E Se... Eu e você... 2
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Voltei... Eu sei, eu deveria ter postado antes, mas tbm tenho que atualizar as outras fics e por isso fico revezando nas atualizações... ç.ç
Capítulo dedicado especialmente a 'melenick' pela recomendação... eu simplesmente amei... Muito obrigada mesmo. *o*
Gostaria de agradecer a todos que deixaram reviews... muito obrigada... vcs são uns amores... 0______0
Quanto aos leitores fantasmas... eu já desisti de vocês... sei que vão me assombrar pelo resto da fic (vida) mesmo... ç.ç
Boa leitura.
Daniel assim que chegou à sala de espera se dirigiu até o sofá onde o sobrinho estava jogado, ainda estava chorando e quieto em seu canto. A Carla tentava consolar o sobrinho, mas parecia que quanto mais ela falava algo para fazê-lo parar de chorar, mais ele chorava.
– Lucas... Não fica assim, vai tudo certo, você vai ver. Eu acabei de falar com o médico do Ian e ele vai fazer alguns exames e testes nele, tenho certeza que vamos ter ótimas notícias.
– Ele nem sabe quem eu sou e me expulsou do quarto, tio. Eu o perdi, eu sei que perdi.
– Você não o perdeu Lucas, tenha um pouco mais de fé.
– O Daniel tem razão querido. Vai ficar tudo bem.
Lucas ia discordar, mas a chegada de uma certa ruiva chamou a sua atenção, ela estava armando um verdadeiro barraco na recepção.
– Queridinha, eu só quero saber em que quarto está o meu amigo. – Falava em um português meio ruim, mas que era possível entender muito bem o que ela dizia.
– Senhora.
– Senhorita. – Replicou a ruiva.
– Senhorita. Eu já disse. Só posso passar essa informação aos familiares.
Ao avistar a ruiva, Daniel foi ao seu encontro antes que ela fosse expulsa do hospital.
– Jane?!
Jane ao ouvir alguém chamando o seu nome, imediatamente virou-se em direção a voz que a chamava e abriu um sorriso ao ver o moreno de olhos verdes.
– Graças a Deus você apareceu, eu já estava quase saindo na porrada com a recepcionista, pois ela insiste em não me passar o número do quarto do Ian.
– Que bom que veio.
– Desculpe não ter vindo antes, eu tinha que resolver alguns assuntos relacionados à minha licença e só agora consegui permissão para vir.
– Tudo bem. Obrigado por ter vindo.
– Não precisa agradecer. O Ian é meu amigo e eu não poderia deixá-lo sozinho em uma hora dessas. Onde ele está?
– O Ian está fazendo alguns exames. – Disse com um sorriso no rosto. – Ele acabou de acordar e por isso os médicos estão fazendo alguns testes e exames que só é possível com o paciente acordado.
– Sério? Ai meu Deus! Isso é o máximo. E como ele está?
– Não muito bem. – Daniel disse, agora com uma expressão um pouco preocupada.
– Como assim?
– Ele não consegue sentir as pernas e não se lembra de nada dos últimos quatro anos. O Lucas está desesperado porque o Ian nem mesmo o reconheceu, pois quando ele viu o Lucas pela última vez, antes da Bia falecer, o Lucas tinha apenas uns onze, talvez doze anos, não sei bem e, por esse motivo o Ian não reconheceu o garoto. Ele acha que perdeu o grande amor da vida dele.
– Tadinho do Lucas. Onde ele está? – Perguntou a ruiva.
Daniel meneou a cabeça para o lado, indicando onde estava o sobrinho, que no momento se encontrava abraçado à tia e chorando feito um bebê.
– Eu posso falar com ele? – Perguntou.
– Claro, vamos lá que eu apresento você ao Lucas e a minha esposa.
Eles caminharam até onde estava a esposa do Daniel e o Lucas.
– Amor. – Carla olhou para o marido e se surpreendeu ao ver a bela ruiva que o acompanhava. – Eu quero lhe apresentar a Jane, amiga do Ian.
– É um prazer conhecê-la. O Ian sempre falou muito bem de você. – Carla falou enquanto estendia umas das mãos para cumprimentá-la, a outra mão continuou acariciando os cabelos do sobrinho.
– O prazer é todo meu e, eu também sempre ouvi muitos elogios a seu respeito.
Jane olhou para o garoto nos braços da Carla e sentiu um aperto no peito. Era óbvio que ele estava sofrendo e muito.
– Você deve ser o Lucas, certo?! – disse olhando nos olhos verdes do garoto.
– Sim. – Disse entre soluços
– É um prazer conhecê-lo Lucas. Quando o Ian estava nos EUA, a cada dez palavras que ele falava, onze era o seu nome ou sobre você, eu já me sinto a sua amiga de infância. – Brincou, tentando animar o garoto.
Lucas deu um sorriso forçado e em seguida voltou a derramar lágrimas silenciosas.
A ruiva se aproximou ainda mais do Lucas e o abraçou forte, tentando passar confiança ao garoto. Ficaram por alguns segundos abraçados, mas a chegada do médico do Ian desviou a atenção de todas.
– E então Dr., como está o meu irmão?
– Bem, os novos exames e testes indicam que a lesão na sua coluna é reversível e provavelmente ele sentirá novamente as pernas assim que o edema diminuir e parar de comprimir a sua medula.
– E quanto a sua memória? – Perguntou o Lucas.
– Eu sinto muito, mas dificilmente ele irá recuperar a memória, só mesmo um milagre fará com que isso aconteça. – Disse o médico, deixando todos confusos.
– Como assim? Em todos os filmes e novelas que eu vi, sempre que alguém perdia a memória, com o tempo a pessoa voltava a se lembrar. – Falou o garoto.
– O Ian teve perda de memória retrógrada, ou seja, ele perdeu grande parte da memória do passado. Ele sofreu uma lesão no cérebro em uma região responsável por armazenar todas as memórias de tudo que já passamos em nossa vida. Algumas células do seu cérebro localizadas nessa região morreram e tudo que estava armazenado nelas, se perdeu.
– Mas... – Choramingou o Lucas. Isso não poderia estar acontecendo. Seria algum castigo de Deus por ele ter se apaixonado e se envolvido com o próprio tio. – Ele nunca mais vai se lembrar de nada do que ele esqueceu?
– Eu sinto muito. – Disse o médico.
– Então quer dizer que tudo o que vemos nos filmes e novelas, nada mais é do que mentira?
– Eu não diria que é mentira Lucas, por exemplo, se ele tivesse apenas tendo alguma compressão daquela região, mas sem morte celular, ele teria chances de voltar a se lembrar de tudo o que esqueceu, mas pelo que o doutor acabou de dizer, esse não é o caso do Ian. Ele teve morte celular e nesses casos, o quadro clínico é irreversível. – Dessa vez quem falou foi a Jane.
– É isso mesmo que a moça disse. Desculpe, qual é o seu nome? – Perguntou o médico, admirado com a resposta da ruiva.
– Jane. – Respondeu.
– A Jane é Fisioterapeuta Dr., ela estudou junto com o Ian nos EUA. – Dessa vez quem falou foi o Daniel.
– Hum... É um prazer conhecê-la Jane. – A mesma agradeceu, respondendo que o prazer era todo dela.
– Não há nenhuma chance dele se lembrar de algumas coisas doutor? – Perguntou a Carla. Preocupada com o Ian, mas ainda mais preocupada com o Lucas. Ela tinha medo que ele entrasse em depressão.
– Dificilmente, mas é claro que tem casos que, de tanto ouvir as pessoas contando casos do seu passado ou vendo vídeos, alguns pacientes criam em sua memória cenas do que aconteceu, baseando no que viu ou ouviu e por esse motivo, muitas vezes esses pacientes acham que estão começando a se lembrar do seu passado, quando na verdade, aquilo tudo é apenas uma ilusão criada pelo seu cérebro.
Lucas mais uma vez se jogou no sofá. O seu cérebro parecia ter se desligado de tudo a sua volta. Não conseguia e não queria ouvir mais nada do que o médico dizia. Ele só queria que aquele pesadelo acabasse logo para poder voltar para os braços do homem que amava.
Assim que terminou de explicar tudo para os familiares do Ian, o médico pediu licença e saiu, os deixando ainda mais abalados.
– Eu não entendi muito bem o que ele falou sobre memória retrógrada. Existe outro tipo de memória? – Perguntou a Carla, agora sentada ao lado do Lucas, tentando consolá-lo.
– Sim. Existe a memória retrógrada e a Memória anterógrada. A perda da memória retrógrada é quando esquecemos o passado e a perda da memória anterógrada é quando não conseguimos mais gravar em nosso cérebro o que acontece depois que ocorreu a lesão, ou seja, após o acidente. Por exemplo, vocês já viram o filme “Como se fosse à primeira vez?” – Perguntou e todos balançaram a cabeça positivamente. – Então, a personagem principal teve perda de memória anterógrada, ela não consegue mais formar a memória e por isso, todos os dias os seus familiares mostram para ela vídeos com tudo que ela fez após o acidente, com todas as pessoas que ela conheceu. – Respondeu a Jane. – Esse é um assunto bem complexo e por esse motivo eu não vou explicar tudo, mas, o importante agora é saber que a perda de memória do Ian foi apenas retrógrada e isso é muito bom, pois se ele estivesse com perda de memória anterógrada, a sua vida daqui para frente iria ser muito mais complicada. – Completou.
– Como eu vou dizer ao meu irmão que ele nunca mais vai se lembrar do que esqueceu? – Se perguntou Daniel, agora totalmente desolado.
– Se você quiser, eu posso ajudá-lo, embora eu ache que ele vai entender logo de cara, pois pelo que você me disse sobre o tempo que ele apagou da sua memória, é provável que ele ainda se lembre de muita coisa que aprendeu na faculdade.
– Acho que é possível que ele tenha perdido a memória dos dois ou três últimos períodos da faculdade.
– Isso é bom, pois quer dizer que mesmo tendo perda de memória, ele ainda vai poder exercer a sua profissão, apenas vai ter que se atualizar em algumas coisas, mas eu posso ajudá-lo com isso.
– Por quanto tempo você pretende ficar? – Perguntou o Daniel.
– Pelo tempo que o Ian precisar de mim. Ele vai precisar de Fisioterapia e nem tente contratar outra pessoa para fazer isso, eu vou fazer isso pelo meu amigo.
– Mas e o seu trabalho nos EUA?
– Eu pedi uma licença por tempo indeterminado. Os meus chefes estão sabendo do que aconteceu com o Ian e estão dispostos a guardar a minha vaga pelos próximos três meses, mas eu tenho fé em Deus que muito antes disso o Ian vai estar recuperado. – Falou com convicção.
– Mas você não precisa de algum tipo de licença para atuar no Brasil.
– Sim e eu já estou providenciando isso. – Falou, antes de sentar-se ao lado do Lucas.
– Nesse caso, muito obrigada, por tudo. – Disse de maneira sincera. – Bem, acredito que não tenha como eu esconder do Ian tudo o que está acontecendo, portanto, acho melhor eu contar a ele de uma vez o que está acontecendo com ele. – Disse o Daniel antes de levantar-se e dirigir-se ao quarto do irmão, sendo acompanhado pela ruiva.
Notas finais
Eu sei, eu estou sendo má, mas como eu havia dito, estou apenas mostrando um lado desse tipo de sequêla que os filmes e novelas não mostram e acredite, o que eu coloquei na fic é a mais pura verdade e infelizmente pode acontecer com qualquer pessoa... ç.ç
Por favor, deixem reviews com a opinião de vcs... ;D
Até o próximo capítulo (se eu sobreviver a fúria de vcs... ç.ç).
Bjooooooooos
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