E Se Tudo Dependesse De Um Jogo
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Maria acabava de sair da casa de Vivian. Estava em seu carro recordando as últimas palavras da amiga, que dissera que viajaria para fora do país... Pensava no quanto seus filhos ficaram rebeldes nesses últimos 20 anos, e a falta que lhes fez uma mãe. Heitor não poderia ser assim tão precipitado, apenas por causa de um simples abraço. Como ficaria a criança e a mãe, sem um pai e esposo presentes? Iria falar novamente com Heitor, esperava que dessa vez, ele finalmente abrisse os olhos para a besteira que estava cometendo. Não deixava de pensar em Estevão, sabia que ele havia sido um bom pai, mas onde seus filhos tiraram tanta rebeldia?
– Ah, se estivéssemos passados esses últimos anos juntos, Estevão — suspirou.
A lembrança de seu matrimônio feliz com Estevão lhe doía. Sentia falta de largos 20 anos que foram lhe arrancados bruscamente, de poder dar amor e ensinar as primeiras letras do alfabeto aos seus filhos, e de viver seu amor com Estevão sem empecilhos, juntos, para sempre, como ela havia acreditado uma vez...
– O amor da minha vida virou as costas para mim, e darei o mesmo troco, virando o rosto para esse amor que ainda me queima, mas que jamais poderá voltar a ser consumado.
Duras as palavras, mas necessárias, tamanha a solidão que havia sentido sem Estevão a seu lado nessas duas décadas difíceis e amargas de sua vida. Estacionou o carro em frente a mansão e, ao sair do automóvel, olhou fixamente para a casa. Recordou dos momentos de alegria que vivera ali, e teve vontade de chorar, mas controlou-se, pois suas lágrimas, dizia ela, eram para quando seus filhos descobrissem que ela era sua verdadeira mãe.
Ao entrar na casa, Estevão acabava de sair do escritório. Olhou para ela, querendo saber onde ela havia estado a tarde toda.
– Fui a casa de Vivian, se quer saber.
– Me alegro que estivesse com ela e não com outra pessoa.
– Alguém em especial?
– Me refiro a Geraldo Salgado.
– Não se preocupe. A última vez que o vi foi na empresa, mas mesmo que o tivesse encontrado, isso não seria de sua conta.
– Engana-se, você é minha esposa, me deve satisfações.
– Somos casados no papel apenas, um casamento de fachada, nada mais. Faça o que queira de sua vida e faço o que quiser da minha. Boa noite.
Já estava subindo as escadas, quando Estevão a conteve. Segurou em seu pulso delicadamente e sorriu.
– Calma aí, Maria. Não fuga. Não quero brigar com você. Estava no escritório e ouvi o som de seu carro. Jogava xadrez e você sabe o quão ruim é jogar sozinho. Queria companhia no jogo. Aceita uma partida?
– Porque não chama a Ana Rosa? Tenho certeza de que ela toparia qualquer joguinho com você.
– Não a chamo porque ela não sabe — sorri — e mesmo que soubesse, só me interessa jogar com você.
– E o que ganho com isso?
– Vejamos... Um tempo agradável comigo e um jogo disputado? Seu muito bem que ama jogar xadrez, ainda mais quando tem um oponente à altura. O que me diz? — A proposta fez Maria pensar.
– Não sei. Tomarei um banho e se eu descer é porque quero, caso contrário, nem me chame.
– Sei que virá Maria. Sei que virá...
Maria seguiu para o banho, enquanto Estevão retornou ao escritório à espera de Maria. Andou de um lado ao outro. Será que Maria viria mesmo? Sentou no sofá e observou atento ao quadro da desconhecida na lareira. "Como eu queria poder dizer aos meus filhos que Maria é verdadeira mãe deles e acabar com esta mentira que destrói a cada dia mais essa família", pensou Estevão.
– Ah, Maria, se você soubesse o quanto sofri com sua falta nesses longos anos anos que você esteve presa. Te amei mais que tudo, e agora que você voltou, fez despertar em mim todo o sentimento que havia adormecido, e sei que você também sente o mesmo por mim. O que é preciso pra te ter de novo comigo?
Estevão recordou o quão triste foi colocar dois quadros com a imagem de uma desconhecida na casa, olhar todos os dias para os seus filhos e querer dizer que a mãe deles estava viva... Mas era uma criminosa e estava na cadeia, aprisionada para sempre, como todos acreditaram. Estevão guardava em segredo uma fotografia, que já estava amarelada pelo tempo, e todos os dias olhava a mulher da foto, a unica que amou de verdade, e chorava. Sera que era inocente como dizia? Será que foi um erro abandona-la assim, a conselho de sua tia Alba, e tentar a todo custo esquecê-la? Essas eram as perguntas que fazia todas as noites a si mesmo.
– Sim, ela é inocente — respondeu, por fim — Eu fui um covarde por não acreditar em Maria, e hoje ela me é indiferente. Mereço seu desprezo, mas... — Ele ficou em silêncio por um curto período de tempo — Sei que ela me ama, que nos amamos. Eu ainda a terei, e tentarei recuperar o tempo perdido. Voltaremos a ser uma família feliz... Prometo-te, Maria!
Estevão foi despertado de seus devaneios por sua tia Alba, que perguntou o que ela fazia acordado àquela hora.
– Nada demais tia, apenas pensava.
– Não quer que eu fique com você ?
– Não, não será preciso. Daqui a pouco me recolho.
– Tudo bem, Estevão. Boa noite!
Estevão verificou seu relógio, quase onze e meia. "Será que Maria não virá ?" Serviu-se de mais conhaque e esperou. Maria por sua vez, decidia-se entre dois pares de roupa para vestir para sua partida de xadrez com Estevão. Decidiu-se por um terno vermelho. Retocou a maquiagem e, antes de sair do quarto, olhou-se novamente no espelho.
Já no escritório, Estevão terminou sua bebida e soltou um suspiro. "Ela não virá". Triste, colocou o copo na sua escrivaninha e se dirigiu a porta, que acabara de abrir e por ela entrava Maria. Ele a deslumbrou em silêncio. Ela vestia sua cor favorita, a mesma de sua lingerie no dia da lua de mel de ambos e seu decote discreto fazia Estevão recordar de muitas noites de amor que viveram...
– Está divina, Maria. Não precisava dessa produção toda para me ver.
– Não seja prepotente. Vesti-me assim porque vermelho me dá sorte e é minha cor preferida.
– Que coincidência, creio que você não se esqueceu que esta também é minha cor preferida...
Maria mudou de assunto:
– Então, quando começamos a partida ?
– Aceita uma bebida primeiro ?
– Claro que sim. Vinho, por favor.
Estevão serviu-se de mais conhaque, a entregou a Maria uma taça de vinho tinto.
– Decidi vir, porque quero que joguemos apostado.
– Dinheiro?
– Não precisamos disso. Quero algo significativo.
– Como o que, por exemplo ?
– Se eu ganhar... Quero que expulse a Alba dessa casa e termine sua relaçãozinha com Ana Rosa.
– Por quê? Sente ciúmes de mim e Ana Rosa? — perguntou Estevão, com aquele típico sorriso de lado.
– Não seja tolo. Digo isso por nossos filhos, apenas. Não é certo que o pai deles esteja casado e tendo um relacionamento às escondidas com sua amante.
– E por que expulsar tia Alba daqui?
– Porque ela manipula você, e manda nessa casa. Tem mais autoridade que eu, que sou a verdadeira dona da mansão.
– Não sei, Maria. Sua prosposta não me convence. Chamei-lhe para nos divertimos juntos, não pensei em momento algum num jogo apostado!
– Pegar ou largar, Estevão.
– E se eu ganhar ?
– Aposte o que quiser. Estarei esperando sua oferta.
Estevão pensou por alguns minutos, e seus olhos se iluminaram quando encontrou resposta.
– Já pensei em que apostarei.
– Sério? — irônica — Pela demora, deve ser algo muito valioso.
– E é... Pelo menos para mim.
– E o que vai apostar?
– Se ganho... Quero uma noite com você...
Maria, apesar de ter mostrado um sorriso de desdém, por dentro se desesperava. Pensou em qualquer coisa, menos isso. Estar novamente com Estevão, sentir seu corpo junto ao dele outra vez, era um sonho ao qual não podia deixar realizar, pois estava decidida a enterrar esse sentimento que levava consigo desde muito tempo.
– E se perder?
– Cumpro o que apostou comigo.
– Prepare-se logo para mandar sua tia arrumar as malas. Já ganhei esse jogo.
– Maria, ainda nem começamos, não conte vitória antes da hora.
Estevão fez um gesto com a mão, indicando a Maria os dois lugares reservados a partida. Já se passavam das doze e meia e os dois estavam ali, um de frente ao outro, encarando-se.
– Que vença o melhor !
– Primeiro as damas, Maria. Queira fazer as honras.
– Com muito prazer, Sr. Estevão... Que comece o jogo...
Maria iniciou o jogo com os peões brancos, e a primeira peça a movimentar foi o cavalo... A partida estava acirradíssima e Maria contava vantagem. Estevão suava frio. Era a oportunidade de ter Maria em seus braços de novo, mas a cada movimento realizado por ela, percebia o quão longe seu desejo de tomá-la de novo, estava.
– Esta partida já está ganha, Estevão.
– O jogo não terminou, Maria.
– Mas já sabemos o resultado. Conheço todos os seus truques Estevão, e eles já estão manjados.
Estevão movimentou seu dedo em sinal de negativa.
– Nada disso, esposa. Existem truques que são adquiridos com o passar dos anos, truques estes que você não tem conhecimento.
– Na cadeia, também possuem jogos de xadrez...me aperfeiçoei bastante.
– Não quero falar sobre isso, Maria. Continuemos o jogo, sim? — Estevão detestava quando Maria falava da cadeia, pois era insuportável pensar no quanto seu amor sofreu encarcerada.
– Tudo bem, Estevão. Vamos continuar...
Estevão estava desesperado. Maria o encurralara e ele não tinha saída. Mas... Apareceu uma chance e ele resolveu agarra-la. Moveu mais uma de suas peças.
– Boa jogada, Estevão.
Maria continuava confiante, e Estevão, da mesma forma, esperançoso. Maria ficou pensativa. Estevão começava a reagir. Será que ele ganharia dela? Não poderia permitir isso. Queria ver Alba fora de sua casa e Ana Rosa bem longe de seu marido. Estevão, pela primeira vez sorriu. O jogo mudava a seu favor, e Maria ficou apreensiva. Moveu novamente mais uma peça, e agora olhava para Estevão, mas não evitava um sorriso de vitória escapar de seus lábios vermelhos.
Estevão estava a cada passo, mais perto da vitória, e Maria já estava nervosa. Realizou um movimento errado, e nesse instante, Estevão moveu sua peça e anunciou, triunfante:
– Xeque-mate!
– Não pode ser! — diz Maria, ainda não acreditando no que ocorrera.
– Tanto pode que ganhei. Estava tão preocupada em não perder pra mim, que seu único objetivo era me encurralar, mas não se lembrou de resguardar sua rainha. Se prepare, Maria. Hoje mesmo vai pagar a aposta! (não sei jogar xadrez, por isso escrevi qualquer coisa rsrsrs)
Maria engoliu seco. Jamais imaginaria que perderia para Estevão, já que desde o início do jogo, ela o mantivera sobre controle. Mas será que falhou em algum momento voluntariamente, porque assim como Estevão, ansiava estar com ele novamente? Agora, teria de cumprir com sua parte.
Foi uma disputa dificílima. Já se passavam das duas da manhã, e Maria e Estevão se olhavam, sem saber, ou querer reagir. Depois de um silêncio prolongado, Estevão preenche o vazio com uma pergunta:
– Preparada, Maria? Não pensa em desistir, não é mesmo?
– Nunca fujo de nada a que me proponho, e você sabe disso. Que horas você quer que... — Maria não sabia como falar.
– Que a gente se ame?
– Que eu me encontre com você. Pode ser hoje à noite? Pois já é de madrugada.
– Minha fome por você dura há vinte anos. E agora que tenho a oportunidade de estar com você, não perderei mais tempo. Quero agora, mas darei a você vinte minutos.
Maria se arrepia com a resposta.
– Por que me dará este tempo?
– Não quero que fique comigo por uma aposta. Darei a você tempo suficiente para se decidir se realmente quer isso. Suba para seu quarto. Se daqui a vinte minutos eu for até lá, e a porta estiver fechada, saberei que não me quer e que não me ama mais e, definitivamente, a deixarei em paz acreditando que meu amor não te interessa nem um pouco.
– Tudo bem, subirei ao meu quarto agora.
Maria subiu as escadas. Abriu a porta do quarto ( não esquecendo que para se ter acesso ao quarto de Maria, entra-se pelo quarto de Estevão). Aproximou-se da cama de Estevão e sentou em uma das extremidades, passando a mão pelo forro e pegando um de seus travesseiros. A aproximou de seu rosto e inalou o perfume impregnado nele. "Não estou pronta Estevão. Apesar de te amar, não posso fazer isso, poderia acabar com meus planos. Você sabe muito bem que regressei apenas para recuperar a meus filhos". Dizia ela a si mesma.
Passados vinte minutos, Estevão subiu para seu aposento. Não sabe se vai diretamente ao quarto de Maria. Andou de um lado ao outro, passando a mão pelo cabelo, preocupado. Por fim, aproximou-se da porta e colocou a mão na maçaneta. Inspirou fortemente e a girou. A porta estava trancada. Se pudesse ver a reação de Estevão, a decepção estampada em seu rosto, poderia entender o que se passava em seu coração. O misto de tristeza e frustração que sentia era imenso. Maria não o amava mais, e pôde constatar isso. O que faria agora?
Resolveu sair para tomar um ar, não se sentia nada bem. Mas quando se distanciava da do quarto, ouviu um balançar de chaves. Maria destrancara a porta!. Demorou alguns segundos para assimilar o que acabara de acontecer. Finalmente entrou. Maria estava na janela, de costas para ele. Vestia uma camisola de alças, quase translúcida. Sua silhueta era iluminada pelo brilho da lua, e por baixo de suas vestes, se destacava sua calcinha branca de renda. Maria sabia que Estevão a observava, e sentia... Como se fosse sua primeira vez, depois de longos anos com o homem que sempre amara, que a tornou mulher há muito tempo atrás.
Virou-se lentamente para Estevão, e este a visualizava, fascinado. Mesmo depois de tanto tempo, Maria continuava linda. A camisola desenhava cada curva de seu corpo, e a luz que emanava da janela dava a ela um ar sensual, e ao mesmo tempo, uma áurea de inocência. Estevão queria acariciar aqueles ombros onde repousavam as mexas do cabelo de Maria, ter seu corpo colado ao dela. Colocou a mão na garganta. Sentiu uma sede enorme. Sede da boca e dos beijos de Maria, das carícias que ela realizava em seu corpo. Maria se aproximou a passos lentos.
– Eu não iria abrir a porta, mas não sou uma mulher de voltar atrás na minha palavra. Estou aqui. Vamos, faça logo o que tem que fazer. — fingindo resistência.
– Maria, se você abriu a porta, significa que assim como eu, esperava esse momento havia muito tempo. Eu te dei a condição de abandonar a aposta, mas você não o fez.
Maria ficou alguns segundos em silêncio. Com a cabeça baixa, rompeu o enorme vazio de som que serpenteava entre eles.
– Tive medo, Estevão! — sentia um nervosismo imenso, como o da primeira vez — Medo que resolvesse me esquecer. Até o último momento resisti, olhei a todo instante para a porta , e vi o trinco se movendo. Até ali, estava decidida a não deixar você entrar. Mas não queria que você saísse daqui e fosse ao encontro de Ana Rosa procurando consolo. Seu silêncio me angustiou, não chamou meu nome. Não quero que vá encontrar mulheres fora de casa, porque você tem uma bem aqui na sua frente, toda sua, esperando que seu marido e único amor de sua vida lhe tome em seus braços e a torne mulher novamente.
Maria caminhou até Estevão, que estava paralisado, tamanha a emoção que acabara de sentir com a declaração inesperada dela. Fitou seus olhos e foi aproximando lentamente seu rosto no de Estevão, que apertou Maria contra seu corpo e finalmente, após tanto tempo, a beijou com vontade, necessidade, com desejo. Depois de um beijo demorado e apaixonado, ambos sem fôlego, Estevão deslizou suas mãos suavemente pelos ombro de Maria, e ela sentia um rastro de fogo por onde seus dedos passaram. Estevão queria estar dentro de Maria naquele exato momento, mas era a oportunidade que havia aparecido, não sabia se ela mudaria sua atitude para com ele, e queria aproveitar cada segundo ao lado de sua amada, explorar cada pedaço de seu corpo, daquele corpo que sempre havia te pertencido e que agora estava ali, depois de vinte anos, esperando por ele de novo.
Beijou seu pescoço e Maria soltou um gemido involuntário. Foi deslizando sua boca pelo ombro dela e, lentamente, abaixa uma das alças de sua camisola. Repetiu o movimento do lado oposto e baixou a outra alça. A camisola deslizou pelo corpo de Maria, e ela ficou seminua. A visão para Estevão era fascinante!
– Maria, não sabe a vontade que sinto de beijar cada canto de seu corpo. Eu te desejo tanto!
– Você me tem aqui, Estevão. Sou toda sua, faça o que quiser comigo. Ama-me, me possua.
Estevão, a cada palavra de Maria, ficava mais faminto por ela. Depois de deslumbrar seu corpo, suavemente a deitou na cama. Foi intensificando as carícias. Chegou à região dos seios de Maria e, com reverência, tomou um em sua boca. Maria gemeu alto. Com uma das mãos, acariciou o outro seio, que endureceu ainda mais sob seu toque hábil. Maria pressionou os lábios, e apertou o forro da cama.
Sentiu falta da boca de Estevão em seu corpo e, assim como ele, ansiava desesperadamente por esse momento.
A língua de Estevão era perita. Rodeava seu mamilo rapidamente, com loucura, experimentando, apreciando um sabor que só ele havia provado, e depois, repete o movimento em seu outro seio, como se degustasse uma fruta doce, deixando Maria inebriada. Queria tocar o cabelo dele, mas tinha medo. Por algum motivo tinha medo. Depois de um longo tempo, suas mãos repousaram nos seios de Maria, enquanto a boca percorria sua barriga, a língua invadia seu umbigo, e ela delirava. Estevão saiu de cima de Maria, e colocou a mão na gravata para tirá-la.
– Não — sussurra Maria, tímida — Deixe-me fazer isso, por favor.
Maria enquanto tirava a gravata, puxou Estevão para um outro beijo. Beijou- o com fervura, enquanto suas mãos desabotoavam a camisa de Estevão. Sua língua procurava a dele, sentia o gosto de hortelã que possuía sua boca, e Estevão a acariciava, pressionando suas mãos nas costas dela. Todavia ainda não crendo no que estava acontecendo. Se levantou da cama e rapidamente, se livrou dos sapatos, calça e cueca box. Maria se maravilhou. O membro de Estevão estava ereto, duro tamanho sua excitação, e depois de tanto tempo, parecia maior do que se lembrava. Aquele homem lindo, com aquele corpo perfeito era dela, e se sentiu orgulhosa de tê-lo só para si, de despertar desejo, mesmo depois de vinte anos separados. Estevão repousou Maria novamente na cama, e suas mãos deslizaram para sua calcinha rendada. Sem tirar os olhos dela, retirou a única peça de roupa que o impedia de admirar sua nudez.
Passou suas mãos pelas coxas de Maria, e ela sentiu um frio na barriga. Foi distribuindo beijos molhados, e passou suavemente, seus dedos na intimidade de Maria, que suspirou. Com uma lentidão agonizante, foi se aproximando da intimidade dela e, finalmente a beijou... Lá. Passou a língua impiedosamente pela intimidade de Maria fazendo contornos circulares em volta de seus clitóris, lambendo, chupando, e ela se inquietou embaixo dele. Havia esquecido o quanto aquilo era maravilhoso. Estevão se deliciava com Maria. Sabia como deixá-la louca a cada gemido dela, aumentava ainda mais sua excitação. Após um tempo demorado, Estevão decidiu tomar Maria definitivamente. Enquanto se preparava, Maria se ergueu e apoiou suas mãos no peito de Estevão.
Sem nada dizerem, trocaram de lugar e Maria ficou por cima de Estevão. Olhou-o nos olhos e relembrou novamente sua primeira noite de amor, e a timidez que sentiu quando fez isso pela primeira vez estava ali, presente. Havia passado muito tempo desde que tiveram juntos assim, fazendo amor.
– Ei, ei — disse Estevão segurando a mão de Maria — não precisa fazer isso. Sou eu quem quer te dar amor, de verdade, não é preciso.
– Não Estevão, eu... Eu quero fazer isso.
Um pouco sem jeito, Maria pegou o membro de Estevão firmemente. Os gemidos abafados de Estevão estimularam Maria, e ela intensificou seus movimentos no membro dele, subindo e descendo rapidamente sua mão, deixando Estevão louco. Vendo que Estevão delirava, foi se entregando ao momento aos poucos. Colocou o membro de Estevão em sua boca e o experimentou com vontade, proporcionando a Estevão a mesma dose de prazer que ele havia lhe proporcionado.
Estevão a puxou para cima de si e a beijou novamente, só que dessa vez a penetrou lentamente, pois Maria havia ficado muitos anos sem fazer amor, e ela geme em seu ouvido, se acostumando com Estevão dentro de si. Depois que ela se acostumou, Estevão investiu mais forte, e Maria gritou mais alto, dessa vez chamando seu nome.
– Oh, Estevão... O quanto esperei... Por isso — murmurou Maria em meio aos gemidos, absorvendo cada estocada, sentindo seu corpo se entregando cada vez mais. Deu alguns selinhos em Estevão e se ergueu, cavalgando furiosamente no membro de seu amado, rebolando, repetindo diversas noites de amor que passaram juntos. Seus corpos suados, sedentos um pelo outro, juntos agora em perfeita sincronia. E passaram a noite toda (madrugada, na verdade), se amando. Chegaram a um incrível orgasmo. O melhor que já tiveram juntos.
Estevão acordou primeiro e viu Maria ali, ao seu lado e não hesitou em exprimir um sorriso de orelha a orelha. Queria admirar Maria por mais tempo, todavia ela despertava logo após. Estevão sorri para ela e lhe dá um selinho.
– Maria, não sabe quantas vezes sonhei com esse momento. Ainda não acredito que tenha se realizado — sussurrou-lhe Estevão, que repousava a cabeça de Maria em seu peito.
– Eu também, Estevão. Senti muito sua falta. Foi um sonho que se realizou.
– E o que acontecerá a ambos depois dessa noite inesquecível ?
Maria hesitou. Queria passar todas as noites de agora em diante com Estevão, mas sabia que se chegasse à tona sua noite de amor com ele, Alba ou Ana Rosa fariam algo para atrapalhar a felicidade dos dois.
– Estevão... — respondeu-lhe Maria, erguendo-se um pouco para poder olhar nos olhos de seu marido — não creio que seja conveniente que todos saibam que estamos juntos.
– E por que não ? Maria nos amamos! Todos devem saber que eu e você estamos bem, felizes.
– Tenho medo de que tramem algo contra nossa felicidade, Estevão. Quero que nós fiquemos juntos, mas escondidos. Pelo menos por um tempo, enquanto tento resolver minha situação com Estrela, que não está falando comigo desde que me intrometi na relação dela com Carlos.
– Maria, quer que eu converse com ela?
– Não precisa. Eu mesma terei que resolver isso sozinha. Hum...que horas será ?
– Não me interessa nem um pouco, desde que eu passe todo o tempo do seu lado.
– Ai Estevão. Não se esqueça de que para todos, estamos dormindo em quartos separados. — Maria olhou para o despertador em cima lado do criado-mudo — Nossa! Quase dez! Nunca acordamos a essa hora, vão desconfiar de nós. Vamos Estevão, se levante. Desça primeiro, depois eu vou.
– Maria ainda acho que você...
– Estevão, por favor — disse Maria, interrompendo-o — Melhor fazermos da forma que lhe disse. Por mim.
– Tudo bem, Maria. Te espero lá embaixo.
Maria já ia saindo da cama enrolada no lençol, mas Estevão a puxou para um beijo delicioso e demorado, um beijo de bom dia, como eles sempre faziam no passado.
– Sabe, me deu uma vontade louca de te amar de novo! — Sorriu Estevão, malicioso.
– Agora não meu amor, mais tarde. Terei todo o tempo do mundo para você, mas preciso saber como amanheceram meus filhos.
– Hum... Mães. Não mudam nada!
Estevão observou Maria indo até o banheiro, e da porta, ela se virou pra ele e sussurrou-lhe :
– Te amo, Senhor Estevão !
Estevão sorri como resposta.
Já era hora do almoço. Estevão e Maria se olhavam mais que o costumado, e isso não passou despercebido por Alba. "O que será que aconteceu entre eles ?" Pensava a cobra... Digo, a tia de Estevão.
Rebeca chegou correndo à sala de jantar, sem fôlego.
– O que aconteceu Rebequinha? Porque você está tão nervosa? — perguntou Carmem à governanta.
– Senhor Estevão, a senhorita Ana Rosa está aqui! Tentei contê-la, mas...
– Mas não conseguiu. Vim aqui porque preciso falar a sós com você, Estevão — diz Ana Rosa, participando da cena.
Na mesa estavam reunidos Estevão, Maria, Heitor, Estrela, Angelo, Alba e Carmem.
– Não há nada para falar com meu marido ! Sai daqui por bem, ou eu mesma lhe expulso a pontapés — revidou Maria, levantando-se assim como Estevão e se posicionando ao seu lado, tentando esconder a raiva que a invadia.
– Estevão, quero falar com você em particular, é sério o que tenho a te dizer.
– Se quer falar algo, que fale na frente de minha família!
– Não está vendo que ela quer atenção papai? — intromete-se Estrela, sem ocultar seu descontentamento — coloca essa mulher pra fora, ela mancha essa casa com sua presença!
– Pois bem, Estevão. Falarei na frente de todos — não dando a mínima para a ameaça de Maria e as palavras de desprezo de Estrela.
– Saia daqui Ana Rosa, deixe-nos em paz — Heitor se levantou da cadeira e parte em direção a Ana Rosa, mas é contido por Alba.
– Calma, calma todos. Ana Rosa só quer falar algo, depois irá embora. Não é mesmo Ana Rosa?
– Sim Alba, o que vim dizer é muito importante, e de todas as formas, também diz respeito aos demais... Só queria dizer a Estevão, mas não me resta outra alternativa senão ter de fazê-lo na presença de todos.
– Vamos, diga logo o que você quer e suma da nossa frente! — Intervém Ângelo, que a todo o momento se mantinha calado.
– Estevão...- Diz passando a mão pela barriga — vamos ser papais!! Não ficam felizes? — diz desestabilizando a todos.
– Como é que é ? — Exaltou-se Maria, que logo depois, desmaiou nos braços de Estevão, e este perdeu o controle, partindo com ela no colo em direção ao sofá da sala.
Fim...???!!
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