E Se O Amor Acontece...
6 Capítulo 6 - Problema resolvido?
Notas iniciais
(Na sua estante foi a música que eu ouvi escrevendo esse capítulo, fica a minha sugestão)
“Só posso dizer uma coisa: hora errada, local errado.
Parado com um buquê de flores na mão, na saída da escola, estava Luke. Com um sorriso envergonhado e uma mão na cabeça ele disse:
— Nós precisamos conversar.”
Pov Annabeth
O tempo parece que havia parado. Eu não sabia o que fazer. Gritar? Correr? Chorar? Ou talvez atropelá-lo com um trator? Esta última me agradou mais. Fiquei estática por alguns instantes (que pareceram uma eternidade), saí do transe com a voz de Luke, novamente:
— Bom, ainda espero uma resposta – ele continuava a me encarar, nervoso.
Ainda estava processando o ocorrido, pensando nos prós e nos contras de cada ação que eu poderia tomar. Após avaliar tudo, tomei a minha decisão. Dei um passo à frente, mas fui impedida de ir adiante por uma mão em meu pulso. Era Perseu, havia esquecido completamente de sua presença.
— O que você está fazendo? – perguntei. Ele pareceu não me ouvir, continuava a encarar Luke.
— Você o conhece de onde, Annabeth? O que você quer com ela? – Perseu elevou o tom de voz na última pergunta.
— Cara, na boa, eu só quero conversar com ela. Por favor, fique na sua! – Luke parou por alguns segundos e prosseguiu – Aliás, quem é você? Solte-a!
— Quem sou eu? Sério? Sou o corno que você meteu chifre alguns dias trás – Gritou um Perseu a flor da pele.
Eu estava sem reação. O que ele queria dizer com isso? Será que... Pelos deuses, a garota que beijou Luke era namorada de Perseu. Não podia acreditar. Minha boca abriu e fechou várias vezes, sem saber o que falar. Eu estava incrédula. Luke havia se calado, um clima pesado pairou no ar. Após alguns instantes, ouvi passos, era Thalia:
— O que está fazendo aqui? – ela dirigia-se a Luke – Espero que me dê um bom motivo para não quebrar essa sua cara de espantalho sem horta agora mesmo.
— Calma aí, punk. Só vim para esclarecer algumas coisas – disse Luke em sinal de rendição.
Antes que mais alguém pudesse falar algo, pronunciei-me:
— Eu irei com você, Luke. E vocês — apontei para Thalia e Perseu — nos vemos mais tarde, sem falta.
Ambos apenas assentiram com a cabeça. Dirigi-me a um certo loiro que portava um sorriso em seu rosto. Céus, ele estava lindo. Nem toda a raiva que eu sentia poderia ocultar este fato. Mas eu tinha um foco, não cederia a nenhuma tentativa dele.
— Então... Pensei em irmos àquela praça perto de sua casa ou a algum lugar mais reservado. O que acha? – ponderei alguns instantes.
— Tem uma sorveteria aqui perto, é mais reservado – “além de que lá é cheio de testemunhas, não poderei cometer um homicídio”, completei mentalmente.
— Você quem manda, princesa — fiz questão de ignorar o comentário e segui andando rumo à sorveteria.
Vislumbrei Luke me seguindo. Ótimo. Logo cheguei ao estabelecimento, distava apenas uma quadra da escola. Dirigi-me ao balcão, enquanto esperava o atendente voltar, um certo loiro parou ao meu lado e sussurrou um “o de sempre, né? De morango”. Não tive chance de responder, o atendente logo voltou, anotando o pedido de Luke: um sorvete de morango e outro de baunilha. Ele pagou e pegou os nossos sorvetes. Sentamos em uma mesa bem no canto, de onde dava para observar a rua. Estava deliciando o meu sorvete quando a conversa se iniciou, por minha parte. Quantos antes resolvêssemos, melhor.
— Então... — tentei fazer com que ele falasse algo.
— Então... Primeiramente eu queria pedir desculpas. Não sei o que te falaram, mas não é verdade. Nem sei o motivo do nosso término — não acredito que ele estava se fazendo de anta.
— Olha, eu sei muito bem o que vi. Qual a sua desculpa para enfiar a língua naquelazinha? — tentei falar o mais calmamente possível. Não sei se realmente queria saber, mas era necessário esclarecer tudo. Eu poderia aceitar que não me quisesse mais, contudo não era preciso essa traição.-
Seria difícil ouvir aquilo, eu ainda gostava muito dele. Afinal, nunca esquecemos aquele que veio a nos mostrar um novo mundo, cheio de mimos, abraços, beijos e compreensão. Que nos faz sentir que tudo é possível, que todas as barreiras podem ser quebradas, onde não tempo e espaço para mais nada, apenas o desejo de pertencer um ao outro. Ninguém nunca esquece o primeiro amor. Ao pensar nas suas próximas palavras, ocupei-me com o meu sorvete. Ainda esperava uma resposta de Luke, este que me encarava seriamente. Estava pronta para ouvir um "Eu não te amo mais" ou qualquer coisa que pudesse me ferir ainda mais.
— Foi por isso que você terminou comigo? Nem ao menos me deu uma chance de explicar... E como assim você viu?
— Estou dando essa chance agora. Explique-se antes que eu me arrependa. E sobre eu ter visto... Foi uma foto que chegou as minhas mãos.
— A pessoa que fez isso só queria estragar a nossa felicidade, Annabeth. Nem ao menos procurou saber a fundo o que aconteceu, só saiu espalhando fofocas. Escuta — ele pegou as minhas mãos e me olhou nos olhos — Eu te amo, nunca duvide disso.
Ele nunca havia me falado as três palavras. Ansiava por esse momento desde os últimos meses. Mas não era assim que eu esperava ouvi-las. Esperava outro contexto, ou no nosso aniversário de namoro. Meu tolo coração dava piruetas de alegria, minha mente quase cedia aos seus caprichos. Estava prestes a ser dominada pela emoção e proferir as três palavras. Entretanto, consegui recobrar a consciência.
— Você ainda não me explicou o que aconteceu.
— Mas não aconteceu nada, meu amor. Eu nem sei quem é aquela garota. Ela simplesmente me parou, me pediu uma informação e me beijou! Alguém se aproveitou e tirou uma foto bem nessa hora.
Puxei as minhas mão das suas. A história estava muito mal contada.
— Por favor, acredita em mim. Já passamos por tanta coisa juntos, acha mesmo que eu te trairia assim? Nós sempre fomos sinceros um com o outro, se eu não quisesse mais essa relação, eu chegaria e terminaria tudo. Mas esse não é o caso! — disse pegando uma mecha de cabelo solto minha e pondo atrás da orelha.
Ele falou com tanta convicção, soava tão verdadeiro...
— Não sei. Preciso de tempo para pensar. Ainda é muito recente. Preciso averiguar umas coisas ainda — falei lembrando-me que Thalia tinha algo para me contar -.
Eu já havia terminado o meu sorvete. Ele contou a história dele, já não tinha mais o que fazer ali. Qualquer minuto a mais com ele seria uma chance de me deixar levar pelo coração. Levantei da mesa e estava prestes a ir embora, quando Luke me segurou pelo pulso.
— Já vai? Pensei que ia ficar mais um pouco. Faz tempo que não nos vemos.
— Eu só vim aqui para ouvir a sua versão da história. Você já contou e é isto.
— Não vai me contar quem era aquele com você? — perguntou com a voz amargurada. Ciúmes? Sério isso?
— Não que isso importe para você, mas é um amigo. Primo da Thalia.
Ele apenas me encarou, não disse nada. Soltei-me dele e fui em direção à porta.
— Tchau, Luke. A gente se esbarra por aí.
Voltei para a escola e me sentei em um dos bancos que tinha ali. Resolvi mandar uma mensagem para Thalia, essa conversa não poderia mais ser adiada.
"Amiga, está em casa? Daqui à pouco passo aí."
Minutos depois ela me respondeu:
Okay, pode vim.
beijo
Assim peguei um ônibus e fui para a casa dela. Algumas paradas depois desci e adentrei no condomínio tão conhecido por mim, o porteiro me deixou passar direto, já me conhecia de outras primaveras. Ali só morava os que chamam de 'elite', chamar aquelas construções de casas devia ser uma ofensa, eram verdadeiras mansões, dignas de filmes de Hollywood. Passei por duas e cheguei onde Thalia morava. Sua arquitetura era no estilo grego, com enormes colunas e fachadas. Era basicamente branca e cinza grafite. Toda vez que ia ai, ficava admirada.
Toquei o interfone e a tão conhecida voz de Maria soou por ele.
— Pois não, o que deseja?
— Maria, sou eu, Annabeth! — ouvi um gritinho dela e logo depois a mesma abriu a porta.
Abracei aquela senhora calorosamente, ainda não a tinha visto desde as férias. Conversamos um pouco e logo após fui para a sala, onde encontrei uma Thalia jogada no sofá pulando de canal em canal na televisão e um Perseu jogado no chão, babando em uma almofada. Aproximei-me dele e fiz um gesto para Thalia não fazer barulho. Peguei uma almofada e "bati" naquele energúmeno, que acordou assuntado.
— Tá maluca, garota? Eu podia ter tido um infarto e morrido do coração — falou colocando dramaticamente a mão sobre o peito.
— Deixa de ser exagerado. E você baba enquanto dorme — falei entre risadas.
Após todos acalmarem os ânimos, olhei para Thalia.
— O que ele está fazendo aqui? Pensei que a nossa conversa seria particular.
— Achei que seria pertinente a presença dele, porque ele também está envolvido. Imagino que você já saiba quem é a garota na foto.
Olhei para Perseu.
— A Thalia me falou que aquele era o seu namorado. Que você é uma vítima tanto quanto eu — apenas assenti.
— E o que tinha a me contar? Como conseguiu aquela foto?
— Sentem-se que a história é longa...
***
Pov Luke
Fiquei ali, sentado na sorveteria, pensando no que eu tinha feito para merecer isso. Annabeth é uma pessoa maravilhosa, não queria perder ela. Foi a melhor coisa que me aconteceu. Por que não podia ser simples assim e vivermos felizes e em paz? Sempre tem alguém para atrapalhar o que já está bom, esse alguém pode ser outrem ou você mesmo...
Fui interrompido quando alguém sentou-se na mesa em que eu estava.
— E como foi com a loirinha? Quero todos os detalhes!
Era ela.
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