E Se...
5 Capítulo 5
“Você ainda não respondeu minha pergunta, porque me salvou Clarence?”
Meg encarava Castiel incomodada, ela poderia muito bem ter matado aquele demônio sozinha. As vezes era legal ter alguém como guarda costas, mas Meg não era uma princesa em apuros que precisava ser resgatada, na verdade ela estava mais para vilã da história. Mas de qualquer jeito ela sabia que estava feliz por reencontra-lo
“Acho que você poderia ser um pouco mais grata, eu salvei sua vida.” disse.
“E quem disse que eu precisava ser salva? Estava tudo sob controle”
“Esse corte me diz o contrário” Ele apontou para a testa dela
Meg tocou o corte e olhou para as pontas de seus dedos manchados de sangue.
“Já tive machucados piores em uma luta”
Ela se lembrou da noite em que lutou com Crowley, quando Castiel a salvou da morte.
“Eu só queria ajudar” disse interrompendo os pensamentos dela “Mas já que você não precisa da minha presença aqui, eu vou embora”.
Ele se virou de costas, mas antes que se “tele transportasse” ela falou.
“Espera!” Cass se voltou para Meg “Você não veio aqui somente para me ajudar, não é?”
O anjo ficou vermelho, a pergunta o tinha pego de surpresa. Sim, ele havia voltado porque queria revê-la e mesmo que não admitissem ambos gostavam de ter a companhia um do outro.
“Eu só achei que você poderia estar com problemas então vim me certificar de que você estava bem”
Ela se aproximou mais dele deixando-o tímido.
“Porque se preocupa tanto comigo, Clarence?”
“Eu... ainda não sei”
Eles eram o oposto um do outro, deveriam se odiar mais que tudo. Um nasceu para semear o caos o outro para lutar contra o mesmo. Mas de alguma forma enquanto se tocavam, se beijavam, eles se esqueciam do que eram. Ficaram se encarando em silêncio até que Castiel a puxou pela nuca e a beijou, não um beijo voraz como aquele do dia do cara da pizza nem um beijo rápido de despedida. Foi um beijo terno apenas para deixar Meg surpresa.
“Você sabe...” ela disse se afastando “que não é seguro gostar de um demônio, não sabe?”.
Ele sorriu e respondeu
“Sou eu quem está sendo caçado por uma legião de anjos, gostar de um demônio já é esperado de um anjo como eu.”
Agora foi ela quem o beijou, um beijo necessitado e feroz enquanto ele a empurrava contra a parede. Teriam continuado assim por muito tempo, mas Castiel a afastou e olhou em volta preocupado.
“O que foi?”
“Tem anjos por perto, uns três pelo menos.”
“Esses idiotas alados conseguem ser inconvenientes” disse Meg
Com uma expressão preocupada Cass segurou o braço da demônio
“Temos que ir”
Ela o encarou um pouco desacreditada mas antes que pudesse responder os dois já estavam longe na Cabana do Rufus, o lugar estava bagunçado mas era habitável. Meg se soltou e o encarou incrédula.
“Nós poderíamos ter dado conta deles”
“Então os outros iam saber minha localização! Eu não posso correr esse risco.”
Ele se sentou no sofá frustrado, em parte por receio dos anjos o encontrarem novamente e também por não tê-los detectado antes. Meg sentou-se ao lado dele, apoiando suas costas em seu braço.
“Estou começando a achar que você é mais perigoso que eu” disse “O que na verdade é muito atraente.”
Antes ele teria se sentido desconfortável com o elogio e com o fato dela estar se apoiando nele mas depois de um tempo juntos o anjo já estava começando a se acostumar.
“Perigo não deveria ser algo preocupante?” ele perguntou
“Claro que não”
“Deve ser por isso que sempre que te encontro você está machucada” respondeu
Ela o encarou arqueando a sobrancelha” Desde quando você é sarcástico?”
“Eu não...fui sarcástico” disse com sua famosa expressão confusa
Meg riu “Você ainda é o bom e velho Castiel”
Ela deu um empurrãozinho no braço dele e foi até a cozinha procurando algo para comer mas não achou nada além de um pedaço mofado de torta pela metade e um lacre de cerveja.
“Parece que um esquilo passou por aqui” pensou
Por sorte a cerveja estava consumível, ela abriu uma e ofereceu para Cass. Ele não era de beber muito, ainda se lembrava da primeira vez em que ficou de ressaca, mas mesmo assim aceitou. Ele a admirava a cada gole, estava encantadora, os cabelos castanhos ondulados caiam no seu ombro de um jeito tão gracioso que contrastava com sua personalidade agressiva. Ela percebeu que ele a encarava e perguntou
“Oque foi?”
Sem responder ele a puxou para perto de si beijando-a cheio de desejo, explorando cada canto de sua boca. Meg se afastou para respirar sorrindo
“Acho que fui uma má influência pra você anjinho”
Ele riu malicioso “Com certeza”
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Meg estava deitada sobre o peito nu do anjo enquanto o mesmo acariciava seus cabelos castanhos. Como dois seres tão diferentes poderiam nutrir um sentimento tão forte um pelo outro que não fosse ódio, Castiel se perguntava, mas naquele momento céu e inferno poderiam colidir que ele não se importaria.

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