difícil quando tentam resistir.

Ouvi um bipe, e a voz abafada do homem que estava com Ashley dizendo:

— Negativo. Ela não é infectada. É uma privilegiada. Uma imune.

Levantei-me, sentindo uma raiva mortal, mas consegui me controlar. Percy estava com a sua caneta nas mãos, mas sabia que contracorrente não feriria aqueles mortais idiotas.

Do outro lado da rua, outras pessoas nos olhavam com temor e receio. Algumas, claro, filmavam aquilo, como se fosse algo bem divertido.

— Sua vez, sr. Rebelde. — disse o homem, colocando o dispositivo perto dos meus olhos. — Não se mexa. Apenas olhe para ele.

Fiquei olhando, e vi flashes coloridos preencherem meus olhos. Depois um sopro de ar e em seguida uma picada em meu pescoço.

— Ai. — gemi.

O homem verificou o dispositivo, e olhou para mim com aquela máscara.

— Nada. Você também é um maldito privilegiado. — ele olhou para Percy. — Sua vez.

Após ter feito o mesmo teste, concluiu que nós três éramos imunes, como eles falaram.

— Ótimo. — falou o homem do dispositivo. — Três imunes em um só lugar. Sinto muito, crianças, vocês terão de vir conosco.

— O quê? — exclamou Ashley. — E se não quisermos?

— Então virão assim mesmo.

Os dois destamparam três agulhas que haviam tirado de dentro dos bolsos, e se aproximaram de nós. Recuamos assustados, mas de repente, barulhos de tiros encheram o local, e imediatamente o corpo dos dois homens de uniformes encheram-se de buracos. O sangue respingou nas paredes e no chão. Eles caíram e ficaram imóveis.

Percy olhou para os corpos boquiaberto.

— Como...?

Uma voz não muito longe da gente ecoou:

— Ahá! Eu sabia que iam se meter em encrenca assim que saísse.

Uma forma escura se aproximou, e vi que se tratava de uma garota normal. Camisa branca, calças jeans e sandálias. Cabelos pretos sedosos e pele bronzeada.

Ela parou e fez pose com uma metralhadora nas mãos.

— Gostaram da minha nova aparência?

Minha mente estava uma confusão. Estava dando bug direto. O que aquela menina estava fazendo com uma metralhadora nas mãos? Quem era ela?

— Quem... quem é você? — perguntou Ashley, olhando para a garota fixamente. — Onde conseguiu essa arma?

— Ah, eu já estava com ela. — disse a garota. — Por favor, não me digam que não estão reconhecendo sua velha amiga.

Percy riu.

— Certo. Está querendo dizer que você é a Annabeth?

A garota revirou os olhos.

— Eu tenho que revelar mesmo? — resmungou. Foi quando ela colocou sua mão sobre o rosto e... começou a arrancar sua pele.

— AH! — gritei. — O que é isso? Por que está...?

— Que nojo! — gritou Ashley. — Essa menina é louca.

Mas depois de alguns segundos, suas roupas começaram a se rasgar também, bem como sua pele, cabelos e o restante. Até que... Annabeth apareceu. Sim, era Annabeth com a Máscara.

— Perdeu a graça. — murmurou ela. — Estava usando um disfarce. Não viram?

Ninguém respondeu. Aquilo havia sido estranho ao extremo.

— Certo. Que bom que estão fascinados. Mas agora, vamos até o carro que consegui para a nossa carona.

***

Andamos pelo o que pareceu ser uma eternidade.

Eu estava nervoso. O tempo para salvar Igor e Grover estava se esgotando. Era para a gente estar lá. O sol já havia desaparecido. Meus amigos estavam dependendo de nós quatro. Mas decidi relaxar. Annabeth era esperta. Ela iria conseguir.

Finalmente paramos em frente a um cassino enorme. Um homem de terno estava parado perto da porta, com um olhar inexpressivo. Há uns cinco metros, vi uma limusine preta. Fiquei boquiaberto, pois nunca vira uma de perto.

— Uau! Que massa! — disse eu.

— Super bacana. — comentou Percy.

Annabeth passou por nós e... Não! Não era Annabeth. Era a mesma garota de antes, a que tinha matado os dois homens de uniformes e com máscaras de gás. O homem de terno sorriu ao vê-la e fez uma reverência.

— Aqui está a chave da sua limusine srta. Annabeth.

— Obrigada, Dexter. — a garota... hã, Annabeth disfarçada de garota normal, pegou a chave. — Ah, me desculpe. Por acaso eu já lhe paguei?

— Ah, sim. — sorriu Dexter, e sussurrou. — Já me pagou. Um milhão de dólares.

Percy arquejou.

— Um milhão de...?

— Okay. — Annabeth acenou para nós. — Venham... vamos passear de limusine.