E Se Eu Não Voltasse, Você Sobreviveria Sem Mim?
16 Acontecimentos antes d\'A Festa
SADIE
- Não. Não, não, não... Nós não vamos! – Walt dizia andando de um lado para o outro.
Tentei com muito custo segurar o riso, mas um leve risinho escapou e Walt me lançou um olhar levemente irritado. Ok, ele só me fez ir ainda mais!
-Tá, já entendi que você não quer ir, mas você só pode falar por si mesmo. – comentei ainda sorrindo.
Estávamos apenas eu e ele na oficina do pai da Gabi. Minha amiga havia esquecido a chave e tinha ido sozinha buscá-la com o seu pai, onde ele estava eu não sabia, mas ok. Eu estava sentada no capô de um carro... Bom, não entendo de carros então... Walt estava de pé falando comigo sobre “a festa”.
Não me leve a mal, eu simplesmente estava apavorada por dentro por deixar minha amiga sair por ai sozinha!
-E nós vamos. – comentei ainda sorrindo.
-Por que eu respondo apenas por mim e você responde por nós dois? – Ele perguntou agora com o esboço de um sorriso.
-Porque eu vou. Se eu for eu tenho certeza que você também vai. Ou escondido nas sombras ou do meu lado, visível para mim e para todos. Mas isso já é opção sua.
-Que droga, Sadie!
Dessa vez não consegui conter o riso.
Senti sua mão forte sobre o meu tornozelo. Ele me puxou para baixo até meu corpo encontrar o seu. Minhas pernas ficaram em volta do corpo do rapaz enquanto ele segurava minha cintura com firmeza. Minha respiração estava um pouco ofegante e não duvido que meu rosto aparente surpresa.
-Então isso é um sim? – perguntei a ele.
-Como você me conhece tão bem? – ele retrucou
-Então isso é um sim? – perguntei novamente a ele, desta vez sussurrando.
-Você não respondeu a minha pergunta. – ele devolveu em um sussurro tão baixo quanto o meu.
-Você também não respondeu a minha.
Ele sorriu.
-Depois de muito considerar acho que não tenho muita escolha.
Colei meu corpo no dele e sussurrei em seu ouvido:
- Você nunca soube mentir, sabia? – me contive para não fazer nenhuma loucura como beijar seu pescoço ou mesmo mordiscar a sua orelha, mas esse menino conseguia me deixar louca!
Voltei a olhar em seus olhos buscando por algo que, de novo, eu não sabia o que era. Walt me segurou com mais firmeza e me colocou de pé a sua frente. Não quebramos a distancia e nem mesmo os olhares. Ele deu um sorrisinho um tanto triste, aquilo despedaçou meu coração e em meu peito senti uma pontada de dor.
-Eu não vou conseguir deter você, não é?
Dei a ele o mesmo sorriso.
-Se nem meu pai consegue, você acha que pode? – eu queria muito descobrir a resposta.
-Não custa tentar.
Colei meu corpo ainda mais ao dele e sussurrei quase contra os seus lábios:
- Mas você sabe que não vai conseguir dessa vez, não sabe?
Afastei meu corpo do dele, apenas o suficiente para poder olhar em seus olhos. Ele parecia maravilhado e surpreso. Antes que ele pudesse responder minha pergunta, ouvi ao longe o barulho da chave e de passos... Sabia que a Gabi estava chegando e não queria responder nenhum tipo de perguntas ou mesmo enfrentar aqueles olhares maliciosos.
Me afastei de Walt mas, não deixei de encara-lo. O menino ainda tinha a expressão abobada no rosto. Consegui conter o riso, mas o sorriso foi inevitável.
Gabi chegou com o rosto todo corado e e correndo. A menina parou do meu lado e por pouco não caiu no chão se eu não tivesse amparado o seu corpo. Gabi respirou fundo varias vezes e então se livrou do apoio que eu oferecia.
-Você correu quantos quilômetros? – perguntei entre preocupada e raivosa
-Nem imagino. Vou ter que descansar umas duas horas no mínimo antes de estar pronta para virar a noite.
Walt soltou um longo suspiro e eu ri. Gabriela ficou com cara de quem não entendeu nada. Beleza, foi ai que eu ri mais ainda.
-Mas o que...
-Depois te conto. Mas diz ai, nós vamos nos encontrar com as meninas ou nós vamos para a casa da Milena? E sim, antes que você pergunte ela vai com a gente. Além do mais estou pensando em contar para o Jake e o Austin os acontecimentos recentes.
Gabi suspirou com a noticia de que Milena iria conosco. Depois retomou o fôlego e responde:
- Vamos para lá então. E quanto a contar aos meninos, eu concordo. Me sentiria muito mais protegida sabendo que tem três meninos do nosso lado ao invés de um só.
- Vocês falam como se eu fizesse parte do grupo de vocês. – Walt observou aparente mente confuso.
Gabi e eu trocamos um olhar de pura confusão e dissemos ao mesmo tempo:
- E não faz?
Passou-se um minuto em silencio... Bem constrangedor.
-Tá, mas você não vai contar para eles na festa, né? Tipo, estragar toda a felicidade. – Gabi perguntou um pouco temerosa.
Levantei uma sobrancelha.
- Você me conhece e sabe muito bem que eu não estragaria a felicidade daqueles dois. Não. Eu vou contar amanhã no caminho para a escola. Acho bom andarmos juntos. E essa foi a ultima vez que você vai sozinha atrás do seu pai, ok?
Gabi sorriu docemente.
- Own, tudo isso é preocupação comigo? – ela veio para o meu lado e me deu um abraço de urso.
-Eu não suportaria ver aquela vadia te machucando.
Nós olhamos nos olhos uma da outra, rimos e nos abraçamos de novo.
- Vocês duas não são normais! – Walt exclamou rindo.
Gabi e eu trocamos um olhar compreensivo.
-Você responde. – Gabriela disse se afastando para abrir a porta.
- Fala sério Walt: qual é a graça de ser normal?
Ele abriu a boca varias vezes e as fechou logo em seguida. Eu sorri e pisquei para ele, voltei então a caminhar na direção em que Gabi havia sumido e seguido para o quarto da garota.
---*---
Nós duas juntamos o básico para levarmos na famosa mansão que Milena possuía. Colocamos as poucas coisas na mochila e voltamos para a oficina.
Eu estava entretida no celular mandando mensagem para Liz e Emma. As duas também iriam para a mansão. Ainda por mensagem, avisei Milena que estávamos indo na sua casa. Enquanto isso Gabi estava falando algumas coisas para Walt das quais eu não me dignei prestar atenção... Olha, eu estava muito mais preocupada com a segurança das minhas amigas.
Assim que troquei as mensagens, voltei meus olhos para Gabi.
-Vamos?
-Vamos.
Fomos para a rua e mal caminhamos alguns passos, eu já pude sentir a presença de Walt ao meu lado. Olhei para ele um pouco confusa e ele sorriu.
-Vou acompanhar as duas. Como você disse, não é bom vocês andarem sozinhas. Além do mas, os pais de vocês detestariam se eu deixasse as duas sozinhas depois dos acontecimentos recentes.
-Beleza! Me convenceu.
Voltamos a percorrer as ruas de Londres em um silencio profundo e reconfortante. Quando chegamos em um dos bairros mais riquinhos Gabi perguntou:
- Como vamos saber em que casa ela mora?
-Eu tenho um palpite... – Sorri para a minha amiga e juntas completamos.
-Na maior!
Risos foram inegáveis de nós três.
- Não... Agora falando sério, é aquela ali. – eu digo apontando para a provavelmente maior casa entre todas aquelas.
-Como você sabe? – Gabi perguntou franzindo o cenho.
Nós três havíamos parado de andar.
-Lembra quando nós tínhamos uns 9 anos?
Gabi assentiu.
-Nós tínhamos aquele inspetor super chato, mas... – Ela arregalou os olhos e eu sorri de forma marota – Foi você e Milena! Ai meu deus, eu não acredito que não percebi isso antes! Nossa como eu fui lerda.
Não consegui disfarçar minha felicidade diante de todo aquele entusiasmo.
- Do que vocês estão falando? – Walt perguntou de fora.
- A Sadie e a Milena fizeram um inspetor super insuportável sair da escola. As duas foram muito maldosas. – Gabi contou.
-Enfim, eu e a Milena nos encontramos aqui e bolamos e planos maquiavélicos . Vamos ou não?
Atravessamos a rua e entramos pelo enorme portão. Virei para trás e pude ver Walt se afastando. Voltei a caminhar pelo amplo jardim e senti meu celular vibrar.
Eu volto as 8!
Walt
Sorri e guardei o celular. Bom ainda eram 5 da tarde... Teríamos um longo tempo para nos arrumar e planejar um pouco da maldades que realizaríamos...
Seria uma tarde incrível... E muito maldosa!
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