E Se O Amor Acontece...

4 Capítulo 4 - O Trabalho


Notas iniciais
Há quanto tempo... Perdão pela demora. Fazia muito tempo que eu não entrava em minha conta, recentemente entrei e senti saudades de tudo isso. Pensei em excluir, mas quis postar mais um capítulo! Espero que gostem. Beijo! XD

Pov Annabeth

Ao meu ver, o mais prudente foi marcar o trabalho em minha casa. Afinal, minha casa, minhas regras. E assim foi feito. Marcamos tudo para às 3 da tarde. Cheguei em casa, tomei um banho, almocei e fui dormir. Acordei às 14:30. Fui para a sala e fiquei vendo televisão. Quando o relógio marcou exatamente 3 horas, a campainha tocou. Perseu estava na minha porta trajando uma bermuda marrom e uma camisa branca.

— Deixa-me adivinhar... São 3:00 em ponto.

— Pois é. Quem diria. — disse e o deixei entrar -

— Na verdade, cheguei tem uns cinco minutos, apenas estava esperando dar o horário.

— Ah claro. Desculpa aí Sheldon Cooper.

Sentamos no sofá. Nos encaramos por alguns segundos e começamos a rir. Não entendi bem o motivo, mas ok. Levantei-me e fui buscar meu notebook. Ao voltar, o folgado estava deitado no sofá e vendo a MINHA televisão.

Pigarreei.

— Licença, mas acho que temos um trabalho a fazer.

— Desculpa, mas você estava demorando — falou se sentando — Tem alguma ideia de quem vamos falar?

— Sim. Vai parecer meio óbvio, mas pensei no seguinte: Seu nome é Perseu, certo? Então pensei em escolher uma das grandes histórias dele e representarmos. O que acha?

— Gostei. Só tenho uma exigência: Que a história seja a de Perseu e Andrômeda! Minha mãe me contava essa história quando eu era criança.

— Tudo bem. Então será Perseu e Andrômeda. Só estamos esquecendo de um detalhe... Os objetos da história que teremos que levar. A menos que você tenha uma cabeça de medusa congelada na sua casa, eu não sei como podemos fazer.

— Relaxa. O papai aqui manja de tudo um pouco — falou com um sorriso torto no rosto, apenas joguei uma almofada em sua direção.

[Música]E assim passamos a tarde. Me encarreguei do trabalho escrito e Perseu ficou indo e vindo entre nossos apartamentos, carregando materiais necessários para a confecção de algumas coisas que precisaríamos para ilustrar o nosso trabalho. Confesso que não foi tão insuportável trabalhar com ele como eu pensei. Logo após eu terminar o trabalho escrito, ajudei Perseu com a sua parte.

Não sei como, mas ele já havia improvisado uma cabeça de medusa, faltando apenas pintar. Preciso nem comentar que foi um desastre.

— Perseu, onde eu passo de verde?

— Passa aqui ó — e passou o pincel na minha blusa, a sujando de tinta.

Fiquei furiosa e joguei tinta em seu cabelo. E assim iniciou-se uma guerra de tinta. “Corremos” por meu apartamento, um rindo da cara do outro. Terminamos de pintar tudo o que restava, e só então reparamos a sujeira que tínhamos feito.

— Eu não vou limpar isso sozinha. Você vai me ajudar! – falei pegando um pano e um balde.

— Mas é claro, meu amor – Perseu respondeu com um sorriso presunçoso no rosto.

— Não me chama de meu amor. Não sou sua e nem amor de ninguém. – entreguei os objetos a ele.

— Você sempre foi assim? Amargurada com a vida? — ele perguntou se abaixando para limpar a tinta do chão.

— Não... — ponderei por alguns instantes- E você? Sempre foi tão curioso assim?

— Nem sempre. Na verdade, sou bem calado. Prefiro observar a falar.

— Tá de onda com a minha cara, né? Parece mais o grilo falante. -Perseu riu -

— Estou falando sério. É que... Você me intriga. E é engraçado te ver irritada.

Não falei nada, apenas mostrei a língua. Limpamos o apartamento, no final estávamos exaustos. O relógio marcava 19:30. O tempo passou sem que eu percebesse. Minha madrasta estava para chegar com as crianças e meu pai. Eu não havia feito nada para jantar. A cada minuto que se passava, minha barriga roncava. Em uma dessas, o barulho foi alto demais. Perseu me olhou com uma cara engraçada.

— Parece que alguém aqui está fome — mal começou a rir e sua barriga roncou alto.

— Vejo que não sou a única.

— Conheço um lugar legal. A gente podia ir lá. Tá afim?

Pensei por uns segundos. Acho que a minha família não se importaria. Afinal, andam falando bastante para eu socializar mais e essas coisas. Peguei um bloco de notas. Escrevi um bilhete e o deixei na geladeira. Arrumei uma bolsinha com celular, chaves e dinheiro.

— Vamos — falei indo em direção a porta.

— Mas você vai assim? — perguntou apontando para a minha roupa.

Olhei-me de cima a baixo e não encontrei nenhum problema.

— O que tem a minha roupa?

—Você está toda suja de tinta. Quer dizer... Nós estamos.

— Qual o problema?

— Nada. É só que... — o interrompi.

— Está com medo de acharem que tu fugiu de algum hospício? -perguntei rindo.

— Não. Vamos logo — puxou-me pelo braço em direção a porta.

***

A noite já havia surgido. Caminhávamos pela rua em pequenos passos, sem pressa. O tempo estava meio fechado. Algumas nuvens se mostravam no céu. Uma brisa fria batia em nós. Andamos por algum tempo em silêncio, até que um casal de idosos passou por nós. Nos fitaram dos pés à cabeça. E então riram. Ouvi mais ou menos o que disseram "Quer dizer que é isso que chamam de moda hoje em dia? Sou mais o meu tempo". Olhei para Perseu e concordei que estávamos ridículos com aquelas roupas.

Não muito longe dali, havia uma barraquinha de hot dog.

— Então é aqui o lugar?

— É sim. O que foi? A madame aqui só come em restaurantes chiques?

Mostrei meu dedo do meio e sentei em uma das cadeiras que ali tinha. Uma senhora baixinha e simpática, trajando um avental e uma touca, veio nos atender.

— Boa noite. O que vão querer?

— Eu quero dois hot dogs com tudo o que tem direito e um coca cola. Por favor. -Perseu me olhou com espanto-

— E você, querido? O que deseja?

— O mesmo que ela.

E assim a senhora foi preparar os nossos pedidos.

— Dois hot dogs? Sério isso? -ele me perguntou incrédulo.

— Qual o problema? Uma "princesinha" não pode comer muito? -perguntei fazendo aspas com as mãos.

— Nada contra. É como dizem, a cara é de mocinha, mas o estômago é de pedreiro — ele falou levantando as mãos em rendição.

Tive que rir.

Não demorou muito e nossos pedidos chegaram. Comemos em silêncio. Não pude deixar de reparar em Perseu. Enquanto mastigava, seu maxilar se mexendo. Seus olhos verdes...

— O que foi? Perdeu alguma coisa? -falou com a boca cheia.

— Claro que não. Você quem perdeu a educação, não fala de boca cheia! — terminei de falar e ele enfiou o resto de seu segundo hot dog na boca- Eca.

Eu já havia terminado de comer. Perseu estava terminando. Ouvimos um barulho, mas ignorei. Afinal, estávamos na rua. É um lugar barulhento. Porém Perseu pareceu incomodado. Olhava para além de mim. Alguns segundos se passaram. Seus olhos arregalaram-se. Em um movimento rápido pegou sua carteira, pegou dinheiro e deixou no balcão da senhora. Virou-se para mim e apenas disse:

— Corre.

E então correu. Estava prestes a gritar com ele, mas então olhei na direção do barulho. O que vi me assustou. E então entendi. Saí correndo atrás de Perseu.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Queria agradecer a Joaninha por ter dado a sugestão de Perseu e Andrômeda. Obrigada, linda. :3 Qualquer erro, me avisem. u.u