Notas iniciais
O ocorrido nessa fanfic é ficcional e criado por mim. A história se passa em algum momento na terceira temporada depois que o Jeremy vai embora de Mystic Falls. Eu fiz como se ele estivesse voltando. Só vi a série até o espisódio em que ele vai embora, então se algo estiver fora do contexto da série, ignorem. Bem, é isso. Leiam e divirtam-se. Qualquer coisa é só me mandar MP.

E Em Meio Às Diferenças...

Capítulo Único

Chegara à cidade há pouco. Não avisara Elena que viria. Estava morando com os tios há mais ou menos 06 meses, mas como não se acostumou à vida nova e pacata, resolveu voltar. Não se lembrava bem os motivos pelos quais resolveu partir, mas sentia que o seu lugar era em Mystic Falls.

Antes de ir para sua casa, seguiu para o grill, onde tinha marcado de se encontrar com Bonnie. Chegou ao local já procurando com os olhos pela ex-namorada e logo a avistou. Sorriu ao vê-la e quando ela também o viu, levantou da cadeira onde estava sentada e correu para abraçá-lo.

Bonnie ficou visivelmente emocionada ao ver o irmão de sua melhor amiga e também ex-namorado. Pegou em suas mãos e olhando-o de cima a baixo, perguntou se ele estava bem.

— Sim, Bonnie, eu estou bem e você? – ele respondeu gostando de ver a alegria da menina ao reencontrá-lo. Talvez fosse isso que sentisse tantas saudades da cidade e das pessoas que ali viviam: sentia que todos ali gostavam e se preocupavam com ele verdadeiramente, sentimento que não via vindo dos tios.

— Ahm, muitas coisas aconteceram desde que você se foi, você sabe, essa maluquisse toda com vampiros e lobisomens. – Bonnie disse desconfortável. Esse era um assunto do qual não gostava. Só permanecia na cidade porque sentia que com os poderes que recebera, vinha também o dever de proteger quem amava. Só que todos que mais amava estavam de certa forma, envolvidos nesse mundo sobrenatural.

— Hum, entendo. – disse sorrindo de leve. — Será que poderia arranjar um lugar pra eu ficar, tipo na sua casa? É que não avisei a Elena que eu viria e também sinto que não devo ficar naquela casa. Sabe... Tantas coisas ruins aconteceram lá. E eu andei tendo uns sonhos esquisitos em que minha irmã e o Damon apagam minha memória novamente. Acho até que é por isso que resolvi ir embora da cidade, mas não sei bem. Eles se preocupam demais comigo, como se eu fosse um garotinho indefeso, só que eu não sou. – Concluiu desgostoso.

Bonnie o olhou com um olhar que diz “eu aprontei uma com você, mas é pro seu próprio bem, então desculpas, mas não posso te ajudar agora”. Ele compreendeu o que ela fez somente com esse olhar dela.

— Me deixa adivinhar: você contou pra Elena que eu estava voltando, não foi? – disse magoado. — É sempre assim, todo mundo apronta coisas pelas minhas costas e me trata como se fosse uma criança.

— Jeremy, entenda – Bonnie pediu suplicante. — Elena é minha amiga e confiava em mim. E eu também me preocupo com você, por isso não poderia esconder isso dela.

— Eu também sou seu amigo Bonnie, e confiei em você. Pensei que me ajudaria, mas já vi que estava enganado. – volveu sentido. —Aliás, é verdade que ela e aquele vampiro filho da mãe apagaram minha memória de novo e me convenceram a ir embora, não é? E você sabia, não sabia? – como a resposta da bruxinha não veio, ele concluiu que sim.

Ele saiu pisando duro do lugar, não dando ouvidos pros chamados de Bonnie. Logo que saiu, avistou Elena e Damon que chegavam. Claro, provavelmente Bonnie os tinha avisado que ele estaria ali.

Em vez de seguir em frente e encarar os dois que estavam vindo, aproveitou que eles não o viram, e escapou pela lateral do local, sendo escondido por alguns carros que ali estavam estacionados.

Saiu andando pela cidade sem um rumo certo, apenas querendo fugir das cobranças e sermões da irmã. Ele é quem deveria cobrar e dar sermões nela e não o contrário, pois era ela quem estava envolvida até o pescoço com os problemas sobrenaturais que vinham assolando Mystic Falls.

Desde que seus pais faleceram, ele se sentia desnorteado e esperava poder contar e confiar na irmã, mas apesar de saber que os motivos dela o querer afastado da cidade eram os melhores, ele não admitia que o tratassem como um moleque inconsequente, apesar de também ter vivido um período assim.

Sentado no gramado em frente ao colégio estava Tyler. Ele parecia pensativo e magoado com alguma coisa e vendo-o na mesma situação que ele, sentou-se ao seu lado.

— Tyler, o que faz aqui sozinho? – perguntou tentando puxar conversa. Nunca se deram muito bem e todo o desentendimento entre eles começou por causa do relacionamento de ambos com a Vicki Donovan.

— Provavelmente o mesmo que você. – respondeu grosseiramente, mas logo que percebeu que o Jeremy não tinha nada a ver com a sua raiva no momento, ela diminuiu. Percebendo que o outro se levantaria do chão, disse. — Desculpas, é que desde que me tornei hibrido que meus sentidos foram aumentados, e tudo que sinto, desde o afeto até a raiva, se ampliaram.

— Já ouvi falar disso. Então quer dizer que o seu ódio por mim aumentou hein? – riu olhando-o de cima enquanto se preparava para continuar andando em busca de um lugar pra se esconder da irmã. — Tô indo então antes que te irrite a ponto de virar seu jantar. – disse por fim e saiu.

Tyler riu com o canto dos lábios e também se levantou, seguindo apressadamente Jeremy, até que o alcançou.

— Quando você voltou? Fiquei sabendo que tinha ido morar com seus tios.

Jeremy percebendo que o outro estava ao seu lado, respondeu: — É, mas descobri que fui embora contra a minha vontade e decidi voltar. – disse com mágoa novamente, deixando claro o que tinha acontecido.

— Sei como é que é. Como disse, desde que me tornei lobisomem que minha vida mudou, que me sinto sem controle. Antes era devido a não conseguir controlar a mutação de homem pra lobo, agora é devido a não conseguir controlar meus instintos e obediência ao Klaus. Desde que me tornei híbrido eu o obedeço mesmo que inconscientemente e contra a minha vontade. Até machuquei Caroline a pedido dele. Agora ela não fala mais comigo.

— Nossa eu não sei o que dizer. Eu aqui me queixando dos meus problemas, quando os seus são bem maiores.

Continuaram conversando e seguindo em direção sabe-se lá onde. Jeremy contou que no momento estava se escondendo da Elena e que não tinha onde ficar. Tyler prontamente lhe ofereceu abrigo, afinal a casa onde ele morava era enorme, uma verdadeira mansão, e não tinha porque deixar o outro na rua.

— Sério cara?, me ajudaria muito se pudesse ficar em sua casa. É só por essa noite. Amanhã mesmo procuro a Elena e me resolvo com ela. – disse verdadeiramente agradecido. Quem diria que um dia Tyler Lockwood estaria lhe oferecendo ajuda. Se bem que antes de ter partido de Mystic Falls, ele também o ajudara, mas era a pedido de Klaus. Então será que agora também era? Não! Não era, afinal Klaus nem sabia que ele tinha voltado.

— Não precisa ficar preocupado. Não estou obedecendo ao Klaus nesse momento. Ele nem sabe que você voltou. – disse percebendo as dúvidas do outro em relação a si. — Vai ter uma festinha na mata hoje, perto do antigo cemitério. Vamos?

A última vez que o Jeremy foi a uma festinha no antigo cemitério o resultado não foi muito bom. Na verdade quase morrera. Mas antes fora a muitas festinhas lá junto com a Vicki e era sempre bom. Sempre conseguia dispersar seus pensamentos ruins. Então decidiu que iria aceitar o convite.

— Claro, vamos sim. Vai ser bom para desestressar um pouco.

Chegaram à mansão dos Lockwood. Tyler avisou a mãe que o Jeremy Gilbert ficaria ali àquela noite. Ela achou bom que o filho tivesse um amigo normal além do Matt, ainda que esse amigo normal pelo que ela tinha entendido fosse irmão da causadora dos recentes problemas que aconteceram na cidade. Não que Elena fosse a real causa desses problemas, mas ficara sabendo que os vampiros retornaram a Mystic Falls atrás do sangue dela. Então, uma coisa tinha relação com a outra.

Levou as coisas de Jeremy ao seu quarto. Deitaram na cama e ficaram conversando sobre a onda de sobrenaturalismo que vinha ocorrendo por àquelas bandas, trocando informações, opiniões e até risos sobre os seres sobrenaturais que ali decidiram morar. Foi nesse clima que Jeremy pegou no sono. Ele estava muito cansado, pois não tinha conseguido dormir durante a viagem.

...

Era por volta das 20h. Tyler acabara de sair do banho e decidira acordar o “amigo” que dormia em sua cama. Chegou perto e balançou pelos ombros o garoto que ressonava tranquilamente.

— Ei Jeremy, acorda. Já tá tarde e se não se arrumar agora, não vai dar tempo de irmos ao cemitério. Tenho que passar no supermercado ainda comprar umas cervejas.

Jeremy, que estava sonhando um sonho esquisito envolvendo Tyler e Vicki, acordou sobressaltado.

Observou o rosto bonito que o olhava como se perguntasse se estava tudo bem, e respondeu que já estava indo pro banheiro. Que esquisito mesmo, achou o rosto de Tyler bonito? Não que ele não fosse bonito, mas era um homem. Riu, achando graça de si mesmo, e mentalmente colocando culpa nos eventos místicos dos quais participou.

— Nossa, levantou rindo, pelo jeito teve um sonho bom com algo ou alguém. – Tyler disse depois de ouvir o riso fraco que o outro deu ao se levantar.

O sonho, na verdade, não foi tão bom assim. Estava mais pra pesadelo. Mas deixaria que Tyler pensasse que havia sido. Não contaria a ele que estava rindo do fato de, por um momento, ter achado Tyler bonito.

Abriu sua pequena mala, pegou umas roupas e rumou para o banheiro. Tomou um banho demorado, no qual aproveitou para pensar o que faria na manhã seguinte e saiu já vestido, faltando somente calçar os sapatos, ajeitar os cabelos e passar um perfume.

Quando saiu do banheiro, pronto para terminar de se arrumar, reparou que Tyler ainda estava apenas de cueca, deitado pensativo sobre a cama. Inconscientemente reparou no corpo malhado dele, e quando deu conta disso, desviou o olhar corado. Mas que coisa! O que estava acontecendo afinal? Seria talvez um efeito que os híbridos causassem sobre os humanos em geral, tanto homens quanto mulheres? Resolveu não querer saber a resposta para sua pergunta. Apenas apressou Tyler a se arrumar também.

Tyler percebeu que não tinha visto o tempo passar. Tinha deitado na cama apenas para aquietar seus pensamentos um pouco antes de começar a se ajeitar para a festa e quando viu, Jeremy já saía o banheiro.

Reparou o olhar que o outro lhe deu. Achou esquisito, mas decidiu não comentar, afinal seria constrangedor ter de conversar com o próprio Jeremy, sobre ele estar lhe lançando olhares duvidosos.

E ele também só percebeu o tipo de olhar que Jeremy lhe deu, pois também ele, um dia, já o olhou assim.

Foi logo após a morte de Vicki, momento em que ambos estavam desolados com a falta dela. Jeremy mais que ele, sabia disso, afinal nunca gostara dela de verdade. Ficava com ela porque alem dela ser uma gata, conseguia afrontar diretamente o Gilbert mais novo, o qual nunca foi com a cara. Bem, achava que nunca tinha ido com a cara, pois depois percebeu que sentia uma atraçãozinha por ele e tinha um pequeno ciúme dele com a irmã do Matt.

Terminaram de se ajeitar e partiram para a festa. Antes passaram no mercado comprar as bebidas como o combinado.

...

A clareira no meio da mata dava pra ser notada de longe. Bem, ao menos no começo da festa dava. Agora, como a fogueira a qual acenderam já estava com o fogo baixo, a claridade já não era tanta.

Os jovens que ali se encontravam estavam em sua maioria bêbados. Alguns até deitados pelo chão coberto por folhas. E alguns além de bêbados estavam drogados. Um garoto, conhecido de Jeremy, o ofereceu um baseado. Ele iria aceitar, mas Tyler o impediu, dizendo não poder hospedar em sua casa um garoto que além de bêbado, estaria drogado. Caso ele fumasse algo, teria que levá-lo até a casa da irmã ou a antiga pensão onde os Salvatore viviam. Ele que escolhesse. Então, escolheu não fumar nada. Tyler estava certo. Apesar das drogas lhe trazerem um alívio imediato, depois que o efeito passava, ele ficava pior do que estava antes.

Beberam, se divertiram e quando acharam que era hora, entraram no carro e foram embora.

Entraram na casa devagar, tomando cuidado pra não fazer barulho. Odiariam acordar a anfitriã Lockwood àquela hora. Ela era muito passiva, mas quando lhe tiravam do sério, que saíssem debaixo. E Tyler sabia disso. Por isso, agarrou o Jeremy que estava um pouco cambaleante e o levou as pressas para cima.

Chegando ao quarto é que percebera que não tinha pedido que arrumassem um lugar para o Jeremy dormir. Nem um quarto de hóspedes, nem um simples colchão haviam preparado.

Suspirou, lembrando dos pensamentos e olhares mais cedo, duvidando se era o certo deixar que Jeremy dormisse junto consigo em sua cama. Bom, Jeremy não sabia o que ele havia pensado, nem que já havia sentido atração por ele, e conhecendo ele como conhecia, achava que ele também não diria nada dos olhares que direcionou a si àquela noite mais cedo. Então, preparou a cama com dois travesseiros e o edredom.

Jeremy, que observava tudo em silêncio, quis questionar o Tyler por ele estar arrumando a sua cama com dois travesseiros, e o fez.

— Nós vamos dormir juntos? – perguntou o óbvio.

— Sim, qual é o problema?

Quis responder que o problema era ele ter o olhado com certo desejo mais cedo, mas ficou quieto. Só balançou a cabeça em negativa e respondeu que nenhum.

Foi ao banheiro, escovou os dentes com os dedos, pois sua escova estava dentro da mochila e ele estava com preguiça de pegá-la, e jogou um pouco de água fria no rosto, pra ver se os sinais de embriaguez passavam um pouco. Voltou ao quarto, tirou suas roupas ficando apenas de cueca, e se jogou na cama de braços abertos.

Tyler observou os gestos do outro e achou sensual o jeito que ele deitou. Só não diria isso. Fez o mesmo que o outro: foi ao banheiro e fez o que tinha que fazer, logo voltando ao quarto, tirando a roupa e se enfiando debaixo do edredom, empurrando o outro pro lado um pouco, para que pudesse se acomodar melhor.

— Jeremy, vai pra lá um pouco cara. Não tem como eu deitar aqui, vou cair da cama desse jeito.

Jeremy que já estava sonolento, aceitou o que o outro disse, indo pro lado, e também se enfiando embaixo do edredom que dividiriam. Sem querer acabou resvalando sua perna nas coxas de Tyler, se assustando e empurrando seu próprio corpo pra trás, num impulso rápido de querer se afastar.

Tyler percebeu a atitude do outro e ficou constrangido. Achou que era melhor pegar outro edredom para Jeremy, assim não ficariam se encostando durante a noite.

Jeremy percebeu que Tyler iria se levantar e o puxou pelo braço. Achou que ele iria dormir no sofá ou em outro lugar, então achou melhor dizer que não tinha problemas dormirem juntos, que ele tentaria não encostar mais nele durante o resto de noite. Mas não deu tempo de dizer, pois com o puxão que deu no braço do outro, Tyler acabou caindo sobre si, deixando-os cara a cara, como se estivessem prestes a se beijarem. E aconteceu. Um beijo rápido, mas feroz e fogoso. O suficiente para quererem repetir a dose e se agarrarem de vez sobre a cama.

Trocaram diversos beijos; alguns simples e rápidos, outros mais vorazes e demorados. Logo as carícias começaram. Eles resvalavam suas mãos pelo corpo um do outro, querendo conhecer detalhadamente cada parte que tocavam.

Foi em meio a esses beijos e toques que aconteceu. Eles não só passaram a noite juntos, como tiveram uma ardente e apaixonada noite de amor.

Amanheceram abraçados. Tyler deitado sobre o peito de Jeremy, sua cabeça entre a cabeça e o ombro do mais novo, de um modo que fungava o pescoço de Jeremy o deixando arrepiado.

Quando acordaram ficaram muito constrangidos. Muito mesmo, a ponto de não conseguirem olhar um para a cara do outro.

Jeremy fez suas necessidades matinais, aproveitando para se vestir no banheiro, pegou sua mala e mochila, já saindo para ir embora. Antes que ele partisse, Tyler tomou coragem e o jogou contra a parede próxima a porta, devorando sua boca novamente, beijando também seu rosto e pescoço, numa despedida que deixava um gosto de quero mais.

Por fim se despediram. Jeremy sorrindo abertamente aquele sorriso que deixava Tyler sem reação, meio abobalhado, e Tyler o olhando com aquele olhar de predador que lhe era tão característico. Combinaram de não comentar mais o ocorrido; deixariam que o destino lhes mostrasse que rumo tomar. Vez ou outra se encontravam e pintava um clima. Algumas vezes se rendiam às vontades e se entregavam um ao outro novamente.

E em meio às diferenças, surgiu um sentimento inesperado... O desejo!

FIM.

Imagem do Tyler e do Jeremy se beijando para atiçar a imaginação de vocês.

Notas finais
Esperam que tenham gostado. Comentem para dizer o que acharam, pois é sempre bom ouvir (ou ler) outras opiniões. Mas sem ofensas, por favor.Relevem os erros.Obrigada por ler.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!