Notas iniciais
Vocês esperaram muito por esse cap?

WALT/ANÚBIS

Eu estava na oficina pegando algumas peças e concertando uma moto. Eu me sentia desconfortável. Tinha alguma coisa errada e eu não sabia o que era.

...deixarem elas em paz e vocês fazem o que vieram fazer comigo.

Era Sadie. Tinha algo errado com ela. Meu colar me avisava que ela devia estar em perigo. Meu coração perdeu o compasso e minha respiração ficou mais pesada como se eu tivesse acabado de correr uma maratona inteirinha.

Ouvi sua voz através do colar... Que colar mais útil esse!

Larguei todas aquelas peças no chão sem me importar com mais nada, e em meio a varias perguntas e exclamações de Marcos eu sai correndo daquela oficina.

O colar me guiava. Assim como quando encontrara as fotos de Sadie, ele me puxava e esquentava em cada rua certa. Não parei um só segundo para descansar e recuperar o fôlego. Eu sentia que estava perto.

Cheguei a umas ruas muito mal iluminadas e quando passei por um beco escuro e nojento, ouvi Sadie gritando. Ela devia ter caído e torcido o pé. Corri mais rápido do que já havia corrido em toda a minha vida.

Assim que cheguei ao beco, eu vi um desgraçado sacar uma faca. Não me contive e meti-lhe um soco na cara. Sadie estava caída no chão. O cara levantou de novo e tentou ma atacar. Foi o seguinte: uma briga feia e violenta demais para ser descrita por mim. Só posso dizer que eu não havia conseguido nem mesmo um arranhão. Já o cara na minha frente estava com a cara inchada, com o nariz sangrando e com algumas partes do corpo, como braços e pernas, roxos.

Eu queria mata-lo e depois fazer com que Anúbis e Osíris acabassem com a alma desse desgraçado... Mas não pude!

- Walt para. Por favor! – Sadie pediu com a voz tremula.

Fiquei tão desnorteado em ouvir aquela linda voz pronunciar meu nome que parei. Sadie havia falado comigo! Aquela voz foi mesmo dirigida a mim!

Mas o ódio não sumiu e a raiva também não... O cara estava caído no chão quase inconsciente. Olhai para ele com tanto nojo e repulsa que iria acabar socando ele de novo... Mas olhei para Sadie. Ela estava assustada e encolhida no canto.

- Walt, me tira daqui – Ela pediu a mim com voz tão fraca que eu acho que não teria ouvido se não fosse mesmo dirigida a mim.

Aproximei-me dela com cuidado e me abaixei ao seu lado. Ela passou seus braços ao redor do meu pescoço e eu a levantei nos meus braços. Fui caminhando calmamente para longe daquele lugar horrível.

Eu podia sentir o coração da menina acelerado e ouvir sua respiração falha. Ela parecia se encolher em meus braços buscando abrigo e proteção.

- Você esta bem? – perguntei a ela um pouco sem fôlego. Afinal havia acabado de lutar com um cara escroto e a menina que eu amo estava nos meus braços.

- Depende. Física ou emocionalmente? – Ela me perguntou com a voz um pouco mais forte.

- Os dois. – respondi olhando em seus olhos.

Ela olhou nos meus olhos procurando por alguma coisa.

- Eu acho que “não” se encaixa perfeitamente nas duas opções.

Olhei pra ela um tanto confuso. Ela se limitou a dar um pequeno sorrisinho.

- Se eu estivesse bem fisicamente eu não estaria no seu colo. E emocionalmente... – seu sorriso sumiu – acho que você pode deduzir sozinho. – ela disse isso em voz alta para completar em um sussurro mais pra ela do que pra mim – De novo, por que de novo?

Parei bruscamente de andar assim que percebi do que ela estava falando.

- Isso já aconteceu outras vezes? Sadie, já tentaram te matar e te sequestrar outras vezes? – eu perguntei desesperado recomeçando a andar.

- Walt para. Para, por favor! – Ela pediu pra mim com os olhos cheios de lagrimas.

Eu parei de andar e a coloquei sentada na calçada. Enxuguei suas lagrimas e só então notei o corte em seu braço.

Conjuguei uma faixa e enfaixei todo o ferimento no braço da menina para conter o sangramento. Assim tirei minha jaqueta de couro e vesti nela. Sua pele além de pálida estava fria.

- Vou levar você para um hospital.

Ela apenas assentiu e voltou a passar o braço em volta do meu pescoço e eu novamente a levei nos meus braços. Não sei quanto tempo passou, mas Sadie havia encostado a cabeça em meu ombro e eu sentia lagrimas caindo em minha camiseta.

Eu queria de todas as formas possíveis consolar aquela menina.

Chegamos ao hospital e rapidamente eles arrumaram um quarto para Sadie. Eu a coloquei sentada na maca e percebi que ela chorava e tremia.

-Sadie vai ficar tudo bem. – eu prometia a ela segurando seu rosto em minhas mãos e acariciando seu rosto. Ela apenas assentiu com os olhos fechados.

Eu me sentei na maca ao seu lado e ela mais uma vez se apoiou em mim. Eu a abracei e ela pareceu se acalmar. Ela estava meio sentada e meio deitada se é que vocês me entendem. Uma enfermeira passou pela porta, olhou para nós e suspirou.

Sadie e eu nos entreolhamos e começamos a rir, ainda abraçados. Finalmente o médico entrou no quarto e observou o tornozelo da menina.

- Bom... Menina de Sorte, os estragos foram mínimos considerando o que você passou. – ele sorriu carinhosamente – Vamos apenas colocar gelo e você vai conseguir andar de novo. Já esse corte no braço, não foi fundo e nem grave. Mas você vai tomar um pouco de soro. E aí vamos ver se a cor volta a essa sua pele clara.

Ele colocou um saquinho de gelo no tornozelo da menina e pediu para ela virar o pulso para cima. Ele então colocou o soro na veia da menina e disse que ela tinha visitas. Assim que abriu a porta três policiais entraram junto com três meninas da idade de Sadie. No fim da fila vi ninguém menos do que meu chefe.

- E aí pequena? Como você esta? – os policiais perguntaram

- Bem. Na medida do possível eu to bem. – Sadie respondeu com um sorriso.

- Você os conhece? – perguntei um pouco confuso com aquela conversa tão informal entre os policiais e a loira.

- Conheço sim. – então ela olhou nos meus olhos e ainda pode notar um ponto de interrogação – O que posso fazer? Não sou santa! – dizendo isso todos riram inclusive eu.

Todos começaram a conversar com a menina que já não estava tão frágil.

- Ok, mas agora temos que falar sério. Pegamos dois dos três caras no instante em que eles deixaram as duas meninas na lanchonete e eles se recusam a contar sobre o terceiro.

- A ruiva contou do acordo que você fez com eles. Devo admitir que foi muito corajoso da sua parte abrir mão da sua vida para salvar a delas.

-Foi mesmo. Mas você apagou a foto não foi? – Sadie assentiu – Então ai esta o problema. Como vamos saber quem é?

Um minuto muito constrangedor se passou em silencio. Sadie e eu trocamos alguns olhares, mas nada alem disso.

- Eu disse a eles que apagaria “A” foto. Mas isso não quer dizer que eu tenha apenas “Uma” foto deles. – Sadie tinha um sorriso muito maroto no rosto que todos perceberam.

Ela pegou o celular e entregou aos policiais. Eles viram as fotos, surpresos e sorriram para a loira.

- Precisamos falar com o rapazinho agora. Pode ceder ele para nós, Sadie? – um deles perguntou com um meio sorriso.

- Posso sim.

Eu deixei minha menina na maca sentada com os amigos e segui os policiais até a porta do quarto. Marcos foi conosco e encostou a porta.

- E então... ?

- Walt. – Completei.

-Certo Walt. Como achou a menina?

Eu temia essa pergunta. Como eu iria explicar que meu colar estava ligado ao dela?

- Eu estava La perto e a ouvi gritar. Corri até um beco escuro e a defendi do maluco que estava tentando mata-la. Eu acho que o deixei inconsciente.

Respondi sendo o mais sincero possível. Olhei para Marcos na esperança de que ele entendesse que não era para falar nada sobre eu ter saído correndo da oficina.

-Beleza Walt. Pode voltar para a sua garota.

-É. Você tem muita sorte, sabia?

- Sadie é bastante disputada.

Dizendo isso e me deixando de boca aberta eles saíram e eu fiquei sozinho com Marcos.

- Como você sabia? Como sabia que ela precisava de você e como sabia a onde ir?

-Eu não sei. Intuição eu acho... Sinto-me muito ligado a ela.

Olhei pela fresta da porta e vi as meninas trocando risinhos enquanto o medico tirava o soro da veia da menina.

- Vocês dois são muito estranhos. – Marcos concluiu com um sorriso no rosto como se não se importasse nem um pouco com isso.

Voltamos para dentro do quarto e eu encostei-me à parede enquanto as meninas se despediam da loira. Eles foram embora e sobramos apenas Sadie eu. Ela já havia recebido alta e eu a levaria para casa. Notei um fato muito importante...

- Sadie e os seus avôs?

-Estão no sítio. Eles não sabem de nada do que aconteceu hoje.

- E você ia ficar onde...?

-Na minha casa. Eu tenho a chave. É só abrir a porta e entrar. – Sadie disse como se fosse obvio.

-Então você ia ficar sozinha?

-Em outras palavras, sim. Eu ia ficar sozinha.

Minha mente trabalhava rápido demais e cogitava uma ideia um tanto impossível, mas que seria maravilhosa.

-Vem. Vou te levar pra casa.

Como tantas vezes nessa tarde, peguei Sadie em meus braços e saímos do hospital. Passei por algumas ruas e percebi a confusão da loira.

-Minha casa fica do outro lado. E você sabe disso. – Nem prestei atenção nas suas palavras.

- Vou levar você para a minha casa.

-O que?

-Não vou deixar você sozinha. E acho bom você entender isso. – respondi olhando nos seus olhos.

-Beleza. Eu não tenho escolha mesmo.

Estávamos longe ainda, então Sadie adormeceu nos meus braços. Assim que entrei em casa, coloquei a menina na minha cama. Seus cabelos espalhados pelo meu travesseiro, sua pele clara e seus lábios delicados me encantavam.

Fiquei ajoelhado no chão olhando amenina dormir durante algum tempo. Então me levantei e cobri o seu corpo frágil. Fui em direção ao sofá e com o coração leve como uma pena, adormeci.

Notas finais
=D
Comentem bastante!!!!