Notas iniciais
E eu tô sentindo falta dos comentarios de algumas meninas incriveis... :(
Mas não faz tanto mal assim!
Boa leitura!
SADIE
Vou adiantar um pouco a nossa história, ok? Beleza. Eu e o pessoal aprontamos muito. Mascamos chiclete em plena sala de aula, enganamos alguns professores e por muito pouco não fomos parar na diretoria outra vez.
Apesar de todas as gracinhas e palhaçadas que eu aprontei com os professores eles pareciam contentes em me ver animada. Nossa eu fiquei tão mal assim? É... Essa escola não funciona sem mim!
Depois da aula Liz, Emma e eu fomos para o parque. Andamos de skate com uma galera gente boa (graças aos deuses aquele menino e seus amigos não estavam La), subimos em arvores e rimos bastante.
Mas no fundo eu me sentia desconfortável. Sentia-me observada... Não. Não era como antes. Antes ser observada me trazia uma sensação de segurança e conforto. Mas não era isso! Eu sabia que não era. A sensação que me vinha agora era desconfortável e cheia de maldade.
- Ei Sadie, aqueles caras não param de olhar pra você e suas amigas. – um menino da galera gente boa me chamou a atenção.
Virei-me tão de presa que eles se assustaram. Eram três homens. Todos de preto. Suas feições eram um mistério para mim. Todos sombrios e perigosos como a noite.
- Perderam alguma coisa? – Perguntei a eles com a voz mais alta, eles se viraram e sumiram de vista.
-E aí Sadie? Quem era os malucos? – outro individuo me perguntou.
- Nem imagino. – minha voz foi nada menos do que um sussurro fraco.
Voltamos a nossa tarde maravilhosa... Mas aquela sensação incomoda me perseguia... Eu me sentia caçada.
Nós três, agora, estávamos em uma sorveteria tomando milk-shakes. Nós riamos e comentávamos o quanto íamos bancar as maldosas amanhã na escola. Ei, não me julgue assim! Íamos ter aula com aquela vadia!
- Eu vou La pagar e nós já vamos. – avisei as meninas e me voltei para o balcão do caixa. Liz e Emma estavam me esperando do lado de fora da sorveteria.
Senti uma mão tapando minha e braços fortes tentando me envolver. Meu corpo e minha mente foram tomados pelo pânico. Agindo por impulso, eu mordi aquela mão e com o ombro o empurrei para traz. Assim que o homem misterioso se desequilibrou agarrei-lhe o braço e o joguei com força no chão.
Assim que me dei conta do que aconteceu me virei e sai correndo para a rua no desesperado desejo de encontrar alguém conhecido.
- Sadie, o que ele... – Nem sei qual das duas perguntou enquanto se juntavam comigo na corrida pela sobrevivência.
- EU NÃO SEI E NÃO QUERO SABER! – eu gritei enquanto virávamos uma esquina.
Estávamos correndo no meio da rua sem nem ao menos nos importar se passava ou não carros e motos. Quando meu coração começou a se acalmar pensando que tínhamos chance de escapar, os três caras esquisitos do parque apareceram no fim rua.
Invadimos uma rua que estava fechada para uma feira e o resultado foi que por alguns segundos todos se perderam: os três maníacos de preto sumiram no meio da multidão e Liz e Emma também.
Assim que finalmente nós três nos encontramos os três patetas apareceram também. Ah qual é? Que mundo mais injusto!
Tínhamos conseguido alguns segundos de vantagem, mas eram bem poucos. Derrubamos uma banca todinha de maças e laranjas o que dificultou um pouco o caminho deles. Saímos da rua da feira e viramos à direita.
Acabamos entrando em um prédio antigo. Daqueles que não tinham elevador. Subimos as escadas até o andar mais alto, ou seja, chegamos ao telhado e só paramos de correr quando chegamos à beirada da construção.
- Nós vamos morrer! – Liz nos seus momentos de medo não é lá uma pessoa muito positiva.
- Pensa positivo. – Emma tentou ajudar sua amiga enquanto nós três tentávamos em vão normalizar a respiração.
- Morrer rapidinho! – ela estava histérica.
Não pude deixar de rir. Elas olharam pra mim como se eu fosse um E.T ou coisa pior. Foi ai que eu ri mais ainda.
- Por que você esta rindo? – Liz perguntou com a voz falha.
- Dizem que é melhor rir do que chorar! – eu disse simplesmente erguendo as mãos num sinal claro de que nem eu mesma sabia do porquê de estar rindo em uma situação dessas!
Observei com cuidado a paisagem abaixo de nós e em frente... Eu tive uma ideia louca e muito, muito insana.
Afastei-me da beirada do edifício e corri pegando impulso... E então pulei mesmo com os protestos e exclamações das minhas amigas.
Deixe eu te explicar o meu plano insano: na frente do edifício em que estávamos havia outro em construção, ou melhor, dizendo, abandonado. Assim que pulei eu soube que a magia dos deuses havia me ajudado a quebrar uma janela e cair em segurança no chão imundo do edifício.
Eu havia quebrado o vidro e sentia meu braço arder. Meu corpo inteiro estava dolorido e esgotado... Mentira! Eu ainda aguentava muito mais. Mas a parte do dolorido era verdade.
-Pulem! Vocês conseguem! – Gritei para as duas.
Emma estava ainda com a sua coragem perfeito estado. Ela tomou impulso e pulou como eu. Concentrei-me com todas as forças em ajudar minha amiga e assim como eu, ela caiu em segurança.
- Sua vez Liz! – Emma gritou enquanto tirava o pó de seus tão preciosos jeans.
- Eu... Eu não consigo! – Liz disse sendo tão sincera que até me assustei – Vão sem mim!
-Não Liz. Eu não vou sem você. E presta atenção: eu nunca te deixaria cair. Nunca! – disse a ela que ainda parecia nervosa.
Liz, assim como eu e Emma, tomou impulso e pulou... De longe eu vi que ela não conseguiria. Joguei meu corpo contra o chão e consegui segurar sua mão. Liz estava pendurada do lado de fora.
- Sadie... Me solta!
- Não eu não vou deixar você cair! – eu quase gritei. A triste realidade era que o meu braço ardia muito e não aguentaria sustentar o corpo da minha amiga.
Senti as lagrimas se formando em meus olhos... De repente me sinto tomada por uma força que não era minha. Senti Emma ao meu lado segurando a outra mão de Liz. Não ela não iria cair.
Você tem a minha força, Lady Kane. – Hórus
Hórus havia me emprestado sua força para salvar a minha amiga. Juntas, Emma e eu puxamos a menina para cima e ajoelhadas no chão nos abraçamos exaustas.
Eles apareceram no telhado do outro prédio, mas não nos viram. As meninas perceberam a presença deles e ficaram pálidas como papel.
- Pra mim chega! – exclamei revoltada ficando de pé.
- Sadie... – Emma tentou falar qualquer coisa, mas não permite.
— Liga pra alguém. Policia, pais, tios, não importa vocês vão ligar para alguém e contem o que esta acontecendo. Diga para encontrar vocês duas perto da lanchonete em que nós sempre vamos ok?
Elas estavam tão amedrontadas e cansadas que apenas assentiram. Eu peguei meu celular e tirei algumas fotos dos três lunáticos que nos perseguiram o dia todo.
As meninas terminaram as ligações e nós saímos do prédio acabado. Nesse instante os caras malucos de preto encapuzados corriam em nossa direção. Sem nem ter se quer algum tempo para tomar fôlego, voltamos à corrida contra o tempo.
Quando chegamos próximos a umas ruas escuras e suspeitas percebi que minhas amigas não aguentariam mais e meu plano teria que ser posto em ação rápido. Parei de correr e as meninas pararam atrás de mim.
-PAREM AGORA! – gritei tão alto que os assustei. Minha voz além de tudo havia soado forte, autoritária e confiante. Tudo o que eu não sentia.
Eles pararam, mas resolveram me desafiar. Grande erro.
- Por que nós iríamos te obedecer?
- Porque eu sei quem vocês são. – pronto senti a tensão no ar e o próprio medo deles.
-Idaí? – o cara da esquerda questionou.
-Idaí, que eu tenho provas de quem vocês são. Tenho uma foto que mostra perfeitamente bem o rosto de vocês. Se vocês tentarem qualquer coisa eu vou enviar esta foto para oito policias e três juízes.
Eles ficaram amedrontados.
- Ótima garota, o que você quer exatamente? Sabe que ainda podemos vencer vocês, não sabe? – o cara que tinha tudo para ser o líder falou com a voz rouca e forçada.
É claro que eu sabia, mas a minha única prioridade era manter as duas meninas seguras. Não suportaria se algo acontecesse a elas.
Suspirei.
-Quero que vocês deixem as duas irem. Deixem as duas na lanchonete da Magali e a foto será excluída. Simples.
Minhas amigas iriam tentar protestar, mas eu percebi que elas estavam sem voz.
- Que garantia nós temos de que elas não tem fotos nossas? – o cara da direita estava me irritando e muito.
- Pegue os celulares deles e revistem. Elas não viram o rosto de vocês. Eu sim. E ainda por cima tenho uma foto. Siga minhas exigências de deixarem elas em paz e vocês fazem o que vieram fazer comigo.
Eles se entreolharam e pediram os celulares. Entreguei a eles e assim que ficou provado que elas não sabiam nada sobre eles, os caras da direita e da esquerda seguraram-lhes o braço e as guiaram até a lanchonete que ficava bem longe de nós.
O capanga do meio não tirou os olhos de mim nem por um segundo.
Ele me puxou até o beco me arrastando pelo braço cortado. Mordi meu lábio até sangrar para não gritar. Eu tinha que ser forte.
- Mostre a foto.
Eu peguei meu celular e comecei a procurar pela foto. Mostrei a ele e apaguei na frente de seus olhos. Assim que a foto foi apagada ele me mostrou seu celular. Ele havia acabado de receber uma mensagem de texto:
Garotas entregues!
Meu coração ficou muito menos preocupado. Elas estavam finalmente a salvo. Mesmo que eles tentassem qualquer coisa a policia estaria La esperando por eles.
-Menina esperta. Vejo que sabe brincar... Mas esse é o meu jogo, e eu sempre ganho! – Ele disse com a voz tão rouca que meus instintos queriam me forçar a sair correndo dali. Mas eu fiquei. Tinha feito um acordo. Mesmo que eles tentassem descumprir sua parte eu iria cumprir com a minha palavra.
Ele me jogou no chão e eu tive certeza de que havia torcido o tornozelo. Ele ia se agachar e puxar uma faca... Mas o que aconteceu foi o seguinte: Ele havia levado um soco e caído no chão com o nariz sangrando.
Levantei os olhos assustada e tinha plena consciência de que minha respiração estava falha. Walt estava parado a poucos metros de mim com o punho fechado e um olhar claramente assasino.
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