E Eu sou o Amor da Sua Vida?
5 Um sentimento inevitável
Notas iniciais
Mika
Eu sai correndo pelo corredor sem um rumo fixo, eu não fazia ideia do que fazer; a primeira coisa que pensei foi em ir para o meu quarto no final do corredor,daria certo, Kathy já devia ter acordado e estava perambulando pelo residencial, que ela tenha acordado a Déia para ela levar meus estudantes para o café da manhã; aconteceu que na hora em que vi a minha porta vi também alguém em frente dela o que me fez voltar para trás com tudo, em direção ás escadas que dão ao quinto andar; eu tentei ao máximo sair dali sem ser vista, por Cainan na porta do meu quarto batendo sem parar; prestes á usara o cartão de monitor para abrir minha porta e não me ver ali e nem tinha como eu falar que eu acordei cedo, porque eu estava com a mesma roupa de ontem a noite e aparecer ali do lado dele sem pijama ou uma roupa que mostrasse que eu estava diferente, com uma roupa não amassada que não denunciasse que eu havia dormido e acabado de acordar com a mesma roupa e não dormi no meu quarto. Na hora em que virei de direção acabei me chocando com uma garota e me fez cair no chão com tudo, era Katherynne que estava na celular distraída e não me viu, eu não vi ela, nos chocamos legal.
—Argh! Meu celular! — Berrou Kathy voando em cima de mim tentando pegar o celular que caiu para trás do meu corpo, antes dela avançar eu a impedi segurando seu corpo a fazendo me encarar.
—Oh sua louca! Parou aí e agora... — Ela me olhou assustada.
—Amiga; Cainan está... — Tampei a boca dela antes que ela pudesse falar mais alguma coisa, mesmo com o corredor lotado, bagunçado e com Cainan aos berros na minha porta eu ainda tinha medo de ser notada por qualquer um, meus planos de voltar para o quarto não dariam certo, então se não posso descer tem que fazer como fizeram no Titanic; subir até se salvar.
—Eu sei disso; mas ele não pode me ver agora, tem como falar que ontem você me viu chorando e indo para o andar dos monitores? Sim; tem sim... — Já respondi por ela. — Diga que não me viu depois de ontem á noite, tudo bem?
—Tudo... — Ela acenou procurando o celular. — Mas o que aconteceu ontem á noite?
—Depois eu te conto; faça a sua parte... — Respondi me levantando e indo em direção ás escadas.
—Ah; me conte agora... — Olhe para Cainan que já ia ameaçar deixar de bater na porta e ir procurar em outro lugar.
—Depois gaucha alemã... Beem depois...
Oi meu ursão; desculpa; eu cai. Não meu cavaleiro eu não me machuquei, eu estou bem; ótima... Falando com o meu doutor, como vou estar mal?
E só de pensar que o "ursão" da Kathy é meu cunhado, irmão do Cainan e que Cainan é cunhado da Kathy e nós somos uma família e que ela vai surtar quando souber que eu dormi no quarto de alguém que não foi o C.S; ela vai surtar e vai falar que eu destruir a nossa família unida...
Quando cheguei ao último andar e entrei no quarto destinado á alguns monitores que o usam para descanso, tem alguns colchonetes, pois, diversos monitores ás vezes dormem aqui para provas finais, também é destinado para estudo e outras afinidades dos cursos têm muitos livros, televisão, uma janela com grades, um ar de antigo, uma boa ventilação, um luar para e acalmar. O ar condicionado está quebrado então estava bem frio; quando meu sangue esfriou, eu me acalmei, relaxei; dei-me conta de que... Saí sem minha sapatilha e sem a xícara da cozinha. Joguei-me sobre um colchonete e respirei fundo novamente; ah para, só podia ser brincadeira... Sai fugida dali e ainda por cima esqueci-me do essencial, minha sapatilha.
Mas como eu ia fazer pra voltar ali? Lá? Mas percebi que doze é só um número assim como o dezessete, o treze, o dezoito, o catorze, o dezenove, o quinze, o vinte, o dezesseis, o vinte e um, o dezessete, o vinte e dois, e finalmente dezoito e o vinte e três são apenas números, número comuns da escala numérica que simbolizam apenas eles mesmos e mais nada, é como o valor de notas; porém se você tiver dez notas de dois reais e apenas cinco notas de dez reais qual vale mais? Isso é irrelevante. É inevitável e o que eu estou sentindo é um sentimento de tormenta e tal; quando sentei no colchonete e senti meu corpo sentir frio, fiquei pensativa o que eu havia acabado de fazer? Ele era uma criança e tipo, entrei em uma epifania naquele segundo de pensar na idade dele e na minha idade.
Uma súbita sensação de entendimento e compreensão. Parafilia... Aquilo me consumiu e se eu não me controlasse aquilo iria me destruir, sabe por quê? Olhando para termos certos, olhando para termos errados, Parafilia são os padrões de comportamento em que o desvio se dá não no ato, mas no objeto do desejo sexual, ou seja, no tipo de parceiro, como, por exemplo, cronofilia; excitação erótica causada pela diferença entre a idade sexo-erótico e a idade cronológica da pessoa, porém em concordância com a do parceiro, é inadequado, não condiz; julgado diversas vezes como "pedofilia". Se isso chegar aos ouvidos de alguém, o resultado com certeza não é lá muito bom.
—Mikaele! Eu vou matar você! – Berrou Cainan entrando no quarto com tudo e me vendo enterrada entre o colchonete, ele tocou no meu ombro e eu pulei assustada parecendo que acordei no susto, mal sabe ele que eu realmente acordei no susto, mais não foi exatamente ele que me acordou e nem ali que eu acordei, mal sabia ele que eu até que passei a noite bem, com cheiro de companhia e gosto de chocolate. Ah, como aquela noite foi deliciosa, tranquila, com direito á contar histórias e toque de dedos, choque elétrico corporal, com ou sem pernas bambas, uma coisa que eu nunca vou esquecer; o melhor momento da minha vida.
—Auh.
—Porque você ta dormindo ainda? Ou melhor, porque está dormindo aqui? – Ele estava vermelho e eu já poderia esperar outra bronca. – Não me diga que ontem você veio para cá. – Acenei positivamente, ele respirou fundo e foi se acalmando. – Desculpe; fui chato com você né? Eu... É que você me deixou nervoso, eu não gosto quando você me esconde as coisas (...). Oh, não me diz que você ta naqueles dias... – Dei ombros. – Fofa, desculpe... Perdão minha doce...
Ele me deu um abraço e um beijo na testa, perdão? Ele não perdão; ao menos não para mim... Mas se ele pediu, ele realmente deve estar arrependido. Retribui ao abraço e demos um beijo; um beijo longo de desculpas. Oh Senhor, estou fazendo tudo errado; mas nada me leva ao lugar certo, meu coração está cheio de duvidas tomado por um sentimento inevitável aquele negócio ou está certo ou está errado. Estou presa no meio termo, as coisas aconteceram rápido até demais, o que significa?
“Cainan, eu vou deixar você para ficar comum novato de menor chamado Victor que pode me levar á prisão, mas na verdade, essa é a minha ordem final e quero assim, pronto acabou.”
Mas, é claro que isso vai dar errado, o motivo é que estou com o Cainan e acabei de conhecer o Victor, ao último. Apenas um apenas um... Não que eu vá escolher os dois; mais eu sei o que é certo e não quero nem posso tocar o certo pelo duvidoso e pela lei até errado.
Mas são apenas números.
Se eu fosse o cara, Victor a menina; eu tivesse dezoito e ele treze; não seria tão ruim; mais não foi isso que o destino reservou. O destino me surpreendeu.
Cainan me levou para o quarto, o corredor estava vazio, almoço eu acho... E no quarto ainda assim querendo evitar Cainan deitei de conchinha com ele, fiquei lá imóvel á pensar; Não quero sofrer as conseqüências românticas com o calouro de menor. Na real? Na verdade caras como o Victor nem precisam se esforçar muito para me darem um beijo, me levar para sair, para me fazer desobedecer às regras (como ocorreu), se ele pedir eu digo: “Me conduza”. Ele mantém um olhar de sedução, mas eu tenho a maestria que combina com a sedução dele, eu sou difícil de conquistar, mais no caso dele; eu virei presa fácil, já fui conquistada.
Eu o encarei diretamente, mas não sabia que ele faria o mesmo e no fim me faria de presa para a sua isca. Aquilo me petrificou, e por isso caí após muito tempo parada, hipnotizada eu caí desequilibrada, mas estranhamente feliz por que ele despertou em mim algo que eu nunca tinha sentido antes...
Eu fui criada para querer que os homens abram a porta para mim, puxem a cadeira, paguem a conta, sejam mais velhos, e em troca eu fico bonita, sou agradável; as coisas funcionam assim, é a lei ; o dinheiro não a sexo comigo, mas compra ingressos para um bom filme no cinema e aí rolam coisas inusitadas como: "o primeiro beijo". Ah, o primeiro beijo com quem se gosta é inesquecível. Não precisa ser o primeiro beijo, conta com o primeiro beijo dado em uma pessoa com quem se gosta. Quando peguei a xícara fria de chocolate quente-frio, meu corpo ainda tremia , e as lágrimas corriam pelas minhas bochechas até eu ter uma pré dor de cabeça... "Ele" (Cainan) não abria a porta para mim, não com a frequência de cavalheirismo, não puxava a cadeira, mas ás vezes a empurrava, era quase a mesma coisa, ele pensava bastante em sexo.
Mesmo que alguns toques provocantes nos excitasse, nada seria melhor do que o toque sem significado da palma da minha mão nos lábios dele que me deixaram mais louca do que qualquer vez que Cainan me provocou; aquilo foi feroz, uma sensação avassaladora de triunfo, uma coisa que confesso nunca ter sentido antes, se naquele instante Victor Azevedo pudesse ler a minha mente; saberia que estou caindo de amores por ele.
Eu quis chorar quando lhe entreguei a xícara; porque não conheci ele primeiro? Porque eu ainda estava com Cainan? Ele me humilhou; ele achava que eu era a noiva dele ou o que? Eu era apenas uma garota sozinha, tímida e sem amigos, até conseguir amizade com o rapaz que todas encaravam e tentavam se aproximar, porque na verdade, ele é irresistível e todas queriam e ainda querem a companhia dele, elas, e até eles, querem sair com ele, ele tinha o poder de atrair olhares e a atenção para si, como se um holofote de luz e fogo o acompanhasse o tempo todo; e eu tive a sorte de tê-lo ao meu lado por todo tempo que estive aqui; e então estava protegida e ao mesmo tempo presa. Ele tinha auto confiança, aqueles negócios que as pessoas populares tem; você não precisa ser bonito se for confiante; mas o cara era bonito e confiante.
Eu queria desabar em cima do Victor, mas não conseguia e quando ouvi Cainan subindo as escadas, o medo me tomou e empurrar-lo foi a melhor ideia que eu tive; mesmo que no peito de Victor só aja mais osso que carne é um toque angelical, sua pele é angelical... Quando nossos corpos se chocaram algo forte me tomou, a corrente elétrica mais forte da minha vida passou pelo corpo e creio que passou pelo corpo dele também, eu sabia que ele havia sentido aquela deliciosa sensação pois vi seu rosto tomar o olhar de surpresa, o maior choque que recebemos foi quando eu toquei em seus lábios; foi algo incrível, algo que eu nunca senti antes com alguém. Mesmo com Cainan gritando e me xingando, o tempo pareceu parar, e tudo o que eu sofri foi apagado,como se minha história de amor fosse reescrita. Nossos membros ficaram colados, foram chocados um contra o outro e com certeza eu fiquei vermelha, mais nem deu para eu me preocupar com isso, pois, estava muito atenta até quando Cainan iria ficar gritando na porta do meu quarto fazendo os gritos ecoarem pelo corredor, dando aquele medo interno em mim... Ah, como foi bom ficar parada, colada ao lado dele e gelei toda vez que ouvia aqueles gritos e aquelas batidas. Era bom? Depois que o tempo ao meu redor voltou á correr, abri a mão devagar tirei do contato dele e tampei a minha boca, só de sentir seu cheiro e seu simples toque meu coração disparou. Eu quis rir, céus que droga eu fiz? Estava no quarto com um menor e ainda por cima um calouro, eu uma monitora alguém do alto escalão com um novato; tudo errado... Que porra eu pretendia fazer? Quis rir porque eu estava inquieta e estava prestes á ter um ataque de nervos por realmente ter tocado em sua boca e só de sentir a sensação, deslizei até o chão , soltei o ar e engoli secamente, pois, precisava voltar á mim mesmo quando minhas pernas tremiam. Então eu quis chorar.
Eu quis morrer porque não suportaria ser ferida pelo Cainan novamente e sofrer pelo Victor. Então nos olhamos, eu gosto de olhar para ele, ele é incrível, amável e o que parece um tanto fechado; não estava nada bem, queria mais tempo tampando a boca dele, só que com os meus lábios, o puxando mais, o pressionando mais. Ah, se Cainan me pegasse ali com o garoto, era capaz de eu apanhar e se Victor tentasse defender ele apanharia junto (ele não iria te defender Mikaele; ele nem te conhece; ele iria se esconder, você sofreria sozinha. Ele nunca me bateu, porém, já deu um tapa na Déia por ela ter falado mal dele; claro que ela não sabia que nunca se devia dizer "ramelão, trouxa falso e idiota" numa mesma frase. Uma pena, então eu não queria correr o risco de receber um tapa ou algo á mais.
Quando conseguia coragem para levantar eu caía, eu estava parecendo uma presa fácil, mas eu não tinha forças para me erguer e ele devia estar gostando de me ver totalmente vulnerável; e confesso, se ele não tivesse dito "Você pode ficar ficar comigo essa noite?" Eu teria pedido, perguntado se ele queria que eu ficasse, sua companhia era incrível e eu me sentia bem ao lado dele, foi tão bom que eu poderia passar todas as noites daquele jeito, dormindo com ele, mesmo acordando no susto, dormindo desconfortável, não há como negar, seus dedos são tão macios, sua respiração estava tão tranquila e algumas vezes agitada que me fizeram cair no sono antes de eu terminar de cantar "Le Marseillaise", o hino nacional da França; eu queria cantar algo como Edith Piaf, Josephine Baker, Carla Bruni, Charles Trenet, Jacques Brel, Claude François, Bensé... Eles têm músicas lindas, tons magnificos, mas não consegui cantar nenhuma, na hora eu não consegui pensar em nada, anuncer no adorável hino francês; preferi cantar o hino para ele já estar acostumado em uma outra nacionalidade.
Ele se virou enquanto eu pegava no sono se deitando na lateral então ainda no sono tocamos nos dedos um do outro; foi encantador, mágico. Nunca senti nada igual e até que foi bom; Ele nunca provocou isso em mim, ninguém nunca provocou essa sensação agradável em mim, e eu adorei tudo aquilo, mesmo que minhas costas estivessem doendo e eu quisesse mais que tudo beijá-lo, eu não consegui, deveria ter feito isso antes de sair correndo do quarto dele. Devia ter feito. Eu nunca vou ter uma chance dessas novamente, nunca mais e perdi. Suspirei fundo e Cainan me abraçou. Mas sabe? Não importa se eu o beijei ou não; o que eu pagaria para reviver novamente, seria aquele momento em que eu estava conversando com ele, que eu cantei para ele, que nossos dedos se tocaram...
—Bem? — Ele murmurou. — Está bem?
"Estaria melhor se fosse outra pessoa em vez de você"
—Sim. — Murmurei de volta.
—Eu não me canso de ver como você é linda.
—Uma hora você cansa! — Respondi de volta e demos risada.
Ás vezes eu gostava de falar e talvez eu até falasse muito, outras vezes eu não gostava de falar e sim, de ouvir, por outras vezes ficava muda e pensativa , como no caso de agora em que eu estava pensativa. Será que ele estaria pensando em mim? Será que estaria se lembrando dos choques elétricos que recebíamos? Será que para ele foi tão gostoso quanto foi para mim? E tantas coisas coisas que eu mal consigo processar por completo, só sei que não consigo parar de pensar naquela frase.
"Você pode ficar comigo só essa noite?"
Aquilo foi tão natural e bom, ah foi lindo, foi sedutor e romântico, foi novidade, porque eu nunca senti algo tão suave e gostoso, nunca senti tal sensação, foi como se eu estivesse em um livro, em um romance, em um filme, em tanta coisa boa, menos me sentindo normal. Uma pena que só foi por ontem, por uma noite, eu não queria que fosse por tão pouco tempo. Basicamente deveria ser uma noite inteira, uma coisa que eu nunca vou esquecer, seriam momentos de ouro e nem precisaria pensar em safadeza. Cainan me cutucou.
—Hey...
—Sim?
—Eu estava reparando que você está sem um par da sua sapatilha... — Eu gelei por completo; puxei o ar pelo nariz e soltei pela boca, eu deixei no quarto do calouro, que ele não viesse me devolver; seria educado, porém com C.S aqui não mesmo; não daria certo, nem inteligente, nem educado e muito menos fofo. — Onde está a outra?
—Eu não sei... — Mentira! — Eu acho que esqueci lá em cima...
—Você já estava sem lá em cima.
—Mas não. — Retruquei; que droga, como ele pode prestar atenção em tudo isso? — Eu tenho certeza que ontem de noite subi com os dois pares...
—Depois vê se você acha. Isso não é uma coisa boa para uma "monitora".
—Claro. — Houve uma pausa e ele passou meus cabelos para o lado deixando meu pescoço á mostra, do jeitinho que ele gostava e chegou perto da minha orelha.
—Lembra quando você comentou que gostava de sadomasoquismo? — Nossa; mais isso faz meses e quem gosta é a bendita da cunhada dele;mais ela me ensinou á gostar de ler, não digo que admiro, mais é um bom tema para se escrever. Ler e escrever.
—Hum; diga...
—Imagine a "fantasia" perfeita, eu de social, te batendo, mordendo, te dominando...
—Ah... Seria bom... — Murmurei animada, mas na verdade aquilo não me animou nem um pouquinho. — A gente vai fazer algo?
—Sim, se você quiser. — Revirei os olhos e choquei minha bunda no membro dele. Não quisesse, mas eu não sabia o que fazer; eu sabia sim, mais estava com outro naquele momento.
—Não vai pedir?
—Não é preciso pedir, sua trouxa; não tenho que pedir nada, é feio pedir, tem que acontecer naturalmente, é bem melhor, o prazer, a sensação, o calor, não me pressione para pedir, vire para mim e vamos fazer isso naturalmente.
Meu coração disparou eu tive um momento para pensar.
—Estou cansada, fiquei naquele quarto o resto da noite até agora pouco, lembra? — Ele me virou para ele e me abraçou, me fez colocar a cabeça em seu peito e me aninhou junto ao seu corpo. — E eu estou um pouco chateada.
—Oh, desculpe, não queria fazer você ficar cansada e chateada. Desculpa. — Acenei positivamente e aceitei o carinho, mesmo querendo estar nos braços de outra pessoa. Mas o destino sempre esteve do meu lado, ele vai estar do meu lado, sempre esteve e vai continuar. Por favor, destino não me faça sofrer. Por favor, não quero sofrer de amor porque eu não quero fazer ninguém sofrer,mais se for para não fazer ninguém sofrer, que quem sofra seja eu. Aquele Victor é tão inocente e amável. — Agora durma um pouco, eu estou aqui.
Era tão estranho, eu tinha uma atração amorosa, carinhosa, palpável, possivelmente atração sexual nítida, excitante, uma provocação e reação forte dentro de mim sobre aquele garoto. Isso é loucura! Uma loucura que está me fazendo enlouquecer e me fazendo querer pular de cabeça nisso de um jeito tão romântico, tão puro e real. Ah, eu tenho quase dezenove anos é o meu corpo que não aparenta isso, aparentar ser nova e querer me envolver com alguém mais novo... Preciso ser pressionada contra uma parede, preciso puxar o cabelo dele, o jogar na parede, arrancar um gemido dele, o enlouquecer. Preciso abraçar ele, preciso apertar ele contra mim mesma, preciso de tanta coisa que nem sei. Dos abraços, dos beijos, do calor, do nosso corpo junto na sintonia perfeita. Quero chegar, beijá-lo e abraça-lo e... Dorme sua louca; é o certo. Dormir... Dormir...
*
—Você confia em mim? — Ele perguntou baixinho soltando seu hálito quente sobre minha orelha.
—Você confia em mim?- Rebati, havia um tom de divertimento em nossas vozes. O encarei e ele chegou perto de mim, estávamos tão perto um do outro,ergui a cabeça para conseguir olhar o rosto dele, ele era alto, alguns centímetros mais alto que eu. Percorri seu corpo com os olhos admirando toda extensão de seu tronco, era uma criança. Mas, aqueles ossos sobre sua pele me faziam suspirar, despertavam em mim algo proibido. Era indevido
O tesão aflorou em minha pele, mas; era proibido. Passei os olhos pelos lábios ressecados e ele acompanhou o movimento com os olhos, eu pude me ver naqueles olhos castanhos tão puros, tão limpos, tão apaixonantes, me perdi neles; eram tão mais claros que os de Cainan que chegavam pá hipnotizar. Ele me puxou para perto dele me abraçando, seu corpo rígido, fraco, quente, estava pressionado e perfeitamente encaixado contra o meu, lancei os braços sobre o seu pescoço.
—Victor...
—Não fale mais nada... — Ele murmurou. — Só se guie! Nos guie.
Respirei fundo, meu coração batia descontroladamente na minha caixa torácica; que medo daquilo ser paixão; mais aquele sentimento era, é, estável, sereno. Não estou desejando que ele seja mais forte, fale mais, seja dominador, seja romântico, eu gosto exatamente dele do jeito que ele é. Não quero o transformar em um personagem como transformei Cainan. Eu o vejo com seus defeitos, ninguém é perfeito, mais do jeito que ele é; me completa. Pode ser paixão; evoluindo para o amor.
Nos abraçamos fortemente, eu pude ouvir o coração dele, enterrei o rosto em seu pescoço e respirei em seu pescoço, ele me abraçava com tanta firmeza que não havia ar corrente em nossos corpos, aquilo foi como chegar ao céu.
—Eu preciso disso...- Falei quase desesperadamente.
—Do que?
Eu o beijei, beijei antes que tivesse tempo de não o fazer, ele ficou extasiado, mais era isso que eu queria, cobri sua boca com a minha, exercendo uma pressão firme e constante em seus lábios, oh, como ele tem lábios macios, era inesperado, levando contra a força que eu segurava o seu rosto entre as mãos. Minha língua escorregou pelo seu lábio inferior antes de colocar a língua adentro. Aquilo me fez tremer, depois gemer, eu tentava beijá-lo com paciência, mais era impossível, em seguida o agarrei pela cintura e com a outra mão levei até a sua nuca, e ele fez a mesma coisa colocando a outra mão em minha bunda; aquilo foi tão...
—Desculpe. — Ele pediu descolando nossas bocas.
—Não peça desculpas...
—SUA VADIA! — Cainan apareceu exatamente do meu lado me fazendo sair de perto dele com urgência; assustada, tremendo.
—Cayn... — Ele se aproximou de mim me atingindo com um tapa perto da sobrancelha.
—Não ouse falar meu nome; como você pode me trair? Me fazer um brinquedinho pra você?
—Mas eu...
—A culpa é toda minha... — Exatamente na hora em que vi Victor me defender, o vi ele sendo espancado pelo Cainan, sem ter chance de se defender; eu quis ajudar, mais havia algo que me segurava, que me impedia de ser em frente para o ajudar; ele começou á chorar e eu pude ver o ódio nos olhos de C.S;eu fiquei com medo.
—Veja bem como esse moleque vai apanhar; pois quando eu terminar aqui, e eu vou fazer com você pior; no jeitinho que você não quer... Masoquismo.
Tremi meu corpo e comecei á gritar, eu estava assustada, estava com medo, eu não conseguia me mexer para o defender; e quando em um pulo eu consegui me mexer, eu pulei em cima de Victor e recebi um soco na cabeça.
—Não pode me trocar; não devia; eu te dei amor, carinho, atenção... — E á cada palavra era era atingida por um soco, um murro, um chute; mais eu não saia de cima de Victor; eu estava o protegendo e assim ficaria; eu ia ficar em cima dele, o defendendo de cada ataque de Cainan, mesmo que ele se esforçasse para sair; eu não iria sair. Mesmo que doesse.
—CONTINUA COM ESSE AMOR, CARINHO, ATENÇÃO...
—Vadia!
*
Acordei em um sobressalto e olhei para Cainan que estava dormindo segurando a barra da minha saia com força; eu hesitei em me mexer por um segundo. Eu não podia querer ficar com uma pessoa e estar com outra; isso era errado, sonhar e querer outra pessoa era errado. Me levantei da cama com uma rapidez e jeitinho sem acordar-lo; eu estou gostando mesmo de uma outra pessoa e continuo namorando com outra? De repente eu topei com o Cainan levantando minha saia e ameaçando abaixar a minha calcinha me olhando ameaçadoramente, fiquei sem reação; não... Aquilo não...
—NÃO! — Berrei levantando da cama com rapidez e sai correndo pelo quarto. — NÃO QUERO! NÃO ME TOCA! SAÍ!
Eu estou louca, assustada, tenho medo de acontecer o que aconteceu no sonho, eu sonhei com ele e me dei conta de que eu não conheço ele na verdade, só o vi no dia da sua chegada, dormi no mesmo quarto que ele e acabei de sonhar com ele. Sair correndo não é a coisa mais inteligente á se fazer, mais eu passei por outro universo, outra realidade que aceitei e agora eu não queria aceitar a realidade em que estava, abri a porta, sai correndo abafando os gritos de medo e pavor, chorando pelo corredor, descendo escada por escada; não. Não. Eu estava desnorteada e estava chorando e queria vomitar, eu não tinha nem noção para onde estava indo só sabia de pouca coisa.
Eu precisava de um abraço.
Eu estava apaixonada. Louca de amor.
E então eu descobri uma coisa:
Ele não estava apaixonado por mim. Talvez nunca estivesse.
E vi mais:
Éponine estava o beijando, na boca; com fervor.
Depois daquilo, o inverno de Paris em que eu estava encarando não estava me incomodando tanto.
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