E Se Eu Não Voltasse, Você Sobreviveria Sem Mim?
25 É pedir muito estar são e salvo?
Notas iniciais
não achei muito emocionante, mas era uma introdução para os proximos...
Boa leitura amores!!!
SADIE
-Ali!... Rápido, levem eles para as viaturas... Onde está a refém?... Lá em cima!... Duas meninas... – o barulho da porta sendo aberta foi um choque, as palavras não pareciam penetrar minha mente e por instinto peguei um pedaço grande de vidro e me pus de pé para ver os recém chegados; Emma ainda estava no chão encolhida e com medo. Os vários policiais que entraram no quarto colocaram as armas no chão e ergueram as mãos me mostrando que não vieram nos machucar. Meu corpo voltou a cair no chão e eles vieram até nós duas. –a muito sangue... Ferimentos graves... Encontrem a família das duas...
As palavras proferidas não chegavam até mim; eu não conseguia registrá-las e tão pouco queria. Dois policiais, um ergueu Emma e o outro me tomou em seus braços e começaram a descer as escadas. Percebi quase tarde demais que iam me separar de Emma e ela também. Comecei a me debater.
- Me põe no chão! – todos os policiais olharam para mim surpresos – Eu posso andar sozinha!
O cara que levava Emma voltou a se afastar como se nenhuma coisa surpreendente tivesse acontecido; Emma me olhava suplicante. Comecei a me afastar dos policiais e segui o carinha com Emma, fiquei na frente dele fazendo-o parar e finalmente me olhar surpreso.
-Aonde ia levá-la? – perguntei cruzando os braços
-Vamos levá-la ao hospital para que se rec...
-Policias não deveriam mentir e você certamente não sabe. Ela tem poucos cortes; nenhum é fundo e não precisam de ponto. Vocês queriam interrogá-la.
-Não... Nós... – ele respondeu rápido demais e arregalou os olhos. Oh povo hipócrita!
-Como eu já disse você mente muito mal. Vocês não têm direito de levarem ela e interrogá-la.
Todos estavam surpresos e Emma quase aliviada.
-Mocinha – começou outro policial, também surpreso – nós temos o direito e vamos interrogá-la.
-Não. Vocês não têm. São oficiais da lei e não sabem que menores só podem ser interrogados com a presença de seus responsáveis ou com a autorização dos mesmos? Mas que absurdo! – completei com ironia e com uma sobrancelha erguida; senti que as palavras que me vieram a seguir foram à chave do meu triunfo. – Vocês lá em cima disseram que não sabiam nada sobre os nossos pais ou responsáveis. – meu olhar passou de ironicamente divertido para o ameaçador – Vocês não podem e não vão interrogá-la sozinha.
Ai... Amei as expressões assustadas sem nenhuma exceção. Emma se debateu e depois estava no chão ao meu lado me abraçando com força. Guiei-a até o sofá e a acomodei lá.
-Senhorita... Queremos falar com você. – olhei para outro policial que se manifestava. Ergui novamente a sobrancelha e pude vê-lo tremer – Os médicos só vão limpar os ferimentos da sua amiga e nós não precisamos ir longe.
Olhei para Emma.
-Eu posso? – Emma negou com a cabeça não confiando na própria voz.
-Vocês podem falar aqui. – retruquei.
- Você não esta facilitando as coisas. – ele revidou com o inicio de uma raiva crescente... Ai, amadores!
-E vocês estão? Mentindo mal desse jeito?
-Olhe garotinha, eu vou interrogar a sua amiga sem a sua presença nem que eu tenha que te tirar a força daqui. – ele tentou soar ameaçador, mas não passou do patético. Soltei uma risada acompanhada de escárnio.
-Tenta me tirar daqui. – desafiei vendo seus olhos se arregalarem de surpresa e medo; meus olhos deveriam ter faiscado em vermelho de novo...
Ele ficou vermelho de raiva e saiu andando procurando algo para fazer. Fiquei um tempo abraçada a Emma que ainda estava assustada e se negava a ficar longe de mim. Ouvi o barulho da porta sendo aberta e vi velhos amigos... Não evitei um sorriso.
-Hei loira, parece que você adora se meter em encrenca! – um dos meus amigos policiais, o Max, se pronunciou. Os outros sorriram solidários para Emma que forçou um sorriso de volta.
-Emma – Max continuou falando – você se lembra dos meus amigos, não? –ela assentiu – Confia neles?- ele não hesitou em assentir de novo – Então eles vão ficar com você e não vão interrogá-la nem nada disso; só vão cuidar dos seus machucados. Eu vou levar a Sadie para conversar e você só vai falar se quiser; pode ser?
-Pode – a voz dela soou falha, mas ela não demonstrou mais sinais de fraqueza; sacudiu a cabeça e respirou fundo se acalmando e eu segui com o policial Max até os outros que ainda me olhavam surpresos.
-Então...? –perguntei.
-Acho melhor a senhorita se sentar. – me sentei em um dos degraus da escada e logo apareceu um médico para limpar meus ferimentos enquanto eu falava – Bom, precisamos que você nos conte tudo o que sabe. – uma policial gentil (e assustada, hahaha) me pediu.
-Sadie, como você soube que Emma estava em perigo? – Max foi direto ao ponto.
-Ela me ligou.
-Por que para você? – outro homem de uniforme continuou.
-Eu era a última para quem ela tinha ligado então meu nome era o primeiro da lista.
-Por que não ligou direto para nós? – Max perguntou intrigado.
Mexi no cabelo em um claro sinal de desconforto.
- Eu estava de castigo no meu quarto... – o policial Max me sorriu de maneira travessa e eu continuei – Eu nem deveria estar com o celular, mas eu sou... Como é que você diz?
-Terrível? – ele sugeriu sorrindo
-É, pode ser. Enfim, meus avôs não me deixaram sair para nada, eu arrombei a janela e...
-Você pulou da janela do segundo andar? –Max e os outros policiais estavam chocados, aff – Olhe os tornozelos dela. Tem que estar no mínimo roxos.
O médico levantou a barra da minha calça e arregalou os olhos. Ele passou uma bolinha de algodão umedecida com álcool em volta do meu tornozelo, mas não havia nada que comprovasse que eu realmente tinha pulado...
-Como...? – começou a mulher
-Sou muito mais forte do que pareço.
Max balançou a cabeça ainda abismado, mas continuou com as perguntas; contei tudo o que podia a eles: como corri da minha casa até aqui e mais uma vez a surpresa se vez presente “ sou muito mais rápida do que imaginam” foi a minha resposta para a exclamação deles. Contei da luta que tive com o carinha e como nocauteei os outros dois.
-Só mais uma coisa... – dessa vez foi o médico que falou pela primeira vez – Como você sobreviveu?
-Sobrevivendo? – respondi ironicamente; eu sabia o que ele iria falar a seguir e o motivo da pergunta.
-Esse corte no seu pulso... – assim que ele disse isso todos olharam para o meu pulso, ainda ensangüentado – ele é fundo e tenho certeza que grande parte do sangue no quarto é seu... Mas a questão é: como? Como você ainda esta consciente, como sobreviveu? Um corte desses deveria levar uma pessoa à morte lentamente e a senhorita esta apenas pálida e um pouco fraca. O mínimo seria um coma profundo!
-Como eu já disse; sou muito mais forte do que pareço. Se me dão licença... – me levantei e fui para fora da casa, na região gramada do pequeno jardim. Emma estava sentada no chão e parecia estar tomando soro nas veias; ela me viu e pediu que tirassem o soro. Assim que ela se pôs de pé vimos mais pessoas passando pelo portão interditado: vários adolescentes se desviavam dos policiais e Emma e eu passamos a caminhar até um determinado ponto. Um abraço em grupo daqueles bem necessários e maravilhosamente apertados. Liz, Gabi, Milena, Jake, Austin, Emma e Eu; todos aliviados por estarmos vivos e com a raiva crescendo por saber a causa disso tudo.
-Eu não acredito que vocês não nos chamaram! – Liz reclamou com lágrimas cristalinas nos olhos.
Emma pela primeira vez soltou uma risada verdadeira.
-Ta bom! Da próxima vez que estivermos morrendo vamos dar um jeito de te chamar para morrer também. – Emma brincou e todos nós rimos.
-E o que vamos fazer? – Austin foi direto ao ponto.
-Ora, por favor! – Milena disse em tom de indignação.
-Nós... –Liz começou fazendo um gesto indicando nós, garotas.
-Faremos o que fazemos de melhor nessa escola. – Milena completou e Emma sorriu de uma maneira surpreendente marota.
-Vamos bancar as meninas malvadas e vocês... – disse apontando para eles dois – vão bancar os maravilhosos meninos malvados que conhecemos.
Eles sorriram de uma forma parecida com a de Emma. Ficamos ali abraçados durante muito tempo; sentir o calor que emanava de cada corpo ali presente era importante e necessário; era sentir que nunca esteve sozinho nem nos seus piores momentos... Os corpos até podiam estar separados por continentes, países, bairros e ruas, mas no fim as almas e corações sempre estavam juntos... Ao longe vi dois idosos se aproximando de nós; respirei fundo e quebrei o abraço me dirigindo até os dois...
-Podem deixar... – disse ao policial que tentava afastá-los da casa – São meus avôs. – o Zé saiu e nos deixou sozinhos; antes que eles dissessem qualquer palavra me apressei a falar.
-Olhem, sei que os magoei... E muito até. Podem me trancar no quarto, me tirar tudo o que tenho e até podem me proibir de respirar que eu acho justo... Mas eu faria tudo isso de novo, sem precisar parar pra pensar e quantas vezes fosse necessário.
Vovó se aproximou de mim e enxugou as lágrimas que começaram a cair.
-Fugiu de casa, quase matou três homens e praticamente destruiu dois quartos: o seu e o dos pais da Emma. Você conseguiu, Sadie... – me preparei para o sermão acompanhado do castigo... Que não vieram – Nos deixar muito, muito orgulhosos de você, minha querida!
-Salvou sua amiga sem se importar com as consequencias, agiu da melhor maneira que um grande amigo agiria. Seus amigos têm muita sorte de terem uma menina tão especial, como você, por perto! – vovô completou o discurso de vovó, e soube que as lágrimas que me vieram eram da mais pura emoção.
-Tem muito mais coisas acontecendo do que posso e quero contar. Por favor, não me julguem como fizeram antes! – pedi a eles com sinceridade eu iria resolver tudo com Andrea o mais rápido possível.
Eles concordaram com a cabeça e ficamos conversando por mais alguns minutos até a decisão ser tomada. Com isso posto, voltei para meus amigos e fui direto ao ponto.
- Vocês vão passar esse final de semana juntos.
-Claro! Podemos nos encon... – interrompi Milena na mesma hora.
-Não. Vocês vão dormir juntos. Não interessa na casa de quem; todos juntos, inclusive Jake e Austin. Vocês não têm desculpas. Somos quase como irmãos e não deve fazer diferença para os pais. Ninguém fica sozinho em instante algum. Fui clara?
-Foi – eles disseram juntos, mas Jake quebrou o silencio tenso.
-E você?
-Meus avôs vão me levar para o sitio de novo. Vou estar afastada e segura. A preocupação são vocês; não suportaria perder vocês. – Milena baixou o olhar e vi lágrimas ali; aposto que pensou que não estava incluída – Todos vocês.
Despedimos-nos com abraços, beijos e promessas de que todos ficariam bem. Milena em especial passaria as tardes pensando nas maneiras mais cruéis e terríveis possíveis para maltratar Andrea. Voltei para casa e meu castigo foi arrumar meu quarto sem o uso de magia. Não foi nenhum sacrifício, já que no fundo meu coração já se sentia muito mais leve... Mas não totalmente; alias, longe de totalmente. Arrumei tudo e peguei poucas coisas já que tinham bastantes roupas e apetrechos no sitio. Fomo no mesmo fim de tarde e só voltaríamos na noite de domingo; assim passaríamos um final de semana quase tranquilo.
Chegando lá a primeira coisa que fiz e ainda recomendada por minha avó, foi tomar um longo e relaxante banho; cheguei até a mudar meus tradicionais xampus e sabonetes de amora pelos de camomila, já que a tal planta serve para acalmar e realçar meu cabelo loiro. Vesti uma regata branca e um short levemente curto verde-água. Eu estava quase pronta para dormir...
Desci as escadas do sobrado e reparei que meus avôs estavam falando na porta com alguém a quem não me dediquei muita atenção. Peguei meu chá de erva cidreira preparado por minha avó e voltei para o quarto sentindo três pares de olhos sobre mim; de novo não vi quem era o terceiro individuo. Abri as portas para a sacada e me sentei na muretinha; era uma bela e tranqüila noite. Nada de ventos gélidos que feriam minha pele ou geadas rigorosas que me castigavam os cabelos; não, era uma noite quente e agradável como se comemorasse o fato de estar viva.
Aos poucos fui tomando a bebida quente e me acalmando. Distrai-me de pensamentos assassinos pensando no contraste dos meus cabelos frios e quase secos com a bebida quente que me descia pela garganta abaixo. Sem perceber eu cantava o refrão de uma musica em um tom baixo, mas nem tanto... Era engraçado como eu me identificava com ela!
Just close your eyes
(Apenas feche seus olhos)
The sun is going down
(o sol já está se pondo)
You'll be alright
(Você ficará bem)
No one can hurt you now
(ninguém pode te fazer mal agora)
Come morning light
(quando a luz da manhã chegar)
You and I'll be safe and sound
(nós estaremos são e salvos)
Enquanto cantava para o por do sol era como se eu estivesse desabafando com alguém; e mesmo estando de partida, o sol parecia me acariciar a pele em consolo e o começo noite parecia me abraçar como uma mãe faria. Abracei meus joelhos e voltei a me desligar...
- Você tem uma bela voz, querida. – vovó começou adentrando a sacada e quebrando minha distração – Mas não quero que se sinta assim.
-E como quer que eu me sinta, vovó? – meu rosto era apenas tristeza e incapacidade.
-Quero que se sinta amada e protegida. Você nunca esteve só e sabe disso.
-Sim, eu sei – admiti frustrada e voltei a fitar a noite.
-Minha querida... Seu avô e eu termos que voltar a Londres – eu a olhei como se tivesse acabado de ouvir que o mundo iria simplesmente desabar... E o meu iria.
-Vão me deixar aqui? Sozinha?
-Vamos deixar você aqui... Mas não sozinha.
-Então quem...? – antes de terminar eu o vi. Não sei como não pensei nele antes, mas era muito óbvio... Walt olhava para mim escorado na porta da sacada. Meu coração não sabia se chorava pela ido dos meus avôs ou se comemorava pela felicidade trazida junto de Walt...
Aí... Acho que tenho que parar de arrumar confusões... Não sei quanto tempo vou aguentar mais tudo isso!
Notas finais
Segundo: o trecho da musica é da Taylor Swift - Safe and Sound, achei que se enquadrava com os acontecimentos recentes...
Terceiros: coments? favoritações? recomendações? são todas as formas de manifestar sua opinião e são muito bem vindas...
Espero poder postar logo, mas não prometo nada, ok?
Bjssss
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